Esse blog serve como um espaço pra eu escrever um pouco sobre minha vida de pós formado em Biblioteconomia e interesses bibliotecáristicos. Você pode me encontrar no Facebook e Instagram (@mendex_lucas) e Twitter (@mendex_lucas).
No mês de março (sim, o kit desse mês veio atrasado), entre as demandas da biblioteca e pessoais não houveram tantos destaques, mas compartilharei alguns marcantes.
Bibliotequices
O grande destaque deste mês vai para o evento organizado em parceria do CRB-14 com a ACB em comemoração ao dia do bibliotecário (12/03), vocês pode ver o evento gravado nos seguintes links: Live no canal do CRB-14 e live no canal da ACB. A temática girou em torno no fazer social do bibliotecário, no qual possibilitou que aprendêssemos mais sobre a vivência e pesquisa de incríveis profissionais.
Livro do mês
O livro desse mês foi o "Biblioteca Gaiman" da autoria de Neil Gaiman, a obra compila uma serie de quadrinhos escrito pelo autor, com ilustrações de diversos artistas. Minha nota foi 5/5 (no Goodreads) mas não reflete necessariamente minha opinião de todas as histórias. Porem, no geral é uma compilação que vale muito a pena, sem contar que o trabalho editorial está incrivel!
Biblioteca fictícia
Esse mês vai para a biblioteca particular de Stede Bonnet, pirata de primeira viagem e cavalheiro, um verdadeiro 'Gentleman Pirate', da serie 'Our flag means death'. Uma serie que chegou do nada e me surpreendeu muito! A primeira comédia romântica que vejo nesse formato!
Mas ela era muito mais extravagante!
Ainda está em debate se colocar uma biblioteca no navio foi uma boa ideia...
Bem, é isso, o kit desse mês está curtinho, mas muito bom! Fico por aqui, até o próximo mês!
Aproveitando o carnaval, para relembrar e listar alguns dos favoritos do bibliotecário deste mês.
Bibliotequices
Bonitezas da Biblioteca Escolar: um guia para boas práticas, teve seu lançamento agora no mês de março e publicado pela UFMG, essa obra junta diversas contribuições para a prática do bibliotecário na biblioteca escolar. Ele está disponível gratuitamente aqui.
Esse mês, com o retorno das aulas presenciais construí um mural interativo que tem dado um retorno e engajamento muito interessante na escola, chamei de 'Platão ou Anitta', para ver um pouco de como ele ficou, só clicar aqui.
O Jonas (@biblioeducador), um bibliotecário que admiro muito, realizou um projeto muito especial de apresentação da biblioteca que trabalha, baseado nas joias do infinito. Para conferir basta ir no perfil dele e ver os stories marcado como 'Marvel na BE'.
Livro do mês
Entre os lidos do mês o que mais se destaca é o 'The Diviners' de autoria de Libba Bray, para quem gosta de fantasia urbana, com um toque de ficção histórica. A história se passa em 1926 em Nova York, mistério e assassinatos com um pouco de influência sobrenatural, e menções a invenção da classificação de Dewey em buscas na biblioteca pelo assassino. Mais sobre o livro no Goodreads. Para quem gosta, recomendo bastante ouvir esse livro em sua versão audiobook, uma experiência muito boa!
Biblioteca fictícia
O destaque desse mês vai para o Bibliocomplexo, a biblioteca mágica que aparece no cenário Strixhaven (tanto no jogo de cartas Magic The Gathering, quanto no cenário de RPG de Dungeon and Dragons). Essa biblioteca atende toda a comunidade universitária do multiverso, e é gerida pelo bibliotecário Isabough, que é uma criatura arvore humanoide e tem como auxiliares uma equipe de constructos e gárgulas. Você pode saber mais dessa carta por aqui. Essa é uma das cartas que compõe a minha coleção de cartas Magic, com foco nas te temática de bibliotecas, arquivos, livros e leitura.
(Essa ilustração foi feita por Piotr Dura, e é de propriedade da Wizards of the Coast)
Esse será um dos projetos que tentarei manter esse ano, faz algum tempo que queria criar uma newsletter do GDS, mas ainda não tinha bem ideia de como fazer isso. A proposta é fazer uma compilação mensal de coisas interessantes, livros, jogos e um pouco mais.
Vamos então para a atualização de janeiro do blog!
Grande parte desse mês de janeiro passei de férias, então consegui consumir algumas coisas, entre o sofrimento com o calor e os litros de água gelada.
Bibliotequices
No fim de 2021 foi lançado o livro #Somostodosbibliotecaescolar pelo Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB). Você pode clicar aqui para acessa-lo gratuitamente.
Esse mês também tivemos o lançamento do Clube de Leitura Tijolão, que é mediado por duas pessoas bibliotecárias, Amanda (@apenasclassica) e Morgan Morgado (_brmorgan), o primeiro encontro vai acontecer em fevereiro e você pode ficar sabendo mais aqui.
Livro do mês
O livro em destaque desse mês é o 'The song of Achilles', por Madeline Miller. É um reconto da Ilíada de Homero, a partir da perspectiva de um personagem que é pouco citado na história, Patroclus. Você pode ver minha avaliação no meu Goodreads, mas resumindo: Esse livro é incrível, lindamente escrito e sensível. Leitura recomendada!
"And perhaps it is the greater grief, after all, to be left on earth when another is gone." (MILLER, 2012).
Biblioteca fictícia
A biblioteca desse mês é de um jogo que tenho me debruçado bastante! A do Museu em Stardew Valley! Além do seu personagem pode contribuir com a doação de objetos museológicos também existe uma sidequest onde você consegue encontrar livros perdidos que nunca foram devolvidos a biblioteca e devolver, liberando assim informações sobre o próprio jogos, legal né? É muito fofo também que os personagens da cidade sempre estão na biblioteca.
Stardew Valley é um jogo que descrevo como Slice of life com farming simulator.
Kamen Rider Saber: O Rider que queria salvar o mundo através das histórias
Kamen Rider Saber features a world based on fairy tales and fantasy adventures colliding with our own, centering on a conflict over the Greater Book– a legendary artifact that contains unparalleled powers and secrets. (Wikipedia)
Touma Kamiyama, escritor, se descobre em meio de uma trama muito maior e mais conectada ao seu passado do que esperava. Conhece novos companheiros e é introduzido a um mundo de fantasia e possibilidades.
Mas hoje, gostaria de falar sobre a forma como esses guerreiros conseguem lutar pela humanidade utilizando os livros! Não pretendo me prender aqui em questões focadas ao plot, pois aqueles que acompanham a franquia conhecem a receita.
Na lore da serie, existiu um livro chamado Great Book (ou, alternativamente, o Livro da Onipotência), esse tomo poderoso continha informações sobre tudo, de ciência a fantasia. Porem sua páginas foram rasgadas e dispersas pelo mundo, criando assim os Livros das maravilhas, e são esses livros aqueles que dão poderes aos nossos riders.
The saber in your hand
Is a pen to write it down
Words to save this world ( Atsushi Yanaka)
O mais legal nessa história é como a literatura é importante para o protagonista, e por consequência os personagens que o cercam. A história inclusive ilustra o processo de escrita de livros, a relação entre o escritor/agente literário/editor, fala sobre contação de história e o poder dos livros em geral.
Se você gosta de livros, história e leitura, e quer dar uma chance para a franquia Kamen Rider, pode ser um lugar legal para começar. Deixo aqui também que uma das minhas personagens favoritas dessa serie é a Sabela, a Rider que tem como tema enciclopédia e insetos.
P.S.: Esse post levou um tempo para sair dos rascunhos, por vários motivos, mas enfim terminei de escrever e mais curto do que planejava inicialmente, mas acredito que longas explicações iam tirar o brilho da história.
Olá sobreviventes (achei apropriado considerando que esse é de maneira fantasiosa um guia de sobrevivência),
Esse ano, completo 2 anos de biblioteca escolar (um pouco mais, porem dois anos na mesma), e tenho algumas observações para fazer sobre isso, claro que a experiência bibliotecária não se resume a minha experiência mas esse é o espaço que eu criei para compartilhar sobre a minha experiência.
Entre a inserção no mercado de trabalho (com a mente fresca, cheia de ideias, ainda inspirada com os grandes discursos sobre como a Biblioteconomia pode mudar o mundo, que eu ainda acredito por sinal, mas não da mesma forma), passagem pelo mundo dos discursos de LinkedIn, um mestrado, uma pandemia (que não acabou ainda, se cuidem), cheguei aqui. Coisa que por sinal não era a minha prioridade durante a graduação, já que foquei bastante na pesquisa, no campo da comunicação cientifica e bibliotecas universitárias.
Hoje vou compartilhar três percepções, e futuramente outras (talvez).
Minha caminhada no espaço escolar me (re)apresentou diversas coisas, uma delas, algo que já tinha escutado na graduação, sobre a biblioteca escolar ser uma das bibliotecas mais importantes, já que é a partir dela que muitas pessoas tem seu primeiro acesso a esse espaço. Isso se provou verdade na minha vivência, mas assim como ouvi pude ver em primeira mão o quanto nossa cultura de bibliotecas é frágil.
É impressionante também o quanto a biblioteca escolar pode ser CAÓTICA, bem, tentamos exercer algum tipo de ordem nesse espaço, e funciona até certa extensão, mas vejo cada vez mais, que nosso papel é mediar, mediar informação, literatura, o mundo.
É impressionante também como a atuação bibliotecária é humanizadora, vejo nos rostos da comunidade escolar o quanto entender as pessoas, ser paciente e disposto ajudar faz com que nós sejamos assim com a gente mesmo.
Por enquanto é isso, um post para lançar o ano de 2022, que em nome de Ranganathan me trará também mais vontade de escrever casualmente sobre meu amor pela Biblioteconomia e bibliotecas.
Uma bibliografia sobre Competência em Informação e Avaliadores de periódicos científicos
A avaliação da ciência, dentro do processo da comunicação científica, é uma das chaves que garantem a qualidade, a fidedignidade e a reprodutibilidade das pesquisas. É um percurso de confiança (seja do editor para o avaliador, como posteriormente do próprio leitor) delineado por um acúmulo de experiências e conhecimentos anteriores visando ao desenvolvimento científico. Mesmo com significativa importância, temos um ecossistema que mesmo repleto de questionamentos sob os mais diferentes olhares, tem garantido sua funcionalidade, há mais de 30 anos. (MENDES, 2021, p. 126)¹.
Defendida em outubro de 2021, minha dissertação intitulada ‘Qualificação de avaliador de periódicos: proposta de um modelo de competência em informação científica’ pode ser encontrada aqui.
A bibliografia apresentada a seguir foi construída ao decorrer da pesquisa entre os anos de 2019 a 2021. Constitui-se como uma intersecção entre os campos da Competência em Informação e Comunicação científica no que tange a formação de avaliadores de periódicos até então não identificados por mim na literatura científica. Será encontrado também algumas referências sobre portais de periódicos, já que no inicio da pesquisa foi a partir dessa perspectiva que o objetivo final foi formado.
O principal objetivo dessa comunicação é o de compartilhar uma parte que não consta na publicação original da dissertação, mas que a compôs tanto quanto os resultados apresentados na mesma.
¹ MENDES, Lucas. Qualificação de avaliador de periódicos: proposta de um modelo de competência em informação científica. 2021. 156 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Gestão de Unidades de Informação, Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação, Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2021. Disponível em: https://www.udesc.br/arquivos/faed/id_cpmenu/5641/Disserta__o_Lucas_Mendes_1637333188888_5641.pdf. Acesso em: 20 nov. 2021.
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WILCOX, Christie. Rude paper reviews are pervasive and sometimes harmful, study finds. 2019. Disponível em: https://www.sciencemag.org/news/2019/12/rude-paper-reviews-are-pervasive-and-sometimes-harmful-study-finds#. Acesso em: 07 abr. 2020.
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ZIMAN, John. Conhecimento Público. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Universidade de São Paulo; Itatiaia, 1979. 164 p.
Indicação de leitura & Clube do livro de BE - Ler antes de saber ler: oito mitos escolares sobre a leitura literária
“[...] o ensino formal preconiza uma única interpretação, quando sabemos que o sentido atribuído não está apenas no texto, mas na relação que cada leitor estabelece com ele, com base em sua história de vida e de leituras, no momento histórico e na cultura em que está inserido [...]”. (CARVALHO; BAROUKH, 2018, p. 16).
O livro lido para o mês de Junho para o Clube de leitura de BE foi o ‘ Ler antes de saber ler: oito mitos escolares sobre a leitura literária’ das autoras Ana Carolina Carvalho (Psicóloga pela USP e mestre em Educação pela Unicamp) e Josca Ailine Baroukh (Psicóloga pela USP e com especialização para professores de educação infantil e ensino fundamental no Espaço Pedagógico), publicado pela editora Panda em 2018..
A publicação do registro do encontro pode ser visualizada aqui. Na qual estamos todos arrumados com as melhores becas para um arraiá de muita conversa e reflexão.
O livro tem como sinopse:
Como formar leitores entre aqueles que ainda não leem por conta própria? O que significa formar leitores? Por que dedicar tanta atenção à leitura literária na escola? Para responder a estas e outras questões, Ana Carolina Carvalho e Josca Ailine Baroukh, ambas professoras e formadoras, apresentam reflexões importantes acerca da formação de leitores na educação infantil e no ensino fundamental. As autoras elencam oito mitos sobre práticas recorrentes nas escolas para discutir algumas questões levantadas pelos educadores: É melhor ler ou contar histórias? Há assuntos proibidos para as crianças? Como escolher um livro para a roda de leitura? Ao longo dos capítulos as autoras também exemplificam algumas práticas vividas com professores em seus cursos de formação, enriquecendo ainda mais a discussão sobre o assunto.
As reflexões realizadas nesse texto serão feitas a partir dos mitos discutidos pelas autoras. Acho que irá facilitar a escrita das minhas percepções e de certa forma, apresentar a organização interna da obra.
1. Para crianças pequenas é melhor contar do que ler histórias
Três tópicos muito interessantes chamaram a minha atenção, a primeira delas é com algo que eu mesmo tenho defendido no passado. A questão do mediador de leitura precisar se fantasiar para para chamar a atenção das crianças, as autoras vão contra essa ideia, e defendem que uma boa história é o suficiente para criar uma relação com a criança. Um segundo tópico muito interessante foi a definição de três constâncias que cada leitor estabelece com o texto, são: Transmissão da história oral, o que conhecemos como ‘contação’ de história; Leitura em voz alta; Contato direto com o livro (CARVALHO; BAROUKH, 2018, p. 31). E por fim, em terceiro lugar, a questão sobre o entendimento dos bebês sobre a literatura, nesse texto defendem que não é sobre o entendimento deles, mas sim sobre o contato e a afetividade que o mediador vai levar para aquela criança.
2. Livro na mão do aluno ou some ou estraga
Um dos comportamentos leitores mais importantes é a manipulação dos livros, eles tem uma característica de objeto social que destaca a questão do desgaste como inevitável e desejado, já que demonstra que está sendo utilizado (me lembra muito das discussões de Ranganathan em seu livro ‘As cinco leis da Biblioteconomia’), tange também no processo de escolha da obra na biblioteca, que é muito importante para o processo do leitor. Mencionam também que,
“A escola é, por excelência, o lugar em que as crianças devem ter acesso a patrimônio cultural da humanidade, esse é um direito que lhes cabe desde o momento em que pisam em sua primeira instituição escolar [...]” (CARVALHO; BAROUKH, 2018, p. 39).
3. Na educação infantil, é preciso oferecer livro fáceis
O desafio da escolha de obras para o ensino infantil é algo constante no contexto das bibliotecas escolares. A discussão sobre segmentação, classificação e indicação é tão complexa quanto a singularidade do leitor, o melhor a se fazer é trabalhar em conjunto com as crianças e os pais. As autoras destacam a importância de livros infantis com vocabulários desafiadores para o desenvolvimento de aprendizagem da língua.
4. É preciso poupar as crianças dos horrores do mundo
Este assunto foi tratado de maneira muito alinhada com as outras literatura do campo de estudo. Discutem a importância de trazer literatura que tenham assuntos difíceis, que não devemos ter medo de aborda-los só porque são complicados oi até tabus (como morte, vontade de morrer, perda). Mencionam como os contos de fadas são importantes ferramentas para trabalhar esse assunto.
5. Livro bem colorido: é disso que os pequenos gostam
Destacam a importância de livros infantis com ilustrações de qualidade, e não apenas coloridas ou chamativas, o ilustrador tem um papel importante no contar a história, e é dever dos pais, professores (e bibliotecários, que elas não mencionam) de disponibilizar obras de boa qualidade.
6. Conversar é pouco: sempre é preciso fazer uma atividade depois de ler
Aqui é relatado a realidade das escolas nas suas atividade de leitura, e como é costumeiro trabalhar com cobranças quando envolvemos a leitura na sala de aula, e que o processo de ler por si não é o suficiente. Porem, a conversa pode ser uma maneira de ir além do texto sem cobrar necessariamente do leitor, isso quando a leitura não deve ser simplesmente apreciada
7. Na escola, quem escolhe a leitura é o professor
Não tenho muito o que dizer, a leitura deve ser escolhida pelo leitor sempre que possível.
8. Ler é sempre prazeroso
Carvalho e Baroukh (2018) abordam que é importante que tenhamos atenção com o nosso discurso, pois existem alguns vícios de comunicação como ‘ler é sempre prazeroso’, etc. Sabemos que muitas vezes ler é desafiador, cansativo e moroso porem é um processo muito importante, pode claro, ser prazeroso também e quando conseguimos finalizar uma leitura difícil também é muito recompensador. É importante trabalhar isso com as crianças.
De modo geral, as autoras trabalham muito bem os assuntos propostos, mencionam pouco a atuação dos bibliotecários e as bibliotecas no processo do leitor. Mas para profissionais de bibliotecas escolares, principalmente as que atendem o segmento infantil, pois desmistificam muitas problemáticas envoltas com a faixa etária.
Por hoje é isso, até a próxima sôr!
Você pode comprar o livro em:
Amazon ou Estante virtual.
REFERÊNCIA
CARVALHO, Ana Carolina; BAROUKH, Josca Ailine. Ler antes de saber ler: oito mitos escolares sobre a leitura literária. São Paulo: Panda, 2018. 120 p.
Indicação de leitura & Clube do livro de BE - Biblioteca escolar: Conhecimentos que sustentam a prática
Para incorporar à sua prática essa dimensão da biblioteca escolar, o bibliotecário que atua em escola pode buscar apoio em resultados de pesquisas. Refletindo sobre esses resultados à luz de sua experiência, ele terá melhores condições de construir uma prática baseada em evidência, isto é, uma ação apoiada em dados e fatos comprovados por investigações científicas e não apenas em opinião e intuição. (CAMPELLO, 2012, p. 8)
Estudar sobre bibliotecas escolares nunca foi tão relevante para mim como tem sido desde o ano passado. E em meio a pandemia a Elani (bibliotecária escolar, produtora de conteúdo, e criadora do canal do Youtube e Instagram @dicadebibliotecaria) criou uma iniciativa maravilhosa de clube do livro sobre Bibliotecas escolares!
Após alguns encontros, e alguns livros dos quais vou ficar devendo, gostaria de falar sobre o livro do mês de maio (registro do nosso encontro aqui) chamado ‘Biblioteca escolar: Conhecimentos que sustentam a prática‘ da autoria de Bernadete Campello.
A obra tem como sinopse:
Pesquisas recentes relacionadas à educação mostram que bibliotecas escolares de diversos países têm hoje um papel que vai muito além de um espaço de promoção de leitura; elas são, principalmente, espaços de aprendizagem. Mas tal espaço deve ser adequado a esse propósito, e os bibliotecários precisam realizar ações mais efetivas na orientação dos estudantes, assim como na implementação e no aperfeiçoamento de práticas escolares dentro das bibliotecas.
Esta obra contribui para que bibliotecários e educadores estabeleçam e aperfeiçoem práticas que tornem a biblioteca também um espaço de aprendizagem. Mostra que uma prática baseada em evidências, ou seja, embasada em resultados de pesquisas sobre bibliotecas escolares e a subsequente reflexão sobre eles, pode proporcionar ideias inovadoras que apurem as práticas educativas de bibliotecários. E quem sabe, assim, essas ideias inspirem os profissionais a investigar a realidade da biblioteca escolar no Brasil, descobrindo novas evidências que permitam ampliar o seu papel educativo.
As discussões no momento do encontro apenas reforçaram minha percepção quanto a importância da obra. Algumas das minhas considerações apresento nos seguintes tópicos:
Primeiro, a escrita do livro, feita de maneira primorosa me fez lembrar que para escrevermos muito bem sobre algo, com qualidade, não retira a possibilidade de tornar aquela informação menos acessível. Campello escreve de maneira muito leve sobre as pesquisas que resolveu se debruçar.
Segundo, a autora aborda de maneira muito lúcida uma temática pouco vista nas discussões que tive acesso até o momento sobre bibliotecas escolares, que é a atuação a partir de evidências, discutindo então as deficiências de se medir a relevância das bibliotecas escolares, e como as mesmas são capazes de demonstrar resultados incríveis quando inseridas na escolas.
Por fim, a obra se mostra uma ótima leitura para bibliotecários atuantes, abordando perspectivas, pesquisas e projetos realizados em bibliotecas escolares norte americanas mas que essas realidades são muito próximas da nossa.
Uma menção especial aqui, para a pesquisa ‘Aprendendo habilidades informacionais desde a educação infantil’ da autora Margot Filipenko, onde a pesquisadora propõe um modelo de letramento informacional de crianças em fase de pré-escola, que demonstra com grande criatividade das professoras e bibliotecária as possibilidades para trabalhar textos informativos com crianças. Referência completa do artigo ao fim do texto.
Você pode comprar o livro em:
Amazon, Submarino, ou Estante virtual (recomendo a Estante Virtual pois volta e meia entra com um preço mais acessível, comprei o meu lá por volta de 30 reais)
Você pode acessar os canais da Elani em:
Instagram | Youtube | Twitter
E se interessar os outros livros lidos no clube de leitura, pode ver os vídeos da Elani aqui!
Até a próxima! (Se tudo der certo com um post sobre Kamen Rider Saber)
BIBLIOGRAFIA
CAMPELLO, Bernadete. Biblioteca escolar: Conhecimentos que sustentam a prática. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.
Filipenko, M. Constructing Knowledge About and With Informational Texts: Implications for Teacher-Librarians Working With Young Children. School Libraries Worldwide, [S. l.] v. 10, n. 21, p. 21-36, 2004.
Entre o caos anual (mas passageiro) da retomada as aulas ocorreu a nossa querida comemoração dos quadrinhos nacionais! Esse ano fiz um pequeno quadrinho para um expositor que ficaria na biblioteca, que acabou não acontecendo, mas compartilharei por aqui.
Se você quiser conferir alguns lugares bem legais com quadrinhos em português, a Elani Araujo (@dicadebibliotecaria no Instagram e Youtube) fez um post com alguns sites, podem conferir aqui!
Papo de Recreio - 10 (042) resposta para nerdices, bibliotequices e muito mais
Olá gente, faz algum tempo que não apareço por aqui, mas hoje vou compartilhar o papo super divertido que tive com a Bruna Morgan, colega de profissão e de muitos eventos da Biblioteconomia.
A conversa aconteceu ao vivo mas ela fez uma gravação marota que pode ser acessada no Youtube aqui!
Além de conversa sobre nossos fandons, RPG e coisas aleatórias, falamos um pouco sobre bibliotecas escolares também.
Vocês podem encontrar a Bruna na sua página no Facebook e no Twitter
Bibliotecas em tempo de pandemia: Uma bibliografia (comentada?)
Estar em homeoffice me fez aprender muitas coisas e atuar de maneiras que não esperava estar atuando. Tenho diversas dúvidas, e questionamentos sobre como agir no momento em que vivemos.
Encorajado pelo trabalho da Febab (dá uma olhadinha aqui!) de curadoria de diversas informações sobre o COVID-19, biblioteca e outras informações de apoio, resolvi montar minha própria bibliografia, focada mais em dicas, teorias sobre preservação e minha atuação como bibliotecário escolar.
Nesse link podem ser encontradas as legislações em nível Federal, Estadual e Municipal.
Bibliografia
AGENCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Brasil). Procedimento: Limpeza e desinfecção de ambientes, equipamentos, utensílios potencialmente contaminados, gerenciamento de resíduos sólidos e efluentes sanitários. 2019. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/219201/5777769/PROCEDIMENTO+01+-+PLD-Residuo-Efluentes-/54d4b6eb-36a9-45d9-ba8b-49c648a5f375. Acesso em: 01 maio 2020. (Documento técnico bem direto sobre limpeza, desinfecção, etc., bem legal! Ótimo para usar de base para descrever processos em documentos de contenção da própria biblioteca!)
AGUIA (São Paulo). Universidade de São Paulo. Atividades em Bibliotecas: limpeza, higienização e desinfecção. 2020. Disponível em: http://www.fo.usp.br/?p=51995. Acesso em: 01 maio 2020. (As informações sobre higienização, procedimentos e vida do vírus em superfície, colocadas de maneira bem direta e fácil de entender.)
ARAÚJO, Elani. Bibliotecas em tempos de Pandemia. [s.l.], 04 maio 2020. Youtube: Dica de Bibliotecária. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=M_0g_5wy9AU&feature=youtu.be. Acesso em: 12 maio 2020. (Bem explanado o documento da IFLA pela bibliotecária, simples, rápido e didático.)
ARAUJO, Jullyana (org.). Covid-19: recomendações para salvaguarda de acervos em bibliotecas. 2020. Disponível em: https://gidjrj.com.br/covid-19-recomendacoes-para-salvaguarda-de-acervos-em-bibliotecas/. Acesso em: 01 maio 2020.
BAÇÃ, Dandara. CORONAVÍRUS E DESIGUALDADES: alguns apontamentos para bibliotecários. Biblioo: Cultura informacional. [s.l.]. 01 maio 2020. Disponível em: https://biblioo.cartacapital.com.br/coronavirus-e-desigualdades-alguns-apontamentos-para-bibliotecarios/. Acesso em: 01 maio 2020.
BALDINI, Isis. Higienização de material bibliográfico e COVID-19: opinião de conservadores-restauradores: opinião de conservadores-restauradores. 2020. Coordenada pelo Conselho Reginional de Biblioteconomia 8ª região. Disponível em: http://www.crb8.org.br/higienizacao-de-materialbibliografico-e-covid-19-opiniao-de-conservadoresrestauradores/. Acesso em: 14 fev. 2021.
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA (Santa Catarina). Universidade Federal de Santa Catarina (org.). Plano de Contingência e Emergência da Biblioteca Universitária da UFSC. 2020. Disponível em: http://portal.bu.ufsc.br/files/2019/01/PlanoContingencia_final.pdf. Acesso em: 11 maio 2020.
BRASIL. Ministério da Educação. Guia de implementação de protocolos de retorno das atividades presenciais nas escolas de educação básica. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/GuiaderetornodasAtividadesPresenciaisnaEducaoBsica.pdf. Acesso em: 09 out. 2020.
CANELAS, Lucinda. Na reabertura, as bibliotecas vão optar pelo take-away e pôr livros de quarentena. 2020. Disponível em: https://www.publico.pt/2020/05/03/culturaipsilon/noticia/reabertura-bibliotecas-vao-optar-takeaway-livros-quarentena-1914926. Acesso em: 04 maio 2020.
CHRISOSTIMO, Marcelly. Aspectos a serem considerados para elaborar um protocolo de reabertura para bibliotecas escolares. 2020. Disponível em: https://www.mocinhadabiblio.com/post/aspectos-a-serem-considerados-para-elaborar-um-protocolo-de-reabertura-para-bibliotecas-escolares. Acesso em: 27 maio 2020.
¿CÓMO las bibliotecas pueden extender sus servicios durante las cuarentenas?. [s.l.]: Ifla Latin America And Caribbean Section, 2020. (143 min.), son., color. Legendado. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3ovn5x3SacY. Acesso em: 02 maio 2020.
ELLIS, Leanne. Reopening School Libraries: a plan of action. A Plan of Action. 2020. Disponível em: https://knowledgequest.aasl.org/reopening-school-libraries-a-plan-of-action/. Acesso em: 16 set. 2020.
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Plano de convivência com a Covid-19: recomendações às bibliotecas da Fiocruz. Rio de Janeiro, 2020. 18 p. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/42956/4/Plano%20de%20Conviv%c3%aancia%20com%20a%20Covid-19.pdf. Acesso em: 23 set. 2020;
PREFEITURA DE SANTOS. Protocolos de segurança para bibliotecas escolares: dos profissionais, dos usuários, e manuseio de acervos. Santos, 2020. 34 p. Disponível em: https://www.santos.sp.gov.br/static/files_www/conteudo/SEDUC/EducaSatos/protocolo_bibliotecas.pdf. Acesso em: 14 fev. 2021.
REDE NACIONAL DE BIBLIOTECAS PÚBLICAS (Portugal). Republica Portuguesa de Cultura. Orientações para as Bibliotecas Públicas sobre o manuseamento de documentos faze à pandemia Covid-19. 2020. Disponível em: http://bibliotecas.dglab.gov.pt/pt/noticias/Documents/orientacoesBPdoc_covid19.pdf. Acesso em: 04 abr. 2020. (Ótimo documento para traçar as estratégias de uso da biblioteca!)
RIO GRANDE DO SUL. CONSELHO REGIONAL DE BIBLIOTECONOMIA. Recomendações do Conselho Regional de Biblioteconomia - 10ª Região concernentes ao período de isolamento social: Protocolos de segurança. 2020. Disponível em: https://drive.google.com/drive/folders/18ydH6dGipVJhdHMEdMJ6UjUHmFyODAAW. Acesso em: 11 maio 2020.
THE LIBRARY INFORMATION ASSOCIATION. Orientação COVID-19 para Bibliotecas Escolares. 2020. Disponível em: https://www.cilip.org.uk/news/506793/COVID-19- Guidance-for-School-Libraries.htm. Acesso em: 14 fev. 2021.
***
Vou ir atualizando essa lista de acordo com os documentos e textos que forem se tornando relevantes para mim.
No ultimo mês (junho) fui convidado a escrever um pouco sobre minha experiência na biblioteca Guimarães Rosa do Anabá, para o Colibri, o boletim informativo da escola. O artigo se encontra na página 26 nesse link.
Depois da despedida incrível de alguns alunos, me sinto muito mais leve. Fico feliz de ter deixado uma boa impressão, e de ter dado suporte para uma comunidade que valorizava meu trabalho, assim como ter trabalhado com uma bibliotecária colega incrível. Irei sentir saudades!
Meu TCC, correspondências científicas e sua influência nos colégios invisíveis
(Selo comemorativo de 350 anos de Royal Society of London, homenageando Robert Boyle, considerado um dos criadores do termo colégios invisíveis.)
Eu não publiquei nada aqui no GDSbibliotecário sobre meu TCC, mas é um rascunho que tenho salvo a um bom tempo. Durante a produção da minha monografia eu pensei em criar um blog para falar sobre correspondências científicas, ou pelo menos algo estático para divulgar alguns projetos que ia encontrando, mas não concretizei.
Pensei então em compartilhar uma pequena lista de acervos online de correspondências científica, a bibliografia das leituras que realizei (nem tudo foi utilizado no trabalho final, mas mantive uma lista de referências) e links de onde meu trabalho e resumo publicado podem ser encontrados.
Bibliografia da monografia pode ser encontrada aqui.
Você pode encontrar meu TCC aqui.
E a publicação que mandei para o 6° Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria (EBBC) com a minha orientadora aqui (da página 559 até 563).
A pequena lista dos acervos que compilei aqui são apenas os que encontrei por acaso ou em alguma busca superficial, são projetos muito legais, menção especial para o Letters of Note, no Brasil já se encontram duas compilações feitas por Saun Usher, autor do blog, publicadas pela editora Companhia das Letras.
***
Lista de acervos de correspondência científica:
CAMENA - Corpus Automatum Multiplex Electorum Neolatinitatis Auctorum
Correio IMS
Darwin Correspondence project
Early modern letters online
Electronic Capito Project
Francis Bacon Correspondence Project
Letters of Note
Linnaean Correspondence
Universiteit Leiden
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Finalizo esse post com um recado do Drummond,
“Sem dúvida, todo sujeito honesto escreve por necessidade, mas nessa necessidade está latente a ideia de comunicação. Os outros que gostem ou não gostem.”
(Carta de Carlos Drummond de Andrade para João Cabral de Melo Neto o incentivando a publicar seus poemas após a incerteza do amigo, enviada em 1942. Retirado do Blog Correio IMS editado e coordenado por Elvia Bezerra. Disponível em: http://www.correioims.com.br/carta/mas-o-povo-nao-le-poesia-quem-disse/).
Hoje, dia 13 de abril, fiz um mês atuando como bibliotecário escolar.
Coloquei em prática algumas coisas que aprendi na graduação, e algumas que nem imaginava em aprender. Atendi aluno novinho e adulto, professor, pai, mãe, avó, e tudo que vêm quando se trabalha em uma biblioteca escolar (com um ascendente em especializada, por causa do vasto acervo em antroposofia).
Os empréstimos ainda eram feitos em ficha, apesar de já ter um sistema simples com quase todos os livros cadastrados, mas também tive o prazer de começar a realizar o empréstimo automatizado. Mas as fichinhas tem seu charme.
Foi e está sendo um desafio.
Nada que eu li me preparou para sentir o que eu senti quando conseguia achar algum livro ou referência para algum aluno que precisava para um trabalho, ou um professor para uma aula. Ou a decepção de não encontrar nada para alguém que precisava.
Teve dias que mal conseguia respirar de tanta coisa para fazer, outros foram quase monótonos.
Outra coisa que me chamou atenção foi o amor pela leitura de todos, toda a experiencia tem sido utópica. Mas sei que onde estou atuando é uma exceção. Minha passagem vai ser rápida, mas já me marcou profissionalmente e academicamente.
Dentre todas as discussões sobre biblioteca escolar no momento, desde a lei 12.244/10 que entra em ativa ano que vêm, e as discussões sobre desinformação e formação de leitores, tem muita coisa para se desanimar. E muitas para se animar, como o curso Formação de mediadores de leitura (oferecido gratuitamente pela fundação Demócrito Rocha, aqui) e o 37º Painel de Biblioteconomia que tem como tema “ Livro, Leitura e Literatura para uma sociedade melhor:Bibliotecas e seus encantos“ (mais informações aqui). Essas iniciativas mostram existem muitos bibliotecários e profissionais da educação lutando por um país melhor.
Imagem: Fiz um desenho rápido de mim na minha mesa.
Kamen Rider Bibliotecário: Philip e a Gaia Library
Uma biblioteca que contem toda a informação do mundo? Uma interface de busca ativada por voz? Livros classificados?
Ano passado (2018) assisti Kamen Rider W e na hora fiquei com vontade de escrever algo sobre, mas a preguiça me venceu na época. Esse tokusatsu¹ é de 2009, algum tempo atrás, não tem os melhores efeitos especiais mas o carisma dos personagens compensa esse detalhe.
Philip-kun (a parte cyclone do Kamen Rider W) interpretado por Masaki Suda não é o bibliotecário da forma que conhecemos. Quando criança teve sua mente conectada com a Gaia Library, e durante a maior parte do Tokusatsu é o único que consegue acessar ela pois é um lugar não material. Com um grande intelecto e curiosidade Philip ajuda seu parceiro Shotaro (parte joker do Kamen Rider W) a resolver crimes na cidade de Fuuto.
Gaia Library (地球(ほし)の本棚 Hoshi no Hondana), uma coleção de todas as informações do mundo conhecido (Kamen RIder Wiki, tradução do autor).
(Sim, as palavras-chave aparecem flutuando na frente dele).
O mais legal nessa série é como a biblioteca se torna uma parte essencial na resolução de todos os casos, informação nesse contexto é indispensável na atuação dos detetives particulares. E diversas vezes me parei comparando a história com serviços de uma biblioteca. Nem sempre conseguem recuperar os livros que precisam na primeira tentativa, pois não tem conhecimento suficientes para formular palavras-chave ou mesmo conseguem formular as perguntas de pesquisa. Alguns livros tem acesso restrito (olha ai o acesso aberto).
Outro ponto que chamou minha atenção, mas que é um divagação, é o fato de não ser uma biblioteca, mas uma base de dados universal, ela não está alinhada com as 5 leis da Biblioteconomia, não é um organismo vivo (na verdade é, e a memória da própria terra), não serve a todos. Mas pela inclusão (não proposital) de um "Kamen Rider Bibliotecário" eu preferi não descer a ladeira de problematizações bibliotecarísticas.
Aqui uma sinopse curta a quem interessar:
Na cidade ecologicamente correta Fuuto (i.e. Capital do Vento) existem vários cata-ventos e as pessoas vivem em harmonia. Contudo, a família Sonozaki vende chaves USB misteriosas chamadas de Gaia Memories para os criminosos os transformando em Dopants, cometendo crimes que a policia não consegue resolver. O detetive hardboiled (esquentadinho) Hidari Shotarou trabalha com o misterioso Philip que possui informações, conhecimento da Terra. Usando suas próprias Gaia Memories, Shotarou e Philip usam o Double Driver para se transformar e fundir em Kamen Rider Double para lutar contra a ameaça Dopant (Wikipedia).
Saiba mais sobre Kamen Rider W aqui. O Toku blog fez um post bem legal apresentando o tokusatsu e os personagens.
¹ Para quem não sabe o que é Tokusasu, são series japonesas focadas pro público infantil, porém tem como fandom uma grande diversidade de pessoas de países e idades diferentes. Algumas delas ficaram famosas no Brasil, como Black Kamen Rider, Jaspion e Fiveman. Para saber mais clica aqui.
Visita técnica á Biblioteca de Nacrene City no jogo Pokémon Black e White
Pokémon é uma grande franquia de jogos e anime. E é um dos meus jogos favoritos. Recentemente resolvi jogar Pokémon White, que ainda não havia terminado. Ele foi lançado originalmente em 2011 no resto do mundo para o console portátil Nintendo DSI.
Em uma parte do jogo, relativamente no começo, podemos entrar no Museu de Nacrene City. Esse museu também é onde a Líder de Ginásio Lenora trabalha como pesquisadora e curadora do museu, junto ao seu marido (Hawes). Sua área de pesquisa é Arqueologia.
Lenora
Fonte: Bulbapédia.
Entrada do Museu
Fonte: Psypoke.
Seu ginásio fica localizado dentro da biblioteca do museu, no segundo andar do prédio. O acervo da biblioteca é composto de assuntos desde criação de Pokémons até a história de Unova (país onde a história se passa).
Entrada da biblioteca
Fonte: Psypoke.
Imagem completa da Biblioteca
Fonte: Bulbapédia.
“The Nacrene City Gym is a Gym consisting of a library that require Trainers to find the right answers to opponents' questions through the readable books, before engaging them in battle”. (Bulbapédia)
Para acessar o campo de batalha você precisa ler alguns livros para colher pistas e abrir uma passagem secreta (no anime há ainda uma área antes antes do ginásio de obras raras, que é lá que você deve resolver o desafio da líder de ginásio). Como vocês podem ver na imagem a baixo a batalha ocorre no escritório pessoal de Lenora.
Entrada secreta
Fonte: Serebii.
Escritório e ginásio de Nacrene
Fonte: Bulbapédia.
"No matter how grim the situation, I'll use my research skills to find a winning strategy!" (Fala de Lenora, Bulbapedia).
Post rapidinho só pra compartilhar as bibliotecas fictícias que eu amei muito. Fiquei procurando NPCs que fossem bibliotecários, mas não achei. Como é uma biblioteca fictícia ela deve se gerir sozinha.
Obs.: Scientist Satomi, não ensine os usuários a devolver os livros pra estante pós leitura!!!
— A busca pela verdade nos leva a lugares perigosos — disse a velha Josie. — Com frequência, nos leva ao lugar mais perigoso de todos: a biblioteca. Sabe quem disse isso? Não? Foi George Washington. Minutos antes de ser devorado por bibliotecários. (FINK, Joseph; CRANOR, Jeffrey, p. 58)
Um dos primeiros livros que li esse ano foi ‘Welcome to the Night Vale’ de Joseph Fink e Jeffrey Cranor, acho que você pode considerar esse livro adoravelmente (as vezes nem tanto) confuso.
Fonte
Você pode ler a descrição completa da história aqui. Mas resumindo, acompanha a história do podcast de mesmo nome (que você pode escutar aqui, mas infelizmente está e inglês). As personagens principais dessa história são Jackie Fierro, proprietária da loja de penhores e que não consegue envelhecer. E Diane Crayton, mãe de Josh, que não possui uma aparência única, podendo ter de tentáculos a asas, aparência humana ou não.
Uma coisa que me chamou muita atenção foi a forma como os bibliotecários e a biblioteca foram retratados nessa história. Monstros comedores de pessoas, capazes de expelir veneno e com aparência repugnante. A biblioteca, é retratada basicamente como uma grande armadilha criada pelos bibliotecários.
A outra opção era ir à biblioteca pública. Poucas pessoas voltavam de uma visita à biblioteca. (FINK, Joseph; CRANOR, Jeffrey, p. 130)
Vestiu uma roupa azul. (Todo mundo sabia que bibliotecários não enxergavam a cor azul. Devia ser apenas uma lenda urbana, mas Diane estava disposta a tentar qualquer coisa para melhorar suas chances.). (FINK, Joseph; CRANOR, Jeffrey, p. 162)
“Nada atrai mais um bibliotecário do que histórias de ficção. Até as crianças mais jovens de Night Vale sabem disso.” (FINK, Joseph; CRANOR, Jeffrey, p. 171)
Tivemos até um destaque para a Biblioteconomia, sendo uma das coisas mais perigosas que uma criança pode aprender na hora do recreio:
“A APP publicou uma declaração hoje dizendo que, caso o Conselho Escolar não prometa evitar que as crianças aprendam sobre atividades perigosas como uso de drogas e biblioteconomia durante o recreio, vão bloquear todas as entradas da escola com seus corpos. Eles tiraram centenas de corpos de caminhões e disseram: ‘Todos estes corpos nos pertencem e não vamos hesitar em usá-los para criar grandes barreiras de carne se esse for o preço para impedir que nossos filhos aprendam.’“ (FINK, Joseph; CRANOR, Jeffrey, p. 76)
Mas não pense que é fácil esquecer o que você viu na biblioteca aquele dia...
“Ao se abaixarem e saírem correndo por um corredor paralelo, Diane viu, através dos espaços entre os livros, o bibliotecário sair das sombras. Ela viu, em detalhes e por inteiro, a aparência de um bibliotecário. Seu estômago se revirou.
Diane nunca esqueceria a visão, recorrente em sonhos e ataques de pânico, até o momento de sua morte, quando a esqueceria. No dia em que enfim morreu, uma das coisas que passou por sua mente foi: Bem, pelo menos eu não preciso mais me lembrar daquilo. Isso a deixou feliz, e ela morreu sorrindo.” (FINK, Joseph; CRANOR, Jeffrey, p.178-179)
Recomendo a leitura a todos, apesar de em vários momentos ter ficado um pouco confuso percebi que é isso mesmo que a história proporciona, uma viagem surreal por Night Vale.