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Memórias de alguma outra vida. Pseudônimo.
"Mais uma noite daquelas!" - Ele falava, do outro lado da linha. Eu já não tinha muito o que dizer, tem sido assim desde que ele decidiu partir. E como se ele não soubesse, que por Deus, todas as minhas noites, também eram "daquelas"! Mas eu não o contava, o deixava falar, e falar por horas. Eu gosto de como a voz dele fica mais rouca pelo telefone. E eu já não tinha muito o que dizer. Sempre me lembrava de como ele era feliz na juventude, e eu sabia que era verdade, os olhos dele brilhavam, quando me contava de suas conquistas bobas de colégio, das garotas bonitas, de quantos corações já havia partido. E no fim sempre segurava minhas mãos, pedia para olhar bem em teus olhos, e dizia: -"Mas o teu não, pequena. O teu nunca! " Eu sorria, como se acreditasse. E então o beijava, com todo o meu amor. Sempre soube, que ele partiria, não só meu coração. Sentia no tom de sua voz, sentia no olhar distante, sentia até na respiração. Ele não pertencia aquele mundo, muito menos à mim. E mesmo sentindo, eu só pedia bem baixinho, em pensamentos, pro tempo rastejar, pra ele poder ficar. Eu não ia sofrer antecipadamente, eu queria era aproveitar cada segundo e cada pedacinho. Ah.. aqueles olhos! Ah.. aquele corpo! A barba por fazer, os lábios desenhados à mão pelos deuses, e se não bastasse, doce, mais que mel. O cheiro dele ainda atravessa a porta da sala, violentamente, todo dia, às 18 horas, e percorre todo o corredor, até chegar em meu quarto, subir minhas narinas adentro, e apertar o botão que faz chorar. Por Deus, de onde vem o cheiro dele? Eu não sei. Às 17:20hr da tarde, ele chegava, me dava um beijo, pegava a toalha da porta, e ia pro banho. Às 17:45, eu ouvia o chuveiro parar, ouvia teus passos molhados indo para o quarto, eu o espiava da cozinha, e ele sabia, deixava a toalha escorregar mais um tanto.. Ah, aquele corpo! Às 18hr, ele vinha devagarinho, me abraçava por trás e sussurrava: "-Agora sim, minha pequena." Ele falava de estar pronto, cheiroso, para finalmente me abraçar bem gostoso. E eu não queria pensar no dia que tal coisa não mais aconteceria. Mas esse dia chegou bem depressa, eu acho que estava preparada. Chorei feito um neném, por horas e depois por dias. Os meses me secaram. Ele se foi. Mas disse que me levaria, pena, que só dentro dele. Eu acho que ainda o espero, espero vê-lo entrando pela porta às 17:20hr e me dando um beijo, vê-lo de toalha pelo corredor, vê-lo me amando loucamente em cada canto de meu apartamento. Mas por hora, só tenho sua voz, que repete dia, após dia:"-Mais uma noite daquelas!" E por fim, a voz daquela que o têm, chamando-o para deitar. "Tudo bem, querido. Vá descansar! Até logo. " Afinal, eu já não tinha muito o que dizer.
The First
Minhas mãos percorriam teu cabelo, enquanto meus olhos trabalhavam freneticamente, fotografando todo o resto de teu corpo.  Fazia frio, mas estávamos quentes. Ouso dizer que uma reação fantástica de combustão. Escorriam-me gotas, de puro amor.  O silêncio tornou-se uma bela música. Tua respiração intercalando a minha, os corpos tornando-se um só, de segundo em segundo. Gritei por dentro: -"Por Deus, que nunca acabe!"  E eu falava de tudo, eu falava de nós.Â