ㅤ 𝗌𝗈 ㅤ𝗐𝗈𝗎𝗅𝖽 ㅤ𝗒𝗈𝗎 ㅤ𝑻𝑬𝓐𝑪𝑯 ㅤ𝗆𝖾 ㅤ𝗂'𝗆 ㅤ𝗍𝗁𝖾 ㅤ𝓥𝐈𝐋𝐋𝐀𝐈𝐍 ㅤ 𝐴𝑅𝐸𝑁'𝑇 ㅤ𝐼, ㅤ𝖺𝗋𝖾𝗇'𝗍 ㅤ𝗂 ㅤ𝗍𝗁𝖾 ㅤ𝒐𝒏𝒆 ㅤ ͟.ᐣ
ㅤ 𝗉𝗎𝗌𝗁 ㅤ𝗆𝖾 ㅤ𝗗𝗢𝗪𝗡ㅤ𝗂𝗇𝗍𝗈 ㅤ𝗍𝗁𝖾 ㅤ𝖜𝖆𝖙𝖊𝖗ㅤ𝗅𝗂𝗄𝖾 ㅤ𝖺 ㅤ𝓢𝐈𝐍𝐍𝐄𝕽 ㅤ 𝘩𝘰𝘭𝘥 ㅤ𝘮𝘦 ㅤɹǝpun ㅤ𝖺𝗇𝖽 ㅤ𝗂'𝗅𝗅 ㅤ𝐍𝐄𝓥𝐄𝐑 ㅤ𝖼𝗈𝗆𝖾 ㅤ𝗎𝗉 ㅤ𝐚𝓰𝐚𝐢𝐧ㅤ ͟.
𓊝 ⸻ há algo profundamente perigoso em certas histórias… especialmente naquelas protagonizadas por 𝐳𝐚𝔂𝐡𝐚𝐧 𝓱𝐨𝐨𝐤. aos trinta anos, ele carrega o legado de 𝖏𝖆𝖒𝖊𝖘 𝖍𝖔𝖔𝐤 ( 𝑝𝑒𝑡𝑒𝑟 𝑝𝑎𝑛 ) em cada aspecto de sua narrativa. ligado a casa 𝒂𝒓𝒔𝒆̂𝒏𝒊𝒐, tornou-se conhecido entre outros alunos por sua reputação de 𝐧𝐚𝐫𝐜𝐢𝐬𝐢𝐬𝐭𝐚 e 𝐢𝐦𝐩𝐢𝐞𝐝𝐨𝐬𝐨 — qualidades extremamente valorizadas em 𝗺𝘆𝘁𝒉𝗯𝗼𝗿𝗻𝗲 — ainda que existam rumores persistentes sobre uma natureza 𝑐𝘩𝑎𝑟𝑚𝑜𝑠𝑎 e 𝑝𝑒𝑟𝑠𝑝𝑖𝑐𝑎𝑧 escondida sob toda essa deturpada perfeição.
ㅤ𓌜☠︎︎ 𓏏 ℬ𝐔𝐑𝐍𝐈𝐍𝐆 ᴰ͟ᴼ͟ᵂᴺ⠀꒰ 𝘁𝗮𝗴𝘀. 𝗽𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘁. 𝘄𝗮𝗻𝘁𝗲𝗱. 𝗲𝘃𝗲𝗿𝗮𝗳𝘁𝗲𝗿𝗵𝗾. ꒱
ㅤ𓊝ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀𝐫𝐞𝒘𝐫𝐢𝐭𝐭𝐞𝒏 ⠀𓄼 muito antes da reescrita, antes do conselho, antes das palavras “felizes para sempre” começarem a soar perigosas demais para serem pronunciadas em voz alta, neverland era um reino suspenso fora do tempo; uma ilha onde o céu permanecia jovem, o mar parecia infinito e crianças jamais precisavam crescer. para muitos, era um paraíso. para james hook, no entanto, neverland sempre se pareceu mais com uma prisão cuidadosamente disfarçada de sonho. peter pan jamais envelhecia. jamais mudava. jamais sofria as consequências das coisas que destruía pelo caminho. enquanto o restante do mundo aprendia sobre perda, responsabilidade e decadência, peter continuava voando sobre os próprios destroços como se eternidade fosse um presente ao invés de uma maldição. garotos perdidos desapareciam. fadas morriam lentamente quando deixavam de ser lembradas. piratas enlouqueciam presos em ciclos repetitivos de derrotas previsíveis. e pan… ele continuava sorrindo como se aquilo tudo fosse apenas mais uma grande aventura. james hook odiava muitas coisas naquela época, mas acima de todas elas, odiava a sensação sufocante de perceber que neverland jamais permitiria que ninguém se tornasse algo além daquilo que a narrativa havia decidido. não existia futuro naquele reino. apenas repetição. então ele encontrou uma causa para se aliar.
a reescrita começou como muitas tragédias começam: silenciosamente. um acordo. um sequestro. sete pessoas ressentidas o suficiente para arrancarem o mundo dos trilhos e obrigarem a própria realidade a se curvar diante delas. enquanto rainha má desejava poder e ja’far desejava controle, hook desejava algo muito mais perigoso: ele queria que neverland finalmente crescesse. então o senhor tempo foi forçado a alterar os livros narrativos de mythborne. destinos foram mutilados. histórias foram rearranjadas. e pela primeira vez desde sua criação, neverland sentiu o peso do tempo cair sobre ela. as estrelas mudaram primeiro. depois vieram os ventos. as crianças começaram a crescer rápido demais. algumas adoeceram. outras simplesmente desapareceram floresta adentro, incapazes de sobreviver fora da lógica antiga daquele reino. as fadas perderam parte de sua luz. o mar tornou-se escuro, pesado e silencioso. e peter pan… peter finalmente caiu.
ninguém sabe exatamente o que aconteceu entre eles naquele dia. existem histórias diferentes espalhadas pelos corredores de everafter e pelos portos de neverland. algumas dizem que hook matou peter pan. outras afirmam que peter enlouqueceu ao sentir o tempo alcançá-lo pela primeira vez. há quem jure tê-los visto lutando sobre o mar durante horas antes do céu inteiro desaparecer sob uma tempestade negra. o único fato conhecido é que peter jamais voltou a ser o mesmo. hoje, poucos sequer ousam chamá-lo por aquele nome. o garoto que nunca crescia tornou-se apenas mais um homem escondido em algum lugar de neverland, longe dos olhos públicos, enquanto james hook assumia o controle do reino ao lado de wendy darling. sim, wendy darling. talvez essa tenha sido a parte mais cruel da história. wendy lembrava de tudo. das aventuras, da infância, do amor e do menino que um dia a ensinou a voar acima das estrelas. e ainda assim, quando a reescrita terminou, ela escolheu permanecer ao lado de hook. alguns acreditam que foi medo. outros, sobrevivência. existem aqueles que dizem que james jamais lhe deu escolha alguma. a verdade provavelmente se perdeu em algum lugar entre todas essas versões. mas wendy ficou. e neverland assistiu seu novo rei transformar o antigo paraíso em algo completamente diferente.
sob o governo de hook, o reino tornou-se belo da mesma maneira que naufrágios podem ser belos vistos de longe: melancólico, silencioso e condenado. os mares passaram a obedecer magia abissal antiga, criaturas marítimas começaram a surgir nas profundezas ao redor da ilha e a antiga alegria caótica de neverland foi substituída por uma corte aristocrática onde festas luxuosas acontecem sob lustres dourados, enquanto o restante do reino apodrece lentamente além das janelas.
hook venceu.
ㅤ𓊝ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀𝐬𝐭𝐨𝐫𝒚𝐭𝐢𝐦𝒆 ⠀𓄼 há trinta anos, sete dos maiores vilões dos contos sequestraram o senhor do tempo, a única entidade capaz de enxergar e manipular todas as linhas narrativas de mythborne. naquela noite, o coração temporal dos reinos foi violado. neverland, porém, sentiu a ruptura de maneira diferente. por ser uma ilha construída sobre a recusa do crescimento, um território onde o tempo permanecia suspenso em um estado artificial de permanência, a reescrita provocou algo próximo de um colapso. correntes temporais atravessaram a ilha como tempestades invisíveis, rasgando a estabilidade que a mantinha imóvel havia séculos. por um breve instante, passado, presente e futuro se sobrepuseram. uma fissura se abriu no tecido narrativo da ilha. zayhan nasceu exatamente no centro desse colapso. ninguém percebeu o que aconteceu. talvez porque não houvesse nada para ver. não houve marcas visíveis, profecias ou sinais grandiosos anunciando o acontecimento. mas algo daquela noite permaneceu preso nele. um fragmento da própria reescrita. uma lasca de tempo deslocado que deveria ter desaparecido junto com o restante da ruptura, mas que acabou se alojando em sua narrativa antes mesmo de seu primeiro choro.
por incrível que pareça, zayhan não nasceu do lado favorecido da história. seus pais não eram reis, figuras lendárias ou protagonistas dignos de canções recitadas diante de lareiras. eram mocinhos, sim, mas daqueles esquecíveis. apenas duas pessoas suficientemente estúpidas para ainda acreditarem que bondade, honestidade e coragem bastavam para sobreviver em um mundo que havia parado de recompensar esse tipo de coisa. e, pior que isso, eram opositores que questionavam a reescrita e criticavam o conselho. pessoas assim sempre acabavam do mesmo jeito: transformadas em exemplo. james hook detestava inconveniências, então, claro, resolveu o problema. ele fazia isso com frequência. os pais de zayhan desapareceram quando ele tinha apenas três anos. oficialmente, nunca houve confirmação sobre o que aconteceu com eles. oficialmente, também nunca existiram gritos ecoando pelos corredores de neverland, celas escondidas abaixo da ilha ou pessoas sendo levadas durante a madrugada para jamais retornarem. o conselho gostava muito da palavra oficialmente. na prática, todos sabiam. neverland havia deixado de ser apenas um lugar de aventuras há muito tempo. sob o comando de hook, a ilha se tornou o destino perfeito para aqueles que insistiam em desafiar a nova ordem das histórias. rebeldes, dissidentes, personagens descontentes, qualquer um ousado o suficiente para questionar a reescrita acabava desaparecendo atrás das águas escuras da ilha.
o curioso é que james hook poderia simplesmente ter deixado o garoto seguir o mesmo destino da família. mas o capitão não era tão impiedoso assim. pelo menos, era o que gostava de dizer. afinal, a criança não tinha culpa pelos pecados dos pais. então hook fez o que qualquer homem generoso, razoável e minimamente desequilibrado faria: adotou aquele garoto perdido. segundo ele, era um ato de misericórdia. uma chance de garantir que zayhan não crescesse contaminado pelas ideias “repugnantes” que haviam condenado os pais. a verdade é que hook gostava que todos soubessem que podia destruir uma família inteira e, ainda assim, sair da história parecendo o homem mais benevolente da sala. havia algo quase perversamente satisfatório na ideia de transformar o filho de opositores em alguém leal ao próprio sistema que os condenou.
nunca lhe faltou nada. hook garantiu as melhores roupas, treinamento e privilégios suficientes para apagar qualquer traço da origem humilde que teve. comparado às histórias cruéis que circulavam sobre o capitão, a infância de zayhan parecia quase privilegiada. o garoto aprendeu cedo que existiam poucas coisas mais perigosas do que ser amado por james hook. o afeto dele vinha sempre acompanhado de posse. zayhan cresceu ouvindo versões cuidadosamente editadas sobre os próprios pais. rebeldes. extremistas. pessoas egoístas que escolheram ideias acima do próprio filho. hook nunca precisou obrigar zayhan a odiar os pais. ele apenas garantiu que o garoto crescesse acreditando que deveria agradecer por não ter acabado como eles.
james hook fez um trabalho impecável. zayhan cresceu leal, funcional e perfeitamente adaptado ao mundo cruel que o criou. era oficialmente um vilão. com título, reputação e tudo o que vinha junto no pacote. mas sinceramente? como poderia ter sido diferente? zayhan passou a infância atravessando mares escuros, portos clandestinos e mercados ilegais espalhados pelos reinos narrativos de mythborne. sua infância foi cercada pelo cheiro de pólvora, sal, álcool barato e magia ilegal. hook jamais escondeu o funcionamento real do mundo do garoto. pelo contrário. fazia questão de mostrar. ensinou cedo a reconhecer embarcações vulneráveis, esconder contrabandos e entender exatamente quanto medo era necessário para manter alguém obediente. e, acima de tudo, ensinou que fraqueza era perigosa. quando zayhan finalmente chegou a everafter, já era meio caminho andado. já carregava consigo a reputação inevitável de filho de james hook, mesmo sem compartilhar seu sangue. então não houve surpresa alguma quando foi destinado à casa arsênio durante a cerimônia das narrativas.
durante a adolescência, sua relação com hook se fortaleceu ainda mais. não existia afeto saudável entre eles, mas também não existia distância. nos períodos livres de everafter, zayhan retornava para neverland para auxiliar nos negócios marítimos da família. já era velho o suficiente para participar diretamente de negociações, acompanhar entregas ilegais e lidar com clientes mais complicados. aos poucos, os marinheiros deixaram de enxergá-lo apenas como “o garoto de hook”. zayhan começou a construir reputação própria. e com isso, ele também queria seu próprio negócio. aos vinte e dois anos, nasceu o saint of sins. o lugar rapidamente se tornou um dos pontos mais eficientes para coleta de informações da região. porque pessoas bêbadas, excitadas ou desesperadas tinham o péssimo hábito de falar demais. o bordel servia tanto como entretenimento pessoal quanto como extensão dos negócios de hook. no fim, james hook conseguiu exatamente o que queria. zayhan cresceu longe das ideias “repugnantes” dos pais e se tornou um homem perfeitamente moldado para sobreviver em um mundo onde monstros não se escondiam debaixo da cama. eles comandavam navios, construíam impérios e, às vezes, criavam filhos.
por quase toda a vida, o fragmento da reescrita permaneceu silencioso. algumas semanas após completar trinta anos, a mesma idade da própria reescrita, zayhan começou a perceber pequenas mudanças. os primeiros sintomas pareciam insignificantes. noites mal dormidas, fadiga constante, dores ocasionais nas articulações. nada que alguém acostumado a jornadas marítimas, brigas de taverna e excessos não pudesse ignorar. mas os sintomas não desapareceram. pioraram. logo vieram as insônias que o mantinham acordado até o amanhecer. dores profundas e difíceis de localizar, como se algo estivesse pressionando seus ossos por dentro. tremores ocasionais nas mãos, enxaquecas violentas, lapsos de memória. uma exaustão persistente que nem descanso, álcool ou magia conseguiam aliviar. o mais perturbador, entretanto, era a sensação crescente de estar envelhecendo de dentro para fora. como se algo preso em seu corpo há três décadas finalmente tivesse despertado. e, pela primeira vez na vida, zayhan hook se viu diante de um inimigo que não podia intimidar. algo invisível, paciente e dolorosamente inevitável. algo que parecia consumir seu tempo pouco a pouco. foi isso que o levou a procurar respostas. porque, por mais narcisista que fosse, zayhan tinha plena consciência de uma coisa: morrer jovem era trágico.
ㅤ𓊝ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀𝐦𝐚𝒈𝐢𝐜𝐚𝐥 𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐭𝒚 ⠀𓄼 manipulação do medo — seu poder não é físico, mas sim psicológico, permitindo que ele explore as vulnerabilidades mais profundas de seus alvos. ele não cria medos do nada — ele os amplifica. zay pode fazer com que seus alvos enxerguem ou sintam suas piores fobias como se fossem reais. essas ilusões são altamente imersivas e podem causar reações intensas, desde pânico até paralisia temporária. algumas podem ser tão vívidas que afetam o corpo da vítima, levando a sintomas como taquicardia, dificuldade de respirar, suor frio e até mesmo desmaios. porém, seu poder tem limitações. ele não consegue criar medos que não existem. se alguém não tem medo de altura, ele não conseguirá fazê-lo acreditar que está caindo de um abismo. precisa de algo pré-existente para amplificar. além disso, usá-lo de forma contínua e prolongada exige uma enorme quantidade de energia mental de zay. se continuar forçando seu poder sem a devida recuperação, ele começa a experimentar sintomas de desorientação e delírios. o preço de dominar o medo é, inevitavelmente, o desgaste de sua própria mente.
ㅤ𓊝ㅤ⠀𓏏⠀⠀⠀𝐬𝐚𝐢𝒏𝐭 𝐨𝐟 𝒔𝐢𝐧𝐬 ⠀𓄼 o saint of sins funciona dentro do rouge royale, o navio de zayhan que fica ancorado permanentemente no porto da vila far away e é conhecido por ser um dos bordéis mais exclusivos dos mares. o lugar possui uma estrutura ampla, dividida em vários andares, com grandes salões para apresentações, bares sempre movimentados, salas privadas para negociações e dezenas de quartos luxuosos. o convés principal é usado para espetáculos noturnos, música, dança e jogos, atraindo nobres, piratas e figuras influentes da elite dos reinos dominados pelos vilões. os andares inferiores abrigam áreas mais reservadas, além de corredores extensos que levam às suítes mais caras e exclusivas do navio. dentro do saint of sins, praticamente tudo pode ser comprado — entretenimento, companhia, informações e favores — desde que o preço seja alto o suficiente.
















