(belmont cameli) Há algo profundamente perigoso em certas histórias… especialmente naquelas protagonizadas por 𝐑𝐎𝐘𝐂𝐄 𝐂𝐀𝐑𝐌𝐈𝐍𝐄 𝐃𝐄 𝐂𝐑𝐈𝐌𝐒. Aos VINTE E OITO anos, ele carrega o legado de IRACEBETH, A RAINHA DE COPAS (ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS) em cada aspecto de sua narrativa. Ligado a Casa BELADONA, tornou-se conhecido entre outros alunos por sua reputação de HUMOR ÁCIDO e IMPULSIVIDADE EMOCIONAL — qualidades extremamente valorizadas em Mythborne — ainda que existam rumores persistentes sobre uma natureza CHARMOSA e EMPÁTICA escondida sob toda essa deturpada perfeição.
𝑊𝐴𝑁𝑇𝐸𝐷 , 𝐏𝐈𝐍𝐓𝐄𝐑𝐄𝐒𝐓 , 𝑇𝐴𝑆𝐾𝑆
𝑄𝑈𝐸𝐸𝑁 𝑂𝐹 𝐻𝐸𝐴𝑅𝑇𝑆
A Rainha Vermelha voltou aos tempos de glória, assumindo o controle do País das Maravilhas. Pela segunda vez, provou do prazer de destronar sua irmã, a Rainha Branca, instalando seu regime de terror com o Valete de Copas como seu general e o exército de Cartas Blindadas patrulhando cada canto de suas terras, identificando opositores e esmagando rebeliões antes mesmo que estas aconteçam. Paranoica ao ponto de executar o próprio marido, Iracebeth de Crims acredita que todos a deixarão por Mirana, motivo pelo qual aterroriza os súditos de Wonderland com acusações, jogos psicológicos e jogos reais (em que atua como uma game master cruel), testes de lealdade e execuções públicas exemplares. Não é demais dizer que todo o poder que roubou subiu à cabeça, uma vez que a mulher é conhecida pela cachola especialmente grande. Cada vez que tal fato é ressaltado, contudo, ela se mostra mais severa e tem rompantes de raiva. Não é preciso de muito para que um “cortem-lhe a cabeça!” escape de seus lábios - basta que esteja especialmente entediada.
Aliás, qualquer um que se oponha a ela é caçado e executado, especialmente os partidários da Rainha Branca. Até mesmo seus conselheiros mais leais a temem tanto que se deformavam com narizes e orelhas postiças apenas para que não sejam punidos por serem mais atraentes do que ela. Quanto aos cidadãos comuns, é certo que mais a temem do que a amam, prontos para virar a casaca ao primeiro sinal de libertação. Entre as mesas de chá e os cogumelos gigantes, não é incomum que sussurros de “FORA CABEÇUDA” sejam ouvidos.
Como cortesia do Senhor do Tempo, a Rainha de Copas pode ressuscitar, com a Reescrita, seu querido Jaguadarte, o que torna praticamente impossível que rebeliões cresçam no interior de seu território sem que sejam rapidamente esmagadas pelo monstro.
O reino inteiro funciona através de jogos mágicos, dos quais todo visitante é forçado a participar. Ninguém recebe regras completas. Em Salazen Grum, a fortaleza que serve como sede do governo de Copas, são promovidos bailes mascarados; julgamentos performáticos; caçadas românticas; torneios de adivinhação e apostas com memórias, em que perder pode custar sua cabeça, uma lembrança ou o próprio coração.
Royce é filho unigênito da Rainha de Copas e do Valete de Copas (biológico).
𝑂𝑁𝐶𝐸 𝑈𝑃𝑂𝑁 𝐴 𝑇𝐼𝑀𝐸…
Cereja negra, framboesa, mirtilo, doce de leite, creme pâtissière, amêndoas e mel, caramelo salgado, frutas vermelhas com pétalas de rosa… A Rainha de Copas podia ter verdadeira adoração por suas tortas, mas nada se comparava ao seu pequeno cupcake, seu petit four, seu coração de açúcar, nascido diretamente de seu ventre! Ninguém desconfiaria (ou talvez desconfiasse) que uma mulher como ela poderia amar de maneira tão devastadora, possessiva, obsessiva e quase sufocante. Era isso que Royce, o Príncipe de Copas, representava para ela: o centro de seu mundo.
Fruto do afeto unilateral que a Rainha Vermelha sentia pelo Valete de Copas, Royce Carmine se desenvolveu como uma criança extremamente mimada e gorducha, afinal, tinha uma péssima dieta à base de doces. Tudo o que o herdeiro fizesse era absolutamente perdoável. Ora, ele seria o futuro soberano de Wonderland, e sua vontade, assim como a de sua mãe, era lei. Se ele quisesse rosas de uma cor ainda não inventada, então ele as teria. Na realidade, o filho de Iracebeth era uma extensão dela própria, o sucessor perfeito, sua obra-prima, o único ser digno de seu amor absoluto.
Com o passar dos anos, a rainha passou a controlar amizades, romances, aparência, rotina e até emoções de Royce. Ele, que já não tinha admiração alguma pelo pai - pouco presente em sua criação - desenvolveu verdadeira revolta em relação à mãe, tornando-se uma criança solitária e teimosa. Tinha apenas um gato risonho como companhia ocasional e um coelho ansioso como tutor.
Príncipe Copas, Herdeiro Carmesim, Coração da Coroa. Todos queriam estar em sua órbita, criaturas entravam em frenesi, todos os naipes o bajulavam, porém, sua instabilidade crescia a cada dia: era incapaz de diferenciar quem realmente gostava dele, quem sentia medo e quem estava apenas sendo manipulado. Com o tempo, passou a perceber que não precisava matar pessoas o tempo todo, só precisava que todos acreditassem que podia. Os jogos que a Rainha Vermelha patrocinava em sua corte eram um exemplo vivo disso. Carmine não costumava participar oficialmente, embora sempre aparecesse, observando de longe. Descobriu que detestava Wonderland e a loucura de seus habitantes. Todos aqueles desaniversários, chás intermináveis e jardins da cor errada estavam começando a explodir sua cabeç- Ah não. Ele sabia o que estava se tornando…
Em Wonderland, o destino das pessoas é regido por cartas de tarô. E as leituras do príncipe, independentemente de quantas tiragens fizesse, apontavam para um único destino: seria ele o responsável por destruir aquele reino. Por conta disso, Iracebeth começou a acreditar que o mundo queria roubar seu filho, que o reino queria substituí-la e que Wonderland inevitavelmente destruiria Royce. Com isso, passou a controlar obsessivamente o filho, isolá-lo, eliminar possíveis ameaças, mais paranoica do que de costume. Foi somente quando Carmine se afastou de sua terra natal e se instalou em Everafter que foi capaz de pensar com um pouco de clareza. Desenvolveu verdadeira obsessão pelo Tempo, uma entidade viva de Wonderland responsável pela quebra das linhas temporais e pelo colapso da realidade conhecida antes da Reescrita. Em sua busca por respostas, passou a estudar registros proibidos, versões esquecidas da história e fragmentos de linhas temporais descartadas. Quanto mais investigava, mais compreendia que o País das Maravilhas não estava apenas enlouquecido - estava apodrecendo. A Reescrita havia interrompido algo fundamental na própria narrativa do reino, transformando-o em uma caricatura cruel de si mesmo.
Foi através dessas investigações que Royce acabou topando com indivíduos ligados à Resistência. Inicialmente, não por acreditar na causa, mas porque eram os únicos dispostos a compartilhar informações que o Conselho tentava desesperadamente encobrir. Descobriu documentos censurados, testemunhos de sobreviventes e evidências de que a instabilidade crescente de Wonderland não era obra do acaso, mas consequência direta da manutenção artificial da nova ordem.
É verdade que, a princípio, suas motivações não eram assim tão altruístas - talvez ele apenas não quisesse ficar louco! - mas foi se vendo cada vez mais envolvido com os rebeldes, realizando pequenos serviços, entregando um pacote aqui e outro ali na calada da noite, confeccionando relatórios de monitoramento, ouvindo linhas de rádio, fornecendo nomes… Até que se visse tão envolvido que já não era possível voltar atrás. Mas ele jamais poderia aparecer como um aliado declarado da Resistência se não quisesse perder a cabeça.
Oficialmente, Royce continua sendo o Príncipe de Copas: arrogante, imprevisível, cruel e absolutamente leal ao Conselho. Faz questão de alimentar essa imagem. Participa de punições exemplares, profere ameaças vazias com a mesma facilidade que sua mãe e cultiva uma reputação tão desagradável que poucos ousam questionar suas intenções. Na prática, trata-se de uma máscara cuidadosamente construída. Compreendeu muito cedo que gentileza é percebida como fraqueza em Mythborne. Demonstrar empatia significaria atrair suspeitas tanto do Conselho quanto da própria Rainha Vermelha. Por isso, transformou-se no personagem que todos esperavam que fosse. Quanto mais monstruoso parece, menos observam seus verdadeiros movimentos.
Sob a fachada do herdeiro irrepreensível do ponto de vista vilanesco, utiliza a influência da Coroa para desviar investigações, destruir registros comprometedores, transmitir informações estratégicas e facilitar rotas de fuga para dissidentes. Pouquíssimos conhecem sua participação. Menos ainda sabem seu nome verdadeiro. Afinal, se existe uma coisa que Royce aprendeu observando a mãe durante toda a vida, é que o verdadeiro poder não está em cortar cabeças; está em fazer com que ninguém perceba quem segura a lâmina.
𝐻𝐸𝐴𝐷𝐶𝐴𝑁𝑂𝑁𝑆
Dono de uma beleza quase desconfortável, possui olhos escuros com reflexos vermelhos, de modo que você pode jurar que, quando ele está com raiva, suas íris estão completamente avermelhadas.
Cheshire Cat é um de seus únicos amigos próximos, embora ele se irrite com suas aparições e desaparições repentinas.
Tem alergia à cor branca.
O Bandersnatch é ferozmente leal ao príncipe. Não necessariamente domesticado, mas conectado a ele emocionalmente. Com razão, o reino inteiro tem medo da criatura, mas ela permite que o príncipe a toque e monte nela sempre que deseja. Ele cogitou levá-la para Everafter.
𝑆𝐾𝐼𝐿𝐿𝑆
INDUÇÃO DE LOUCURA: Royce é capaz de amplificar emoções, pensamentos obsessivos, paranoias e inseguranças já existentes em uma pessoa, levando-a gradualmente à confusão mental, comportamento errático ou surtos emocionais. A habilidade não cria sentimentos do nada, apenas potencializa aquilo que já existe no alvo. Quanto mais intensa a emoção explorada, maior o efeito.
Limitações: o poder exige proximidade física ou contato visual prolongado e não produz resultados imediatos. Alvos com forte disciplina mental, treinamento mágico ou grande estabilidade emocional são mais resistentes. O uso excessivo provoca fadiga, enxaquecas, alterações de humor e dificulta que o príncipe diferencie emoções próprias das emoções absorvidas de terceiros. Não possui controle absoluto sobre o comportamento da vítima e não pode obrigá-la a executar ações específicas.


















