"Sou otária sim, com muito orgulho!"
Bate no peito e diz: "Sou trouxa. Sou otária!" Mas bate com força, vira a mesa, se imponha e saia com o rebolado mais dominador que você conseguir encontrar.
Você não é trouxa? Mas eu sou. Se não eu, quem vai acordar às 9h da manhã de um sábado pra ouvir Mechanical Bull, o último - e mais nostálgico, melódico e emotivo - cd de Kings of Leon, amor?
Uma das coisas mais mágicas que aconteceu na internet, foi que as pessoas finalmente entraram em um consenso e perceberam o quão otários são, por brincadeira ou não, são mesmo. Senão, não estariam nela o dia inteiro justamente pra reclamar da vida, como se isso fosse mudar alguma coisa.
Mas isso é bom, não quero ferir os direitos humanos, mas aceitar sua condição de trouxa, é bom. Aceitar o fato que por mais que você se esforce para caralho, vai continuar sendo trouxa, é bom. Às vezes não fazer nada à respeito, é o melhor que você pode fazer, justamente por que você é trouxa e sabe que vai dar merda se você tentar consertar o que já tá queimando no Sol de Brasília numa quarta feira de setembro.
Sou trouxa. E - na medida do possível - sou feliz. Acredite, aceitar que sou otária, foi o melhor pra mim, parece que eu parei um pouco de perceber que só me acontece desgraça 25h por dia, e comecei a viver um pouco mais plenamente. Se der certo, baita cagada! Se não, tudo bem, sou trouxa, normal isso acontecer.
A gente fica mais preparado pra vida quando não espera nada muito grande dela, não é mesmo?
Desculpa! A intenção do texto não é depreciar ninguém - além de mim -, eu realmente não consigo traduzir o que eu sinto sem fazer os outros sentirem que estão no filme Mary & Max - puta filme deprimente! -, mas tentem entender meu ponto.
Eu já passei boa parte da minha vida sendo uma pessoa triste. Pense em acordar às 5:30h da manhã de um sábado por que simplesmente perdeu o sono. Bem merda, né? Bom, minha vida tinha esse sentimento. Não falo isso por que agora tá 100% ou por que vou lançar meu livro de auto ajuda - não trabalho na Disney, infelizmente -, ainda tô na merda. A tendência é piorar. Mas eu aprendi a ser feliz na minha tristeza de só levar tapa na cara por ser otária.
No fim do dia eu ainda vou ser aquela que vai misturar inglês com português e achar isso maneiro (não é), comer macarrão com ketchup e ouvir o Mechanical Bull, o último - e mais nostálgico, melódico e emotivo - cd de Kings of Leon, não é mesmo? (obrigada, Beautiful War)
Eu sou a última dos otimistas... Não, espera, dos pessimistas. Mas tô meio cansada de levar na cara e não revidar na vida. Mesmo que meu revidar seja levantar pra bater e tropeçar no meu pé esquerdo.
Seja trouxa. Seja otário. Seja o diabos que você for, se você não for um político pedófilo e homofóbico, tá liberado (eu ia dizer religioso fervoroso, mas isso fere os direitos humanos, melhor não).
Sinceramente, não vou dizer pra você "rir da sua vida, por que se não quem vai rir?" Por que vamos aos fatos que se você é otário, muita gente tá rindo de você. Mas ria com eles, ria mais alto, RONQUE QUANDO FOR RIR - baita tapa na cara da sociedade -.
Agora fechando com o clichê dos clichês - eu amo clichês, perdão - ser feliz é apenas questão de ser.
E ser otário é só questão de existir.