a definição do que está em jogo na luta faz parte da luta
— Pierre Bourdieu, O campo científico
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a definição do que está em jogo na luta faz parte da luta
— Pierre Bourdieu, O campo científico
O capital cultural é um ter que se tornou ser, uma propriedade que se fez corpo e tornou-se parte integrante da "pessoa", um habitus. Aquele que o possui "pagou com sua própria pessoa" e com aquilo que tem de mais pessoal, seu tempo. Esse capital "pessoal" não pode ser transmitido instantaneamente por doação ou transmissão hereditária, por compra ou troca
— Pierre Bourdieu, Escritos de educação
Bourdieu sobre o pertencimento ao campo científico: "é a relação de ajustamento perfeito às expectativas-imposições de um campo, que exige não só saberes mas uma relação com o saber capaz de fazer esquecer que o saber teve de ser adquirido, aprendido ou de atestar que o saber está tão perfeitamente dominado que se tornou automatismo natural (por oposição às competências livrescas do estudioso com a cabeça cheia de fórmulas que não sabe utilizar face a um problema real)
— Pierre Bourdieu, Para uma sociologia da ciência
Meu trabalho é uma eterna retomada, uma retomada sem fim. Há algo de enganador nos textos acabados, definitivos, ou mesmo "hiperacabados" [...].
— Pierre Bourdieu, Para uma sociologia da ciência
a sociedade aí está para hominizar este pequeno monstro chorão que vem ao mundo e torná-lo apto para a vida
— Cornelius Castoriadis, Figuras do Pensável
Pensar não é sair da caverna nem substituir a incerteza das sombras pelos contornos nítidos das próprias coisas, a claridade vacilante de uma chama pela luz do verdadeiro Sol. É entrar no Labirinto, mais exatamente fazer ser e aparecer um Labirinto ao passo que se poderia ter ficado “estendido entre as flores, voltado para o céu”. É perder-se em galerias que só existem porque as cavamos incansavelmente, girar no fundo de um beco cujo acesso se fechou atrás de nossos passos — até que essa rotação, inexplicavelmente, abra, na parede, fendas por onde se pode passar.
— Cornelius Castoriadis, As Encruzilhadas do Labirinto
Honrar um pensador não é elogiá-lo, nem mesmo interpretá-lo, mas discutir sua obra, mantendo-o, dessa forma, vivo, e demonstrando, em ato, que ele desafia o tempo e mantém sua relevância
— Cornelius Castoriadis, Os Destinos do Totalitarismo
Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.
— Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas
Quando surge a vida, entretanto, parece que a natureza começa a brincar de compor. Na verdade ela já compunha antes, mas suas melodias se pareciam com o "samba de uma nota só".
Rubem Alves, Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e suas regras
As coisas fixas, marcadas pelo caráter e pela lei, são deslocadas por um comportamento caleidoscópico, num mundo em que cada pessoa parece diferente da outra. E isso torna tão difícil fazer uma ciência rigorosa do mundo humano. O problema não está nem nas teorias, nem nos métodos. O problema está na própria natureza do objeto.
Rubem Alves, Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e suas regras
Caráter vem de um verbo grego (charasso) que significa gravar. "Charakter" significa um gravador, um instrumento para gravar [...]. Em outras palavras: algo fixo, sem vida, previsível. [...] Uma árvore tem mais caráter que uma bailarina.
Rubem Alves, Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e suas regras
[...] todas as questões relativas a gosto, cheiro, cor, som [...] são peixes que não nadam no mar da realidade objetiva, mas nos estreitos aquários dos nossos mundos psíquicos.
Rubem Alves, Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e suas regras
[...] se a analogia para a teoria é um instrumento de pescaria, podemos muito bem visualizar o cientista como um pescador lançando redes e recolhendo os mais inesperados espécimes, neste mar infinito da realidade...
Rubem Alves, Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e suas regras
Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas
Machado de Assis
Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes
Machado de Assis
vai ter uma festa que eu vou dançar até o sapato pedir pra parar . aí eu paro tiro o sapato e danço o resto da vida
Chacal
O universo estava em sua mais perfeita ordem e, por mais que tudo estivesse em sincronia, ela destoava. Parecia que num mundo colorido de beleza, ela era o horror monocromático. . O céu chorou e ela choveu. Sentia como se a orquestra dentro dela, mesmo que bem ensaiada, estivesse sempre fora do tom. . Era tão estranho pra uma pessoa que conseguia ver beleza em tudo e todos, ser incapaz de notar o mínimo traço de harmonia nela mesma. . O céu para de desaguar, mas dentro dela ainda chove, como o maior dilúvio de todos os tempos.
M³