Não te desejo o mal, mas torço pelo desencontro.
Torço para que o tempo nos mantenha distantes, para que o acaso não brinque com as feridas que levei tanto tempo para fechar. Que a vida seja generosa com você, mas em outra direção. E não, isso não é rancor. É apenas a lucidez de quem aprendeu a reconhecer o próprio limite depois de se perder tentando ser inteira em meio ao caos.
Quero que a vida te sorria, mas que o teu sorriso nunca mais atravesse o meu caminho. Porque há pessoas que a gente ama, mas não suporta mais reencontrar. Há lembranças que, por mais bonitas que sejam, machucam só de existir. E não é justo precisar reviver a dor só porque o destino insiste em testar a nossa resistência. Eu quero paz, e a tua presença, ainda que breve, carrega uma tempestade que eu não quero mais enfrentar.
Desejar o desencontro é uma forma de amor também. Amor por mim, por tudo o que restou depois da tua passagem. Porque por muito tempo eu desejei reconciliação, explicações, respostas. Hoje, só desejo silêncio. Um silêncio que proteja, que preserve, que mantenha o equilíbrio que encontrei depois de tanto desabar. Já não preciso ouvir o teu nome ecoando nas esquinas da minha vida. Quero que a lembrança fique onde pertence: no passado.
Não quero cruzar contigo por acaso e fingir que nada aconteceu. Não quero aquele meio sorriso desconfortável de quem carrega história demais para resumir num “oi”. Quero seguir, livre, calma, inteira. Quero poder respirar sem a sombra de um reencontro pairando sobre mim. Há despedidas que não precisam ser ditas duas vezes, e a nossa é uma delas.
Que o universo entenda o meu pedido e alinhe tudo para que nunca mais estejamos no mesmo lugar, no mesmo dia, no mesmo horário. Que cada uma siga sua rota sem interferência, sem coincidências, sem retornos. Há dores que não cabem mais em nenhuma tentativa de reaproximação. E há histórias que, por mais intensas que tenham sido, precisam morrer para que a gente possa viver de novo.
Eu não te odeio, e talvez esse seja o ponto mais difícil de todos. Porque o ódio ainda seria uma ligação, e eu não quero mais nenhuma. Só quero distância. Quero tranquilidade. Quero que o teu nome não provoque mais lembranças, que o teu rosto não desperte mais memórias. Que tudo o que um dia foi, se dissolva devagar, até virar apenas aprendizado.
Eu te quero bem, mas longe. Te quero leve, mas ausente. Te quero feliz, mas fora da minha vida. Não quero te ver tropeçando, mas também não quero ser o chão onde você pisa. Cada uma com o seu caminho, com o seu fardo, com as suas lições. A minha já foi aprendida, e a tua, eu espero, também será.
Porque no fim das contas, desejar o desencontro é, paradoxalmente, desejar a cura. É dizer ao destino: “obrigada pelo que foi, mas eu escolho não repetir.” E essa escolha, embora pareça fria, é profundamente amorosa, comigo, com a vida, com o que ainda está por vir. Que nossos caminhos nunca mais se cruzem, e que, de longe, o universo nos mantenha em paz.