Meu nome é Bruno Garcia, tenho 18 anos, e escrevo poesias em prosa desde os 13.
Criei esse blog no Tumblr para divulgar meus trabalhos com quem quiser ver, e o que mais der vontade!
Espero que gostem!
Bem vindos à alcova do fantasma.
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@ghostrefugee
Meu nome é Bruno Garcia, tenho 18 anos, e escrevo poesias em prosa desde os 13.
Criei esse blog no Tumblr para divulgar meus trabalhos com quem quiser ver, e o que mais der vontade!
Espero que gostem!
Bem vindos à alcova do fantasma.
Arte
Avulso.
Abstrato, discreto
Serene como neblina matinal
Intuição afiada quase que paranormal
Previsões de imprevistos incertos
De ocorrer, planejar faz mal
A caneta faz a dança do decreto
Aonde sela meu sentimento em algo concreto
Pensamento e lábia são a face do Diabo
E ele está dentro de mim
Com a inspiração necessária
Supero até Odin
Deuses caem fracos perante mim
Inconstante, determinado, abstrato
Conceitos resenhados elevados ao quadrado
A arte que me transborda
É mística, incerta
Muitas vezes insensível, porém nunca entorpecida
E meu maior pecado
Milênios de palavras
Em incontáveis livros, pergaminhos
Papel e documento de texto
Metadados perdidos numa realidade virtual
Que serão esquecidos e apagados
Tinta, caneta
Pena, teclado
Não interessa como, todos serão apagados
Porém, de alguma forma
Continuarão eternizados
Independente da vertente
Todos contém o sangue da gente
Nossos sentimentos belos e falhos
Nossos pensamentos certos e errados
Artistas, marcados pelo fardo
Manchados pelo passado
Mesmo com nossa morte
Nossos sentimentos serão eternizados
E nossos corpos, obliterados
Um dia, todo fantasma terá voz
E em tal dia, certamente
Descansarei em paz.
jeezsbb
Essa prosa é um relato dos sentimentos de alguém sem lar, um morador de rua, feito como forma de desabafo por mim, visto que já vivi isso.
Foi algo muito importante para mim, e espero que sintam o sentimento que tentei transmitir.
Infindável Alvorada
De preguiça, acordo tarde estarrecido
Mais um dia meus pertences foram subtraídos
Mas que pertences seriam esses?
Já não tenho roupa que valha
E ainda sou alvo de delinquentes!
Resmungo, esse promete ser um pessimo dia
Inconstante, incontrolável
A rua tem seu fluxo independente
A violência excessiva no meu dia-a-dia
Faz com que eu chore de saudades
Do papai abusivo que me batia
Da mamãe viciada que se prostituia
Nunca compreendi muito o porquê eu nasci
Mas vejo que isso não me interessa muito
Só sei que a rotina se baseia em agonia
Pobreza é habitual, fome mais que normal
Os anos se passam, e nunca fui nada além de um marginal
Nos poucos anos de colégio que aguentei
Nunca fui destaque
Nunca aluno brilhante
Nem sequer exemplo de popularidade
Rejeitado e sem abrigo
Abandonado e entregue ao frio
Mesmo assim, pensamentos chegam
Como borboletas azuis para representar a mudança
Porém, deprimido como sempre
Nunca enxerguei
E não as verei agora
Então, acabo os espantando
Pois pensamentos de otimismo não são bem-vindos
Quando não tenho sequer
O luxo de um pão e um café.
Já se deu o fim da tarde
E cá estou, na marquize de um barzinho de fim de mundo
Agachado e me aconchegando em minhas
Maltrapilhas colchas
Fedendo quase que pior
Que decomposição
Abraço meus joelhos, por puro aconchego
Cigarro aceso, ele me ajuda
Corta a fome, alivia a barriga
Comparado a desnutrição
É uma benção sentir azia
Eu vejo a noite se prolongar, e a chuva engrossar
Já vi chuva, tempestade, queda de luz
Assalto, violência, e brincadeiras
E ninguém tem um trocado
Para este menino rejeitado
No mais tardar, proximo ao nascer do dia
Acabei por dormir, ledo engano
Achei estar seguro para um descanso
Quando acordo, que surpresa!
Virei notícia nacional
Durante a madrugada de domingo
Um morador de rua foi assassinado!
As circunstâncias exatas são um mistério
Porém meu cadáver foi encontrado quebrado
Dentro dum tonel de cimento
Espancado, quebrado
Desmaiado, cimentado
Assassinado, e perdoado
Minha vida jamais teve justiça
E ninguém lutou por mim
Mas ao menos vivi para ver
Que mesmo na pior realidade
O sofrimento tem fim
Seja num rapaz simpático que doa 2 reais
Seja numa senhora que me levasse para almoço
E conversasse o dia inteiro sobre sua solidão
Perdi as contas de quantas vezes quiseram me salvar
E eu disse "não"
Orgulho? Quem sabe
A palavra certa seria dignidade
Eu vim para cá sozinho, e assim sairei
Porém, acho que morri antes de ver
O dia em que triunfei
A realidade é densa, pesada e misteriosa
E agora que me vou, sinto alívio
Ao menos sem corpo
Não sinto mais aquela dor
Por não ter nada no intestino.
- BruGt.
Escrevi essa prosa em homenagem ao meu primeiro ano junto da minha mulher, Aghata, que me faz sempre feliz e esperançoso. Espero que consigam compartilhar do amor e felicidade sinceros presentes nessas linhas, desta vez não tortas, mas amadas.
❤️
Nebuloza
Eu penso, sinto, raciocino
Ainda assim, pensamentos tem fluxo próprio
Seguem sua correntesa ainda que me ceguem
Há incontáveis eras que vigio
Sou imortal, tal qual qualquer
Ser pensante, minha alma supera matéria
Procrastina pela terra de época em época
Temi o esquecimento, porém sempre deixo elos
Nasci frágil e hoje sou eterno
Vagando dentre todas camadas do éter
E acordando sempre abaixo do mesmo teto
A verdade é que enjoei-me deste lugar
Viver com uma corda no pescoço tornou-se habitual
Morfina no bolso e fantasmas na cabeça
O céu sempre estava cinza, mas a chuva não caía
Quando me deparei com uma novidade antiga
Um eco, à minha involuntária súplica
Uma desconhecida conhecida e aguardada
Olhei dentro dos teus olhos de avelã
E instantaneamente apaixonei-me
Vi lindas estrelas, planetas e constelações
Incontáveis belezas, uniquidades
Tudo dentro duma linda nebulosa
Que trazia uma reluzência indescritível ao teu olhar
E finalmente, a chuva caiu
Os céus trovejaram, a terra floresceu
A fauna se ergueu, o mundo se abriu em mim
Quando reconheci que tal
Semblante surreal não era novidade
Mas sim
A mais preciosa parte de mim.
Para Aghata, eu te amo.
- BruGt.
wish/lust (desejo/luxúria)
eu lembro
de todos os pecados
todos os amaldiçoados enviados
pelo Caos
me tiraram do tornado
apenas para que eu pudesse ser crucificado
desejei
desejei vingança, trevas e sangue
assisti progressivamente
uma nébula negra sair de mim
e com ela carregou embora meu Diabo
quando laços se quebram
sentimentos se tornam fardos
o melhor a se fazer com os mortos
é enterrá-los
e superar preenchendo o buraco
a neve e o inverno chegaram
encobrindo as flores e o caixão
a lareira aqueceu-me enquanto
o álcool, não.
desejo me expressar
porém não sei o que dizer
transbordo de emoções e filosofias
auto-desenvolvidas com a vida
e que agonia!
de que adianta berrar
quando os tímpanos estão sanfonados
contra a verdade, e os corações
são blindados à sensibilidade?
desejei ser um homem, tempos atrás
pois ouvi que homens não choram
e quis que as lágrimas sumissem
mulheres choram e homens batalham
é como me ensinaram
portanto, sendo assim
sempre me vi homem fracos
nunca me contive quando
os santos transbordavam em meus olhos
a verdade é ardilosa, e eu a descobri
pouco após desejar
homens fortes choram e gritam seus sentimentos
enquanto os fracos os ocultam e se privam
e se isso é feminino, que bom!
os mais evoluídos seres
partem da androginia
e eu ostento meus sentimentos
como outros à uma corrente de ouro
tempos difíceis criam pessoas fortes
e fraquejar é essencial
para quê lutar, se não teme a derrota?
me soa incoerente
prefiro ser enterrado como indigente
do que viver me proibindo
de ser gente.
desejei paz, e para isto devo lutar
até meu último suspiro
não irão me silenciar!
irei sentir, chorar e gritar
berrar para que as estrelas ouçam
tudo que tenho à bradar
e jamais desistirei de as alcançar
a paz desejada já obtive
meu anjo da guarda se manifestou
e desejo, desejo
continuo desejando
pois sem asas não se alcança o céu
e eu pretendo transcendê-lo.
- BruGt.
Passei alguns dias sem postar, porém compensei esse tempo escrevendo, e tenho material novo pra vocês!
Vou postando aos poucos, pois tem MUITA coisa
Boa leitura!
os dias de frio vem, e com ele nosso sangue se torna espesso, aumentando a temperatura para a árdua queda brusca
nesses dias de chuva, olho em minha janela, vendo a bela flora que se manifesta no outro lado da rua
lembro-me de um beijo, uma promessa, uma dama formosa, dias de loucura e insanidade que outrora foram minha única fonte de felicidade.
rio-me de como isso, radicalmente, mudou; de como morri para renascer como o fantasma que sou, de como abdiquei do que vivi para novamente amar.
sorrio, dou um gole na xícara de café quente que seguro, e puxo um trago mais fundo, pois com um olhar profundo, eu vejo:
não havia nada melhor que eu pudesse ter feito.
tinta
o sangue retumba em minhas veias
enquanto em linhas tortas
minha caneta auto-indulgente proseia
nonde está o coração do escritor?
sempre ensopado, ora na dor, ora no amor
as palavras se embaralham
e as sentenças são confusas
porém, jamais difusas
fadado ao etéreo quando
o concreto não é suficiente
o abstrato pensamento vem
de um idealista cansado
tinta corre em minhas veias
enquanto o rubro
jorra em meu pulso
a verdade nasce com os mortos
mas, enquanto vivos
os mentirosos queimam
a forma como escrevo denota quem sou
o fantasma do sucesso social
que um dia já fui
minha caneta rasga em linhas
aquilo que meu coração berra
mas não sai
marcando com tinta o sangue do poeta
as lágrimas são cristalinas
minhas mágoas, de marfim
só nadarei em tua cascata
se o fluxo for carmesim.
BruGt, 19/05/2021
Espero que tenham gostado, recomendo esta música para a leitura: