Shiraz-Persépolis é um festival internacional de arte que quase foi esquecido nos registros da história.
Na década de 60, quando EUA e Europa borbulhavam em revoluções de arte conceitual e pós modernismo, o Irã também tinha uma agitação cultural muito forte movida por artistas e estudantes revolucionários.
Um epicentro dessa agitação era um festival que acontecia no verĂŁo em Shiraz, uma cidade que fica sob as ruĂnas de Persepolis, que foi uma das capitais do impĂ©rio AquĂŞmida, 1Âş impĂ©rio persa. O festival tinha mĂşsica, teatro, dança e cinema, mostrados de uma forma que atravessavam o tempo e as fronteiras, refrescando o tradicional, celebrando o clássico, alimentando o experimental e estimulando um diálogo atravĂ©s de gerações, culturas e lĂnguas, Oriente e Ocidente, Norte e Sul.
O festival introduziu artistas e expressões do Sul Global, com um discurso cultural internacional em uma escala sem precedentes, em pé de igualdade, desmantelando radicalmente as hierarquias dominantes europeias. O festival mudou o centro de gravidade cultural para o presente.
Durou quase 12 edições, a 12Âş que seria em outubro de 77 foi desmarcada de Ăşltima hora pois estava começando a estourar a revolução iraniana, na qual os estudantes e vanguardistas foram linha de frente. A revolução de 1979, transformou o IrĂŁ, atĂ© entĂŁo uma monarquia autocrática, em uma repĂşblica islâmica teocrática, que passou a expurgar todas as influĂŞncias nĂŁo islâmicas do paĂs para trazĂŞ-lo em conformidade com o IslĂŁ xiita. A chamada Revolução cultural fechou universidades, apagou livros e expulsou milhares de estudantes e professores das escolas e do paĂs.
Todos os materiais associados ao Festival foram removidos do acesso público após a Revolução Iraniana em 1979, e esses materiais, assim como o próprio festival, permanecem oficialmente proibidos no Irã até hoje. Em 2005 foi realizada uma exposição na galeria White Chapel, em Londres, e se chamou “Um Palco Utópico: Festival de Artes Shiraz-Persépolis”.