"Na verdade eu não escolhi... Minha família acabou se mudando para Gaecheon por causa de uma oferta de emprego que meu pai recebeu e mesmo depois que ele desapareceu acabamos ficando por aqui mesmo. Porém! Desde meu primeiro dia na cidade, eu peguei carinho pela ilha."
Qual foi a primeira lenda que escutou ao chegar aqui?
"A história de Lee Bada, o oceano de lágrimas. Acho que escutei algumas semanas depois de chegar em Gaecheon, foi uma antiga vizinha minha... Ah, eu adoro essa história... Faz os dias de chuva um pouco mais suportáveis, sabe?"
Acredita nas lendas ou acha que é apenas jogada de marketing?
"Claro que acredito, acho que é a escolha mais obvia se fazer. Existem animais, existem os seres humanos e existem lendas que habitam em uma linha tênue entre os dois e algo superior a todos nós. Nossa única escolha é se vamos ficar do lado bom ou ruim deles..."
Foi o primeiro pensamento que passou pela mente de Kouchirou assim que ouviu a notícia sendo sussurrada por alguns de seus colegas no quartinho dos fundos da loja de conveniência. Claro, o monte era um belo local e Kou não discordaria que aquela vista seria uma ótima - senão uma das melhores - "últimas vistas” para se ter.
Ainda assim, que saco…
Teve que morder a própria língua para não deixar que seu pensamento virasse palavras, com certeza pelo menos metade de seus colegas estranhariam a frase e o caixa não estava com paciência nem com ânimo para se defender ou tentar justificar a frase pensada-não-dita. Também não queria ter que se justificar, para isso revelaria muito mais do que gostaria e inventar uma desculpa para sua justificativa seria…
Chato… Como também era chato terem encontrado o corpo de Park Jongsoo no Monte Hillsan.
A notícia ficou dando voltas em sua mente a tarde inteira e os deuses pareciam gostar daquele castigo porque todo cliente que aparecia em seu caixa parecia conversar sobre a mesmíssima notícia. Alguns pareciam horrorizados, outros mostravam um semblante pesaroso ao recontar o que tinham lido, pouquíssimos não estavam pelo menos chocados com o acontecimento. Nem mesmo os fones de ouvido de Kou pareciam conseguir barrar todo aquele falatório, de alguma forma aquelas palavras escapavam para dentro de seus tímpanos e voltavam a dar voltas ao redor de seu cérebro.
Era revoltante, que lugar para morrer…
O fim de seu turno não chegou rápido o suficiente, mas assim que pode estava fora da loja. A jaqueta com a logo da GS25 cuidadosamente drobada debaixo de um de seus braços e os olhos fixos no horizonte. Não precisava prestar atenção em seu caminho, já tinha a rota completamente memorizada, era algo tão subconsciente que quando deu por si, estava na base do Monte.
Olhou para trás, para o caminho que acabara de trilhar, porém não parecia possuir memória alguma. Deveria haver um cerco em algum lugar por ali, era isso que tinha perturbado sua mente a tarde inteira, a ideia de que o monte estava cercado. Não tinha escutado nenhum detalhe sobre onde precisamente o corpo tinha sido encontrado, sabia que era ali em Hillsan, lembrava-se vagamente de algum comentário sobre um grupo de turistas acampando, mas o lugar exato… Teria que continuar andando até encontrar.
Retomou sua caminhada, o som de seus passos junto com um leve murmúrio de uma melodia qualquer parecia ser a única coisa rompendo o silêncio que estava instaurado no local. Dessa vez prestava atenção no que fazia, mesmo aquele caminho sendo muito bem conhecido por si próprio, os olhos corriam de um canto ao outro procurando qualquer sinal que indicasse alguma presença humana ali. Infelizmente, não demorou para avistar a faixa amarela que marcava o cerco policial, entretanto ainda estava completamente sozinho, onde quer que os policiais estivessem, não era ali. Se aproximou lentamente da faixa até que sua mão esquerda conseguiu tocar o material plástico e então voltou a andar na direção de sempre, dessa vez usando a faixa como um corrimão.
Novos passos só foram ouvidos cinco minutos depois, Kou podia escutar perfeitamente o caminhar de mais duas pessoas do outro lado da faixa, um pouco mais acima no monte. Também pode perceber a forma como o caminhar foi lentamente se apressando, transformando-se em uma pequena corrida na direção de onde ele mesmo tinha vindo, isso até que um dos passos parou.
Lentamente Kou virou seu rosto em direção ao topo do monte, podendo assim avistar seu companheiro, um policial no mínimo surpreso com a presença daquele mero cidadão por ali. Ele não tirou os olhos do oficial, encarava-o da mesma forma que era encarado, logo o silêncio da natureza voltou a recair sobre os dois.
🐚 STARTER/ POPSTARS : como assim, você não tem nenhuma decoração? ، — @gcn-kou
Minhee era sim nova na cidade, mas havia chegado na melhor época, aparentemente, amava o natal, mesmo que só tenha começado a comemorar já crescida, era sua favorita!! Voltando para seu início na ilha, ela já tinha conseguido algumas conversas e então, arranjado alguns conhecidos, dentre eles o japonês.
Só que tinha uma coisa que a moça não aceitava: Kou não tinha nenhuma decoração em sua casa! Ela não aceitava isso, como alguém não tinha decorado sua casa para a festividade? No fundo, pensava ser besteira, mas seu lado festivo - e infantil - não aceitava e em um breve lapso, ela juntou algumas decorações e rumou em direção a casa do outro.
Invadir era errado, sabia disso... Só que toda a sua responsabilidade estava encoberta. Se tinha aprendido uma coisa com seu ex, era abrir portas com grampos de cabelo, uma alternativa muito boa para quando esquecia suas chaves, ou naquele caso, abrir uma porta. O click da abertura a fez sorrir, adentrando a casa com algumas sacolas, mas de tão descuidada, uma delas caiu no chão e o barulho não passaria despercebido, e realmente não passou, pois ao levantar a cabeça, encontrou a figura do rapaz com um taco de baseball.
— Oi… — Cumprimentou envergonhada, além da risada extremamente forçada devido a situação. Ali estava o lado negativo de sua ideia, mas que a Jung não quis dar atenção na execução geral… Ela podia ter levado uma tacada na cabeça, ter parado no hospital e talvez na delegacia, tudo isso em menos de um mês na nova cidade. — Eu vim decorar sua casa pro natal, eu sei, meio doido… É que nesse época, eu fico um tanto, digamos que, sabe… Viciada. — A voz oscilava nos tons conforme tentava encontrar as palavras corretas. — Realmente, eu invadi. Desculpa… Nem sei se isso adianta, mas desculpa mesmo… — Murmurou, sem nem se levantar, tocando-se daquilo tardiamente e o fazendo com pressa, apesar de ter alguns enfeites quase caindo da sacola que tinha trazido consigo.
* ⠀ / ⠀ Kou não sabia bem como deveria reagir, por um lado, não se importava muito se iria acordar de manhã e se deparar com um pinheiro de natal de nove metros no meio da sala, decorado e brilhante, mas não sabia ao certo como explicar pra mãe como ele chegou ali. Gostaria de simplesmente colocar a jovem pra fora de sua casa e voltar a dormir, mas sentiu que precisava se conter, abaixou-se, catou as decorações que estavam pelo chão, então se levantou e estendeu a mão para as devolver à Minhee, enquanto a olhava fixamente nos olhos.
⠀ “Agradeço a intenção, Minhee, mas eu e a minha mãe temos a nossa própria forma de comemorar o natal, gostamos de manter as coisas simples, até porque, o verdadeiro espírito natalino não está nos enfeites ou nos presentes... Está em nós, não é mesmo?” disse, juntando o máximo de frases natalinas genéricas que, por sorte, ouvira em comerciais de tempos em tempos. Sabia que no fundo não tinha soado tão convincente assim, muito menos quando o sorriso sem graça em seu rosto logo voltou a uma expressão mais relaxada.
⠀ Pra ser sincero, o espírito natalino não era nem o tipo de espírito pelo qual ele realmente se interessava, mas ele tinha coisas mais importantes para se preocupar... Como... Garantir que a Minhee não arrombe a sua casa de novo, no próximo Natal.
Periodicamente, Eva sentia a necessidade de passar algumas horas sem olhar para pessoas com traços de consanguinidade consigo. Isso era desde antes de ter sua própria família, quando enjoava dos pais e ia dar umas voltas pelas ruas de Havana sem se importar com o risco que corria ao ter aquela atitude. Seria visto com maus olhos a cubana falar com convicção que às vezes, precisava ficar longe dos filhos para ficar em paz consigo mesma. A maternidade sempre foi algo muito romantizado para ela… Lhe venderam a ideia que ser mãe era padecer no paraíso. Em nenhum momento havia sido um, Luna era filha do marido, mas seus dois meninos, não. Era aí que todo o problema começava e que a maternidade deixava de ser Stairway to Heaven para ir a um Highway to Hell. Claro, amava profundamente as três crianças que gerou, uma menos de um ano antes, mas era difícil conviver com a ideia de que um dia teria de falar a verdade. Não só para marido, nem para as crianças, mas os genitores também.
Precisava tirar a cabeça daquilo, pensar demais nunca tinha sido uma coisa boa para Eva e por isso calçou seus tênis antes de sentir o ar gelado da rua cortar seu rosto. Olhou para os dois lados e ao invés de pegar o caminho da lojinha de conveniência, pegou o oposto, vazio e ignorando todos os casos de desaparecimento e tragédias que envolviam pessoas sozinhas e caminhos escuros. Se tratando de Gaecheon, tudo poderia acontecer, não fazia muito tempo desde os ataques do druida e a cubana parecia ter esquecido do lockdown e da histeria causada.
Corria pelas ruas, pegando todos os caminhos opostos que sempre pegava. Se normalmente pegava a saída da direita, agora ia pela esquerda. Sem celular e nem documentos, praticamente chamando um roteiro para um caso policial, só ouvia o arfar da sua respiração. Nenhum carro. Nem viatura da polícia.
Um clarão rompeu o céu e Eva gritou, levando as mãos à boca. Naquele instante, nada parecia ser forte o suficiente para dar à médica forças para fugir dali. O medo parecia tê-la feito congelar, enquanto seu cérebro a mandava sair correndo dali. Foi dando passos largos de costas para a origem da luz antes de se virar e começar a correr o mais rápido que conseguia. Não sabia dizer quanto tempo correu, mas se deu conta que estava andando em círculos de alguma forma quando passou três vezes pelo mesmo carro estacionado junto ao meio fio. Levou as mãos à cabeça e soltou um grito antes de voltar a correr tentando se lembrar o caminho de casa. Estava apavorada. Sequer viu que havia alguém caminhando na sua frente, tanto que caiu por cima do desconhecido. Foi o que precisava para voltar à realidade.
“Luz, você viu? Luz!” Apontava para o céu. “Bem aqui, eu vi, eu vi!”
* ⠀ / ⠀ Era só mais um dia comum na vida de Yanagi Kouichirou, tinha acabado de sair do seu emocionante e magnífico trabalho no caixa. Talvez estivesse voltando para casa, talvez estivesse indo para o litoral, quem sabe? Ele mesmo não fazia ideia, apenas seguia seus pés na calçada, da mesma forma que seus dedos seguiam, nas teclas de seu piano, as melodias que surgiam em sua cabeça. Não era a primeira vez que fazia isso, e muito menos a última, mas hoje, seus passos pareciam perdidos à medida em que percebia os sons da sua cabeça se tornando cada vez mais monótonos e sem sentido, assim como ele, que vagava sem rumo pelas ruas de Gaecheon.
⠀ Bem... ao menos, até que alguém se esbarrasse com ele, o qual, pego totalmente desprevenido, só percebeu ao quase dar de cara no chão, ao se levantar pra tentar entender o que estava acontecendo, apesar de que gostaria de talvez permanecer deitado no frio asfalto da calçada por mais um tempo, ouviu sua agressora - sentiu que talvez já a tenha visto antes, não que ele se importasse, claro - gritando freneticamente sobre ter visto uma luz. Seus olhos se arregalam, um leve sorriso se forma no canto de sua boca, parecia que, pela primeira vez no dia... não... talvez nas últimas semanas, uma pequena fagulha de vida finalmente deu cor a seu mundo monótono e cinzento.
⠀ "Luz? Onde?" pergunto, tentando esconder seu pequeno e breve entusiasmo, mas pronto pra correr em direção a ela, caso fosse necessário. Seus olhos se voltaram para o céu, mas não viu nada diferente das nuvens de inverno que estavam a meses pintando o céu da cidade. "Algo parecido com as do monte Hillsan?"
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Minhee era sim nova na cidade, mas havia chegado na melhor época, aparentemente, amava o natal, mesmo que só tenha começado a comemorar já crescida, era sua favorita!! Voltando para seu início na ilha, ela já tinha conseguido algumas conversas e então, arranjado alguns conhecidos, dentre eles o japonês.
Só que tinha uma coisa que a moça não aceitava: Kou não tinha nenhuma decoração em sua casa! Ela não aceitava isso, como alguém não tinha decorado sua casa para a festividade? No fundo, pensava ser besteira, mas seu lado festivo - e infantil - não aceitava e em um breve lapso, ela juntou algumas decorações e rumou em direção a casa do outro.
Invadir era errado, sabia disso... Só que toda a sua responsabilidade estava encoberta. Se tinha aprendido uma coisa com seu ex, era abrir portas com grampos de cabelo, uma alternativa muito boa para quando esquecia suas chaves, ou naquele caso, abrir uma porta. O click da abertura a fez sorrir, adentrando a casa com algumas sacolas, mas de tão descuidada, uma delas caiu no chão e o barulho não passaria despercebido, e realmente não passou, pois ao levantar a cabeça, encontrou a figura do rapaz com um taco de baseball.
* ⠀ / ⠀ Para Kouichirou o natal não tinha mais importância do que qualquer outro dia da semana. Lembrava das vezes que comemorou a data com algumas luzes pisca-pisca na varanda da casa de seus avós, mas desde que tinha se mudado para Gaecheon as decorações pareciam sumir cada vez mais de sua casa. Naquele ano em específico, não havia absolutamente nada, nenhuma corda de luz na fachada, nenhuma árvore cuidadosamente montada no canto da sala… A coisa mais diferente era que sua mãe tinha deixado de lado os pratos simples de porcelana clara, para lindas tigelas decoradas com delicados motivos florais, mas era só.
⠀ Como já tinha ajudado sua mãe com o jantar e, no dia seguinte, teria que mais uma vez acordar cedo para ir ao trabalho na GS25, Kou adiantou-se logo para o próprio quarto assim que terminou de lavar os pratos que estavam na cozinha e já estava debaixo das cobertas quando escutou um barulho vindo da frente da casa. As pálpebras se abriram como que em um estalo e os olhos atentos do homem vasculharam o próprio quarto, ainda naquela escuridão, até recaíram sobre um taco de beisebol que deixava propositalmente atrás de sua porta. Na mesma delicadeza de um gato, o japonês levantou da cama, caminhando pé ante pé até o bastão de madeira para só então abrir a porta de seu quarto. Assim que pisou no corredor, os olhos escuros vasculharam mais uma vez o redor, ainda não conseguia ver ninguém, o quer que tinha causado o barulho deveria estar entre a área da sala e da cozinha.
⠀ Assim pode sentir um certo alívio, significava que nada tinha tentado invadir o seu próprio quarto ou o quarto de sua mãe. Sendo assim, era melhor se apressar antes que o invasor - ou o que ele acreditava ser um - tentasse passar para os fundos da casa, com passos rápidos Kou chegou a sala de estar. Avistou uma figura levemente agachada então, antes que a pessoa tivesse tempo de notá-lo ali, levantou o taco sobre a própria cabeça preparando-se para rebater a cabeça da pessoa para longe dali.
⠀ “Min… Minhee?” O nome da mais nova quase fugiu de sua mente, mas sim, era a garota de Jeju ali em sua sala. “O que você está fazendo aqui?” Perguntou enquanto lentamente abaixava o taco - depois de um susto por ainda estar mirando o mesmo na direção da cabeça de Minhee - para o lado esquerdo de seu corpo. “Eu achei que alguém tinha invadido a casa… Bem, alguém invadiu a casa… Você.”
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Voltar para Gaecheon nunca era bom. Amava a família, tinha os seus amigos, mas todo o trabalho que tinha para reorganizar a casa fechada por semanas não valia a pena. A simples tarefa de cozinhar se tornava impossível quando tinha tanta coisa para organizar, ainda bem que tinha a sua querida e salvadora GS25 ou passaria fome naquela semana até ter todos os equipamentos no lugar novamente. Depois de encher a cesta com sanduíches de ovo e seus sorvetes de iogurte, faltava somente o kimbap triangular e Neil quase teve um colapso ao ver as prateleiras vazias.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀A primeira opção foi procurar um funcionário do local, perguntando sobre seus jantares para os próximos dias, mas de repente queria mesmo era ter um cozinheiro particular.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀O jeito lento que falava acendia um alerta na cabeça da mulher que sequer o ouviu explicar sobre o sumiço da comida. Se tinha algo que a deixava fora de si era a maldita e - incrivelmente - atraente cara de quem ia levar bons segundos para raciocinar o que dissesse e o homem que a atendia tinha exatamente o tamanho certo para caber dentro dos pensamentos mais sórdidos da pequena que fantasiava coisas inacreditáveis dentro daquela loja. “Hã… Que pena.” Retrucou quando ele terminou de falar, agora descendo o olhar por ele sem pudores. “A gente pode ir lá nos fundos procurar, às vezes não procuraram direito, sabe…”
* ⠀ / ⠀ Pela primeira vez naquela interação, Kouichirou parou o que quer que estivesse fazendo e virou o rosto para olhar na direção da pessoa que estava ao seu lado, encarando-a com uma expressão que parecia quase confusa que foi sendo acentuada pela forma com que o homem lentamente arqueava uma de suas sobrancelhas. Não conseguia compreender qual parte do que tinha dito não tinha sido entendível, e compreendia muito menos o porquê de um cliente se oferecer para conferir o estoque. Nem os funcionários que eram pagos para isso curtiam tanto assim a tarefa.
⠀ “Não é como se ficassem escondidos, não tem tanto espaço lá nos fundos e é difícil perder uma caixa inteira como aquela…” Tentou explicar de forma lógica já que a parte seguinte soaria muito mais fantasiosa. “Essa época do ano duendes passeiam pela cidade, devem ter nos pregado uma peça.”
⠀ Cortou o contato visual assim que a última sílaba saiu de seus lábios, voltando a sua atenção à prateleira que estava a sua frente e enfiando um dos braços por entre os produtos até alcançar um pacote de turtle chips. Só então se levantou, dando alguns passos na direção da mulher com que outrora tinha conversado até exatamente em sua frente com um pequeno suspiro.
⠀ “Ah, e eu trabalho no caixa, minhas visitas aos fundos são para fugir de meus colegas durante o meu intervalo…”
“Sim, é nessa seção aqui mesmo…” Kou disse enquanto continuava a mexer em alguns produtos da prateleira, “é só que estamos com o produto fora de estoque, no caso, ficava bem aqui, vê?” Foi aí que o homem apontou para uma área completamente vzia da prateleira bem à sua esquerda. “Mas sumiram do nada no meio da noite e quando foram buscar mais lá no fundo, não encontraram as caixas…”
— DUENDES! Você acredita em duendes? Porque eu sim. Digo, tem como não acreditar? afinal, as nossas meias somem por algum motivo e eu tenho certeza que são esses bonitinhos que somem com elas.
“Duendes…” Kou pensou um pouco enquanto deixava a palavra lentamente morrer no ar, “eu acho que eu acredito neles sim, como não acreditar? Existem vários relatos sobre pequenas criaturas que causam problemas por aí e com certeza existem várias na ilha.” Comentou com uma certa animação, se pudesse contaria mais sobre as histórias que conhecia. “É, tem duendes demais nessa ilha, isso sim… Eu gosto deles, mas não muito.”
❝ ganhado o que? consolo? hyuuuuung~ danadinho. já sabe a sua lindíssima companhia nessa viagem? vamos lá ver como é as paradas! será que vai ficar em um hotel chique?
O cenho de Kou se franziu e relaxou algumas vezes com as palavras que lhe foram proferidas, então somente balançou a cabeça e suspirou. “Nem sei se são duas passagens, você acha que eles me dariam o direito a uma companhia?” Perguntou de forma genuína, gostaria que aquele pequeno voucher tivesse vindo com um manual, facilitaria sua vida. “Pelo o que a… MC! Falou… Soa como um lugar bem chique mesmo, mas você está certo, eu preciso ir ver essas paradas ou as dúvidas vão me consumir.”