E já pensou existisse mesmo advogados para casos casuais, mas absurdas assim? Bo Yun cozinhou a ideia por um instante, por isso riu um pouco que o esperado com a fala da loirinha.
― Seu coreano está ficando cada vez melhor ― soltou o (em sua cabeça) encorajamento assim mesmo, meio do nada. Quer dizer, não tão aleatório, considerando que partiu de como ela parecia confortável o suficiente para lançar brincadeirinhas como aquelas.
Dentro do carro, Bo Yun se tocou de como eram raras as vezes em que entrava em um ― mais ainda como passageiro. Tinha a carteira para ambos moto e carro, por isso podia se meter a dirigir a tal Ferrari que Moon havia ganho na porra de um sorteio, mas seu negócio com carros perdia para moto. Estilo? Não. Estava mais para custo mais baixo mesmo.
— Tudo para entrar no seu carrão, essa é a verdade — inventou mais outra, dando um tapinha no painel sobre o porta-luvas. E claro, sendo ele, não poderia deixar passar a língua estrangeira (o miado). — Quantos idiomas tu manja? Fala mais nesse aí para eu ver se eu aprendo — gostos era mesmo uma coisa particular, né?
Bo Yun largou Cordelia do seu campo de visão e mirou o rádio. Música era a questão? Aaah, para né. O sorrisão de soslaio na cara de Bo Yun era pintado de confiança, como quem tinha acabado de entrar em sua zona. Anos de poucos encontros com pessoas que compartilhavam o mesmo gosto musical não havia diminuído a confiança dele em sua playlist. Os outros que saíam perdendo, sabe como é?
— É para eu escolher uma do pendrive? — ele se inclinou pouco em direção ao painel, olhos estudando a coisa para não apertar em botão errado e explodir a máquina velha. Ao menos o botão de ligar era universal, então não foi nada demais ver o aparelho ligando. — Eu vou te dar um cabinho para conectar no celular, será que serve? — outra conquista: escolher a opção de pendrive. — Que é que tu tem por aqui…
— Obrigada, eu estou falando muito com o meu amigo do trabalho, meu padrasto e vendo... novelas! Gosto muito daquela do Goblin, a da Secretária Kim também é divertida. Você gosta? — Inesperadamente, Cordelia havia se divertido com os conceitos de doramas coreanos e os termos como second male lead (seus preferidos, amados e injustiçados).
— É só um fusquinha. Eu gosto dele, parece um carro amigável, não? Eu tinha um... Não sei o nome aqui. Aqueles que tem a bundinha atrás. — Fez uma concha com a mão, imitando o formato da bundinha do carro no ar. Não dava para elogiar muito Cordelia, realmente a palavra sedan lhe fugia até da mente em inglês, imagine na língua estrangeira? Até ficou encabulada quando ele lhe perguntou de idiomas, tinha feito espanhol e francês na faculdade como optativas, mas não era lá uma expert. Sabia se virar. — Eu estudei espanhol na escola, no fundamental e médio. Depois fiz dois anos de francês na faculdade. Tenho até aqueles... como se diz... Certidão? De que fiz o curso. Mas não falo muito.
Claro que ele estava falando do miado, então Cordelia só deu mais dois miados bizarros antes de cair na gargalhada. Pelo canto do olho, via o rapaz feliz por poder escolher a música para ouvirem no trajeto. Ela ouvia de tudo um pouco desde que a música não tivesse a base de Canon em Ré menor, ou teria um mental breakdown. — Eu acho que dá de usar o cabinho. Tem um no porta-luvas. Mas eu uso o pendrive porque ai não fico trocando. Foco na rua, sabe.
A condição de se ter aquele carro foi não se meter em acidentes, e todos os dias seu padrasto vistoriava as calotas do Fusca procurando por arranhões. — Eu tenho de tudo aí. Tem... Within Temptation, música clássica, The Offspring, Fleetwood Mac!