────── ❅ pelos deuses! aquele ali passeando na praia é QUIONE? ah, não, é só MIRAY KARADENIZ, uma MODELO nos agraciando com sua beleza nos halls do aletheia hotel. as moiras avisaram: mesmo com os TRINTA E UM anos nesse novo corpo, segue tão CARISMÁTICA e SARCÁSTICA quanto na antiguidade. repararam também que ele lembra muito HANDE ERÇEL? a maldição levou tudo, menos sua beleza. que prazer tê-lo como HÓSPEDE do nosso hotel!
⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀Miray nasceu no litoral da Turquia, em uma região banhada e moldada pelo sol, pelo mar e pelo movimento constante. Desde pequena, aprendeu a amar ambientes vivos, barulhentos e quentes. Sempre foi expansiva, sorridente e intensamente presente — o tipo de pessoa que parece aquecer qualquer espaço em que entra. O frio, para ela, sempre foi apenas um conceito distante, quase irrelevante e desconhecido.
⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀Sua beleza chamou atenção cedo, e a carreira de modelo surgiu de forma natural. Se adaptou facilmente ao ritmo intenso da moda: viagens, festas, campanhas, olhares constantes. Diferente da imagem distante que muitos projetam nela, sempre se portou como uma mulher acessível, afetuosa e que gosta genuinamente das pessoas. Constrói conexões rápidas, conversa com estranhos sem esforço e acredita na espontaneidade.
⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀Durante um exame de rotina exigido por um contrato internacional, recebeu um diagnóstico que não ameaçava sua vida, mas mudou silenciosamente a forma como ela se enxergava. A doença era imprevisível, intermitente e, na maior parte do tempo, invisível. Poderia passar meses sem sintomas e, de repente, ser tomada por um cansaço profundo, dores articulares ou febres inexplicáveis.
⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀Nada em sua aparência denunciava aquilo. Por isso, continuou trabalhando, viajando e sorrindo para as câmeras como sempre. Aprendeu a esconder a fadiga com maquiagem, a ignorar dores com disciplina, e a tratar o próprio corpo como algo que precisava ser controlado para não atrapalhar sua carreira. O diagnóstico não a tornou mais frágil aos olhos do mundo, apenas mais reservada e atenta a si mesma.
⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀Desde então, vive em uma negociação constante com o próprio limite. Evita falar sobre a doença, não por vergonha, mas por medo de ser reduzida a ela. A ideia de ser vista como “delicada” ou “instável” a incomoda profundamente. Prefere carregar tudo sozinha, mantendo a imagem de vitalidade intacta, mesmo quando o corpo pede pausa.
⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀Chegou à Santorini para um trabalho importante: uma campanha que poderia marcar uma nova fase em sua carreira. No entanto, todos os planos foram adiados ou cancelados de forma abrupta e sem explicações satisfatórias. Voos que levariam a equipe até o local foram desmarcados, documentos se perderam pelo caminho, pagamentos foram atrasados e compromissos desapareceram. Mas, por uma insistência do cliente ou graça do destino, a campanha não é cancelada e Miray tem a felicidade de ser presenteada com férias pagas enquanto espera que tudo se acerte. Sem muitas opções, hospeda-se no suntuoso hotel Aletheia, onde se encontra de volta à beira-mar.
⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀Na Grécia, longe de sua rotina médica e do controle rígido que construiu, os sinais reaparecem com mais frequência: noites mal dormidas, um cansaço que não combina com sua idade, pequenas dores que ela insiste em ignorar.
A culpa pela resposta atravessada que ofereceu à mais nova já ecoava em sua mente, a fazendo franzir o nariz em sinal de remorso pelas palavras rudes direcionadas a ela. Não era de sua natureza ser ríspida, o que lhe causava ainda mais estranheza ao analisar seu comportamento mais recente. Talvez todos os seus problemas estivessem se unindo para atacá-la de uma só vez. ─── Ai, me perdoa. ─── Sua postura logo mudou. Era merecedora de qualquer repreensão que recebesse da outra naquele momento. ─── Talvez seja essa rotina imprevisível, mas ultimamente ando meio irritada. Não que isso justifique minha grosseria, mas... ─── Suspirou, por fim. Em nada ajudaria se justificar demais, principalmente por não compreender perfeitamente bem o que a acontecia. ─── Apenas me perdoe por isso.
⋆ @michchapman said “you fell asleep on me… and I didn’t want to wake you.”
Seu despertar foi quase imediato, com um solavanco, ao escutar a voz do rapaz — contra o qual ainda inclinava a cabeça — tão próxima de si. Durante os instantes onde tentava assimilar o que havia acontecido, seus olhos pestanejaram e mão direita instintivamente alcançou os cabelos para alinhar os fios no lugar. ─── Droga. ─── Resmungou, alto o bastante para ser ouvida pelo outro. Apesar do embaraço, não levou muito tempo para se recompor, já que aquela não era a primeira vez que se encontrava naquela situação. Sua condição e os medicamentos que tomava para controlá-la podiam causar aquele efeito, principalmente após alguns noites mal dormidas. ─── Me desculpe. ─── Esboçou um sorriso, que quase se traduziu em um riso baixo. ─── Meu antialérgico costuma me deixar sonolenta e, às vezes, me constrange dessa forma. ─── A mentira concebida há muito tempo, já se encontrava na ponta da língua. ─── Fiquei apagada por muito tempo? ─── Não era mais uma questão de vergonha, mas preocupação.
⋆ @lucanotseeyou said "the uncertainty is killing me"
As nós que carregava nos músculos da região dos ombros pareciam mais doloridos que o normal, mas, apesar do cansaço, Miray ainda conseguia ostentar neutralidade no semblante. Ninguém precisava saber de seus problemas, mas seria inevitável mencionar aquele que já era suficientemente público. ─── Parece que essa questão tem deixado os nervos da maioria à flor da pele. ─── O canto direito dos lábios se repuxou em um sorriso mínimo para o rapaz com quem conversava. ─── É bizarro pensar que viemos para um lugar paradisíaco, com tudo incluso, pra não conseguir aproveitar devidamente todo esse privilégio. ─── Ao menos, era assim que sua mente funcionava naquele momento, como uma barreira que a impedia de esquecer o que a seguia a cada passo dado naquele hotel.
⋆ @sadiyenehir said "I don't know what that means!"
O olhar permaneceu focado no rapaz que era arrastado em direção ao hall principal do hotel durante os instantes seguintes, mas seu corpo — assim como as palavras — se voltou para a antiga amiga. ─── Significa que ele tinha autorização para entrar na propriedade e conversar com os hóspedes. ─── Um suspiro cansado deslizou de seus lábios ao esclarecer a dúvida, tendo acompanhado parte da discussão que se desenrolou próximo do local onde ambas se encontravam no momento. ─── O que claramente é mentira, visto que está sendo escoltado pra fora daqui. ─── As sobrancelhas escuras se arquearam, em harmonia com as írises que agora encontravam a figura de Sadiye. ─── Lamento pelos funcionários daqui, deve estar sendo um inferno manter a situação sob controle com toda essa história. ─── Apresentou o ensejo, desejando que a outra compartilhasse a própria experiência diante do problema.
do you want to dance? i won't step on your feet. @heliophiilia
Bastou um primeiro encontro com Maximillian — em condições nada favoráveis e extremamente incômodas — para que se convencesse do caráter, generosidade e gentileza do rapaz. Desde então, havia sentido uma estranha conexão com ele que, por Miray, era interpretada como a mais pura gratidão. Sentia-se quase da mesma maneira em relação à senhora que lhe estendera a mão e a conduzira até o amparo do paramédico naquele momento de crise enfrentado no hotel. O curioso era ter a sensação de que aquele sentimento era retribuído. Um enorme sorriso se alargou nos lábios corados pelo batom, harmonizando com a feliz surpresa que nascia no olhar. Aquele era um convite singelo, inocente, mas que a comovia.
Sem qualquer hesitação, colocou-se de pé diante dele, assentindo em resposta ao convite. ─── Eu já não posso prometer o mesmo. ─── Jocosamente o deixou avisado sobre as possíveis pegadas que deixaria em sobre seus pés, reconhecendo a falta de talento para a dança. O que lhe carecia em ritmo, porém, ela compensava em entusiasmo. ─── Mas, seria um prazer. ─── Os saltos já a levavam para a pista de dança, onde lentamente se juntava aos demais convidados que por ali se divertiam ao com da música projetada pelas caixas de som. ─── Nem me lembro da última vez que alguém me convidou para dançar. Acho que, infelizmente, é uma prática em extinção. É importante que tentemos resgatá-la.
Os olhos se estreitaram para a mais nova, inevitavelmente revelando seu ceticismo. ─── Tem certeza? Ou você parou de contar depois do segundo? ─── Ainda agindo de maneira automática, insistiu em questioná-la, mas logo percebeu o quão invasiva e indelicada soava. Por fim, pigarreou e balançou a cabeça em negativa, afastando os fios castanhos do rosto. O sorriso que estampava os lábios era sereno. Não era sua intenção interromper o divertimento alheio, mas se preocupava com o exagero que poderia cometer com o álcool. Como mulher, sempre se preocuparia com outra. ─── Está tudo bem, sério! Você não precisa se justificar pra mim. ─── Disse com o tom descontraído, erguendo ambas as mãos na altura da cabeça. ─── Eu só comentei que estava pensando em ir pegar um café, quem sabe alguns biscoitos e queria saber se gostaria de me acompanhar...
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : você é muito gentil!
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : prometo que essa visita logo chegará.
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : mas, enquanto isso...
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : [ enviou uma foto. ]
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : estou com uma assistente por aqui, mas adoraria dicas de alguém que realmente conheça esse lugar
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : sabe, queria evitar os pontos mais turísticos dessa vez
❛ you look like you're freezing. come on, let's warm up inside. ❜ // @doriankairis
Devido às dores que já ameaçavam se espalhar por suas articulações, configurando o prelúdio para uma nova crise, Miray sequer cogitou rejeitar o convite feito pelo outro. Além disso, a companhia do rapaz certamente seria uma distração bem-vinda. ─── Se me restava qualquer dúvida, agora tenho a confirmação de que não fui projetada para viver no frio. ─── O corpo que atravessava o batente da porta também se agarrava ao casaco pesado que o protegia. Os diferentes climas que enfrentava durante suas viagens eram provas palpáveis de todas as conquistas que fizera na vida profissional, assim como os sacrifícios que a carreira demandava. ─── O que é uma pena, pois adoro toda essa ambientação... Tomar um banho bem quente, colocar um pijama limpinho e me enfiar debaixo de um cobertor felpudão. ─── Enxergava o copo como meio cheio, não se deixando abater pelos desafios que surgiam pelo caminho. ─── Hoje o preparo do chocolate quente é comigo! Vai querer marshmallow? ─── Nada mais justo do que retribuir a generosidade alheia.
𝐜𝐚𝐦𝐞𝐥𝐥𝐢𝐚 : what does love mean to your muse - how do they show it? how do they want to receive it?
𝐞𝐮𝐜𝐚𝐥𝐲𝐩𝐭𝐮𝐬 : when your muse needs clarity - who or what do they turn to?
𝐜𝐚𝐦𝐞𝐥𝐥𝐢𝐚 : what does love mean to your muse - how do they show it? how do they want to receive it?
Para ela, o amor é estar presente, é cuidado e não exigir performance. É desejar permanecer mesmo quando o encanto ou a paixão inicial se esvai, quando o corpo falha ou quando o silêncio se alonga demais. É algo que se constrói nos gestos.
Miray demonstra amor através da atenção plena. Escuta, percebe mudanças de humor antes que sejam ditas, cuida sem anunciar que está cuidando. Gosta de oferecer conforto físico — um toque leve, dividir um espaço, estar por perto. Também ama criando momentos de leveza.
E deseja receber amor de forma tranquila e consistente. Não precisa de intensidade constante, mas de honestidade. Quer alguém que saiba ficar nos dias em que ela não brilha, que respeite seus limites sem transformá-los em fragilidade, e que não tente salvá-la.
𝐞𝐮𝐜𝐚𝐥𝐲𝐩𝐭𝐮𝐬 : when your muse needs clarity - who or what do they turn to?
Feliz ou infelizmente, Miray busca clareza na solidão. Ela se afasta do ruído antes de tomar decisões importantes. Caminha sozinha, nada no mar, observa pessoas sem interagir. O silêncio é onde as respostas começam a se organizar.
“Sit down. You look exhausted. I’ll make cocoa.” // @doriankairis
Dorian podia não saber o motivo de sua exaustão, mas provava saber exatamente como interpretar sua expressão e postura corporal. Haviam feito exercícios de interpretação envolvendo ambos, afinal, era esperado que ele tivesse desenvolvido certa habilidade no assunto. Convencida pelo cansaço e comovida pela oferta generosa, Miray suspirou em resignação. ─── Você é muito gentil. Obrigada. ─── Ofereceu a ele um sorriso que exalava gratidão, então se encaminhando até a poltrona próxima para se sentar. ─── Estaria abusando muito da sua boa vontade se te pedisse pra colocar mini marshmallows por cima? ─── Tentou a sorte, buscando um pouco de conforto no doce que amenizava suas dores internas. Durante breves instantes, calou-se para ponderar sobre o pedido, concluindo com um riso baixo. ─── Às vezes me vejo obrigada a concordar com meus familiares que me acusam de ter ficado mal acostumada e mimada.
Dorian estava prestes a sair do teatro após um dia cansativo de ensaios, achando que seria o último a sair do local... mas acabou dando de cara com uma figura que reconhecia bem entre as cadeiras vazias da plateia. Miray esteve no mesmo hotel que ele na Grécia, e acabou sendo uma grande coincidência esbarrar em sua antiga patroa lá. Agora... bem, ele havia contado que estaria por ali, só não esperava vê-la tão cedo em Londres. "Olha só, você me encontrou." O poster da peça onde estrearia provavelmente o denunciava. Ele abriu um sorriso largo, indo até Miray para conversarem melhor. "Chegou faz muito tempo?" Perguntou, ainda de bom humor. Apesar de cansativo, os ensaios ainda o deixavam animado. Pausou por um segundo, se perguntando se deveria abraçá-la, ou apertar suas mãos, ou apenas acenar. Poderia chamá-la de amiga...? Depois de ter trabalhado com Miray antigamente e ter parado para conversar um pouco pelo hotel...? Dorian resolveu apenas continuar sorrindo, mas sua expressão ainda denunciava que estava feliz em vê-la. "Pena que você perdeu a hora que eu estava experimentando as roupas da peça. Mas talvez seja melhor que você veja quando a peça de verdade estrear."
Embora o silêncio tenha sido cortado abruptamente, a chegada de Dorian foi recebida por ela com um sorriso. Ajustando o corpo sobre a poltrona, inclinou o corpo na direção alheia. ─── Te encontrar não foi tão difícil quanto imaginei, assim como convencer o segurança a me deixar entrar. ─── A voz soava mais baixa que o normal, projetando-se em um tom quase solene. Estar em um teatro praticamente vazio despertava uma curiosidade fascinante em Miray, ao mesmo tempo que a ambientação parecia exigir dela o respeito pelo silêncio que ali dominava. ─── Não me orgulho disso, mas depois dele me reconhecer, foi fácil encontrar uma brecha. Algumas selfies me pareceram um preço justo de troca pelo favor. ─── Casualmente relevou, dando levemente de ombros. ─── Cheguei há alguns minutos. ─── Apesar do tempo curto, tivera a oportunidade de contemplar a atmosfera única do local e se inspirar pelo que observava ali. Conseguia compreender o encanto dos artistas pelo palco. Até mesmo o aroma do tablado lhe parecia único. ─── Droga! Adoraria ter visto o seu figurino. ─── Sua lamentação era genuína, assim como o interesse em aprender mais a respeito do espetáculo que se construía. ─── As fotos acabaram atrasando hoje. ─── O gesto feito com a destra acompanhou seu suspiro cansado, adiando aquele assunto para outro momento — que a deixaria mais satisfeita, caso nunca chegasse de fato. ─── E seu ensaio, como foi? Já está liberado?
"The stars are prettier than the fireworks." (@mescuridao)
Sua reação ao comentário foi imediata, assentindo com a cabeça em concordância. ─── E menos barulhentas. ─── Complementou, oferecendo ao rapaz um sorriso amistoso, cujo resplendor podia ser comparado ao do céu estrelado. ─── Também tenho uma preferência pelas estrelas e, principalmente, pela lua. ─── Para Miray, era indiscutível e irresistível o poder de magnetismo do brilho emanado pelo corpo celeste. Embora os dias ensolarados evocassem sentimentos mais profundos e fizessem parte de sua história, desde o momento que chegou ao mundo, não se recusava a admirar as belezas reservadas apenas à noite.
ERIC: oi miray, como vai?
ERIC: ah, você sabe que eu sou ótimo nesse jogo de adivinhar.
ERIC: você está aqui na minha porta com um grande presente de natal em mãos?
ERIC: tenho certeza que sim.
ERIC: KKKK ok, eu desisto, onde você está?
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : tudo certo por aqui.
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : agora sinto que vou estar te decepcionando com a minha resposta haha
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : ficarei te devendo a visita e o grande presente, por enquanto
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : mas vou te dar mais uma dica
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : estou num lugar que você conhece bem
⌯⌲ 𝚖𝚒𝚛𝚊𝚢 : e que, provavelmente, remete a muitas lembranças suas