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@florbelaz
“Ele sempre foi o tipo certo mais errado do mundo, e eu gostava disso. Gostava mesmo. Ele sempre foi quem eu deveria manter distância. Mas também foi o que me puxava pra perto. Ele sempre foi chuva, tempestade e até temporal. Mas eu sempre fui furacão. Ele sempre me dá vontade de desistir, e eu desisto até. Vou embora, bato pé e me recuso. Mas é que eu sempre preciso voltar. E ele é difícil. É todo meu oposto, todo meu contrário. Nós não fomos feitos pra ficarmos juntos. Mas é que não servimos pra ficar separados. Ele é x e eu sou y. Na conta não tem solução, na prática muito menos.”
— Robin and Stubb
Oi,
Não sei como começar uma carta, acho que porque eu nunca escrevi uma… Ou talvez seja por isso que eu nunca tenha escrito uma. Não importa.
Tô escrevendo Pode escrever “Tô” em uma carta? Melhor não arriscar… Não de novo. Não com você.
Estou escrevendo essa carta pra pedir desculpas por todas as coisas que eu não te disse quando podia, quando sabia que deveria. Eu sei que você diz que eu não me abro com você, que cansou de bater na minha porta porque eu perdi a chave da minha fechadura há muito tempo… Mas não é verdade - inclusive a do meu apartamento ainda fica dentro do jarro grande do lado direito da porta, caso queira dar um “oi” pro Barney, ele sente sua falta… Eu sei disso porque, antes de deitar do seu lado da cama, ele late pra mim, como se perguntasse: “Hoje ela também não vem?”, eu gostaria de saber se você ainda vem…
Eu queria arranjar um contexto perfeito pra citar aquela frase que você tanto gosta “No meio dos meus erros, meu acerto foi você”, mas pensando bem… Essa frase cabe em qualquer parágrafo nosso, inclusive cabe certinho no contexto de coisas-que-eu-deveria-ter-dito…Meu acerto foi você. Acho que eu descobri que era você quando eu te vi bebendo meia garrafa de vodca pura naquela festa. Ou talvez antes disso, quando eu te vi jogar bola na época do colégio (você é horrível, por sinal, mas foi bonitinho ver você se esforçando). Ou talvez, bem antes disso… Quando eu, que nunca fui atrás de ninguém, quase implorei pra você ir pegar uma bebida comigo naquela festa, lembra? Eu só queria ficar sozinho você e te olhar sem ninguém ver que eu tava te olhando. Mas você não foi, né? Acho que a mesa que eu tô estou apoiando o papel nesse momento é mais maleável que sua cabecinha…Mas o erro foi meu por não querer que ninguém notasse eu te olhando, quando a minha vontade era de sair dizendo pra todo mundo que o show da festa na verdade era você. A lua tava linda naquele dia. E você também.
Não lembro ao certo como te conheci, só sei que quando me dei conta você tava lá. Nem sei se algum dia a gente, de fato, foi apresentado…Acho que não. Acho que a gente entrou pra’quela interseção de pessoas que se viram tanto que acabam se tratando como conhecidos e fica por isso mesmo. Você pode negar até ficar rouca, mas eu sei que você quem deu o primeiro passo nessa história sem fim… Digo, eu tava de boa (pode usar essa expressão em uma carta?) até você chegar com essa carinha de quem não machuca ninguém e me jogar de um penhasco…e sem paraquedas.
Eu fui um idiota com você desde o princípio, porque eu não sei lidar com coisas que são demais pra mim… Sei que parece uma desculpa besta pra algo que não tem desculpa, mas é verdade. Você tem o poder de derrubar minha fachada de cara seguro só com o seu dedo mindinho, e eu tenho que usar todo meu arsenal pra tentar mover um tijolinho dessa sua parede indestrutível. Eu não sou seu Sr. Darcy, nem seu Heathcliff, e nem qualquer outro personagem de nome difícil dos romances que você ama… Mas você é bem parecida com o que eu sempre sonhei. Eu posso ser inseguro, indeciso e cabeça dura as vezes, mas de uma coisa eu tenho certeza…você ainda é o maior acerto da minha vida…
P.s: Você me faz querer escrever cartas às 01:35 da madrugada de uma segunda, mesmo sabendo que eu trabalho amanhã.
você ainda é o mesmo cara de um ano atrás. que só usa roupa preta e o passatempo favorito é me tirar do sério. que reclama do meu gosto pra livros, músicas e filmes, mas tá sempre me perguntando sobre porque diz que é lindo me ver falar.
aquele cara que com 12 dias de conhecido soltou um ‘eu podia casar com você, sabia?’.
o que liga as 11 da noite dizendo que tava voltando da faculdade ouvindo rádio, e só lembrou de como eu começo um discussão toda vez pra botar meu spotify no bluetooth do carro.
passa 10 dias sem dar notícias, mas aparece do nada dizendo que viu uma promoção de livro e lembrou de mim: ‘esses romances ridículos são a sua cara’, mas todos os romances são ridículos, não seriam romances se não fossem ridículos, não é? que nem naquele sábado, que a gente tinha brigado feio; você me deixou na sua casa sozinha e saiu batendo a porta… voltou umas 9 horas depois e no caminho da minha casa você disse - sem soltar nenhuma das mãos da direção ou tirar os olhos do trânsito - uma parte daquele meu poema favorito: ‘todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente… Ridículas.’. e ficou tudo bem depois, claro.
por uns 8 dias mais ou menos. por que você ainda é aquele cara… que me deu a chave do seu apartamento mas esqueceu de avisar que o coração é trancado à 7 chaves. mas que toda 6º feira depois da última aula do turno da noite me liga perguntando se eu quero sair pra jantar: ‘mas já tá tão tarde…’ - ‘sei… só queria ouvir tua voz…’.
você leu uma coleção de 5 livros de romance adolescente clichê só porque eu disse que você se comportava que nem o cara do livro. e encheu meu saco por quase 4 dias inteiros, falando sobre como esses romances são superestimados e que cara nenhum fala e se comporta daquele jeito. ‘fala sério, se eu soubesse que era só usar frase de livro pra te conquistar, eu não tinha demorado 3 semanas e gastado todo meu vocabulário tentando’. teria sim.
e depois disso ainda leu mais 2 livros meus: ‘não gostei não, é só pra confirmar o meu ponto de vista’
porque você ainda é o cara de 1 ano atrás, de roupa preta e sorriso covarde. que é capaz de lutar contra o mundo pelo o que acredita, mas é incapaz de vencer a si mesmo pra dizer o que sente.
porque em todos esses dias, de todas as semanas, que compõem todos esses meses do nosso ano, você sempre foi tão você. que eu não consigo te perdoar por ter feito todos os outros perderem a graça.
você pode odiar meus clichês, mas sempre vai ser o meu favorito.
via weheartit
The only living boy in New York (2017)
Tea, please! via weheartit
via weheartit
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