lilith,
Você não é lá muito cortês. – Lili deu levemente de ombros, em algum momento daquela breve relação vizinho/vizinha ela seria a primeira a bombardeá-lo com os piores adjetivos que conseguira pensar, mas ali fora apenas a força do hábito falando mais alto. Deu um último gole em sua cerveja, usando sua garrafa vazia para forjar um brinde com a garrafa de Brad. –Cheers. – Se desencostou do balcão para levar a garrafa até o lixo e quando voltou, empurrou algumas coisas sutilmente para o lado e deu um pequeno impulso para poder se sentar sobre o balcão. O interesse pelo que ele falava não foi algo que ela tentou esconder, assentindo brevemente enquanto ele falava. – Deve ser difícil. Digo, se sentir homesick depois daquilo que você me contou mais cedo. – a garota encolheu os ombros, os cantos de seus lábios quase formando um sorriso desolado. Pensar em sua antiga casa era maçante, por isso ela evitava ao máximo tais pensamentos, mas ele havia soado pelo menos um pouco honesto? Talvez ela também devesse ser? Também não era como se ela tivesse um enorme segredo assombrando seu passado, tudo se baseava apenas uma lastimável família quebrada digna de estudo psiquiátrico. – Sou de Boston. Nasci, vivi e provavelmente morreria lá. Me mudei pela faculdade mesmo, escolhi a mais distante o possível de casa. Ah! E naquela noite, eu, uma pessoa preocupada com o futuro, estava estudando para passar na prova da droga da residência e conseguir ser alguém na vida, e você me atrapalhou. Shocker. – deu sua melhor expressão de choque e logo abriu um sorriso cínico na sua direção, sem ter a necessidade de olhar para cima como tinha que fazer na maioria das vezes que falava com ele, graças aos centímetros a mais que sentar sobre o balcão lhe proporcionou. – Sinto que lhe devia uma explicação por aquilo.
Já? -- surpreendeu-se quando percebeu a garrafa de cerveja vazia em sua mão enquanto a dele estava apenas no início. Não sabia ao certo se estavam conversando faz tempo ou se Lilith conseguia beber rápido naturalmente, o que poderia explicar como ela chegou bêbada não tão tarde em seu apartamento no outro dia. -- Tem mais na geladeira, se quiser. -- Por pouco, não cortou seu dedo com a faca afiada, mas ver a sua vizinha de uma maneira tão doméstica em seu apartamento, com sua camiseta e sentada em seu balcão. Ela era atraente e Bradley tinha plena noção disso. Não apenas tinha noção como se pegou encarando por alguns segundos, voltando, então, frustrado para seu legume. Ter uma garota, ou melhor, qualquer pessoa em seu apartamento para uma atividade não sexual era algo que ainda estranhava. -- Está tudo bem, dou meu jeito. -- Decidiu não especificar, já que seu jeito era garotas e música alta para atrapalhar seus pensamento. Apesar de suspeitar que Lili soubesse, não sentiu necessidade e nem o desejo de abordar o assunto. Jogou os legumes para o lado e esfregou as mãos juntas. -- Música alta pode ajudar a estudar, deveria ter aproveitado. Boston é tão ruim assim para você decidir vir para o Canadá? -- Por alguns instantes, o garoto fantasiou como seria ter seu futuro planejado. Nascer, viver e morrer em uma cidade com a sua família e amigos, nenhum evento inesperado para se preparar. Há alguns anos se sugerissem isso para Bradley, teria dor de cabeça só de pensar em viver assim, mas, agora, a ideia parecia mais do que agradável. Pensou na possibilidade de criar seus filhos assim, mas não é como se ele fosse viver para ter algum. -- Deu tudo certo? No teste, digo. -- Normalmente, não se preocuparia com problemas assim. Mas tudo agora parecia tão real. -- Abaixaria a música se soubesse o que você estava fazendo.











