O plano, na verdade, era bastante simples. Ela os prenderia dentro de seu quarto até que se resolvessem. Não seria nada difícil de conseguir que viessem até sua casa, levando em consideração que Cassiel e Paris não eram as pessoas mais espertas do mundo quando se tratava do relacionamento que tiveram. Leah bem sabia, já que estivera presente durante todo o tempo, inclusive em momentos mais íntimos em que entrara no quarto com a porta aberta. Argh. Era melhor nem lembrar. O fato era que apesar dos pesares, Eleanor sentia falta dos dois e sabia que eles também sentiam. Nada melhor do que fazerem as pazes, certo? Certo.
O quarto que ficariam já estava preparado. Ela até colocara bolachinhas lá dentro para se ficassem com fome. O primeiro passo foi enviar as mensagens pedindo que viessem urgentemente para a sua fraternidade. Ambos eram bons amigos e Eleanor sabia que acatariam o seu pedido. Enviou as mensagens com cerca de dez minutos de diferença para que não se trombassem no caminho e estragassem tudo. No horário previsto, ela estava na porta da fraternidade esperando por @parishawth, para quem mandara a mensagem primeiro. “Finalmente você chegou!” Exclamou para a ruiva, jogando seus braços ao redor do pescoço alheio. Já haviam lhe dito que drama era mais fácil de parecer verídico. “Eu estou tão desesperada.” Afirmou, balançando a cabeça para os lados, tentando parecer dramática o suficiente. “Não pensei que isso fosse acontecer. A minha vida desmoronou e eu precis…” Parou no segundo que viu Cassiel também chegando. Por sorte Paris ainda estava de costas para a rua. Fechou a porta da fraternidade e começou a puxar Paris até o seu quarto. “Vem me ajudar! Preciso…” Naquele momento ela lembrou-se de que ainda não tinha pensado na desculpa. “Eu preciso de uma coisa importante, Paris… Arrumar o pé da cama!” Olhou para a ruiva com excitação por ter pensado tão rápido. Aquilo nunca acontecia. “Arrumar o pé da cama que quebrou.” Repetiu, voltando a expressão triste. “O pé da minha cama quebrou e eu não sei como poderei dormir novamente!” Aquela fora a primeira coisa que lhe veio em mente para acontecer dentro de um quarto. “Fica olhando aí que eu já volto.” Sorriu rapidamente para a amiga e trancou-a dentro do quarto, enquanto corria até a porta receber Cassiel.
Estava tendo uma semana infernal, ou será que deveria dizer semanas? Não importava que ela sabia desde antes do fim, que o seu namoro estava sem escapatória. Mas era sempre terrível como a mudança de rotina afetava toda a sua vida, e ela precisava se reorganizar. Desde que realmente havia se tornado solteira, Paris se enfiou ainda mais em todas as suas outras obrigações, para quem sabe não sentir tanta falta dos momentos em que salvava para Cassiel dentro da sua semana corrida. Era o seu sopro de tranquilidade, e simplesmente evitar o namorado, – Ex-namorado, agora – era cansativo. E depois de um tempo se obrigando a ocupar cada segundo do seu dia, seu próprio corpo já reclamava. O primeiro sinal era que o quão irritada Paris andava, teve que ouvir das próprias animadoras como ela estava chata. E naquele dia, quando recebeu a mensagem de Leah, nem tentou se esquivar, e tratou de ir ao seu socorro. Não era como se fosse deixar sua amiga na mão, pelos seus problemas pessoais, que nem deveriam ser problemas realmente.
Chegou o mais rápido que pôde até a porta da fraternidade alheia, já estava curiosa com o que era tão urgente, e nem teve tempo de perguntar antes de ser envolta pelos braços alheios. Correspondeu o abraço a embalando nos próprios, franziu o cenho com o jeito dela. Ela estava tão estranha, que realmente ficou preocupada. ❝ ╼╼ Leah, meu bem, o que ‘tá acontecendo? ❞ Se afastou o suficiente para olhar para a amiga, estranhando quando ela se interrompeu e a puxou em direção às escadas. ❝ ╼╼ Meu deus, gata, espera! Eu não estou entendendo nada, o que você tem hoje? ❞ Só parou de ser arrastada já na porta do quarto da amiga. Leah não era a pessoa mais normal que conhecia, mas com certeza hoje ela estava se superando. O pé da cama? Paris tinha cara de quem sabia fazer alguma coisa de marcenaria? ❝ ╼╼ Você quer que eu ligue pra alguém que possa arrumar a sua cama, é isso? Não é nada demais, eu conheço um aplicativo ótimo para conseguir esses serviços… ❞ Dizia entrando no quarto, curiosa para ver o estrago, mas não viu nada realmente fora do lugar, porém ouviu a porta ser batida atrás de si enquanto Leah se despedia e a abandonava sozinha no quarto. ❝ ╼╼ Ah, que maravilha. Mais alguém me abandonando sozinha, realmente era o que eu precisava! ❞ Reclamou mais para si mesma do que para a outra, já que claramente ela não iria a ouvir de fora do quarto. Revirou os olhos e se sentou na cadeira disposta ali, decidindo espera-la.