INTRO : SHEN QINYUN
i don't like the tension, the misapprehensions about our nature in love the glorious teachers are no use for creatures who knows how to play with the gods but I don't need a cure for me
nome. shen qinyun.
apelidos. especialmente gosta de ser chamado de qin-ge pelos mais novos, mas aceita variações como qin, qinqin ou a-yun. a-qin é reservado somente para os pais. +bônus xiao sen / pequena árvore pelos vizinhos devido a pronúncia do sobrenome no dialeto materno.
data de nascimento. 11 de fevereiro de 1997 (24 anos).
local de nascimento. pingwu county, província de sichuan, china.
atualmente reside em. seul, coreia do sul.
idiomas que sabe. mandarim, dialeto de sichuan, coreano.
gênero e pronomes. cismale (ele/dele).
orientação sexual. gray-a/panssexual.
orientação romântica. demirromântico.
zodíaco. aquário / boi.
doenças crônicas. asma.
personalidade.
traits.
positivos. compreensivo, curioso, sagaz.
negativos. insurgente, impaciente, teimoso.
likes. comidas apimentadas, tirar casquinhas de machucados, música alta, velas aromáticas (100% naturais!), arrepios.
dislikes. café, estar numa aglomeração, massagem, receber ordens.
esteriotipias / stims. os mais comuns são tomar banhos fervendo, esticar elásticos entre os dedos, o cheirinho de suas velas aromáticas, jogar mahjong no celular, apertar / estralhar os dedos, ouvir a mesma música no repeat por dias, balançar as pernas ou as mãos, apertar seus brinquedos anti estress, sentir certas texturas, deitar debaixo do edredom pesado. seus stims variam com o quanto ou tipo de estímulo sensorial que precisa ou o quão sobrecarregado está. entre os de ‘maior tensão’ são apertar a região do pulso, coçar / esfregar os braços, morder o interior da bochecha, batucar os dedos, piscar forte / apertar os olhos.
hiperfixações. journey to the west (especialmente wukong e nezha), enamel pins (tem uma coleção gigante) e a lady diana — a viu pela primeira vez numa revista, ainda na infância, e precisou saber absolutamente tudo sobre a princesa.
hobbies. fazer suas joalherias com suas habilidades, ler, encontrar restaurantes novos, assistir doramas.
aparencia.
altura. 1.77m
olhos. marrons escuros, na luz tornam-se mais clarinhos.
cabelo. preto, comprimento médio, geralmente repartido no meio e provavelmente bagunçado devido ao hábito de ficar passando a mão.
marcas de nascença. tem uma pintinha no queixo, duas no pescoço e uma debaixo da sobrancelha.
cicatrizes. detém algumas pelas pernas e braços, pequenas e pouco visíveis que ganhou na infância em brincadeiras. tem uma na lateral da cintura, mais visível e mediana, adquirida aos dez ou onze anos numa brincadeira que deu errado. e uma no fim da sobrancelha, pequena, que ganhou numa luta na adolescência.
estilo. de jaquetas jeans à moletons, seu senso fashion é o que for confortável — apesar de seguir alguns trends que o interessam. sua peça de roupa favorita são jaquetas, nunca saindo sem uma; a favorita é uma aviador, marrom escuro, que ganhou dos pais em seu aniversário de dezoito. suas blusas nunca tem etiquetas por o incomodarem intensamente.
gamsiin.
ano de treinamento. sexto.
dormitório. 9B
aptidões. TAEKWONDO [ 7 ] ESCALADOR [ 4 ] ESTRATEGISTA [ 4 ] PERCEPÇÃO [ 5 ]
habilidade
manipulação de memórias. quando toca em outros, consegue acessar suas memórias, podendo alterá-las e, também, as próprias. o próprio impôs uma limitação na habilidade, permitindo que o indivíduo possa esconder as memórias que não quer que ele acesse ou altere, imaginando portas e as trancando. algumas memórias são mais difíceis que outras, sendo aquelas que possuem fortes emoções / reações associadas a elas impossíveis de serem alteradas (ex. experiências traumáticas) — com esforço e sorte, pode acabar alterando a memória, mas as reações ou experiências obtidas por conta dela. requer extrema concentração e pode causar séria exaustão mental dependendo da complexidade. o contra-efeito é ter uma péssima memória: suas lembranças se embaralham e esquece coisas facilmente, como se o cérebro não tivesse espaço suficiente para elas.
manipulação de emoções. quando toca em outros, consegue acessar suas emoções, podendo alterá-las em intensidade ou por outras, assim como as próprias. não consegue criar emoções — quando as altera, precisa, também, estar sentindo a emoção. por exemplo: não conseguirá alterar preocupação por calmaria, se não estiver se sentindo calmo. o próprio estado mental / emocional precisam estar equilibrados com a emoção que deseja transmitir — da mesma maneira, o indivíduo precisa estar sentindo alguma coisa. contudo, algumas emoções são fortes demais (por exemplo, em casos de experiências traumáticas) e pode não conseguir alterá-las. a habilidade leva tempo, precisando, por vezes, de até uma hora. não consegue manipular emoções alheias sem permissão. é exaustante utilizar a habilidade e, em alguns casos, se não estiver concentrado o suficiente, pode acabar “absorvendo” as emoções ou, dependendo a emoção, ter reações inimagináveis. da mesma maneira, pode acabar ficando sobrecarregado pelas emoções, o que pode levá-lo a ter meltdowns. sendo capaz de manipular as próprias, em “dias ruins”, inconscientemente, pode ter cinco a sete emoções diferentes numa única hora, o que o causa detrimento mental — em suma, o próprio estado mental é a maior limitação. não consegue passar emoções que nunca sentiu ou fazer outros se apaixonarem (por si ou por outros). pode causar “atração” temporária, mas é extremamente difícil.
imprinting. consegue sentir ou deixar impressões de memórias e/ou emoções em objetos inanimados; e, quando outros tocam, são capazes de experienciar a emoção/memória deixada ali. quanto mais complexo o uso, precisará de maior esforço mental e físico para produzir. somente consegue deixar impressões de emoções que já sentiu — as memórias, por outro lado, não precisam, podendo ser fruto da imaginação. essa habilidade é fortemente ligada às outras duas, suas limitações sendo as mesmas.
limitações. qualquer uma das especificidades podem causar-lhe sobrecarga sensorial em “dias ruins” — em consequência, pode ter meltdowns, shutdowns ou burnouts. em casos mais sérios, pode levá-lo ao coma ou a desenvolver determinados transtornos.
trivia.
Suas maiores fobias são de febre ou vomitar, em suma, ficar doente — provém das inúmeras vezes que ficou extremamente doente por conta da asma quando menor e pós se mudar para a Coreia do Sul devido a mudança climática e o estresse. Se sentir-se minimamente mal, a ansiedade começa a tomá-lo e provavelmente fará muita manha. Puxando o mais novo de seus pais, Zhao Yan, é extremamente manhosinho quando não está se sentindo bem e não hesitará em demandar atenção ou carinho. Além disso, apesar de frequentar as lutas de mutantes, não gosta de se machucar muito, também não tendo boa tolerância com dor.
Fazem seis anos que não retorna para o país natal e, por isso, não é incomum ouvi-lo falando sobre como sente falta de casa. Seus pais o visitam sempre que podem, passando alguns dias hospedados nas redondezas da gamsiin — para eles é preferível viajar para vê-lo que o contrário, sendo que não o querem tão perto da “organização secreta” da qual faz parte. Enquanto isso, Qinyun é constantemente angustiado pelo fato de estar longe dos pais, a preocupação pelo bem estar deles tão grande quanto a deles por si.
É extremamente sensível com o tópico de ‘liberdade mutante’, por assim dizer. Conversas como cura ou ser “anormal” facilmente desencadeia reações extremas de Shen Qinyun, sendo um tópico muito pessoal para si, implicando não somente sua mutação mas sua neurodiversidade. É extremamente orgulhoso de ser ambos mutante e autisma, e mesmo com apoio e carinho dos pais, devido a anos de ‘bullying’ tem certas cicatrizes que ainda não se curaram.
Costuma rir de suas próprias piadas antes mesmo de terminar de contá-las.
Sua experiência com relacionamentos românticos é limitada mas não inexistente. Não consegue simplesmente ficar com outros, precisando criar alguma conexão, mesmo que não romântica. No geral, gosta e prefere estar sozinho; relacionamentos amorosos são um tanto quanto desgastantes mentalmente para ele, em alguns aspectos. Além disso, não tem muita confiança nesse departamento, suas inseguranças relacionadas ao seu entendimento sobre outros seres humanos se intensificando.
Tendo sido criado incentivado a utilizar o putonghua / mandarim, somente utiliza o dialeto materno / sichuanese quando está muito cansado, bêbado ou conversando pela vizinhança natal. O utiliza com os pais, mas não tanto, uma vez que ambos não são naturais da província e utilizam principalmente o putonghua, abandonando os próprios dialetos.
Recentemente, pelos arredores da Gamsiin, na surdina, começou a lucrar com suas habilidades entre seus contatos rebeldes — em troca de informações, Shen Qinyun alterar memórias & emoções de rebeldes (e similares). Também começou a vender suas joalherias impregnadas de emoções a eles para “situações de emergência”. Assim, quando forem interrogados ou sofrerem com espiões, não terão as memórias corretas para passar. É sua maneira de atuar como informante ao mesmo tempo que passar para a linha da frente.
biografia.
“Nuvens brancas flutuando num céu claro, lua brilhante no frescor de outono” — esse é o nome de Shen Qinyun, simbolizando alguém com caráter nobre e uma mente brilhante. Assim como a pacífica vida em que fora “concebido”. Mas, para contar sobre o filho, é necessário contar sobre os pais: “Opostos se atraem”, o antiquado ditado que sumariza perfeitamente o relacionamento de Zhao Yan e Shen Xie — ambos mutantes com diferentes históricos familiares e personalidades contrastantes. Um crescera num ambiente amoroso, outro fora abandonado. Um era um playboy de carteirinha, o outro um respeitável mocinho. Fora entre catástrofes e momentos vergonhosos que eles encontraram o amor um no outro. Com uma devoção inquebrável e amor imensurável um pelo outro, o casal adotou o primeiro filho no quinto ano de relacionamento, mesma época em que mudaram-se para uma fazenda num povoado no distrito de Pingwu em busca duma vida tranquila, longe dos problemas da cidade. Como a história de Zhao-ba (papai Zhao) conta, quando colocaram os olhos no menininho, o homem sentiu as contrações em seu estômago que indicavam que Shen Qinyun era seu filho! (e não um sintoma de seu problema gástrico). A criação de Shen Qinyun pode ser resumida num único provérbio: 老牛舐犊 (um velho boi lambendo seu bezerro). Cresceu extremamente mimado por ambos, com direito à histórias de dormir sobre os dois anos que Zhao-baba perseguira seu Shen-ba. As péssimas táticas de sedução, os micos que fizera o outro passar e os momentos de donzela indefesa dos quais o salvara (“exageros”, Shen-ba comentaria com um sorriso desconsertado). Assim como inúmeras brincadeiras na floresta que cercava a enorme fazenda, dormir exprimido entre os dois em vez da cama (cara, como Zhao-ba o lembrava) que possuía em seu quarto. Além, é claro, dos shows de sombras cortesia de seu Shen-ba e a habilidade de umbracinese — enquanto seu Zhao-ba, com fitocinese, era responsável pelo pega-pega com raízes de flores. Pescar camarões e cobrinhas kuhli no rio, colher cogumelos e frutos na floresta, alimentar os bezerros: essas eram algumas das inúmeras tarefas que constituíam sua rotina. Essa é a imagem da infância de Shen Qinyun. O amor dos pais sendo a base de sua personalidade, o apoio inconmensurável o formador de caráter. Frente uma sociedade movida por “integridade” e anti-mutante, sua criação fora essencial para manter-se são e de coração nobre.
O diagnóstico de autismo aconteceu aos seis anos, apenas dois anos após sua adoção. Quando ainda estava no orfanato, os pais haviam sido avisados que o “garoto era problemático” — parecia chorar por absolutamente tudo e por nada; tinha colapsos nervosos onde batia na própria testa; repetia as frases que lhe eram ditas inúmeras vezes. Nada disso impedira que fosse adotado, pelo contrário, uma vez no cuidado dos pais, Shen e Zhao deram o melhor para entendê-lo. Ajudaram-no a substituir as pancadas na cabeça por apertar brinquedos de borracha, procuravam diminuir barulhos, exposição à luz ou se livrar de qualquer objeto que o estivesse incomodando quando chorava, e não o repreendiam pelas repetições. Em vez disso, começaram a perceber que era apenas uma maneira de se comunicar. Quando o diagnóstico veio, ficaram aliviados uma vez que, assim, poderiam atender às suas necessidades com maior precisão, compensando o conhecimento limitado sobre a neurodivergência com amor e dedicação. Morar longe da cidade era vantajoso em diferentes formas. Ar límpido, nenhuma poluição do ar, sonora ou visual, menor população. Era um ambiente ideal para criar uma criança — ainda que, Shen Qinyun não detivesse grande sensibilidade com barulhos altos, sendo o contrário. Também ajudava com a asma do menino, embora, em certas épocas pudesse ser estressante devido ao pólen e frio.
A manifestação de sua mutação fora um processo. No princípio, não importava onde tocasse, Shen Qinyun parecia sentir um zilhão de sentimentos e processar um milhão de imagens — na realidade, não era bem assim, mas na cabecinha do menino era como parecia e, como consequência, a sobrecarga sensorial acontecia e as meltdowns se tornaram frequentes. Pelos primeiros meses, era impossível distinguir que uma habilidade se manifestava ali. Foi numa manhã de chuva que Shen Qinyun brincava de esconde-esconde com os pais, escondendo-se na dispensa. Com espírito de brincadeira, os pais fingiram não encontrá-lo por um longo período de tempo até que, finalmente, Shen Qinyun ganhou o round! Exceto que, em vez de sair do esconderijo super-secreto (de onde saíam ocasionais risinhos) o menininho continuou lá. Os pais o deram um tempinho mas, quando demorou a sair, abriram a porta preocupados somente para encontrá-lo olhando para um canto na parede, a mãozinha sobre uma marca rosada. “Do quê vocês estavam brincando dentro do armário?” A confusão em ambos os pais foi visível e, por isso, continuou com o tom de inocência da idade. ”Quando eu toquei ali eu vi! Zhao-ba estava abraçando-” imediatamente vieram os protestos afobados de “nada!” enquanto o puxavam para longe do borrado de batom na parede de outrora. Dispensável relatar a vergonha sentida por ambos, especialmente Shen Xie cujas morais eram mais elevadas que as de Zhao Yan, que apenas caiu na gargalhada e orgulhosamente anunciou para os ventos que “aquele era seu filho”. De qualquer maneira, essa fora a faísca para os pais perceberem que o menino estaria manifestando habilidades. A segunda evidência aconteceu algumas semanas depois, quando o menino colocou a mãozinha sobre a mão de seu Zhao-ba e com apenas um biquinho e os olhos lacrimejados transmitiu toda a tristeza que sentia após assistir um episódio de seu desenho animado favorito, resultando em Shen Xie encontrando ambos chorando em frente a televisão; a terceira fora na noite do mesmo dia, quando passara para seu Shen-ba a imagem perfeita de sua imaginação de como acontecera um pedaço da história da hora de nanar em que a princesa jogava os cabelos para o príncipe. Era incontestável: Shen Qinyun era um mutante! Os pais, que não poderiam ser mais orgulhosos de seu pequeno, pareciam encher-se ainda mais de amor, se é que era possível. A comemoração em honra a manifestação das habilidades ocorreu após os pais propriamente o registrarem como mutante, chamando todos os amigos e os vizinhos que quisessem dar as caras. Ambos sendo mutantes, fora incontestável a permanência dele em casa até a idade em que deveria começar seu treinamento no centro mais próximo. Entretanto, no começo, Shen Qinyun odiava a própria habilidade sendo que essa, inúmeras vezes, causava sobrecarga sensorial o levando à exaustão. Fora necessário incentivo e auxílio dos pais para ajudá-lo a lidar com as emoções e memórias que invadiam seu ser devido à habilidade. Precisou aprender ainda pequeno algumas técnicas para controlar a imersão e sensação das memórias e emoções que sentia em outros e em objetos inanimados — na infância, eram como propagandas intrusivas que abrem em infinitas abas num navegador. Shen Qinyun aprendeu aos poucos a somente acessá-las quando quisesse, embora ainda não fosse perfeito o controle. Mas, aos poucos, começou a acostumar-se, ajudando a diminuir os efeitos. Seu maior auxílio veio em forma de artesanato: colares que passam determinadas emoções, pulseirinhas que guardam memórias específicas. A ideia veio de Shen Xie ao perceber que o menino era capaz de, além de sentir as emoções e memórias, também podia deixá-las. Os artesanatos eram somente utilizados pelo próprio Shen Qinyun e, por vezes, pelos pais. Foi assim que o menino acabou se apaixonando pela própria habilidade, percebendo as coisas encantadoras que poderia fazer com elas.
(tw: alusão a capacitismo) Frequentara uma escola local durante os primeiros anos de escola mas, depois, a mudança para uma maior na cidade mais próxima aconteceu. Independente do afeto e compreensão dos pais, ou o fato que nunca se importou com o que pensassem dele, crescendo precisou aprender a reprimir ambos seus traços mutantes e autistas. Eram os comentários nos corredores, as caçoações quando “agia estranho” e os olhares de horror quando tocavam-no e, sem querer, invadia as memórias alheias. Mesmo sendo um ‘estudante modelo’ (ou xuebá no idioma materno), as idas para a diretoria tornaram-se frequentes por conta de seus maneirismos uma vez que, em seu amado país natal, as aparências eram tudo e ninguém queria um amigo ou um aluno “problemático”. Então, aos seus quatorze anos de idade, resolveu dar-lhes um bom motivo. Se recebia um soco, devolvia dois; não media as palavras em retorno aos comentários; fazia questão em ser tão irritante quanto seus ‘amiguinhos’. Os pais desaprovavam das atitudes mas nunca hesitavam em defendê-lo ao brigarem com professores e pais de outros alunos quando ousavam insinuar que Shen Qinyun estava errado! Mas ainda o repreendiam quando chegavam em casa (ou melhor, Shen Xie, pois Zhao Yan o levaria, escondido, para tomar sorvete). Contudo, também o ensinaram uma lição valiosa — o mundo não fora feito para ele; o que significava que precisaria destruir tudo. Foi assim que aprendeu a escolher suas batalhas, a ignorar os olhares tortos e, principalmente, a ser ele mesmo. Ainda era deveras maroto e, por vezes, trocava alguns soquinhos fora das dependências escolares (havia algo de divertido para o bom menino, a adrenalina um tanto quanto viciante), mas esses foram anos importantes para seus desenvolvimentos futuros. Ambos os pais eram honestos com o menino, o contanto sobre o modo como haviam sido tratados por suas famílias e dentro do centro de treinamento. Shen Qinyun sabia, na pele, que as pessoas não eram gentis, não com pessoas como eles. Então, quando a hora finalmente chegou e precisou deixar o ninho para frequentar o treinamento, a adaptação fora melhor que o esperado — mas incitou a insurgência adormecida. Os primeiros meses no ambiente haviam o mostrado o suficiente para que decidisse que não podia simplesmente aceitar que mutantes não fossem tratados como iguais. E quando fora permitido visitar os pais e, sem querer, ouviu uma conversa privada entre eles e um grupo de amigos, não hesitou em interromper e falar, decididamente que queria participar. Zhao Yan e Shen Xie possuíam um segredo, um que haviam jurado nunca contar ao filho por pavor de implicá-lo em alguma coisa caso, um dia, fossem pegos: eram parte dum grupo rebelde. Haviam se juntado muito antes do nascimento do pequeno, quando estavam no ápice de suas juventudes, cheios de desejo por mudança — um desejo que, quando tornaram-se pais, se multiplicou. Afinal, queriam que seu amado crescesse num mundo melhor, sem precisar experienciar o quê haviam experienciado. Mas ali estava, em meio a sala, seu único filho cheio duma confiança que nunca haviam visto, demandando e teimando em juntar-se àquela luta. Não importava o quão firme dissessem que não, ele continuava com seus argumentos. Era, de certo modo, cruel não o deixarem participar quando haviam o criado exatamente daquela forma, para enfrentar tudo e todos que ousassem questionar seu espaço, sua existência; como convencê-lo de que era muito jovem ou explicar que não podiam deixá-lo correr tamanho perigo, quando, por outras razões tão injustas quanto, tivera de ouvir palavras maldosas e sofrer violências verbais e físicas ainda tão novo? No fim, não sobrou outra opção a não ser permitir que Shen Qinyun se juntasse à organização. Mas não muitos meses depois, o menino era enviado a outro país para continuar seu treinamento devido a superlotação e, outra vez, as coisas mudavam.
Haviam se preparado, de certo modo, para aquela possibilidade, tendo Shen Qinyun aprendido alguns idiomas diferentes enquanto crescia por precaução, incluindo o coreano. Mas, na prática, o estresse de estar inserido numa nova cultura, novas regras, etiquetas sociais e um ambiente completamente diferente do que estava acostumado não foram tão controláveis quanto imaginavam, especialmente para Shen Qinyun que, desde que nascera, não reagia bem à mudanças involuntárias. Além disso, sentia-se frustrado em estar longe dos pais sabendo seu segredo e, também, por estar tão distante do grupo ao qual agora pertencia o tornando, em sua visão, inviável sua participação mesmo que garantissem o contrário (para os pais, contudo, era aliviante saber que não se meteria em problemas). Os primeiros seis meses foram repletos de meltdowns devido ao psicológico afetado, além de crises de asma por conta dos treinos intensos. Os pais acabaram por mudar para a Coreia do Sul em seu primeiro ano — não havia muito que pudessem fazer, mas era reconfortante tê-los por perto, uma lembrança de que ele não estava sozinho em nenhuma hipótese. Quando começou a se adaptar, insistiu que voltasse para a China, sabendo que não estavam melhor que ele em questão de adaptação (Shen Xie pegara o idioma fácil, mas Zhao Yan era terrível). Mas ainda o visitam sempre que possível e, é claro, se comunicam diariamente. Em relação ao grupo rebelde, mantém contato frequente com seu responsável dentro da organização que não somente o mantém atualizado das atividades como o deixou com a tarefa de recrutar e estabelecer comunicações com grupos de sua nova moradia. Assim, frequenta a pandemonium e seus arredores, também participando das lutas de mutantes, sob a pretensa de adquirir contatos; afinal, qual lugar melhor para atividades que ocorrem na surdina? Ou, talvez, seja apenas uma desculpa para seu recém descoberto gosto por adrenalina.
Em personalidade, Shen Qinyun é considerado o “irmão mais velho”, uma cebolinha com diversas camadas. O garoto que está sempre com um sorriso que esbanja ambos quentura e uma pitada de alvidez, dono duma educação admirável — até o tirarem do sério e fina casca de ‘bom menino’ se quebrar, deixando o cinismo e a insurgência tomarem conta. Nem sempre a situação escalará em socos, especialmente se está lidando com figuras de autoridade (não por medo, mas pelos riscos não compensarem considerando sua associação). Não é muito paciente com aquilo que não o agrada e não teme confrontos, o que significa que não é estranho às punições da instituição, sendo comum vê-lo com um rodo em mãos. ou, por vezes, não vê-lo por estar em reclusão. É importante para ele agir de acordo com o quê acredita, além de odiar receber ordens. Por outro lado, também é alguém que sente muito intensamente e nunca negará ajuda a ninguém. Não teme demonstrar vulnerabilidade, demonstrando suas emoções sem hesitação, e pedindo ajuda quando precisa. Por mais que tente pensar antes de agir, por vezes suas emoções guiam suas ações, o levando a agir por impulso; mas, no geral, suas habilidades para resolver problemas são notáveis. Geralmente usa sua lábia ou artimanhas para livrar-se (ou outros) de problemas. Mas não está acima de usar manha para conseguir o quê quer, é realmente bom na arte de fazer biquinho. Algumas regras e etiquetas sociais são desnecessariamente complicadas para ele e, por vezes, tem dificuldade em entender situações sociais ou os sentimentos/comportamentos de outros, mas não tem vergonha de perguntar para explicarem uma piada ou conversar sobre sentimentos. Em outras palavras, é alguém deveras confiante — mas não significa que não possui medos e inseguranças, ele tem; e quando não está sentindo-se bem, geralmente é aos pais a quem recorre por conselhos ou conforto. Ecolalia, direta e atrasada, é parte de sua comunicação o ajudando a se expressar e pensar; não é, então, incomum vê-lo repetindo o que acabaram de lhe dizer, usando frases de mídias em determinadas situações ou uma pergunta como resposta de outra. Quando está muito sobrecarregado sensorialmente, é mais comum acabar numa shutdown que numa meltdown, sendo que toma diferentes precauções para que a última não ocorra — e, quando ocorre, costuma se isolar no minuto que sente que irá acontecer. O mais frequente é ter burnouts, seja pelos treinamentos/etc ou devido as habilidades alterando o próprio humor várias vezes ao dia, o causando demasiado detrimento mental. Por conta disso e de sua asma, constantemente pede dispensa (ou simplesmente sai) de treinamentos mais cedo ou, por vezes, falta. Não se importa de ter um comportamento ruim, priorizando o próprio bem-estar mental e físico. Como uma gentileza consigo mesmo, se esforça para não reprimir suas esteriotipias quando não sutis.

















