Countdown to The 100 Season 6
↳ Day 10

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Countdown to The 100 Season 6
↳ Day 10
F L A S H B A C K
“Bom, se você prometer não contar pra ninguém, talvez possamos fazer uma pequena festa particular lá.” A frase atiçou os sentidos de Thierry. Não imaginava que Freya fosse aceitar sua proposta, uma vez que era arriscado realizar tal aventura. “Pelo o.que pude notar, o Czar possui uma seleção bem distinta de vinhos, conhaques e mezcal, o que é bastante curioso, considerando que estamos a quilômetros da América. Acredito que não devam saber o que tem um estoque tão grande de bebidas de luxo.“ Se arriscando mais um pouco, enlaçou seus dedos da comandante, impressionado com a textura da da pele, já que nunca falhava em deixá-lo fascinado em todos os mistérios que envolviam a mulher. “A menos que queira ficar aqui esperar por uma série de formalidades chatas que irão surgir assim que o Czar autorizar que as máscaras sejam removidas, e que começarem as bajulações intermináveis?”
A comandante não tinha a menor ideia de como Thierry tivera aquele acesso, ou sabia qual era o estoque do czar, mas sinceramente não se importava muito; era difícil que ela arranjasse problemas sérios por causa de sua posição - o que com certeza não a impedia de criar alguns atritos e mal-estar - mas não saberia se o mesmo podia ser dito do estilista. Freya era atraída pela provocação, o desafio, até o perigo. “—Hum... Nem sei se me lembro mais o gosto de mezcal” comentou, cedendo um pouco à tentação que Thierry lhe oferecia. Encarou com uma sobrancelha erguida a mão alheia em si “—Você é sempre ousado assim, mon cher?” perguntou provocando, um toque de aviso, mas ao mesmo tempo ficava claro que ela apreciava certa personalidade. Retirou a mão da dele e terminou o último gole de sua bebida, deixando o copo vazio no bar antes de indicar a enorme porta que levava ao corredor de fora com a cabeça discretamente “—Me mostre o caminho”
Baby I’m sorry, not sorry.
That woman has forgotten more ways to kill than entire armies will ever learn.
THE OLD GUARD (2020) fight choreography by Danny Hernandez
Já havia pesquisado a respeito da cultura e estrutura política de diversos países, mas não se comparava à possibilidade de ouvir aquelas coisas de alguém que não apenas era nativa do local mas conhecia e fazia parte justamente naquele aspecto. A pergunta que lhe escapou podia ser vista como indelicada, mas a verdade era que estava apenas curiosa demais. Freya havia despertado na baronesa um interesse quase que infantil, como de alguém vendo um ídolo pela primeira vez - ou, claro, uma criança conhecendo uma princesa de verdade. Mas não eram os castelos ou o vestido que a impressionavam, e sim o poder que emanava e a força inegável que dispunha. Como uma espécie de fenômeno natural — é, parecia uma boa maneira de descrevê-la. “E quais as chances de alguém além de você de fato ocupar esse trono?” Indagou, pegando-se torcendo pela nomeação da garota - talvez pelo natural instinto de sororidade, considerando que não realmente conhecia nada dela. Assentiu para a resposta; definitivamente não o que Polina gostaria de ouvir. Óbvio que alguém como ela não tinha arrependimentos! Não era como a baronesa. “Oh, claro!” Fazia mesmo sentido que ela usasse as diferenças como vantagem. Era razoavelmente forte para uma figura tão esguia, Frolova tinha notado, mas o fato de ser bem menor que seus oponentes podia mesmo ajudar na agilidade. Talvez devesse começar a correr? Poderia ser útil, ponderou, antes de perceber que não fazia sentido algum o caminho para qual seus pensamentos iam. “Mas, tem armas que sejam mais adequadas ao seu tamanho, ou a melhor arma é aquela que você prefere?” Continuou o assunto, enquanto suas pernas tomavam a liberdade de caminhar pelo espaço na companhia da outra. Percebendo então que muito provavelmente estava sendo inconveniente, a jovem riu baixo. “Desculpe, parei com o interrogatório. É que às vezes eu não me aguento, gosto de aprender coisas. Além disso, faz um bom tempo desde que eu não fico perto de pessoas novas.”
Freya tinha que admitir que era muito gostoso falar sobre seu país com alguém que demonstrava não apenas um interesse e avidez genuínos, mas também estava aberta a não julgar os modos culturais apenas por serem diferentes. A comandante também sabia que sua paixão pelo reino estava visível em cada uma de suas palavras e pela sua expressão, isso sem mencionar o brilho em seus olhos - embora apenas metade de sua família fosse de fato escandinava, Freya era muito patriota e orgulhosa. A pergunta alheia não era tão incomum para quem ouvia sobre o sistema de sucessão pela primeira vez, então a princesa soltou um riso fraco, ponderando o que exatamente responder “—Bem, se está perguntando legal ou culturalmente, as chances são de fato iguais, não é incomum que governantes escolham sobrinhos ao invés de filhos, pois toda a família real é criada junta, e crescemos com a ciência de que nossa decisão deve ser sempre focada em nosso reino, e não na glória pessoal” começou, subitamente sentindo uma falta imensa do Palácio de Cristal, onde crescera com os primos como se fossem todos irmãos, de seus pais e dos funcionários, de todos em seu reino. “—Mas se está perguntando das apostas atualmente, eu diria que as chances maiores estão entre eu e Njord, meu primo. Mímir é genial e lidera nosso centro de pesquisas e desenvolvimento, mas ele é muito recluso e sua cabeça é mais voltada para, bem, números e tecnologia. Tyria também poderia ter grandes chances se quisesse, mas ela é magistrada real e representante da Corte Suprema, muito satisfeita com seu trabalho e é muito contrária a misturar as esferas política e legal” prosseguiu e, embora a nostalgia e saudade ameaçasse um aperto no coração, um sorriso saiu dos lábios de Freya ao falar de sua família amada. A comandante quase podia ver a cabeça da baronesa funcionando, e ficou genuinamente satisfeita em responder seus questionamentos, no entanto, enquanto ainda pensava na resposta, a fala alheia a fez soltar um riso “—Não precisa se desculpar, estou gostando muito disso tudo” garantiu enquanto andavam lentamente “—Existem estudos que apontam as mulheres como melhores snipers, então eu diria para começar com uma arma de fogo, pois isso faz com que a diferença de altura e força seja completamente deixada de lado. É claro que ela só funciona a uma certa distância, o que por um lado é excelente pois você poderia se proteger antes que a ameaça chegasse muito perto, no entanto, se for uma questão de combate corpo a corpo, seria complicado, então acho que diria uma faca. Isso tudo supondo que a pessoa em questão saiba usar, é claro” encarou a baronesa por uns instantes, sobrepesando se estaria disposta a lhe propor umas aulas “—As armas têm mais a ver com distância e habilidade do que com tamanho de quem as porta, mas é claro que existem certas facilitações. Eu nunca sugeriria uma espada ou machado para alguém que não tivesse boa musculatura, uma morning star ou chicote para alguém desengonçado, um arco e flecha para alguém que não tem mira, por aí vai. Se realmente lhe interessa posso te ensinar algumas coisas ou simplesmente continuar falando, como deve ter percebido, é um assunto que adoro”
Warrior Queen (77/∞)
❛ 👑 ─── Força bruta não era algo em que Amélia era boa, gostava mais de fazer a linha diplomática e resolver problemas com a comunicação, mas ainda sim, admirava muito aqueles que sabiam como dominar armas e lutas, sabia o mínimo para se defender caso fosse necessário, assim como todos da coroa, mas ainda preferia resolver suas questões de outra maneira. - “Faz muito bem.” - assentiu mantendo seu olhar sob ela, era sempre interessante assistir a outra em tais momentos, sempre concentrada e com uma pontaria invejável. - “Eu sei muito bem disso, é quase parte de quem você é, e um tempo prolongado na corte pode se tornar entediante depois de um tempo.” - comentou movendo os ombros, seus olhos acompanhando os movimentos da outra junto a pistola. - “Eu acredito nisso com todas as forças, uma explosão de sua parte não seria nada bonito, especialmente com quem fosse seu alvo. E dito, acho que preciso encontrar maneiras diferentes de você gastar essa sua energia também, assim evitamos possíveis explosões fora de hora.” -
Freya assentiu com a cabeça, soltando um riso curto quando o comentário da alemã foi a respeito da corte se tornar entediante depois de períodos prolongados; para a escandinava, parecia que sua tolerância estava baixa desde a última vez que visitara. “—Talvez tenha algo a ver com o fato de que geralmente não tem tantos nobres das grandes casas juntos ao mesmo tempo. Suspeito que a batalha de egos esteja me consumindo mais rápido do que de costume” comentou com um riso sarcástico. Voltando sua atenção para a princesa, Freya ergueu uma sobrancelha em curiosidade. Era bem certo que ela estava certa quando à sua explosão, mas além de treinos e sexo, a comandante não sabia bem como libertar sua energia acumulada, o que poderia se tornar catastrófico de várias maneiras, inclusive a levando rapidamente para o fundo do posso mental - não que alguém soubesse daquela sua fraqueza específica. “—Estou ouvindo. O que exatamente está pensando?” perguntou bastante interessada.
2.10 // 5.10
Era desnecessário dizer que a caça ao assassino do baile de máscaras estava indo da pior forma que ela poderia esperar, e não conseguir achá-lo deixava Freya bastante frustrada. Nos campos de treinamento ou em missões ela facilmente lidaria com essa frustação libertando a agressividade, mas no Palácio até mesmo isso era mais complicado. “—Pronta!” gritou para o rapaz que estava lhe ajudando, sua distância grande o bastante para que de fato lhe apresentasse algum desafio. Quando o dispositivo lançou o alvo para cima, Freya rapidamente atirou e despedaçou o objeto, travando a arma e colocando-a de volta na mesa a seu lado. Como percebera uma aproximação, comentou com tranquilidade enquanto pegava uma faca “—Cuidado para não ficar na linha de tiro, eu sou boa o bastante, mas vamos evitar acidentes” com isso, impulsionou-se para lançar a faca em um dos alvos fixos.
─ Ah, é uma mulher. ─ Constatou com um leve tom de decepção na voz. E lá se ia a oportunidade de ver algum bonitão treinando sem camiseta. As decepções com Moscóvia iam apenas aumentando. ─ Ah, eu só estava procurando um bom lugar para um piquenique, eu e as meninas acabamos nos perdendo. ─ Yuna respondeu apontando para as damas que a acompanhavam. ─ Qual sua patente? ─
A decepção e o comentário degradante não passaram despercebidos, e a princesa virara para a mulher com uma sobrancelha arqueada “—Tem algum problema com isso?” perguntou com o tom duro, muito acostumada às pessoas em Moscóvia e outras partes do mundo subestimarem sua importância e lugar como militar - o que Freya não aceitava. Olhou vagamente para as garotas que ela apontava, torcendo para que não ficassem muito próximas a seus alvos, e então voltou o olhar para a mulher com quem falava “—Comandante, e você é..?”
As conversinhas inacabáveis, as horas de chás e biscoitos, o modo como tudo parecia regrado e certinho demais… Cada detalhe que dizia corte enfadava ambos. Sim, ambos. Ainda mais para o garoto bem-vestido, acostumado com tal rotina, no modo fácil de conseguir alguma coisa. Konala não precisou falar nada para que ele viesse junto, tomando o caminho mais longo e longínquo do Palácio prisão. O ar pesado de Moscóvia melhorando imediatamente o humor, colocando mais cadência e relaxamento em seus passos. ““Deveríamos contar os dias de nossa estada aqui. Duvido que khasar acredite na nossa… Como é a palavra que vocês usam? Resistência?”” Serj enfiou a mão nos bolsos, a língua estalando no céu da boca em reprimenda. + O certo é resiliência, mas resistência pode ser bem apropriado. Se eu tiver que tomar mais uma xícara de chá, eu vou calmamente dizer para que se- + A mão pesada do gigante cobriu a boca antes do impropério na língua da Nova Oceania tomasse forma. O som da arma acertando o alvo fazendo piscar interesse nos olhos do rei. Ele esperou que o mais novo traduzisse, mesmo já sabendo o que significava. Quando desceu o olhar para Serj, o mesmo suspirou e se pôs em movimento, parando conveniente perto demais do alvo fixo. ““Leia minha mente, mas não fale tanto assim ou ela vai suspeitar.”” Comunicou na língua materna. O príncipe era só suspiros agora. + Boa tarde, senhorita da faca, perdoe-nos a intromissão de seu treino, mas meu Rei tem uma mensagem para a senhora. Se a senhorita fosse boa o bastante não precisava falar aviso algum.
Era uma dupla estranha de se observar aproximar, e a princesa não achava que sabia quem eram, pois com certeza se lembraria de um homem daqueles, e até do menino também, que parecia ter uma mente e sorriso afiados demais, como se estivesse sempre escondendo algo. Ela era mais nova do que ele quando entrara para o exército, e sabia bem que não deveria subestimar nada nem ninguém. Freya dificilmente teria medo, mas ficou alerta com a dupla estranha, principalmente quando o mais novo passou uma mensagem como se o tal rei não entendesse a língua - e ainda por cima uma alfinetada. Ora ora, isso parecia interessante. O sorrisinho inocentemente falso, sarcástico da comandante era um prelúdio para a provocação que viria “—Minha nossa, acho que seu rei tem razão” respondeu com um tom afetado que até mesmo quem não a conhecesse e tivesse meio cérebro interpretaria bem. Virando-se para encarar o homem gigante, embora ela estivesse praticamente acostumada a homens enormes na Escandinávia, ela prosseguiu, falando diretamente para o dito rei como se ele a entendesse - até porque não estranharia se ele de fato entendesse “—Me permita me redimir então” a princesa já percebera que o garoto ficara perigosamente perto do alvo, que já era pequeno para lhe oferecer algum desafio, mas era confiante o bastante nas suas habilidades para puxar uma pistola, destrava-la e descarrega-la sequencialmente e com perfeição no alvo, tudo em questão de míseros segundos e sem nem ao menos piscar.
𝕗𝕝𝕒𝕤𝕙𝕓𝕒𝕔𝕜
“Sim. Ao que parece, fui enganada pelos pensadores que diziam que o ser humano é capaz de se adaptar a tudo.” Confidenciou em um tom mais baixo, exibindo um sorriso travesso. Em um contexto usual, Lisa não teria problemas em afirmar abertamente que não apreciava eventos como aquele. Porém, sendo agora uma favorita, tinha ciência de que deveria tomar cuidado com o que dizia, ao menos em frente às câmeras. Do contrário, Oksana não a deixaria esquecer de seu deslize nem em mil anos. “É, eu diria que cinco minutos nessa agitação é equiparável a cinco horas em meio a teorias complexas. Talvez cinco dias, até.” Gracejou, retirando uma mecha da frente dos olhos. “Se me permite perguntar, por que está aqui? Considerando suas responsabilidades, presumo que não seja apenas para acompanhar sua prima, estou certa?”
Não ficou muito surpresa com a citação, embora tivesse dado crédito pela escolha da garota de ter realmente aproveitado a educação de qualidade que a nobreza podia oferecer. Um sorriso conspirador foi a resposta à confissão da favorita, bebericando de sua taça enquanto ela continuava a falar. Ficara surpresa, no entanto, com a menção de teorias mais complexas, e lembrou que ela era a representante de um complexo de engenharia, caso não estivesse enganada; aquilo, sim, impressionou a princesa. “—Tenho de fato muitas responsabilidades, mas uma delas é para com a minha família, de ambas as partes. Pelo lado escandinavo, minha mãe gostaria de oferecer apoio à Moscóvia como aliada, algo que é esperado em um evento que se escolhe a próxima czarina, e acho que seria melhor que eu viesse em detrimento aos meus primos, os outros príncipes e princesa, visto que metade de minha herança é moscovita. Por esse lado, era esperado que eu oferecesse apoio à minha prima, além de representar o ducado de Novosibirsk”
Existe um termo na linguagem estratégica militar, mais uma manobra arriscada, que podia descrever o que Hedeon fazia. Retirada estratégica. Tira a equipe de campo para se agruparem, ajeitarem a formação e voltarem de maneira mais ordena; de vitória certa. O silêncio era uma resposta por si só, assim como a fixação nada subjetiva da boca da comandante. Ou como subia de volta para os olhos com a boca a curva-se num dos lados. Balançou a cabeça, uma perna jogada sobre os joelhos para conforto, e a risada sem som para finalizar a tal manobra. — Excesso. Palavra certa, excesso. A simplicidade de uma missão com a complexidade de criar um plano, nada aí pode ser em demasia. — A careta nada tinha a ver com o gosto final da bebida na garganta, o tempo entre os goles tornando-se maior e dando mais chance de sentir tal amargor. — O Baile? Sua última vez foi no Baile? E onde foi exatamente? Não sei se a senhora pesada e frustrada parou para pensar, no meio da névoa excitada, que foi um evento muito bem supervisionado. Com câmeras escondidas. — O franzido entre as sobrancelhas dava o tom do interesse do lugar, o que ia bem longe do que estavam prestes a fazer. Hedeon tinha um protecionismo enorme ao redor da imagem. De como podia ser interpretado dependendo da situação e do acesso às palavras que saiam de sua boca. Momentaneamente, o prejuízo de uma filmagem do ato não fosse tão bom para a mulher.
tw: smut
{flashback}
Freya ergueu uma sobrancelha, como se estivesse bastante surpresa - e não exatamente no bom sentido - com a consternação de Hedeon sobre sua última transa; primeiramente, tinha a ênfase pejorativa no última, o que demonstrava que sim, a comandante andava mesmo acumulando energia demais. Tudo se passou em um segundo, no entanto, porque ele continuara e ela entendeu o problema; aliás, era um senhor problema. Freya era uma figura pública, tanto como comandante quanto como, e principalmente, duquesa de Novosibirsk e princesa da Escandinávia, de modo que ela simplesmente não poderia ter uma filmagem erótica sua disponível para ninguém. “—Fucking Hella” comentou num suspiro meio rosnado “—Vou ter que lidar com isso quando chegarmos no Palácio” continuou, o que claramente significava que precisaria apagar qualquer parte que a pegasse, mesmo que minimamente, o que não seria muito difícil levando em consideração que ela tinha certo acesso à segurança “—E respondendo à sua curiosidade, foi numa parte do labirinto, claro. Não daria para ver nada explícito mas com certeza ficaria óbvio o que era. Ainda assim estava escuro e era uma parte protegida, não acho que tenha pegado nada. E como bem sabe, eu não estava muito preocupada em pensar no momento, teria sido deprimente se estivesse, e é, a última vez, e você, garanhão?” a pergunta fora num tom provocador, principalmente porque ele começara, e não era como se ela estivesse sendo uma santa no Palácio, apenas tentando se manter ocupada.
Assentiu enquanto ela explicava os costumes diferenciados, com verdadeiro interesse. Todos os tipos das mais diversas culturas lhe prendiam a atenção, e não seria diferente com aquela que parecia muito melhor que a sua em alguns aspectos. Mesmo buscando sempre compreender as diretrizes culturais dos parceiros do país ou simplesmente daqueles que sequer sobreviveram às calamidades, não era como se os materiais disponíveis em Moscóvia quisessem deixar tão explícito aquelas diferenças. “E a indiscriminação é apenas ao servir o exército, ou aplicam isso em outras situações também?” Não resistiu à pergunta; tanto por torcer para que sim - de algum modo, apenas saber que havia um lugar com melhores oportunidades e direito parecia aliviá-la, como também pela vontade instintiva em aprender. Quando a princesa comentou sobre fazer o que bem entendia, não surpreendeu tanto a baronesa. Isto é, ela de fato aparentava fazer aquele tipo de coisa — um dos motivos pelo qual se sentia admirada. De algum modo, Freya representava aquilo que a Frolova gostaria de se tornar. Mas por mais que Polya tentasse sempre dar um jeito de manipular as coisas a seu favor, a verdade era que sempre se permitia sucumbir às vontades e solicitações daqueles que lhe rodeavam. “Parece-me uma idade realmente nova para algo tão…pesado. Faria a mesma escolha se pudesse?” Aquela era uma pergunta que se fazia constantemente. Se pudesse voltar no tempo, tomaria as mesmas decisões? Gostaria de acreditar que não, que teria tentado se impôr ao menos uma vez na vida. O comentário que seguiu arrancou uma risada verdadeira da baronesa, um pouco maior que o que deveria ser para uma dama da corte. “Como você compensa o tamanho deles? Digo, porque eu realmente vi você dar uma surra em alguns dos soldados com pelo menos trinta quilos a mais que você”
Freya gostara mais da baronesa ao perceber o interesse na pergunta, que ao menos significava que ela achava tentadora a ideia de ter mais direitos dos que os dispostos a mulheres em Moscóvia. “—A todas as situações que consigo imaginar, na realidade. Minha mãe é a rainha, e não é no sentido de “esposa do rei”, no nosso reino ela é a governante, o equivalente ao czar aqui, não à czarina, meu pai é seu príncipe consorte. Mas não somos um reino matriarcal, se é o que está pensando, nosso governante é escolhido dentre a família real, podendo ser inclusive um sobrinho. O rei ou rainha escolhe aquele ou aquela que acha mais apto a governar, por isso não sou a princesa herdeira, pois meus primos também podem ser escolhidos como próximo governante” aquilo era bem verdade, embora o título “herdeira presumida” já tivesse sido usado mais de uma vez para Freya, a maioria da população achando que ela seria, de fato, a próxima governante - não que ela fosse se gabar do fato, apesar da fama de ser bem convencida. A pergunta seguinte a deixou um pouco pensativa, embora a comandante gostasse de sua vida e com certeza detestasse lamuriar o que poderia ter sido “—Sim, eu teria. Com certeza tive muitas dificuldades, vi e passei por muitas coisas que sei que não estava pronta na minha idade. Por outro lado, também não sei se estaria pronta mais velha, até porque aquilo me fez ficar pronta. Eu não gosto de arrependimentos ou pensar no que poderia ter sido, não tem sentido e não vou poder fazer nada a respeito. Eu sou uma mulher decidida e lido com minhas escolhas da melhor forma que consigo” disse dando de ombros, como se sua mentalidade fosse bem simplista - e até o era. Um sorrisinho felino surgiu em seus lábios com a pergunta “—Uma luta é como uma batalha em velocidade rápida, você ainda precisa de estratégia para ganhar, apesar do que a crença popular pensa, você luta com as armas que tem, e pode acreditar, tenho muitas. Tenho muitos anos de aprendizado e técnica, e só isso já compensa a maioria dos soldados e guardas que se alistam sem muita experiência prévia, além disso, temos armas para levar em consideração, e mesmo na luta corpo a corpo, existem técnicas para vencer a força bruta. No geral eu sou mais ágil por ser menor, portanto bem perigosa com uma arma, e mesmo sem, eu sou mestre em jiu jitsu e várias outras artes marciais que foram criadas pensando em derrotar oponentes maiores e mais fortes que você”
Era desnecessário dizer que a caça ao assassino do baile de máscaras estava indo da pior forma que ela poderia esperar, e não conseguir achá-lo deixava Freya bastante frustrada. Nos campos de treinamento ou em missões ela facilmente lidaria com essa frustação libertando a agressividade, mas no Palácio até mesmo isso era mais complicado. “—Pronta!” gritou para o rapaz que estava lhe ajudando, sua distância grande o bastante para que de fato lhe apresentasse algum desafio. Quando o dispositivo lançou o alvo para cima, Freya rapidamente atirou e despedaçou o objeto, travando a arma e colocando-a de volta na mesa a seu lado. Como percebera uma aproximação, comentou com tranquilidade enquanto pegava uma faca “—Cuidado para não ficar na linha de tiro, eu sou boa o bastante, mas vamos evitar acidentes” com isso, impulsionou-se para lançar a faca em um dos alvos fixos.
❛ 👑 ─── Amélia havia chegado ao palácio após o assassinato, mas não deixara de ouvir comentários e coletar informações a respeito do que tinha acontecido, era horrível, mas ao mesmo tempo, mostrava muita coisa aos olhos da Alemã. Andava pelo palácio sem um rumo certo, tinha passado sua manha juntamente com os funcionários da cozinha, os observando preparar uma das refeições e conversando com os mesmos, gostava de estar na companhia de funcionários e staff, fazia com que se sentisse um pouco mais perto de casa, visto que em Nova Alemanha a princesa tinha um ótimo relacionamento com todos aqueles que trabalhavam para a família real. Se aproximava do campo de treino quando notou Freya ali, ela parecia, bem, um tanto estressada, um ótimo momento para conversar com ela certamente, se aproximou apenas na intenção de observar em silêncio, mas como sempre, sua presença foi logo notada pela outra. - “Por favor, sem acidentes.” - assentiu erguendo as mãos como um sinal de rendição e rindo em seguida. - “Tudo bem por aqui? Você parece meio… Nervosa.” -
O mal humor de Freya cedeu um pouco com a aproximação, rendição de brincadeira e riso da princesa alemã, alguém que a comandante estava começando a gostar mais; com um riso curto como resposta inicial, a princesa escandinava meneou a cabeça para o lado, como se considerasse aquela uma constatação justa o suficiente “—Essa é apenas uma forma prática de desopilar enquanto estou na corte” comentou enquanto escolhia uma pistola, checava a munição e acenava com a cabeça para o funcionário que a ajudava, indicando que podia soltar o alvo móvel. Como a pistola estava com silenciador, o único barulho de fato fora o estourar dos alvos quando ela atirou perfeitamente “—Sabe, eu sou acostumada a certo nível de ação para conseguir desopilar a tensão e energia do meu corpo” continuou como se não tivesse parado, até porque o foco de Freya para compartilhamento de ações era invejável. Deixando a pistola na mesa de armas, ela finalmente voltou-se para a alemã com um suspiro “—Na corte é bem mais difícil de conseguir ficar cansada de fato, e isso acaba me fazendo acumular energia, principalmente se eu estiver... nervosa. E vá por mim, ninguém quer me ver explodindo” comentou com um riso curto.
After all, you asked for it. I fought like a girl. (requested by anonymous)
FLASHBACK
Thierry se aproximou de Freya, comendo algumas das uvas que havia pego para seu lanche. “Gosto da sua sagacidade, mon cher. Mas dessa vez, é uma proposta simples, sem muitos floreios.” Ele tira duas chaves de dentro do bolso do casaco, mostrando-as na palma de sua mão. “Você e eu, duas motos motos customizadas, novinhas, recém-saídas da fábrica da BWM em Berlim, uma corrida. Quem perde, paga o jantar, mas não qualquer jantar, um jantar no melhor restaurante de Nantis.” Por mais que soubesse que dinheiro não fosse problema para a duquesa e que poderiam ter qualquer tipo de refeição nas dependências do palácio, a intenção por trás aquela aventura era dar pelo menos alguns minutos para a comandante sem ter que pensar em todos os acontecimentos dos últimos dias, e poder relaxar um pouco. “E então? Devo presumir que está indisposta, e que o convite fica para outra ocasião?”
Freya observou a aproximação sem recuar, apenas o olhar acompanhando o movimento do estilista, a atenção indo devagar para a mão com as duas chaves. Um sorriso felino se apoderou do canto de seus lábios, e seus olhos praticamente brilhavam em antecipação; a comandante adorava um desafio, mal conseguia resistir a um. Dinheiro não era nenhum problema para ela, mas certamente a princesa se esforçaria para ganhar apenas pela adrenalina da vitória “—Eu nunca recuo, mon cher” retrucou com o sorrisinho aumentando gradativamente, a cabeça meneando em direção ao homem “—Mas preciso lhe dar um aviso amigável...” seus olhos focaram perversamente nos alheios, o sorrisinho provocador “—Eu não costumo perder desafios” com uma piscadela, Freya pegara uma das chaves na mão do francês e seguira para a porta, só então se virando e indicando-a com a cabeça “—Vamos lá”
A PLAN GONE AWRY the goal: cut lips, bitten tongue, bloody smile, tearing into each other every night, bruises blooming late into morning - how it happened: gentle murmurs in the dark, painless laughter, your touch like absolution.
crimescened (w/ @freya-vasikon)