turn the lights down low
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O recuo repentino a assustou, quase tanto quanto a permissão que lhe fora concedida. Ela mordiscou o lábio inferior, o olhar ainda preso ao dele ao afastar a mão lentamente, repousando-a sobre o próprio colo. Talvez houvesse ido longe demais. ❝—— Eu me importo. E sempre preferi canções ao iniciar do dia. —— ❞ Direcionou-lhe um sorriso doce, buscando aliviar um pouco daquela tensão. Algo que ela não via em seu semblante, mas tinha certeza de que estava no mais íntimo de seu coração. ❝—— Você é mais do que um espelho. Eu sempre soube. —— ❞ Sussurrou, seus lábios repuxando-se com satisfação. A fala alheia porém, a fez engolir em seco. ❝—— O que aconteceu comigo? O-O meu acidente. —— ❞ Sua voz falhou, o olhar desprendendo-se do dele. O assunto era evitado pela White de todas as formas. Ela não sabia lidar com a dor que lhe invadia ao ser assombrada pelas memórias. A desesperança que tomava-lhe o ser. Ela passou uma mecha para atrás da orelha, seu incomodo sendo visível. ❝—— Como teve certeza de que não era? —— ❞ Indagou com curiosidade, seu cenho minimamente franzido. ❝—— Não se preocupe. Podemos descobrir mais sobre isso. Juntos. —— ❞ A convicção se fez presente em seu tom, o brilho voltando a tomar seu olhar ao transmitir-lhe segurança. Liesl estava certa de que seriam capazes de compreender aquilo caso trabalhassem em conjunto. ❝—— Você… —— ❞ Sua fala cessou. Não precisaria de palavras para aquilo. Não as suas. ❝—— Só precisa me dizer o que sente. —— ❞ Sussurrou, retirando a mão dele de seu joelho delicadamente, trazendo-a para o encontro da sua ao mesmo tempo em que aproximava seu corpo do dele. Ela esticou os dedos, unindo suas palmas com o olhar atento a forma como seus dígitos atritavam levemente, descobrindo-se.
O costume da mais nova não passava despercebido para Goldyn, tanto pela convivência quanto pelas previsões sempre que acordava. A canção a ser cantada, a trajetória, quem se incomodaria, e o resto de dia de outras pessoas avolumando-se sobre o inicial que estava mais interessado. Goldyn deu um flash de sorriso, tão rápido que poderia nem ser processado pela mente humana. --- Eu sou? Sou mais do que um espelho? --- Desde que desprendeu do corpo do pai, no tempo das forjas e do abuso violento, desde aquele momento que derreteu no chão e surgiu na forma humana e metálica, Goldyn fez de objetivo se tornar como pai. Ter o mesmo conhecimento, ter a mesma maestria no controle das habilidade, ser a cópia exata antes de ser bem mais. O que não esperava, o que nem tinha percebido, era o tamanho do sacrifício. A mandíbula ficou tensa com o pensamento, a realidade exposta por Dohmnall ainda dolorida -- se era que diminuiria com o tempo -- pinicando sua confiança no andar e minando as respostas mais audaciosas para seus muitos perturbadores. --- Não vou falar sobre ele, se não quiser. Não estou em posição nem no meu humor sádico para perturbar você com isso. --- E tinha aquela parte, de vencer a indiferença e ir atrás de cada um responsável pelo acidente, desde um papel ativo até o que tinha só ouvido falar. --- Eu ainda não sei, mas não consigo considerar como imaginação. Não ter explicação não significa que não seja... real. --- Ganhar um apoio nunca foi tão marcante, mesmo que não superasse a união do time da Ostium quando derrotar os outros era mais importante que as picuinhas internas. Essas eram bem mais fáceis de compreender, bem mais pessoas envolvidas para explicar com seus pensamentos. Goldyn se ajeitou na cama, o deitado não sendo tão confortável assim, mas mantendo a posição de repouso. --- Eu sinto... --- Voltou os olhos para dentro e sentiu falta da exatidão que tinha ao analisar os outros. --- Como você explicaria o que sente? Por onde começa?













