Eu tinha essa esperança toda, de que o amor sempre vence. Mas nem sempre é o suficiente.

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@geovannafiori
Eu tinha essa esperança toda, de que o amor sempre vence. Mas nem sempre é o suficiente.
“Estava em mim, mas, não comigo.”
— Orquestrando.
coisas acabam mesmo adiadas
não fuja dos fins
“Não se afobe, não. Que nada é pra já.”
— Chico Buarque.
por mais que eu queira te mostrar através
de versos e poemas maus escritos
meu sentimentalismo barato
há poesias que componho só pra mim.
“Há tanto amor Em desuso Em mal uso.”
— Velhas Palavras.
“Há tanto amor Em desuso Em mal uso.”
— Velhas Palavras.
Esse jeito que você tem Prende tudo a tua volta. Você é uma órbita Cheia de constelações.
há mim que quer se curar com o tempo, peço ao vento coragem.
“Por dentro somos quase todos iguais, alguns até têm coração.”
— Eu me chamo Antônio.
deixa eu pousar em você como uma folha que despenca no outono e não sabe onde vai parar, mas ama mesmo assim porque finalmente está no chão. ficar no alto só serve pros prédios e árvores porque não podem ir pra lugar algum e eu quero conhecer cada canto desse universo que te assiste existir sem, muitas vezes, se importar.
eu me importo com o seu cansaço e com sua raiva cotidiana. eu queria que coubesse entre o M das minhas mãos pra te carregar por aí e quando alguém quisesse ler meu destino, encontrasse você e dissesse que meu futuro é bom.
eu costumava falar que minha memória é incrível, mas depois de te conhecer, eu percebi que não guardava tantos detalhes como eu imaginava. então toda vez que me conta coisas sobre si que eu já sabia, mas não lembrava, eu me choco de um jeito diferente.
como um asteroide que consegue passar pela atmosfera da Terra e, se transformando em um hipotético cometa, arranca o pedido de um novo estranho. a primeira colisão assusta, a segunda cativa.
você arranca pedidos do meu eu desconhecido e eles sempre convergem em um ponto só: toda a beira da sua solidão ferida exposta.
deixa eu passar os dedos pela sua coluna vertebral e sustentar seu pavor. domesticar o seu medo. eu também tenho os meus. não é fácil ser humano e ter a possibilidade incessante de padecer.
agora, eu tenho a chance de evoluir. uma hora, a gente quer ser folha.
na outra, nota que já é raiz. deixa eu ficar.
“Mas, moço, as coisas que a gente carrega no peito, ninguém consegue explicar não.”
— Mariana Santos.
Arrepia a alma te ver sorrir.
“você chegou e eu quis acampar numa montanha longe de todo mundo
você chegou e sorrateiramente preencheu a lacuna do tamanho de todas as vezes em que disse não à possibilidade do amor. você, sem nenhuma preocupação, abriu uma cratera no meu peito e decidiu descansar dentro
você chegou e eu quis correr gritando a todo mundo que eu havia encontrado alguém, de novo, que me faz querer ir além das literaturas sobre amor e romances psicodélicos sobre quem ama demais. você chegou e eu quis escrever esses mesmos livros
você chegou e eu já não corria para o último vagão do metrô para fugir do caos cotidiano das pessoas que, contra o tempo, vivem sem nenhum vislumbre. você chegou e eu quis ser como elas, desesperadas por qualquer visgo de salvação.
você chegou e todos os textos filosóficos sobre a mansidão de um carinho se transformaram em metáfora porque você materializava em mim a sensação de que alguém pode ser gostado sem necessidade de exigências. você chegou e me mostrou, em tão pouco tempo, que exigir amor era um pecado que deus não perdoaria. você chegou e não acreditava em deus, mas me fez entender que crer em deus era só um detalhe para quem cria na vida. e eu cria bastante
você chegou e eu mudei a playlist do meu celular. era você que dançava na cartilagem dos meus ouvidos enquanto eu me lembrava que você ria de tudo que eu dizia. até das coisas que eu, por vergonha, tinha medo de dizer
você chegou e o inverno se vestiu de verão porque tudo parecia tão rude e triste. você veio e eu quis deitar no meio da avenida e agradecer pois ainda respiro, mesmo que em dias conflituosos
você chegou e eu já não sentia raiva da vida e do mundo. eu me perdoei e decidi que era a hora de me jogar nos braços de uma outra pessoa, despencando na entrega, no querer estar, no medo de me quebrar e na certeza de reconstrução. você chegou e disse que me reconstruiria
você chegou e abraçou meu corpo frígido e minhas vontades de fuga. você chegou e eu quis ser a sua fuga
nesta vida eu me machucava pelos que iam embora e não entendia por qual razão as partidas me partiam
agora eu sei que as chegadas, sem explicação ou alardes, são maiores e melhores do que aquilo que não volta mais. ainda bem que você veio.”
Igor Pires da Silva.