Farol da Admiração
Estava pensando sobre a admiração... não é exatamente por causa de admiração que gostamos de alguém? Admiramos seus gostos, seu estilo, sua forma de pensar e ver o mundo, sua arte ou sua cultura, e por aí vai.
Por outro lado, é extremamente difícil suportar a presença de alguém que não admiramos, especialmente se não for apenas alguém para quem estamos indiferentes, mas alguém que de fato desprezemos.
De um lado temos uma das mais belas formas de interação, enquanto do outro temos um dos mais horríveis conflitos (ou a excruciante apatia).
Eu acredito que você me admirou por coisa de umas duas ou três semanas, Olivia. Antes disso talvez fosse indiferença, e depois não vejo resposta possível que não seja o desprezo... Mas por duas semanas você me admirou.
Eu te admirava desde antes. Te admirei andando nos corredores da Escola Técnica, te admirei quando nos encontramos de novo na faculdade e te admirei em cada longa conversa que tivemos, inclusive nas discórdias, onde você nunca escondeu sua aversão, eu te admirava pelas suas ideias, força e vontade. E te admiro agora, apesar de tudo.
Não necessariamente precisamos querer ser como quem admiramos, mas admirar alguém com quem não concordamos é como um grande sinal, um farol apontando a direção da terra em um mar de tempestade. Você nunca aceitou minha admiração, Olivia, sempre velejou cada vez mais para dentro de um mar encapelado, ondas bravias, chuva incessante, pedras maliciosas escondidas pelo redemoinho das ondas... seu barco já naufragou? Já rasgou o casco nas predas, encalhou em uma enseada rasa demais?
Você sabia o quão importante era o farol, mas negou o porto com tanta vontade que a luz parou de se mostrar para você. Como puderam ser mais atrativas as pedras na escuridão, que prometiam a morte? E a luz se transmudou, em vingança, nas próprias ondas que te arremessam contra as pedras.














