senhor-st-milagres·:
“Ficaria surpreso com o tanto de assuntos diversos que escuto entre essas quatro paredes, mon ami. São coisas que algumas vezes, você tem que fingir que não ouviu.” Thierry comenta com um sorriso, balançando a cabeça, enquanto se lembra de algumas das barbaridades que escutou de clientes ao longo dos anos. “Bom acredito, que se fossem mesmo os rebeldes, vocês já teriam encontrado alguma coisa, N'est-ce pas? Eles não me parecem muito organizados pelo o que sei, e quem quer tenha feito com certeza tinha um plano em mente.” Respondeu, visando sondar um pouco sobre os opositores ao governo, na esperança de que conseguisse averiguar que tipo de pessoas estava lidando. Com um par de sapatos em mãos, ele para por um instante observando Hedeon, contemplando a bela figura a sua frente, deixando escapar uma risada com o comentário. Não podia negar que a presença do capitão sempre conseguia alegrar seus dias na Moscóvia. “Ma bien-aimée, não tenho problema algum em dizer que você é um homem lindo. Se eu fosse alguns anos mais novo e do gênero feminino, com certeza estaria dando um jeito de conseguir um beijo seu.” Com uma piscada para outro, pensando que se fosse na corte francesa, teria dado um jeito de convidar o militar para um jantar ou algo do gênero. “Está vendo o que uma roupa bem feita e moderna faz com um homem? Você tem algo que é imprescindível carisma e porte. Quando você entra, quem tem bons olhos logo nota, só faltava um toque final. Se algum dia você der baixa, e precisar de um emprego que te dê um bom dinheiro, eu poderia fazê-lo muito famoso.” Comentou, tomando o assento ao lado, e franzindo o cenho. As preocupações do capitão pareciam realmente estar atormentando-o e Thierry decidiu que quem sabe fosse uma boa idéia tentar distrair o amigo um pouco daquele monte de problemas. “Olhe, ao que parece, quem quer tenha feito isso, é alguém que é inteligente o suficiente para saber a hora de se manter afastado. Quer seja apenas um crime comum ou algo mais sério, tenho plena certeza que vocês vão conseguir solucionar esse mistério e pegar esse facínora”. Colocou a mão no joelho de Hedeon, determinado a assegurá-lo de que tudo ficaria bem, mesmo que nem ele mesmo acreditasse nisso “Além disso, posso não ter a menor vocação para a vida militar, mas ainda guardo muitos truques dos tempos da marinha. Ainda sou muito bom em jiu jitsu e combates corporais. Ninguém me levaria sem um bom trabalho. Mas talvez fosse uma boa ideia, dar algumas aulas de defesa pessoal para as Favoritas e os funcionários do palácio, pelo menos, seria uma boa maneira de prevenir, o que acha?”
A nova conjectura colocou o Capitão da Guarda em estado de contemplação. A desorganização poderia ser uma forma de distrair, ataques esparsos e sem sentido para deixar o caminho livre de um golpe mais certeiro. Era o que o bastardo pensava, principalmente quando era convidado a sair das reuniões onde seu sangue era mais importante do que a competência. — Você pode estar certo, como pode estar completamente errado. Me use de exemplo. Me enxergam de um jeito que não condiz em nada do que eu posso e sou capaz de fazer. Os rebeldes parecem passar pela mesma ótica. Não que eu esteja dando grandes créditos para eles, só que é suspeito. É suspeito demais serem tão desorganizados e realizar uma façanha dessas. — Era mais palavras do que estava acostumado a dizer sobre o caso fora das paredes protegidas, de salas secretas e varreduras extensas de dispositivos de vigilância. Hedeon remoía, perdia o sono, e o dedo colocado na boca. Os dentes mascando as pontinhas e forçando a pele era sinais bem claros do seu estado de espírito.— Mas Thierry... — Ajeitou-se no lugar, o corpo virando para ficar mais para frente do estilista. Tanto quanto possível, valendo-se de uma certa discrição em mostrar o interesse para poder ter chances de fugir elegantemente em caso de recusa. — Você não precisa nada disso para ganhar um beijo meio. Assim. Agora. Já é seu. — Encolheu os ombros, afirmações ditas em voz baixa e vagamente sedutora. De flerte jogado ao vento, podendo ser bem real quanto uma realidade que ás vezespassava em forma de‘sonhos’ em sua mente. — Eu trocaria minha carreira num piscar de olhos depois dessa inflada no meu ego. Eu daria um bom modelo então? Um representante da sua assinatura? — Era difícil se imaginar fora dos trajes militares e das posturas rígidas. Mesmo agora, com uma liberdade auto imposta, tinha dificuldade de ficar relaxado o tempo todo, caindo na posição de sentidotoda vez que ficava parado por tempo demais. — Estou sentindo que alguma direção será apontada nas próximas horas. Sim, horas. O detetive está a um bom tempo enfiado na sala de evidências e me parece bem próximo de alguma eureka. Seremos capazes, faremos um bom trabalho. Conseguiremos. — Hedeon falava tanto consigo mesmo quanto para assegurar o outro de que tinha aindaalgum controle da situação. Com leveza, encostou o fundo do copo no dorso da mão em si, e escorregou para que o mindinho roçasse na pele masculina. — Excelente ideia, mas não vejo isso como possível. Ensinar defesa pessoal para uma favorita é o mesmo que dizer: a segurança não está dando conta. Para os funcionários é bom sim, vou levar essa sugestão à chefia; mas as favoritas... Arriscado demais, e extremamente danoso para o público. — E todos ali sabiam que o Favorado tinham sido adiantado justamentepara manter o povo entretido. Um sinal de fraqueza, de caos, e aquele precário equilíbrio podia chegar ao fim. — Você nunca me falou sobre seu tempo na marinha, como era? Eu sempre quis seguir por esse ramo, mas não tive muitas oportunidades.














