lupe-lmendiola:
— Não precisa se preocupar, Simón. Eu fecho tudo. — Garantiu ao último garçom que terminava de arrumar suas coisas. Vez ou outra a jovem Mendiola gostava de ser estrategicamente designada para ser a última no local, pois assim conseguia utilizar o maravilhoso piano disposto no meio do bar usado pelos músicos que Allison às vezes contratava. Ela sabia - ou ao menos imaginava - que Allie permitiria que a mais nova utilizasse o instrumento em outros momentos se pedisse, mas a ideia de contar para a outra que escrevia musicas lhe causava ansiedade. E se quisesse ler alguma? Pior, se quisesse ouvir? Pior ainda, e se a mulher achasse ruim? Não, era melhor manter aquele detalhe para si mesma e utilizar o piano quando conseguisse - como naquela noite. Simón se retirou a contragosto após Guadalupe assegurar que não precisava de companhia para o ponto de ônibus, mesmo que ele reafirmasse o quão perigoso podia ser ficar no local sozinha ali tarde da madrugada. Dizer que ela não se importava seria um exagero, mas certamente valia a pena. Além do mais, só precisava trancar as portas e apagar algumas luzes, deixando somente uma mais próxima da cozinha que iluminava o suficiente para escrever e dançar com os dedos nas teclas pesadas. — Tchau, mi amor. — Ela sorriu, como se tivesse finalmente vencido a guerra, enquanto fechava a porta por onde o colega havia saído. Antes que pudesse trancar como sempre fazia, o celular em seu bolso vibrou e ela suspirou ao ver de quem se tratava. Com a distração, enquanto pensava no que responder, ela caminhou para dentro e acabou esquecendo de utilizar a tranca como deveria. Buscou no armário de funcionários seu caderno rosa e velho, um pouco desgastado pelo tempo. Sabia que devia comprar um novo, mas seu apego emocional pelas páginas daquele objeto rosado era demais para substituir. Finalmente sentada em frente ao piano a jovem dedilhou algumas notas, tocando brevemente as já bem conhecidas da música favorita nos últimos dias. Depois de se “familiarizar”, abriu o caderno nas últimas páginas escritas e riu fraco com o título da canção que escrevia já há algumas semanas. A letra cursiva e caprichosa da mexicana num tom tão rosa quanto a capa dizia: “Vanity”. Ela tocou a breve introdução, antes de acompanhar os dedos com a voz. Ela não se preocupava muito em cantar baixo naquele horário já que a rua era principalmente comercial e já não havia mais nada aberto.
Vanity
I’m caught in your fingers
Yelling out your name, I’m yelling out Vanity
Can’t sleep without you on my mind
I’m addicted to Vanity
Love stronger than ketamine or metamphetamine
Draining my soul right out of my body
Draining my soul right out of my body
But I’m yelling out, Vanit...
Antes que pudesse continuar, a nota utilizada a fez bufar com a frustração. Não parecia certa, e ela sempre empacava naquele pedaço. Repetiu o verso outras duas vezes, tentando algo diferente, mas ainda sim não parecia estar bom o suficiente. Foi quando uma voz a fez soltar um grito assustado e olhar tão rapidamente para trás que bateu o cotovelo nas teclas, não somente se machucando mas fazendo um grande barulho. — ¡Mierda! — Talvez estivesse ficando louca, mas tinha quase certeza de que o homem não havia mencionado nada sobre assalto e sim sobre notas musicais. De qualquer forma, precisava confirmar. — O que disse?
@fitzsebastian
Desde que voltara para Chicago, Sebastian havia encontrado paz nas noites da cidade e não da forma como usualmente fazia. Talvez o rapaz precisasse cuidar do seu emocional e coração partido de outra forma, mas por enquanto escrever sobre seus sentimentos e um maço de cigarros enquanto caminhava nas ruas da cidade dos ventos eram suficientes. Por mais que odiasse trabalhar com seu pai e estar longe da música, Bash estava dominado pela sede de vingança e mostrar para o irmão que era o melhor independentemente do que o mais velho pudesse fazer, essa briga de ego estava indo longe demais, mas Sebastian não pretendia parar tão cedo. Aquele já era o quarto cigarro que acendia quando notou as luzes do Bart’z acessas enquanto ele virava a esquina, normalmente o lugar já estava fechado aquele horário e Sebastian começara a se perguntar se um de seus lugares preferidos na cidade havia trocado de horário no tempo em que esteve fora.
Apressado, Sebastian atravessou a rua e jogou o cigarro pela metade, que estava entre os lábios, no chão. Ao empurrar a porta, como sinalizava na placa colada no vidro da mesma, Sebastian se surpreendeu ao se deparar com o local sem funcionalidade, entretanto tudo que havia ali era uma voz que o rapaz, com certeza, nunca havia ouvido antes - ele com certeza se lembraria. O tom de voz da garota era forte e marcante, um tanto quanto grave e conseguia atingir notas altas. Sebastian ficou hipnotizado. Talvez fosse a voz ou talvez pelo primeiro contato com a música desde que voltara da Europa. Sebastian lembrou-se de todos os pequenos shows que havia feito em pubs pelo continente e ali ele percebeu como aquilo lhe fazia falta. A garota estava tão imersa com a dificuldade de encontrar a nota certa que nem notou a presença de Sebastian ali
“Tenta um lá menor” sugeriu. Como imaginava, a garota se assustou com sua presença e o rapaz sorriu assim que pode fita-la “Eu disse pra você tentar um lá menor. Desculpa, eu não quis te assustar! Eu estava passando por aqui e vi as luzes acessas, imaginei que estivesse aberto. Estava fora da cidade por um tempo, achei que vocês haviam mudado o horário ou algo do tipo” ainda com um sorriso nos lábios, Sebastian sentou-se ao lado da garota em frente ao piano e, suavemente, tocou a nota que havia proposto “Viu?! Com certeza se encaixa nesse verso que você estava quebrando a cabeça pra deixar perfeito. Meu nome é Sebastian, by the way” se apresentou, virando-se para olhar a menina que agora estava próxima de si.









