OS TREZE PORQUÊS
[Este post pode conter spoiler da série (e, quem sabe, embora não seja o foco, do livro), portanto a leitura é por sua conta e risco.]
❝Alguns de vocês se importaram. Nenhum se importou o bastante.❞
Você está prestes a começar o ano letivo em uma nova escola. A mudança pode não ter sido fácil, mas você está com grandes expectativas para iniciar essa nova etapa da sua vida. Você fez planos, claro, e mal pode esperar para concretizá-los.
No entanto, as decepções chegam logo no início da sua nova jornada.
Decisões.
Escolhas.
Ações.
Boas?
Más?
Quem pode julgar?
O fato é que algumas pessoas se aproximam e, sem realmente conhecê-las, você acaba se envolvendo e permitindo que elas tenham influência sobre sua vida. Você não percebe que essas pessoas são tóxicas e que estão te prejudicando; não percebe... até que seja tarde demais.
Então os boatos começam. As pessoas começam a te julgar e te tratar de formar diferente, totalmente desinteressadas no seu lado da história. Porque, bem, quem se importa se é verdade ou mentira? O importante mesmo é ter sobre quem falar, seja quem for. E, infelizmente, você se tornou o novo alvo.
Sua vida vira de cabeça para baixo porque você decidiu confiar, decidiu deixar as pessoas se aproximarem. Você sente raiva, até tenta revidar, mas já não há credibilidade nas suas palavras. As fofocas são mais importantes que a verdade.
Você segue em frente, apesar das dificuldades. Mas você não deixa de ser um alvo, então logo outra pessoa consegue abalar o seu emocional.
E outra.
E outra.
E outra.
E você já está em pedaços, sem esperança de que haja uma forma de recompor-se.
É difícil falar sobre isso com alguém, mas você tenta. Seus olhares vazios, seus sorrisos sem vida, seus gritos silenciosos... nada é suficiente para fazer com que percebam que você não está bem. Você precisa de ajuda, mas as pessoas estão muito ocupadas com as próprias vidas para se preocuparem contigo.
Você tenta se expressar de forma mais explícita, contudo as pessoas acham que é apenas uma tentativa de chamar atenção. E, sim, você quer desesperadamente a atenção de alguém, porém não para enaltecer o seu ego; não, você precisa de atenção porque é muito difícil carregar todo esse peso nas costas e acredita que o fardo pode ser aliviado se compartilhado com outras pessoas. Mas, claro, todo mundo continua seguindo com a própria vida e acaba não enxergando seus sinais; eles veem, mas não enxergam.
Onde estão seus amigos? E sua família?
Você está afundando, sufocando. Você já não aguenta mais seguir em frente e só quer que tudo pare. Você sente um vazio imensurável.
É insuportável.
Deus, como é insuportável sentir tanto!
E você finalmente cede, mesmo sabendo que falarão da sua fraqueza depois. Claro que falarão. Ninguém vai te ajudar, mas com certeza vai te julgar depois de tudo. É sempre assim.
Você se desliga.
E então começa o processo de autodestruição.
Suas próximas ações não estão de acordo com o que você faria normalmente. Mas você não se importa porque a maior decisão já foi tomada. Você acabará com tudo.
Há um último pedido de socorro.
As pessoas te olham e acham que sua aparência está normal e que você está bem. Elas ignoram o seu interior.
Sua alma está chorando, gritando, implorando... Mas ninguém te escuta.
Esse turbilhão de sentimentos está te esmagando.
Já sem forças, você segue em frente com o seu plano.
A dor vai embora.
Tudo é nada.
Você...
Você deixa de existir.
O mundo segue sem você.
E se?
E se a dor puder ser extinta sem que você parta?
Já parou para pensar em como nossas ações afetam as pessoas que estão em nossa volta? Uma ação que julgamos simples e inofensiva pode ser a raiz de um grande problema na vida de outra pessoa. Todo mundo tem uma forma própria de lidar com determinada situação, então não assuma que algo inofensivo para você não agredirá alguém.
Tenha mais empatia, seja mais gentil, preste mais atenção nas pessoas à sua volta e ofereça ajuda quando necessário.
É claro que você não tem obrigação de lidar com os problemas alheios, mas, ei, um pouco mais de bondade apenas tornará a sua vida melhor; e você não precisa ter uma solução para os problemas que te contarem — às vezes, só ouvir quem precisa falar já ajuda muito (obviamente você não exercerá a função de um profissional, mas de um amigo).
Cuidado com as suas palavras e ações.
Distribua amor, carinho e gentileza. Um sorriso, um afago, um abraço... pequenos gestos de afeição têm um grande poder positivo sobre a vida de quem acredita estar sozinho.
Depressão não é frescura e suicídio não é brincadeira.
Tanto a série quanto o livro “Os 13 Porquês” abordam temáticas como: depressão, suicídio, estupro, bullying, machismo, etc; e a série retrata esses temas com cenas intensas e, na medida do possível, reais. A vida de muita gente é impactada pelos fatos supracitados, porém, se não formos afetados, fechamos nossos olhos, tapamos nossos ouvidos e fingimos que não é real.
Enfim, gosto muito do livro, mas a série ficou mais concreta e verdadeira. Com certeza me fez refletir sobre muitas questões e espero que tenha feito o mesmo com todo mundo que assistiu.
A temporada completa já está disponível na Netflix, então, se você ainda não viu, corre lá e aperte o play. Vale a pena.








