as luzes de trânsito foram testemunha do nosso acordo de grandeza enquanto selamos a confidencialidade desse elo. correndo juntos contra o tempo que sempre soubemos estar acabando, mas era tão gostosa a adrenalina de não saber onde ir. segurei sua mão com força, você me olhou de lado e sorriu. tudo acabou bem quando começou, quando sua boca se curvou num sorriso convidativo e seus olhos me disseram mil palavras numa língua nova.
aceitamos, juntos, sermos gigantes. a luz emanava de nossos corações, tornando todos espectadores dessa aura avermelhada que nos compreendia. como fogos de artifício, fomos belos, mas breves.
de repente, porém, sua mão na minha já era costume, seu olhar no meu era raro, dizer te amar era conveniência. doeu cada vez que disse sem sentir, machucou toda vez que corri sem te ter do lado. quis tanto que não chegasse o dia em que nossas mãos se soltariam, mas desde o começo estava definido: era devastação ou nada.
ou entregaríamos o amor mais bonito do mundo, para se extinguir em seguida, ou nem nos encontraríamos. o destino tinha definido nossa trajetória desde o momento em que o vermelho se tornou verde refletido em seus olhos numa noite calma de março. tu sabe bem que meu olhar não vai fingir quando cruzar com o teu porque não há no mundo uma forma de dissimular que não vivemos um pro outro. você me ensinou uma linguagem que não posso usar com mais ninguém, uma sequência inteira de palavras a serem ditas no escuro com meus lábios próximos ao teu ouvido.
saímos ambos marcados, permanentes, como sabíamos que seria. sempre foi tudo ou nada com você, escolhemos tudo e agora amargamos o nada. desaprendendo a amar os mesmos caminhos que me traziam paz. cruzando sem querer com você, na mesma rua de sempre, sabendo que fomos um belo desastre ofuscando as luzes até nos consumirmos para sempre.