“that’s the spirit” i say as i gesture to the spirit that’s been haunting my home for years. when will they leave or start contributing to the household by doing something like helping with laundry. when will they pay rent

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@gcn-kwangsu
“that’s the spirit” i say as i gesture to the spirit that’s been haunting my home for years. when will they leave or start contributing to the household by doing something like helping with laundry. when will they pay rent
The Night Beyond The Tricornered Window
“As long as you’re with me, you won’t feel scared.”
@gcn-kwangsu
𝗲𝘁𝗵𝗲𝗿𝗲𝗮𝗹, 𝗮𝗹𝗺𝗼𝘀𝘁 𝗴𝗵𝗼𝘀𝘁𝗹𝘆.
O relógio marcava quinze para as três da madrugada quando Kwangsu cruzou as portas automáticas da loja de conveniência GS25 e as luzes do lugar piscaram subitamente para anunciar a sua presença. Olhando para cima, sem dar muita atenção ao fenômeno, mantinha as mãos nos bolsos conforme andava até a seção dos ramyeons. Era comum para ele perder o sono durante as horas que passava lendo suas obras de ficção favoritas e que interrompia apenas devido ao estômago reclamão. Os ramyeons da madrugada eram para si quase um ritual sagrado, acontecendo no mínimo uma vez por semana.
Aquela noite, contudo, o caixa habitual não estava em seu posto para recebê-lo - provavelmente ocupado com algo nos fundos - e o sabor apimentado que Kwangsu tanto gostava estava em falta. Ele reclamou baixo entre os dentes, pegando sua segunda opção e indo dar uma olhada na área das bebidas; que foi quando ouviu o ruído da porta que dava no banheiro do local se abrindo. Não precisou esticar o pescoço, graças a sua altura, para ver por sobre as estantes enfileiradas a figura mirrada de @gcn-alice saindo de lá. ━ Anyohaseo! ━ Cumprimentou com timidez antes de desviar o olhar mais uma vez para o alto, onde as luzes agora piscavam com mais insistência. Assim que voltou a baixa-lo, Kwang percebeu que algo não estava certo. A garota encontrava-se encharcada bem diante de seus olhos. Gotículas translúcidas pingavam feito chuva dos cabelos escuros dela e iam de encontro ao chão. ━ Aigoo! Você deve ter tomado uma banho e tanto ai dentro. ━ Exclamou surpreso com a situação. Kwang só então percebeu o quão fantasmagorica ela parecia sob aquela luz piscante. Pálida e com os lábios... roxos. ━ Alice? O que houve? Você tá bem?
📁 ╱ trad.: mantenha em mente: está tudo bem (…) ❜ ― ! 🎶 x 📻
gcn-boyun:
Ainda bem que Bo Yun não precisava lembrá-lo do triste e trágico fato de que não enxergava o que ele via. Logo, precisaria ser desculpado se a imagem que formou na mente sobre aquela criatura tenha saído de alguma mangá de Junji Ito, ou seja, aquele espírito tinha potencial de ser maneiro também, se olhassem por outro referencial (o puramente literário, claro).
— Sobre isso, — o cheiro. — eu posso confirmar. Mas não tanto assim. Tenho estado com o nariz ruim esses dias, então… Então talvez eu vá precisar dos seus olhos e de seu nariz hoje. — engoliu a seco.
Eterno dilema: querer o monstro mais perto para poder sentir o fedor direitinho novamente e confirmar sua localização (aproximada) ou implorar para que ele desça pelo ralo.
—Tudo bem. Eu teria te seguido de todo jeito —falou, e em seu olhar não havia dúvidas. Quantas vezes, por quanto tempo, não havia mesmo seguido Kwang Su por aí? Na escola, poderiam encontrar Bo Yun com o nerdzinho da série anterior.
Ah, a nostalgia e o déjà-vu. Quase que Bo Yun sorrir para ele (e para si) ali mesmo, mas a situação pedia menos disso e mais de cenho franzidos e corpo à postos.
—Ha-ha! Já apanhou com cabo de rodo? Dói — se defendeu. Na verdade, tinha sido com cabo de vassoura e de sua mãe, o que fazia doer mais no coração mesmo. De toda forma, não era como se pudesse contar com coisas melhores dentro de uma armário de zelador da prefeitura.
Pensou que o coração ia saltar pela boca e acabar com toda sua tensão, levando também a adrenalina gostosa que não sentia há anos, pois bateria as botas antes mesmo de enfrentar um bicho invisível aos seus olhos. Kwang Su o havia alertado, porém, assustado o suficiente. Felizmente, a pressão o fez pensar em uma alternativa estúpida, mas pelo menos diferente. Bo Yun usou dos braços e pernas compridas (e do cabo do rodo) para alcançar nas prateleiras as garrafas de desinfetantes, que e estatelaram no chão, e um balde. Deixando o rodo de lado por um segundo, se colocou a despejar o produto no balde, pedindo para que Kwang Su adiantasse em abrir os outros dois galões.
— Sólido e… fedido, certo? Veio do banheiro e coisa e tal — segundo litrão com cheiro de lavanda misturando à pinho. — Na minha cabeça, jogar isso nele deve fazer algum efeito. Como em joguinho de efeitos de combinações elementais e-— também não era hora para isso, provavelmente, então somente se calou. Mais precisava do fôlego para segurar o peso do balde e jogar no monstro caso, enfim, ele adentrasse. Vai vê, até ajudasse seus olhos a terem noção de alguma coisa da criatura do além mesmo que por um segundo até o líquido escorrer (ou o desinfetante simplesmente o atravessaria e molharia a pessoa que estivesse passando pelo corredor). — Kwang Su, sem brincadeira, quando sairmos daqui, você comece a fazer um bestiário de alma ou coisa assim. Essa coisa de improviso contra entidades só prejudica minha imagem.
Kwangsu trancou o maxilar com a revelação. Agora estava ciente de que o cheiro pútrefo tão poderoso para si não tinha sido notado de verdade pelo mais velho que, apesar disso, ainda estava ali a apoia-lo. Ouvir essa confirmação em voz alta fez o coração do Pak acelerar e amolecer ao mesmo tempo, conforme se recordava dos bons tempos que os dois amigos costumavam ter ainda na escola quando as coisas eram um tico mais simples. Soltou um riso breve e sarcastico. — Dói, mas não faz muita mais! — Rebateu, tendo a própria experiência em apanhar da mãe com aquele tipo de arma e sair cheio dos vergões para contar a história também. Kwangsu apenas decidiu que não iria julgar, uma vez que não tinha quaisquer outras ideias e, inclusive, deveria estar grato por ter Bo Yun ali. O que com certeza estava. Especialmente agora que a criatura falava com ele do outro lado da porta: a voz sem vida era profunda como vinda de um túmulo. “Você me viu, eu sei. Que tal sair dai? Vamos brincar um pouco!”
Kwangsu respirava com dificuldade, buscando com urgência pela barreira que o corpo de Bo Yun fazia entre ele e aquela coisa, mas o outro garoto parecia ocupado em pegar algo nas estantes. Se prostrou ao lado dele com o primeiro sinal, ajudando a abrir os outros galões e juntar o líquido desses com o do balde. O cheiro mais agradavel começava a inundar o pequeno cômodo e Kwang se questionava qual era o plano enquanto o mais velho tentava expressar os próprios pensamos. Ok, ele não tinha nenhuma ideia. Aquilo era só um chute. — Eu não sei no que um banho de lavanda vai ajudar, mas não custa tentar. — Acrescentou, buscando ajudar Bo Yun a erguer o balde pesado antes de voltar a mirar a porta. “Preciso de um favor, garoto! Tem alguns caras que estão me devendo e eu quero cobrar. Mas pra isso vou precisar da sua ajuda.” — Não tô interessado! — Kwangsu gritou em resposta. — Tenho que voltar para o trabalho. Mas agradeço a oferta. — Isso despertou um riso na criatura, que arrepiou os cabe-los da sua nuca e fez coisas ruins passarem por sua mente. — Ok, um bestiário de almas... é, é, parece uma boa ideia.
A ameaça seguinte fez o coração de Kwangsu gelar. “Senão me ajudar, seu pai vai.” Ficou tão em choque pelo espirito saber sobre o seu pai e, especialmente, quem ele próprio era, que nem conseguiu reagir quando a porta se escancarou com toda força de repente, como se tivesse sido empurrada por uma forte rajada de vento inexistente. E logo ali esperando, estava a tal alma profana. A única coisa que pensou em fazer foi cutucar Bo Yun, os dedos afiados contra a lateral da sua cintura, dando um sinal.
gcn-cordelia:
Cordelia estava faminta, havia passado as últimas três horas passeando pela estradinha e enchendo seus frascos com ervas que conhecia e desconhecia. Havia chego até a trilha de bicicleta, podia voltar para casa pedalando, porém sentia que havia gasto todas suas energias na tarefa árdua de explorar o lugar.
Subiu em uma pedra na tentativa de conseguir um sinal de celular e telefonou para um dos seus restaurantes preferidos. Explicou para o atendente toda a situação, e que provavelmente não foi entendida graças ao sinal ruim e o coreano enrolado que Delia falava. Feito o pedido, decidiu voltar para a estrada principal, com a mochila cheia e o estômago roncando. Colocou os pertences na cestinha da bicicleta quando finalmente a encontrou e puxou seu caderninho de anotações para se distrair enquanto o pedido chegava. Estava tão distraída que nem viu Kwangsu passar tantas vezes por ela e voltar.
A estrangeira abriu um sorriso para ele quando parou e um ainda maior para a sacola de lanche. — Fui eu mesma. — Puxou a carteira de um dos bolsos da mochila e tirou as notas de won. — Não moro no mato, moro em Toksan! Eu estava explorando, é muito divertido. Encontrei alecrim. — Se justificou, dando uma risadinha para Kwangsu.
Observou a garota com interesse enquanto matutava como Gaecheon atraia mesmo pessoas estranhas, mas que Cordelia estava longe de ser a pior delas. Era só uma garota hippie e não tinha nada de ruim nisso. — Você pode comprar alecrim no mercado, sabia? — Decidiu esclarecer, não tendo certeza se a loira tinha ciência daquilo.
Kwangsu desmontou da sua scooter e tirou o capacete, o deixando apoiado no guidão. Pegou o pedido que trazia na garupa e fez a troca dele pelos wons da menina, nem se dando ao trabalho de contar. — Encontrou algo mais divertido do que alecrim por aqui? Talvez alguns duendes e fadas? — Decidiu entrar na onda de Cordelia e aproveitar o momento para ter uma de suas pausas. — Esses pestinhas andam sumindo com as minhas meias. — Subiu um pouco as barras da calça, mostrando uma meia de cada cor nos pés. O motivo era que saiu atrasado naquela manhã e vestiu as primeiras que viu. — Se falar com eles, peça que devolvam, por favor.
‘ I didn’t know who else to call… ’
A voz que o atendeu tinha o tom baixo e lento digno da sonolência, porém ainda era familiar. Por isso Kwangsu se deixou aproveitar daquele breve momento, pois mesmo que a culpa por acordar Cordelia o corroesse, ainda precisava daquilo. Precisava dela. — I'm sorry... I didn't know who else to call. — Confessou com a fala trêmula, o nó lhe fechando a garganta e a visão já turva pelas lágrimas quentes que a inundavam, prestes a transbordar. Teria ligado para alguém que conhecesse a mais tempo, mas todos deveriam estar cansados dele ou ocupados a essa altura.
— Você acha que algumas pessoas foram predestinadas ao sofrimento, Delia? Porque... Eu sei que é ridiculo e egoísta, mas eu realmente me sinto assim agora. Meu A-appa...— Travou por um momento, permitindo que seu corpo seguisse o curso natural para que pudesse finalmente respirar após as lágrimas e gemidos sofridos se libertarem. — Ele... ele nunca fez mal a ninguém. E mesmo assim sofreu a vida inteira com aquelas... coisas. Só para no final acabar desse jeito, num lugar desses. — Não sabia se referia-se ao necrotério cujo a parede se apoiava agora ou se áquela maldita ilha. Nem ligava que a garota no outro lado da linha não soubesse da parte mais obscura da sua vida e que viesse a achar ele ainda mais perturbado. Seja como fosse, a dor era imensa, mas o medo também. — Eu vou acabar do mesmo jeito... — Percebeu num sussurro alto que, feito uma corda de ferro, apertou seu coração enlutado. — Eu vou acabar do mesmo jeito porque nasci como um coadjuvante nessa ilha de merda. Todos nós que nascemos aqui estamos destinados a morrer aqui. — Concluiu.
Kwangsu podia sentir o celular tremendo contra sua orelha, os olhos esbugalhados quando aquela realização finalmente tombou sobre ele. Não havia nada que pudesse fazer para deter o rumo do destino. Sendo um mero humano, tudo o que podia fazer era aceitar. — Cordelia... você deveria ir embora daqui enquanto ainda é tempo. Não se deixe ficar presa nessa armadilha, me ouviu? Você... você merece ser feliz. — Sem esperar por resposta, desligou a chamada. Kwangsu ainda ficou parado no frio de fora por alguns minutos, os olhos vagos fitando o nada enquanto aceitava sua triste realidade e tentava não pirar. Ao menos não agora, pois tinha coisas do funeral para resolver.
mercury: what’s something you couldn’t live without? // saturn: what’s your aesthetic? // pluto: what do you love most about yourself?
what’s something you couldn’t live without?
Ar, dãh.
what’s your aesthetic?
Acho que alternativo. Mas sou bem nerd... isso é um aesthetic?
what do you love most about yourself?
Que eu consigo ignorar as coisas muito bem e sem qualquer dificuldade. Devia ser ator.
tea ask 🍵 matcha, chamomile, sugar, ginger
matcha: favourite book?
O Guia do Mochileiro das Galáxias porque o Douglas Adams entende o meu tipo de humor.
chamomile: comfort movie? A Nova Onda do Imperador porque o Kuzco também entende o meu humor. Mas qualquer animação engraçada tá valendo.
sugar: tell me about your first crush
Ela era minha amiga na escola, eu tinha uns doze anos. Até escrevi um bilhete para me declarar “Por favor, saia da minha escola!”
ginger: favourite colour(s)?
Cinza e roxo.
misfire – do you want any kids? if so, how many? // radio gaga – top five favorite songs?
– do you want any kids? if so, how many?
Não, não quero! Meus genes precisam ser extintos e morrerem comigo. Não quero fazer criança nenhuma sofrer por ter que nascer.
– top five favorite songs?
1. Pompeii - Bastille
2. Numb - Linkin Park
3. Good Boy - GD X Taeyang
4. Bohemian Rhapsody - Queen
5. BIGBANG - 뱅뱅뱅
Dúvido ter gosto melhor que o meu!
all dead – when was the last time you cried? // bites the dust – bassists or drummers? (b: pense bem) // garden lodge – what’s your dream home?
– when was the last time you cried?
Hoje.
– bassists or drummers? Bateristas, com certeza.
– what’s your dream home? Acho que uma kitnet já seria bom. Algo pequeno porque assim não acumulo muita bagunça e nem perco o Odi.
SOCIAL MEDIA : 🔓🔔🎧📲📍
🔓 - lockscreen: é o odi (seu bichinho de estimação) usando um chapéu no dia do aniversário dele.
🔔 - toque do celular: Omae Wa Mou (why not?)
🎧 - as últimas músicas que escutou: No Bad Days, Breakdown, Stop The rain, Novocaine, Misery, Rooftop.
📲 - ultima mensagem enviada: foi para a irmã dele. (kwangsu estava irritando ela e recebeu um "não vou nem hesitar em estrangular você quando chegar em casa" e ele respondeu "você ao menos consegue alcançar meu pescoço?" pq ela é nanica.)
📍- como o contato do Bo Yun está salvo: "Pretty Boy Un" e com uma foto de péssima qualidade kekeke
strawberry milk— what’s your way of showing someone you love them, platonically or romantically?
— Hmm acho que sou do tipo que demonstra que gosta de alguém mais com as ações do que com as palavras. O que é até engraçado vindo de alguém que fala até demais, não acha? Mas acho que é mais fácil, mais natural pra mim. Eu gosto de saber se as pessoas que eu gosto estão bem alimentadas, por exemplo, então sempre tô dando comida pra elas. Coisas assim...
[ 👶 ] is your muse good with kids, or do they prefer to avoid them?
Kwangsu é muito bom com crianças porque tem quase a mesma idade mental que elas. Mas é do tipo que ficaria desesperado se tivesse que cuidar de alguma. A criança chora e ele chora junto.
𝐚 𝐠𝐡𝐨𝐬𝐭 𝐛𝐨𝐲 🛵 𝐩𝐞𝐧𝐧𝐞𝐝 𝐛𝐲 𝐚𝐞𝐜𝐡.
aint no condoms in my wallet girl those are ramen noodle flavor packets
Aquela era uma entrega muito esquisita. Tinha o endereço, que dava em uma estradinha que dividia os bairros, mas não havia número de identificação da residencia. Kwangsu tentou questionar o chefe sobre isso e só recebeu um ‘se vira’ como resposta. Então o que mais ele podia fazer além de - literalmente - se virar e ir fazer a tal entrega?
Pilotou a scooter sob um céu que aos poucos ficava cinza, resmungando algo sobre aquilo ser um trote e ele estar sendo feito de trouxa pelos pirralhos da ilha. Com quem falava? Um serzinho espinhudo dormindo no bolso superior de sua jaqueta. Odi, seu ouriço de estimação, o acompanhava vez ou outra no trabalho, quando Kwangsu estava desanimado demais até mesmo para levantar da cama, sentia como se o animalzinho de estimação lhe desse alguma energia.
Foi e voltou na tal rua três vezes, até por fim perceber a figura de uma garota loira por ali. As caracteristicas eram proeminentes de uma estrangeira e Kwangsu sabia de quem se tratava: a afilhada de Jaehyun. — Você quem pediu a entrega, não foi? — Perguntou ao parar com a scooter em frente a ela, lembrando das vezes em que @gcn-cordelia havia feito pedidos no polo gastronômico dos quais ele foi o portador; e que não eram poucos. — O que houve? Tá morando no mato agora?
📁 ╱ trad.: mantenha em mente: está tudo bem (…) ❜ ― ! 🎶 x 📻
gcn-boyun:
Se fosse qualquer outra pessoa ali, Bo Yun teria ficado preocupado. Mas era Kwang Su, ou seja, Bo Yun ficou preocupado para um caralho.
Tardou um pouquinho para processar tudo e um segundo a mais para conectar os pontos. Havia perdido a prática em identificar as reações de Kwang Su - e o fato de que isso apertava seu peito era algo para falar em outro momento. Uma vez que clicou, porém, Bo Yun transformou-se: conseguiria agir muito mais rápido, mesmo que desengonçado, tinha toda certeza.
Por isso, aliás, que não se embolou quando foi puxado de repente pela veste. Até manejou devolveu o celular para o bolso e tirar os fones sem fazê-los bater nos pés.
— Qual deles? — se é que repetiam. — É outro? — porque não tinha, mesmo, como saber o que tinha mudado, que tipo de coisas estava diferente com Kwang Su e os monstros que os insensitivos não conseguiam enxergar.
Foram muitas as noites em que Bo Yun já quis ser os olhos de Kwang Su. Fosse para que ele ficasse com os seus; fosse para que ele, ao menos, não tivesse que vê-los sozinho.
Dentro da salinha, quando enfim pararam e o silêncio ficou mais forte - só lutava contra as batidas de seu coração altas demais em sua cabeça e ouvidos -, Bo Yun conseguiu tentar pensar melhor. Ele já havia deixado para atrás a fase em que achava Kwang Su meio piradinho das ideias, lá quando ainda estavam se conhecendo, mas a verdade era que preferia estar lá por ele, mesmo que significasse lutar contra monstros invisíveis. Felizmente (ou melhor, infelizmente), os tais fantasmas não eram tão coisa da imaginação assim, visto que às vezes conseguia ver as coisas que eles afetavam ou, como ali, sentir o cheiro.
— Você… — Bo Yun procurou pelo pulso do outro para que pudesse assegurar: estou aqui. Receou perguntar, mas precisava saber se quisesse ao menos fingir que sabia como afastá-lo ou coisa assim. — Como ele era?
Pena que acender a luz do cômodo não faria diferença, visto que Bo Yun continuaria cego para aquilo do qual fugiam. Mesmo assim, encontrou o interruptor e o ligou. Poderia tentar ver o que tinham ao redor e, principalmente, poderia um ver o rosto do outro - isso serviria para, no mínimo, deixá-lo saber que não estava sozinho, tampouco com um total desconhecido.
— Sou eu — não brinca, Sherlock. Bo Yun pegou um dos rodos no canto da salinha e o levou consigo quando puxou Kwang Su para o fundo (não tão longe da porta, considerando o tamanho da sala que poderia ser chamada de armário do zelador) e se pôs em sua frente. — Ainda sente ele?
Com o bater acelarado do próprio coração servindo de trilha sonora de fundo, as perguntas de Bo Yun ecoavam em seus ouvidos vagamente e pareciam levar mais tempo que o normal para alcançarem o cérebro e fazer algum sentido. Kwang Su havia se esquecido de que o outro já sabia da sua situação, ou melhor, que acrediatava nele. Depois de todos esses anos, era bom ter alguém novamente que não o achasse um completo pirado.
As costas largas bateram contra a estante que ocupava a maior parte do pequeno cômodo e, por isso, voltou a se aproximar de Bo Yun, não tardando a sentir o toque amigável em seu pulso. — E-ele... ele... — Respirou fundo, umedecendo os lábios e tentando se acalmar do choque repentino. — Aquela coisa é enorme! E tá todo podre... cheio de feridas escorrendo sei lá o que... V-você percebeu que o cheiro mudou, não é? — Quis confirmar, afinal não poderia ser o único a notar mesmo que pudesse vê-lo. A luz se acendeu e as pupilas de Kwangsu reclamaram, deixando-o momentaneamente cego antes de se adaptarem a claridade e ele voltar a ver a face de Bo Yun. — Eu... — sei, dãh. Pigarreou. — Eu não podia te deixar lá, não sei o que aquilo poderia fazer. — Esclareceu, uma vez que os espiritos malignos tinham certo prazer em prejudicar os vivos. Kwang Su ficou a observar a porta trancada e as ações de Bo Yun, tentando desvendar o que passava na cabeça dele. Deixou-se puxar, mais uma vez se vendo com as costas contra a estante no fundo da sala, e agora com o mais velho na sua frente... segurando um rodo? — Sim, eu consigo ouvir os passos dele. Tá quase aqui... O que você vai fazer com isso? — Se referiu a tal arma improvisada, deduzindo que aquilo não seria muito útil. — Ele parece bastante sólido, então não acho que vai conseguir atravessar a porta, mas isso ai não... — Foi interrompido pelo ruído da maçaneta sendo forçada por fora. — Puta que pariu! — Os dedos agarram os ombros de Bo Yun e o usaram como escudo, afinal era ele quem portava a arma ali. E, as coisas pareceram ficar ainda piores quando a coisa no outro lado começou a falar com Kwang Su.