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emileumanoites:
Passados alguns minutos após a ápice da discussão com Snowflake, a animosidade entre os dois alunos ainda era sentida mesmo no silêncio. Ainda assim, Emilio estava mais preocupado com a dor que sentia em suas costelas. Sentado entre duas carteiras, o jovem acabou retirando a blusa extremamente larga, tocando nos pontos que conseguia enxergar. As costelas, entretanto, pareciam fraturadas, mas não transpareceu qualquer desconforto perante o outro. Ainda que fosse um feérico, era apenas cinquenta por cento de seu ser e, ainda assim, bater com tanta força contra a quina de uma mesa era passível de fratura. Enquanto voltava a vestir-se, fora interrompido por uma garota, fazendo-o soltar uma risada nasalada com pedido alheio. Não tivera tempo de responder, pois Floquinho já estava respondendo por ele. “Vai se foder, Snow! Eu sei falar por mim mesmo.” Rispidamente o respondeu, retornando para a garota. “E você vai se foder também, Kitkat. Eu não vou fazer merda de feitiço nenhum pra você nem nenhuma das suas colegas. Já dá o recado. Bando de pau no cu. Por que vocês não usam seus poderes também? Fica lambendo o cu do Rei Adam e ele só faz proibir uso de magia. E pra quê? Pra se manter no poder e vocês são burros e ficam aí comprando o discurso de igualdade. Igualdade é o caralho.” Empurrou uma cadeira nervosamente. “E Floquinho tá certo: corna pra caralho você. Se quiser que eu revele, nem preciso de feitiço. Jonas te traiu com metade da turma. E não tô falando só de mulher não. Tu é corna dos dois lados.”
O que é isso? Um cabaré? Snowflake pensou, ao ver Emil removendo a camiseta bem na sua frente. Quase verbalizou a tirada, no entanto, teve a atenção chamada por duas cicatrizes nas costas do príncipe. Em um primeiro momento, supôs que fosse apenas um ferimento deixado pela briga — ele próprio estava com um corte na maçã do rosto, inchada e colorida de púrpura devido ao golpe de Emil, chegando a seu olho esquerdo —, contudo, algo lhe parecia estranho. Talvez fosse a perfeita simetria, o fato de já estarem cicatrizadas... E seus devaneios foram interrompidos pela chegada de Kathy.
"Eu não estava te defendendo” resmungou, enfezado. Era aquilo que ganhava por ser minimamente legal com os outros! Certo, não estava pensando no bem estar de Emil ao responder Kathy e sim nos direitos de todas as criaturas mágicas, porém não podia evitar sentir-se ressentido pela desfeita. Ainda assim, bastou que o príncipe continuasse a dispensar a filha da Branca de Neve para que o respeito de Snowflake por ele aumentasse ligeiramente. Em uma cultura com tantos que abaixavam a cabeça para a corte, realizando pedidos ou abdicando dos poderes, era um verdadeiro alívio encontrar outro ser dotado de magia que ousava enfrentar os humanos. Snowflake levantou-se e apagou o cigarro na mesa, movido pelo orgulho e pelo senso de justiça. “Isso aí! Igualdade é o caralho! Não somos iguais e não vão nos forçar a ser porque vocês são um bando de inúteis com dons mixurucas. E não servimos vocês! Nem nós fadas nem...” e olhou para Emil “seja lá o que ele for! Chega de opressão!” No auge da empolgação e dos efeitos do açúcar, Snowflake buscou o ukelele na mesa do professor e tocou algumas notas, transformando os cabelos negros sedosos da princesa em uma bagunça esverdeada. Sorria satisfeito enquanto a via entrar em pânico. “Pode espalhar a palavra, Kathy.”
dcrlingx:
“ — Floquinho, caralho, abre essa porta que eu preciso fazer xixi!” Batidas incessantes no metal da Kombi branca indicavam a urgência da Di Dormant. O caminho do castelo de Auradon para a colônia de fadas era longo, contra intuitivo, e Darling cometera o erro de percorrê-lo enquanto esvaziava um copo extra largo de refrigerante (a primeira parte de uma série de guloseimas que estufavam sua mochila). Mas ela precisava da ajuda do colega… e tinha vindo preparada. Antes, porém, precisava resolver assuntos mais fisiológicos. “ — Se você não abrir eu vou ser obrigada a fazer na grama! E tenho certeza que nem eu, nem você queremos isso.” ameaçou, cruzando as pernas.
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Snowflake ouvia música em seus fones de ouvido e amassava uvas em uma bacia com os pés — uma vizinha havia dito que o hobby lhe ajudaria a controlar melhor a raiva — quando reconheceu a voz de Darling dizendo algo sobre sua grama. Provavelmente deveria estar preocupada por não tê-lo visto a caminho do colégio ou algo assim. A fada revirou os olhos e se esticou para abrir a porta, sem tirar os pés da bacia. “Eu não vou na aula hoje, se eu for vou matar alguém” se explicou, antes que Darling dissesse qualquer coisa. Estava acostumado às broncas dela, que constantemente tentava agir como se fosse sua mãe, embora tivessem a exata mesma idade. “Suco?” ofereceu.
octpolpo:
Ir devolver um livro nunca foi tão emocionante quanto aquele dia, Octavia observava de longe uma briga acontecer. Um rapaz, que sem querer ofender, caso ele pudesse entender como, mas tinha o aspecto de uma fada e outro gótico que estava determinado em irritá-lo. No entanto, a confusão não demorou muito para acabar uma vez que um deles começou a apanhar de um uquelele manuseado pelo outro e fugiu. Achando engraçada a cena, Octavia aproximou-se do rapaz fada enquanto observava ele segurar o uquelele. “Então é assim que resolvemos os problemas em Auradon? Foi uma belo golpe, fez ele desistir da briga rapidinho.”
"CORRE DA FADINHA, VAI! CORRE!” esbravejou, vendo seu oponente bater em retirada. Aquela não era a melhor tática para espalhar a palavra dos direitos das fadas, é verdade, mas ao menos deixava Snowflake satisfeito em mostrar que não eram criaturas indefesas e servis como mostradas nos livros. Conforme a torcida ia se dissipando, ele notou a aproximação de uma das garotas da Ilha. “É o único jeito de impor respeito nesses filhos da puta” explicou, já mais calmo. “Mas não recomendo que você faça isso. Vão te mandar de volta sem pensar duas vezes.” Por algum motivo, Snowflake simpatizava com parte dos filhos de vilões. Ainda era cedo para dizer como seria o futuro deles, no entanto, percebia que vinham sendo extremamente julgados desde que chegaram a Auradon.
henriquessa:
Se perguntassem para Henri o que ele sabia sobre especismo, diria que era relacionado às espécies diversas ofensas sobre elas. Mas o seu conhecimento parava ali. Não sabia mais do que aquilo, portanto, não tinha qualquer comentário para dar a Snowflake quando explicou o seu ponto. Ajeitou sua postura, passando a mão no uniforme sempre devidamente passado, e depois realinhou os fios loiríssimos. “Eu entendi. Nada de tom pejorativo, viu?” Murmurou para o colega caído e visivelmente machucado. “Mas, se me permite a observação, sem me ameaçar com o instrumento musical, mas não seria mais correto explicar sem violência? Porque, bem, não é porque ele não vai mais te chamar de fadinha, de forma pejorativa, que isso vai mudar a cabeça dele, não é? Apenas ficará com medo de repetir. Isso não é educação.” Negou. Mamãe sempre dissera que o melhor era sentar e conversar, sem violência; assim como, também, perdoar. Claro que era rancoroso demais para perdoar facilmente, mas perdoava da boca para fora e isso sempre fazia mamãe feliz quando contava. Eventualmente, perdoaria em seu coração. “E eu não tenho poder para mandar ninguém para a Ilha… E eu não acho que irão mandar ninguém de volta, não é? Pois, bem, estão trazendo pessoas de lá.” O que era bom e ruim, mas não possuía uma opinião formada sobre tudo.
Snowflake escutou o discurso irritante do princepezinho sem dedicar um pingo de esforço para segurar as reviradas de olhos. Tinha os braços cruzados sobre o peito escondendo parte da estampa florida de sua camisa, pareceria um hippie se não fosse pela carranca no rosto. “É, eu não vou para lá, eu sou filho da Cachinhos Dourados, duh” seu oponente declarou, antes de dar uma risada debochada e deixar os dois sozinhos no corredor. “Você tem que ser muito idiota pra achar que um cara desses quer diálogo!” Indignado, Snowflake apontou o ukelele na direção do colega que partia. Devia transformá-lo em uma barata e prendê-lo em um pote de geleia, isso sim. Se Henri não estivesse presente, talvez cedesse à tentação. “Eles só querem rir às nossas custas e nos usar para conseguirem finais felizes, enquanto nós somos esquecidos, infantilizados, proibidos de usar nossa magia a não ser que seja para ajudar um novo rei filho da puta a nos explorar com a bênção da Fada Madrinha! Já parou para pensar por que todos da corte vivem felizes para sempre enquanto ela enche a cara? Ninguém que é feliz enche o cu de pinga e desmaia no escritório.” Havia algo muito errado com a diretora da Auradon Prep School, Snowflake sabia, restava descobrir o quê.
emileumanoites:
Quando as mãos do fae colidiram com o corpo de Emil, um “ouch” alto e surpreso saíra de seus lábios, sentindo as costas baterem contra um objeto com um baque altíssimo antes do seu corpo bater contra diversos objetos. O príncipe rolou pela sala, sentindo pequenas pontadas agudas contra costelas, lombar e qualquer local que batera, o corpo sofrendo pela inconsequência de seu dono. Enquanto voava, sentiu suas costas queimarem, como se o que sua mãe arrancara estivesse fazendo falta. Quando caiu no chão, estava perto de chutar floquinho para dar tempo de se recuperar o suficiente quando percebeu que ele não se aproximou. Poderia ter partido para a porrada novamente, mas quem o ajudou a se levantar também o segurou para que não partisse para briga com o garoto que não estava preso pelas asas. Ouvindo a provocação do fae, seguraram um Emilio que se debatia para alcançar Floquinho. “EU VOU QUEBRAR A SUA CARA, SEU MERDA! ESPERA SÓ ESSE OTÁRIO PAU NO CU ME SOLTAR!” E mesmo com as ofensas, não soltaram, e a professora assustada já voltava com uma furiosa — e aparentemente de ressaca — Fada Madrinha. Sala da Fada Madrinha.
Meia hora depois.
Naturalmente introvertido, Snowflake não se incomodava de ficar na detenção, sentado em uma sala de aula encarando o nada por algumas horas, no entanto, frequentemente era repreendido pelo professor responsável por tentar acender um de seus cigarros de açúcar ou comer uma guloseima. Como sempre fazia, o professor Cogsworth o alertou para não desrespeitar as regras enquanto os alunos eram deixados sozinhos durante uma pausa para o chá da tarde. Snowflake, claro, o desobedeceu. O silêncio e o aroma caramelizado da fumaça tomavam a sala de aula quando uma garota de dezessete ou dezoito anos entrou sorrateiramente. “Emil, posso falar com você? É sobre aquele penteado que eu queria para o meu aniversário de namoro” ela começou, provocando uma risada alta na fada. Não era a primeira vez que Snowflake ouvia aquilo. “Vai se foder, Kathy, você pode pagar algum otário pra arrumar seu cabelo com as mãos. E todo mundo sabe que você é corna, não precisa se produzir pra levar chifre” retrucou, antes que Emil pudesse dizer algo. A filha da Branca de Neve havia lhe feito o mesmo pedido cerca de três vezes antes de desistir da grosseria da fada. Naquele momento, parecia culpá-lo por todos os problemas do mundo. “Ninguém falou com você, Jellybell!” ela resmungou.
Tome a liberdade de militar nessa ask sobre qualquer assunto
Obrigado pelo espaço. Quero aproveitar para falar do meu novo projeto, o FALF, Fundo de Apoio à Liberdade das Fadas, que tem como objetivo pressionar os governantes de Auradon a criarem leis que criminalizem a exploração e a discriminação de fadas, sem nos impedir de usar a magia, natural da nossa espécie. O controle da magia é apenas mais uma forma de opressão das criaturas mágicas, por isso sou #ForaAdam. Caso nosso estimado rei e seus subalternos não estejam dispostos a cooperar, acredito que o único meio possível de obter a liberdade das fadas é queimar os castelos deles e coroar nossa eterna rainha Malévola, mandando todos esses especistas filhos da puta apodrecerem na Ilha maldita que eles criaram. É isso, boa noite.
VEM TRANQUILO
Tá querendo apanhar, Marinho? Se eu te enfiar no lixo posso chamar de sardinha enlatada?
16. Likewise, do they associate a certain smell with a memory?
Madeira. Sempre que sinto cheiro de madeira, principalmente molhada, lembro da casa de Merryweather. Ás vezes até sinto falta, mas não muita, porque elas são cuzonas sem consciência de classe que se importam mais com a porra da família da princesa do que comigo e com minhas irmãs de criação.
ask me!
emileumanoites:
Nunca fora realmente um defensor dos pobres e oprimidos, portanto, não se importava com o que o outro estava sofrendo de verdade. Não estava acontecendo com ele, então não se importava. O que, também, queria dizer que ele não iria lidar com os desaforos de Snowflake sem revidar. Assim que o outro proferiu o xingamento novamente, o descendente olhou para os colegas com um sorriso zombeteiro antes de se lançar pra frente, desferindo um soco contra a face da fada. Acabara sendo fácil atingi-lo, pois estava mais perto de si diante da sua tentativa de intimidação. “Cê acha que me assusta fada do caralho?! Eu enfio esse ukelele no seu cu, arrombando do caralho!”
O soco veio como uma surpresa para Snowflake, que costumava ser quem tomava a iniciativa de partir para a agressão física. Por estar suspenso no ar, sem o atrito dos pés para sustentá-lo, foi lançado a alguns metros de distância, batendo contra a parede do corredor e quase ferindo uma de suas asas. O ukelele estava jogado no chão e mais alunos se aproximavam para ver o desfecho daquela confusão, alguns entonando uma torcida e outros procurando pela ajuda de professores. Snowflake, furioso, ignorou tudo e todos. Pegando impulso na parede, voou na direção de Emil, empurrando-o para dentro de uma das salas de aula que não estava com a porta bem fechada. Rolaram os dois para cima da mesa, quebrando as pernas do móvel enquanto a professora de história gritava assustada. Um aluno da primeira fileira puxou Snowflake pelas asas, impedindo-o de tentar socar o príncipe no chão. “É SÓ ISSO QUE VOCÊ TEM? JÁ ACABOU, EMIL?”
henriquessa:
Mamãe estaria completamente chocada com uma cena dessas. E o próprio Henri estava! O garoto-fada estava sendo verdadeiramente violento com o outro e, embora temesse pela própria vida — ora, ela um ukelele mágico com uma criatura raivosa o utilizando! —, acabou sendo corajoso como mamãe sempre o ensinou e correu na direção do grupo, entrando na frente do garoto que apanhava. “Não me bate!” Pediu ao encolheu o corpo, olhando de forma desesperada para o garoto-fada antes de prosseguir. “Eu não entendi toda a discussão, mas eu vi que não gosta de ser chamada de fadinha, mas eu não acho que seja correto partir para agressão física nesse caso.” Estava tentando ser um herói, como fora criado para ser, mas, céus, nunca pensou que ser paciente e justo como o Criador era tão difícil.
Ao ter sua briga interrompida pelo pedido esganiçado de Henri, a raiva que tomava Snowflake foi transformada em desprezo. Príncipes encantados, projetos de galãs metidos a moralistas sem um pingo de autocrítica, eram a escória da sociedade aos seus olhos, no entanto, tornavam-se uma piada quando acompanhados de tamanha futilidade e covardia. A fada revirou os olhos. “O problema não é ser chamado de fadinha, é ser chamado de fadinha em tom pejorativo! É uma porra de uma manifestação de especismo, ainda mais porque esse filho da puta faz isso toda hora!” militou, balançando os braços freneticamente. “Se não quer agressão física, então manda esse desgraçado pra Ilha!”
barbiezinhachinesa:
Jia deveria manter calma, assim não precisaria usar seus conhecimentos das artes marciais ou usar violência contra os rapazes, pelo menos, em um deles conseguiria garantir pelo pouco que sabia do que foi ensinado pelos seus pais. “Para que nenhum de vocês saísse machucados? Por prezar a vida acima de tudo?” Respondeu como se fossem motivos óbvios de separar uma briga entre duas pessoas. “E não estou preocupada com sua vida ou seu estado de saúde.” Resmungou, odiava contar mentiras, e não estava preocupada não só com ele, mas com a vítima do ataque. E, com nenhuma surpresa da parte da asiática, viu a fada agredir até o menino cair no chão. “O que você acabou de fazer?” Se ajoelhou ao lado do desconhecido, passando suas mãos em seu rosto, dando leve tapinhas para tentar ter alguma reação em suas pálpebras. “Não, não tenho medo de umas palavras ácidas vinda de sua parte.”
“Blá blá blá, Kumbaya Kumbaya” debochou, revirando os olhos para a conversa fiada de Li Jia. Snowflake queria duvidar que ela realmente pensasse aquilo, mas sabia como a maioria dos filhos bem criados de heróis poderia ser insuportavelmente entediante com seus discursos moralistas. Eram todos uns metidos que pensavam estar acima do bem e do mal, principalmente os que faziam vista grossa para os novatos vindos da Ilha dos Perdidos. “Você literalmente acabou de dizer que não quer que ninguém saia machucado. E é tarde demais.” Um sorriso vitorioso brotou nos lábios de Snowflake ao ver seu adversário derrotado no chão. “Dei uma lição nesse especista de merda, é isso que eu fiz. A sonsa vai passar pano, é? Quer dar um beijo de amor verdadeiro nele? ”
emileumanoites:
Ao notar que a ira alheia dirigia para si, as íris de Emil brilharam ao perceber que poderia, no fim, ser ele o novo integrante de uma confusão. Ok, precisamos esclarecer que Emil não era uma pessoa problemática sempre. Ele era até legal, por exemplo, quando se relacionava com Celia, sua irmã — ou costumava ser até descobrir que Celia era apenas sua meia-irmã — ou qualquer pessoa que gostasse minimamente. O problema era que, ultimamente, não gostava muito de muitas pessoas. Vivia para irritar seu pai, como uma criança mimada que não recebera o doce no mercado. E, quando afrontado, como o colega fazia agora, o jovem se tornava bem menos debochado e mais caótico. “Arregou, é? Vamos, completa a frase, Floquinho. Ou vai deixar um funcionário te parar?” Porque poderia quebrar aquela fadinha folgada no meio. “Eu deveria estar te chamado de Fada Madrinha?” Caçoou com a frase posterior, empertigando-se todo para o outro. “Porque eu prefiro dizer outra coisa: vai. Se. Foder, Floquinho.”
Após o confronto com as autoridades do colégio, o temperamento explosivo de Snowflake havia se acalmado, no entanto, bastou que Emil voltasse a provocá-lo para se enfezasse de novo. Mais um princepezinho mimado sem respeito nenhum por fadas, as criaturas que davam todo o encanto ao universo, verdadeiras protagonistas dos contos de... olha só, fadas! Ao menos era assim que via suas iguais. Emil era bem mais alto que ele, o que não impediu que Snowflake batesse as adas com força para olhá-lo ameaçadoramente por cima, isto é, o tão ameaçador quanto uma criatura alada cintilante e colorida poderia ser. “Se você insiste. Eu vou enfiar a cadeira no meio do seu cu, projeto de sardinha de merda” retomou o insulto, pausadamente.
vilaobastardinho:
Não conseguia segurar o riso ao ver a situação, a vontade era de arrecadar dinheiro apostando que a fadinha, tão injuriada, iria ganhar do pobre garoto, poderia muito bem fazê-lo, no entanto, estando ali no seu futuro reino era diferente. Como todos poderiam ver Owen como um bom rei? Não que ele fosse ser bom, nasceu vilão, mas as pessoas acreditavam nas suas ações falsas e era assim que iria conquistar cada coração para depois mostrar sua verdadeira personalidade. “Okay, vocês podem ir parando.” Entrou na briga e se colocou no meio dos dois lutadores, mas logo abriu um sorriso de lado para Snowflake. “Ou eu posso ajudar, só pedir, afasto toda a multidão e volto.” Confidenciou com um sorriso no rosto, não iria acabar a sua primeira fonte de diversão no castelo.
Snowflake simplesmente detestava intrometidos. Se não tinha seus direitos como fada protegidos pela coroa, o mínimo que deveria ter era o direito de dar uma surra em quem tentasse oprimir sua espécie! Voou para cima do filho de Gothel com uma carranca estampada no rosto. Quem aquele filhote de vilão meia boca pensava que era? “Você pode ajudar, sim... indo pra PUTA QUE TE PARIU!” vociferou, balançando os braços energeticamente.
emileumanoites:
Nunca perdia a graça. Para o filho de Eric, jamais perderia a graça assistir a ira do colega quando proferiam seu apelidinho. O Marinho sempre iria rir internamente ao ouvir, também, mas é claro que era bem mais esperto de fazer cara de nada quando Snowflake começava a revidar. Fisicamente, parecia doloroso o bastante para que não se sentisse tentado a ter sua aparência prejudicada pelas cordas do ukelele. “USA A CADEIRA!” Colocou a mão ligeiramente dobrada em sua boca, para que o som saísse mais alto. “A CADEIRA!” Ao proferir uma segunda vez, conquanto, fora repreendido por um duro olhar de um dos funcionários que iria separar a discussão. “Estraga prazeres! Deixa o cara se defender!”
O olhar de Snowflake rapidamente correu para Emil e, quando retornou para o oponente, o viu segurando uma cadeira. Em uma mistura de defesa pessoal e indignação por não ter sua vitória aceita, golpeou mais uma vez a cabeça do adversário, desmontando-o em cima do móvel de madeira. Quem aquele príncipezinho pensava que era para apostar contra ele, uma clara vítima de injúria especista tentando manter a dignidade? Snowflake bateu as asas furiosamente na direção de Emil. “Se você não calar a boca eu vou enfiar essa cadeira no meio do seu...” E foi interrompido pela repreensão de um funcionário furioso. Exigia apreender o ukelele mágico de Snowflake. “Você não pode fazer isso! Eu sou uma fada, isso é como minha varinha, se ficar sem isso eu posso morrer!”Era mentira, mas a assertividade da declaração fez com que o homem os deixasse com apenas uma bronca. “Considere hoje seu dia de sorte” ameaçou Emil.
barbiezinhachinesa:
Jia andava pelos corredores com um sorriso em seu rosto, outrora poderia ouvir a menina cantando uma música ensaiada pelo coral, contudo, a felicidade foi desfeita ao escutar os gritos animados de alunos e por cima de todos, a frase que a fez tampar sua boca em choque, como alguém ousa gritar tais palavras? Que falta de educação, pensou ao adentrar na multidão reunida ali. Ainda mais chocada ficou ao ver a situação. “Vocês podem parar com isso, por favor?” Conseguiu ficar na frente de todos, a briga ou, melhor, da agressão a um inocente. Ao notar que não foi escutada, chegou ainda mais perto, ficando uns 3 metros de distância. “VOCÊS PODEM PARAR, POR FAVOR?” Elevou a voz com um sorriso dócil no rosto, como se nada tivesse acontecido.
Na primeira vez que teve sua atenção chamada, Snowflake sequer percebeu. Na segunda, em volume mais alto, virou-se, esperando se deparar com algum professor. Pff, era apenas a filha frouxa de Mulan, perfeitinha, pacifista e insuportável o suficiente para se tornar o novo alvo da irritação da fada. Compensando a baixa estatura com as asas multicoloridas, Snowflake voou na direção da colega, encarando-a de cima. “E por que caralhos eu deveria te obedecer, Li Jia? Você não tem nada melhor pra fazer? Tem que ficar se metendo na porra da vida dos outros?!” revidou. Não desistiria tão fácil de sua briga, mesmo que fosse apenas por teimosia. Olhou de relance para o rival e viu que se aproximava para atacá-lo pelas costas. Com um movimento rápido, acertou-o na testa com o ukelele mágico. Após uma pancada daquelas, ficaria inconsciente por pelo menos um minuto. “Vai chorar também?” perguntou a Li Jia, enquanto acendia um cigarro de açúcar pendurado nos lábios.