brad,
Já? – surpreendeu-se quando percebeu a garrafa de cerveja vazia em sua mão enquanto a dele estava apenas no início. Não sabia ao certo se estavam conversando faz tempo ou se Lilith conseguia beber rápido naturalmente, o que poderia explicar como ela chegou bêbada não tão tarde em seu apartamento no outro dia. – Tem mais na geladeira, se quiser. – Por pouco, não cortou seu dedo com a faca afiada, mas ver a sua vizinha de uma maneira tão doméstica em seu apartamento, com sua camiseta e sentada em seu balcão. Ela era atraente e Bradley tinha plena noção disso. Não apenas tinha noção como se pegou encarando por alguns segundos, voltando, então, frustrado para seu legume. Ter uma garota, ou melhor, qualquer pessoa em seu apartamento para uma atividade não sexual era algo que ainda estranhava. – Está tudo bem, dou meu jeito. – Decidiu não especificar, já que seu jeito era garotas e música alta para atrapalhar seus pensamento. Apesar de suspeitar que Lili soubesse, não sentiu necessidade e nem o desejo de abordar o assunto. Jogou os legumes para o lado e esfregou as mãos juntas. – Música alta pode ajudar a estudar, deveria ter aproveitado. Boston é tão ruim assim para você decidir vir para o Canadá? – Por alguns instantes, o garoto fantasiou como seria ter seu futuro planejado. Nascer, viver e morrer em uma cidade com a sua família e amigos, nenhum evento inesperado para se preparar. Há alguns anos se sugerissem isso para Bradley, teria dor de cabeça só de pensar em viver assim, mas, agora, a ideia parecia mais do que agradável. Pensou na possibilidade de criar seus filhos assim, mas não é como se ele fosse viver para ter algum. – Deu tudo certo? No teste, digo. – Normalmente, não se preocuparia com problemas assim. Mas tudo agora parecia tão real. – Abaixaria a música se soubesse o que você estava fazendo.
Cuidado! – a garota o alertou assim que a distância entre a faca e os dedos deles havia se tornado perigosa, a vontade que ela tinha de tirar a faca da mão dele e assumir o controle da cozinha a levou a inspecionar rigorosamente tudo que ele fazia. Talvez ela também achasse interessante a habilidade que ele tinha com as mãos, mas isso seria história para outro dia. A vontade da ruiva era de confortá-lo, mas por experiência própria e também pela convivência com ele, concluiu que aquela não era a opção mais inteligente. Permanecer no assunto também não era a coisa mais esperta a se fazer e ela tinha quase certeza que o irritaria em algum momento, mas ela queria o conhecer de verdade, que mal tinha naquilo? – Você não tem irmãos? Meu professor de psiquiatria uma vez explicou como o luto funciona e como ter alguém do seu lado ajuda, deve ser verdade. – deu levemente de ombros ao final de sua explicação, não demorou muito para ela descer do balcão inquieta e começar a procurar pelos armários até encontrar outra panela para o molho. – Ah, a cidade era ok, a família que era problemática. Minha mãe desenvolveu transtorno dissociativo depois que minha irmã faleceu. – A calma que ela transmitiu em suas palavras tinha um contraste gritante com os sentimentos que a mantinham acordada na maioria das noites. Com a panela sobre o fogão, Lili pegou alguns dos ingredientes essenciais para o molho que ele havia picado e colocou na panela, pegando uma colher de uma das gavetas para mexer. – Agora você diz isso, mas quando eu tentei explicar você parecia tão empenhado em me irritar que nem deve ter me ouvido direito. – a ruiva negou com a cabeça em falsa desaprovação, era amável como nós últimos minutos ele pareceu se preocupar. – Eu desisti, aliás, não conseguiria passar de qualquer maneira. E seu teste de cálculo? Se você tirou nota baixa a culpa é inteiramente sua, porque eu sou uma ótima professora. Pode me passar o sal? – estendeu a mão para ele, sorrindo.















