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❣ Chile in a Photography ❣

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@girlcomplex
Mais um fim de domingo e eu sozinha na cama vazia.
Eu odeio sair... odeio. Odeio partir e deixar toda rotina e espaço que conquistei. Como se explodisse uma bomba no meu peito. Então por quê eu vou? Porque eu amo chegar. Planejar a viagem, olhar no mapa e pesquisar vídeos e dicas sobre esse novo lugar que estou indo me encanta. Amo inícios, novos começos são explosão de fogos de artifício dentro de mim. Ter pra onde ir é o que tenho, pois nunca sei se voltarei.
Amo poder passar creme hidratante no meu corpo. Gosto do pós-banho, quando deslizo a toalha suavemente deixando minha pele ainda úmida e quente para receber uma quantidade generosa de creme. Não tenho problema se for barato ou caro, só não gosto do creme Aroma Flor de Lavanderia da tampa roxa - aquele perfume adocicado e persistente tem o cheiro dela.
Daquela com a qual compartilhamos um corpo. Não o corpo inteiro, somente algumas partes como: boca, língua, dedos e abraços. Aqueles malditos olhos verdes e sorriso largo me fizeram ir do sofá para a cama, do cheiro de lençóis suados para banhos relaxantes com vapor subindo devagar.
E fiz a besteira de usar seu creme, esse da tampa roxa que carrega seu cheiro, esse que deslizou pela sua pele, que tocou a nossa pele. A textura cremosa que afundava nos poros trazia junto cada memória. Depois de todos esses anos ainda guardava o pote com algumas gotas do creme como recordação, mas faz umas semanas que joguei fora.
Não quero mais sentir aquele perfume grudando na minha pele, nem lembrar do que nossos corpos sentiram com ele - os beijos molhados, o calor das mãos, as sensações que ainda ecoam quando fecho os olhos.
"A dor do parto é grande, mas tenho que partir."
É isso que ouço a cada despedida — às vezes dita por um amigo querido, às vezes pela minha própria mente.
Parto. Que palavra curiosa. O mesmo termo para o ato de partir (primeira pessoa, presente) e para o trabalho da mãe em trazer seu filho ao mundo. Uma simboliza perda. A outra, vida.
Mas eu escolho ver cada despedida como nascimento, não como fim.
Ninguém que passou pelo meu caminho me perdeu de verdade. Me levam em fotos, em memórias (a maioria boa), em histórias que contarão depois.
Então digo "adeus", "até logo", "até breve" — não com tristeza, mas com a alegria de quem está viva o suficiente para sentir saudade.
Transparente como o mar caribenho —
quanto mais fundo, melhor se vê o trauma.
Uma menina desejando afeição,
afogando num lindo mar sem ondas,
em pleno silêncio.
O crescimento é pra cima,
mas ela continua caindo.
Caindo.
Caindo.
O sofrimento é um treinador rígido
que não cuida das lesões.
Até boiar, é dolorido.
A busca por superfície,
oxigênio cada vez mais escasso,
a fizeram delirar.
Delírios e amarras
foram o que a seguraram nesse plano —
sem ao menos a liberdade de partir.
Ela confiou no que Richard disse:
Qualquer um pode voar pro prazer.
Delírio.
Acreditou em fadas, gnomos, fantasmas.
Delírio.
Acreditou que seria escolhida.
Amada.
Delírio.
Mas aquela nostalgia era válida.
Foi seu homem também.
Foi sua vida sendo esvaída
diante dos seus olhos de cinco anos.
A viúva mais nova da história.
Todos — sim, TODOS —
precisamos ser vistos.
Ter testemunhas de nossa existência.
Confirmação de que estamos aqui.
Os olhos que me enxergavam
partiram longe,
pro vasto oceano.
E o vazio se instaurou.
— Vai ficar na cama o dia todo?
— Sim. Tenho feridas internas que precisam de cuidado. Sabe aquelas que ninguém vê sangrar? Hoje troco as ataduras e os pequenos band-aid que ninguém percebe. De despir as máscaras que uso para performar perante as multidões. Preciso desse silêncio: ruminar a dor até compreendê-la, mapear as rachaduras e esboçar rotas menos doloridas. Às vezes, a cura exige imobilidade.
Sinto saudade de algo que nunca vivi, de algo que foi roubado de mim... Uma fotografia que não tirei de um momento exato onde o singelo e o ordinário dançavam sobre os ventos do etéreo.
A dureza da vida pode criar escamas no olhar do desatento. Ser fora o que tem dentro é o que somos.
Se você diz que tudo é profano e que devemos viver com medo e não com fé, essa teoria só é aceitava que você concordar que tudo é sagrado. Na mesma proporção. O amor é sagrado, mas amar um casado é profano, comer em demasia alimentos não nutritivos é profano, mas comer com responsabilidade em cuidar do seu corpo é sagrado. O amor e comer podem ser sagrado ou profano, o que diferencia é a condição que está posta. Uso o termo profono em simples contradição da palavra sagrado, temos busca moral e temos o Espírito Santo, particularmente nao entendo o agir do Espírito, mas posso controlar a minha bússola interna.
Aquele cheiro de jasmim que aspirava pelo nariz me fazia semicerrar os olhos. Era como se a doce fragrância penetrasse além dos meus pulmões e me preenchesse por inteiro — ao expirar, brotava um leve sorriso nos meus lábios. O frescor do jasmim embriagava as ruas cálidas do final de inverno de Buenos Aires e me fazia caminhar em suspenso.
Depois de anos, ainda vejo as imagens de suas pequenas flores brancas exalando o mais prazeroso aroma em minha mente, fazendo-me fechar os olhos de saudade. Que poder irresistível a mente tem, combinada com o sentido olfativo... Revigorante ter existido naqueles dias, naquela cidade.
Sheila entrou apressada. A porta bateu atrás dela antes que conseguisse fechá-la direito.
— Talvez você não acredite… — disse, sem fôlego, sem pausa. — Mas tudo mudou quando entrei no seu carro veloz.
Ele a observava, em silêncio. Olhos arregalados, sem saber como reagir.
Sheila caminhava devagar pela sala, como se cada passo fosse uma lembrança.
— Eu, Sheila, até então uma desconhecida, tão hábil em furtar corações… fui surpreendida pelo golpe mais inesperado.
Fez uma pausa. O silêncio se estendeu.
— Seguia minha vida rumo ao Centro-Oeste. Mas o cansaço me alcançou antes do destino. Cansaço e uma dúvida. Então… tudo mudou. Não sei como nomear. Talvez paixão — pela rapidez, pela intensidade com que me atingiu. Como um tiro de sniper. Não se vê de onde vem, mas se sente.
Ele não ousava interromper.
Sheila tirou um papel amassado do bolso. Sorriso irônico nos lábios.
— Bom, de todos, você era o menos provável. Vou ler a lista.
Desdobrou o papel e, em tom de brincadeira cruel, começou:
— Unhas pintadas. Calvo. Fumante como uma chaminé. Metido a intelectual. Capaz de beber até álcool direto da bomba de combustível. Ateu. Mago de RPG. Decidido a morrer antes dos trinta. E, claro, fã — ou pior, cover — do Renato Russo.
Guardou o papel de volta no bolso. O riso se desfez, o rosto ficou sério, quase iluminado.
— Diga-me se isso não era suficiente para me repelir. Talvez tenha sido exatamente esse o meu ponto cego.
Um brilho suave encheu seus olhos.
— Eu te pedi uma melodia… e você me deu uma viagem interdimensional. Para um planeta pequeno, cor-de-rosa e cintilante, com cheiro de baunilha. Enquanto cantava o refrão sobre carro veloz e lugares distantes, tudo parou. O mundo inteiro perdeu o foco. Só havia você… e meu corpo implorando para que a música não terminasse.
Ela respirou fundo, olhando para os próprios sapatos.
— Até hoje, quando escuto a introdução, meu corpo paralisa. E depois… derrete, como gelo no verão.
Silêncio.
Ela ergueu o olhar, deu um súbito beijo em sua testa e saiu da sala.
Ele permanece imóvel, meio sorriso perdido nos lábios, tentando entender o que acabou de acontecer
Ah, como eu buscava por ti, como eu ansiava pelos seus olhos em mim. Brilhantes, faceiros e meus. Como eu queria fazer do seu olhar meu lar. Amada, desejada e sua. Como o sol de primavera que, quando bate na pele, esquenta e não queima. Não imaginava como eu precisava ser vista, admirada e desejada. Por ti, e só por ti. Você me fez recordar algo que nunca tive, o que nunca pude desfrutar. Quando eu partir, ainda vou guardar seu olhar desperto, atento e profundo.
ROTEIRO DE ESCRITA CRIATIVA - 10 DIAS
SEMANA 1: Redescobrindo sua voz
Dia 1: Escreva sobre um cheiro que te lembra de alguém
Dia 2: Descreva uma paisagem usando apenas sensações físicas
Dia 3: Conte a história de um objeto que você perdeu
Dia 4: Escreva uma carta para seu eu de 16 anos
Dia 5: Transforme uma música que você ama em uma cena.
SEMANA 2: Brincando com formatos
Dia 6: Escreva um diálogo sem narração (só falas)
Dia 7: Conte uma história só com perguntas
Dia 8: Faça uma lista poética (tipo "coisas que aprendi chorando")
Dia 9: Escreva como se fosse um diário de viagem inventado
Dia 10: Crie um monólogo de alguém esperando o ônibus.
REGRAS:
15-20 minutos por dia (sem pressão!)
Não pode apagar nada no primeiro rascunho
Se não gostar de um tema, inventa outro