Sade Olutola
wallacepolsom
Not today Justin
will byers stan first human second

tannertan36

Andulka
No title available

Kiana Khansmith
No title available

izzy's playlists!

#extradirty
AnasAbdin
we're not kids anymore.
One Nice Bug Per Day

JBB: An Artblog!
Mike Driver
Three Goblin Art
noise dept.
No title available
"I'm Dorothy Gale from Kansas"
seen from Netherlands
seen from United States
seen from United States
seen from United States

seen from United States

seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United States
seen from United Arab Emirates
seen from United States

seen from Germany
seen from United States

seen from Japan

seen from Türkiye
seen from Japan
seen from United States

seen from Japan

seen from United States
@fortkampwildmind
Switching Sides!
An 18 year old French Résistance fighter during the Liberation of Paris, August 19, 1944.
via reddit
This is Simone Segouin, an incredible resistance fighter. Her first mission was to steal a Nazi’s bike, and thereafter went on with her team to derail a train, blow up bridges, arrest 25 Nazis in a single day, and, well, liberate France. She’s still alive at the age of 90.
A mans walk in closet!
U-bahn - Subway in Berlin
Sadismo e James Dean.
“Sadismo” no dicionário: “prazer sentido a partir da dor de outrem; […] excesso de crueldade; crueza ou malvadeza.”
Parece óbvio chegar aqui e criticar os sádicos, mas não é tão simples assim. Há aquele sadismo mais enraizado no imaginário do consumidor da mídia “ocidental". Aquele que ninguém comenta, que a maioria consome ou já consumiu uma vez na vida e, muito provavelmente, vai continuar consumindo. Falo “ocidental” porque é o que eu posso comentar nos limites da minha experiência e, mesmo assim, já me sinto injustamente generalizando tudo.
Apesar de ser fã de cinema, tenho um carinho especial pelo terror. Mas não é contraditório uma pessoa que tem uma intimidade por um gênero desses fazer um texto sobre o sadismo que observa diariamente? Não.
O tipo de terror que eu gosto me proporciona uma fuga da realidade da mesma forma que as pessoas procuram uma ficção científica ou qualquer filme/livro/outra forma de arte de outro gênero. É um universo fantasioso que me traz um conforto bem difícil de explicar. Deve ter algo a ver com todo ambiente que me levava a assistir filmes de terror quando era criança/adolescente – final de semana religiosamente eu e meus amigos passávamos na locadora perto de casa pra alugar um terror pra vermos juntos no sofá de alguém. Sei lá, alguma motivação explicada por Freud.
Posso afirmar que hoje não consumo aquele terror explicitamente “sádico por ser sádico” (esses The Human Centipede da vida). Muito menos compactuo com os sensacionalistas amadores que compartilham vídeos chocantes no facebook ou whatsapp de pessoas/animais sofrendo. Sem hipocrisia, já fui a tia louca das petições e, de vez em quando, ainda me pego mandando email pro meu pai e meu irmão pra assinar alguma coisa.
Mas chega de digredir:
Tava hoje vendo Life (2015), filme sobre a relação do ator James Dean com o fotógrafo Dennis Stock da LIFE magazine. O longa explora a complexidade da personalidade de Dean além do ícone que a industria cultural e cinematográfica criaram nos anos 50. Também aborda a crise criativa do fotógrafo ao querer retratar a humanidade de Dean diante das expectativas comerciais dos executivos da LIFE e, claro, da disposição do ator em ser, mais uma vez, exposto.
Fui comentar com uma amiga sobre como, depois do filme, é interessante poder ver essas fotos famosas da LIFE e conseguir imaginar os diálogos e o contexto que as envolveram. Nunca fui fã do James Dean e nunca achei a atuação dele lá essas coisas, mas a parte humana sempre me interessa, principalmente de alguém que quebrou e cutucou alguns tabus da sociedade institucionalmente racista norte-americana dos anos 50.
Foi quando essa minha amiga comentou: “lembra da foto do acidente de carro dele, que horrível?”. E eu lembro. O que me leva, como uma pessoa sem mais nada pra fazer nesse domingo de dia das mães, a pensar: qual é o motivo por trás de uma foto dessas? Pela foto da Princesa Diana morta no túnel em Paris?
Penso que fotografias de guerra, por exemplo, exibem violência e corpos mutilados, mas também levantam questões essenciais e expõem o que todo mundo sabe mas finge que não acontecesse. Agora quando se trata de uma pessoa famosa exposta por Hollywood, claramente o motivo por trás das fotos é o lucro, o sensacionalismo e a exploração sádica da personalidade. Não é só quando se trata da morte literal da pessoa, mas a redução de toda sua humanidade e uma coisificação total do ser humano além do ícone. Calma, longe de mim usar Kafka pra falar sobre TMZ.
(Foto: Dennis Stock)
Esses dias também vi o documentário sobre Ron Galella, aquele paparazzi que perseguia Jackie Kennedy e tomou uns murros do Marlon Brando. É interessante porque mostra as origens dessa profissão popularmente apelidada a partir do personagem Walter Santessa – o fotógrafo de La Dolce Vita, o “paparazzo”. Além disso, dá pra perceber que, apesar de ainda sim ser uma invasão, havia todo um profissionalismo nas fotos do primeiros paparazzis – Ron Galella chegava em casa, entrava em seu pequeno estúdio, revelava as fotos, editava a exposição e brilho de forma a melhorar o máximo possível a aparência da pessoa retratada.
Longe de mim tentar romantizar suas perseguições, que no fim eram mais uma exploração sem consentimento da imagem de alguém. Mas não posso deixar de reconhecer que havia uma certa paixão (doentia) por trás de suas ações. Sem querer ser aquela pessoa do “hoje em dia…”, mas hoje em dia a coisa é puramente predatória e gananciosa. As pessoas são perseguidas por fotógrafos com câmeras monstruosas capazes de produzir centenas de fotos em segundos. As fotos são, então, imediatamente passadas pro computador e vendidas ao primeiro abutre que pagar mais – tudo isso ainda no carro do paparazzi.
No Brasil a coisa me parece ser mais recente, mas o cerne motivador é o mesmo. Quem nunca teve um amigo que te mostrou as fotos dos Mamonas mutilados depois do acidente aéreo? Talvez eu já tenha sido esse amigo. Pelo que eu pesquisei, parece que houve até uma cobertura ao vivo do Fantástico sobrevoando o local do acidente quando os corpos ainda nem haviam sido retirados. O Pânico da TV invadiu a cerimônia, obviamente particular, de cremação de Amy Winehouse para o quadro do “Impostor”. Ou seja, a cantora (pessoa) que teve a carreira inteira e o talento reduzidos a fofocas foi postumamente desrespeitada por um programa de televisão de bastante audiência no país. A audiência, assim como o “humor” (outra questão importantíssima), legitimou a agressão.
É uma falta de empatia absurda (dia desses senti a mesma inquietação quando assisti Cássia e escrevi um desabafo). Escrevo porque acho que a vida cotidiana pode ser retratada de outras formas, sem jogar a dignidade humana no lixo. Andy Warhol, mesmo sendo uma figura problemática, conseguiu genialmente ver beleza nas coisas cotidianas que, até primeiro momento, são consideradas insignificantes. Vivian Maier, mais pessimista, explorou sua insatisfação com a forma pela qual os homens tratavam seus “diferentes"– mulheres, animais, etc. – de forma sútil, porém impactante.
(Foto: Vivian Maier)
Escrevo porque não posso deixar de desabafar: a inevitabilidade da oferta desses produtos ao consumo não nos liberta da responsabilidade de não divulga-los e consumi-los. Não se engane, ainda tento fugir da hipocrisia e me policiar diariamente em vários âmbitos da vida. Ter, de certa forma, compactuado com uma indústria violenta não tira a legitimidade da sua ação atual de tentar se reeducar. Não se esqueçam de que, por trás da fofoca gostosa, há um ser humano com toda uma história. Acredito que isso deveria ser o suficiente.
Wild Mind turned 3 today!