Com o comentário acerca do modo como fora criada, Henri VI se preocupou com suas batatas, brincando com elas enquanto pensava no que mamãe lhe dissera. Encontrava-se diante de uma boa razão para Ella desejar que fosse legal com os novatos. Que tipo de criação destrutiva era aquela? “Eu acho que esse pensamento é muito extremo… Diria para você conversar sobre o que está sentindo com os demais. Geralmente, isso traz resoluções melhores que uma vingança.” Embora aquele ensinamento não tenha vindo de Cinderella. A princesa sempre foi extremamente fechada em relação ao que a incomodava, nunca percebendo o que era. Aprendera enquanto crescia, percebendo que quando chorava e falava para os demais que não estava bem, mamãe e papai sempre faziam o possível para que se sentisse bem. Quando pessoas percebiam que haviam magoado ou ferido Henri, davam-lhe presente, ou abraços, ou consolo e ele se sentia querido. Gostava de sentir que fazia falta para as pessoas. Bem egocêntrico quando o comportamento era hiperbolizado, mas não via problema nenhum em ganhar alguns biscoitos em sua vida. “Você pode sempre falar comigo se estiver triste. Eu não leio livros de psicologia, mas eu posso dar conselhos… Eu não sei se serão funcionais, mas eu posso tentar ajudar.” E, com o comentário acerca da sua troca, um risinho escapou irradiando pelo espaço entre ambos. Mas, certamente, a fala sobre sua indiscrição o pegara mais do que a observação, fazendo-o se empertigar no banco do refeitório. “Perdoe-me a minha falta de educação, belle dame. Eu sou Henri Edward Charpentier VI.” E, ao pegar a mão de Octavia, trouxera-a para perto dos lábios, em um cumprimento ensinado nas aulas de etiqueta. Papai estaria orgulhoso! “Pelo nome, eu por ter falado que não deve ser aproximar de um filho de Ariel, eu diria que é filha de Úrsula ou Morgana.” Comentou despretensiosamente, voltando para a comida. Conquanto, a fala acerca de Eric fê-lo tossir ligeiramente. Espera, ela estava dizendo que é um filho perdido de fato? “Espera, espera. Tem um filho sim, o Emílio. Ele e Celia são gêmeos. Tem mais um filho perdido?” Indagou com evidente curiosidade. Uma defeito de Henri é que adorava saber as fofocas da vida alheia. Sua vida era monótona demais para que se entretece apenas com ela. “Eu não posso evitar ser positivo, mas vou tentar ser mais realista daqui pra frente.” Mas a realidade de Edward era tão diferente que seria difícil para ele imaginar uma situação realista que não fosse perfeita. “E eu não gostaria de ser enfeitiçado mesmo.” Assentiu com certo temor em seus olhos. Sabia que esses feitiços e maldições eram problemáticos e, geralmente, envolvia mudar de aparência. Imagine ficar como um ogro?! Jamais!
Após encher seu prato de salada, apontou para o garoto onde sentaria, convidando-o indiretamente. Aquilo parecia algo básico, mas era um passo grande para Octavia que vinha sendo evitada pelas princesas. Ela não sabia se realmente estava sendo evitada ou se era apenas um mecanismo de defesa seu evitar conversas muito longas, mas algo nela dizia que não era bem-vinda, por isso, tornava-se ainda mais difícil fazer amizades. Entretanto, naquele dia, aquele rapaz ao seu lado parecia alguém agradável para se conversar, que não iria julgá-la, embora sua perspectiva de que gentileza gera gentileza não a agradava muito. Não que ele havia dito que pensava daquela forma, mas seus comportamentos e jeito mostravam que ele era daquela forma, mas ela sabia que apenas pessoas privilegiadas, como filhos de princesas, conseguiriam ver as coisas nessa perspectiva, afinal, caso ela fosse muito generosa sempre haveria alguém desconfiando de suas intenções ou tentando passar a perna, pelo menos sempre foi desse jeito na Ilha. “Conversar sobre os meus sentimentos? Acho que realmente vocês vivem num conto de fadas. De onde eu vim conversar sobre sentimentos demonstram vulnerabilidade e isso é o que pode te destruir, alguém saber o que te machuca tem livre arbítrio para fazer isso e normalmente fazem.” Respondeu-o com desdém, enquanto observava sua salada que estava colorida demais, as coisas na Ilha sempre pareciam tão sombrias, já em Auradon era tudo cheio de vida e cores. “Falar com você se estou triste? Nos conhecemos hoje, acho que isso é um nível de intimidade que não temos. Eu não falava sobre isso nem com o meu melhor amigo e ex-namorado da Ilha, imagine com um desconhecido.” Debochou do rapaz e de suas boas intenções, aquilo parecia uma ofensa, Octavia se sentiu como se não tivesse controle algum de suas emoções, precisar desabafar era para fracos e ela não era um. “Hm... Eu sou Octavia Polpo e sim sou filha de Úrsula, agora pelo seu nome acho que consigo matar a charada, você é filho da Cinderela?” Apresentou-se confusa vendo a cena do rapaz beijar sua mão para se apresentar, que tipo de gesto era aquele? Contudo, preferiu ficar quieta e fingir costume, já estava estranhando coisas demais em uma só conversa. Afinal, o que ela iria parecer caso dissesse que tal gesto era estranho? Provavelmente uma caipira e era o que menos ela gostaria que pensassem dela. “Ahn, outro filho de Ariel e Eric? Eu nem falei disso, esqueça.” Sentiu-se desconfortável ao perceber que havia soltado alguma informação que não deveria, tentando, assim, mudar de assunto. “Sim, é bom tomar cuidado comigo, meus feitiços podem ser sinistros. Eu sempre treinei desde pequena na Ilha, então não sou tão boba quanto acham que eu sou.”