Seu plano inicial fora concluído, queria se enturmar e, de fato, conseguira. Agora, estava rodeado de curiosos e de más companhias e, talvez, com todo esse incentivo ele conseguiria ficar bêbado e sentir algo diferente, não tinha nada a perder. ‘‘Bem, vocês ainda parecem bregas, com todo o respeito.’’ Disse, com uma entonação que beirava a brincadeira, embora estivesse falando a verdade. ‘’O que te lembra…? Ah, depois você me conta, prometo estar sóbrio para ouvi-la.’’ Ouviu em algum lugar que fazer perguntas pessoais ajudava no desenrolar de uma conversa e na criação de relação com as pessoas, por isso questionava qualquer informação que captava quando estava tentando parecer normal. Abriu um sorriso tímido ao ouvir o elogio e levantou seu copo vazio para ela, na forma de cumprimentá-la, a aposta lhe deu uma ideia boa, na verdade iria render um bom dinheiro. Esqueci da regra principal, você tomará as mesmas coisas que eu e a prova que determinará quem está mais bêbado será avaliada por essa admirável, porém brega, mulher.- Disse, rindo, em tom sarcástico, se direcionando ao desafiado e à garota, respectivamente. Ela não estava brega, na verdade, foi a pessoa mais bonita que viu na festa, elogios não era seu forte, por isso inibia-os com um insulto.- Obrigado pela confiança, vamos ficar ricos! - Brincou, devolvendo a piscadela de uma forma bem torta e tosca, nítido que era principiante nisso. A ideia de agregar o desafiado ao desafio gerou mais apostas, porém os grandes números do outro lado da mesa não abalavam seu psicológico, afinal, alguma coisa já abalou? ‘’Vamos começar, então.’’ Disse, arrumando sua postura na cadeira e levando o primeiro copo à boca.
Quando o desconhecido a chamou de brega pela primeira vez, Gouden procurou agarrar-se na sutil entonação divertida que viera agregada à frase, mesmo assim não conseguindo evitar o surgimento de um sorriso sem graça. O ‘com todo o respeito’ ao fim era uma clara indicação de brincadeira, não era? Tinha de ser. Afinal, ela não estava... brega. Cruzes! Claro que algumas pessoas haviam exagerado na homenagem às cores da bandeira, tendo inclusive visto um rapaz trajar camiseta e bermuda de estampas diferentes --- um cruel assassinato à primeira lei da moda ---, mas não ela. Seu short vermelho era liso e composto e, embora a parte de cima do biquini fosse azul e tomara que caia, a blusa aberta que a cobria, mesmo ligeiramente transparente, tirava completamente a vulgaridade da peça. Estava pronta para relevar e esquecer a piadinha infeliz, prestando devida atenção às novas regras da aposta, quando o insulto disfarçado de elogio a atingiu mais uma vez. “Excuse me?!” Van Borssele quase podia sentir a pálpebra esquerda tremer num tique nervoso cheio de ultraje. “Querido, mais respeito, por favor. Eu não sou brega. Na verdade, posso ser muitas coisas, mas brega definitivamente não está na lista.” À essa altura, já havia descido da mesa e agora postava-se de pé, frente ao garoto, os braços cruzados numa demonstração de irritação enquanto o olhava de cima. “O critério de avaliação para quem está mais bêbado vai ser uma corrida de esquina a esquina na rua em frente à Irmandade. Quem chegar primeiro, vence. Easy peasy, não é mesmo?” Direcionou um sorrisinho à roda que havia se formado em torno deles. E ali estava sua vingança, sagaz e discreta. Gregory era um dos membros do time de corrida da UCLA, não perderia o desafio tão fácil. Gostaria de ver como o ‘bonitinho’ iria se sair. “Ah... e eu já sou rica, honey.” Sussurrou no ouvido do rapaz, o tronco inclinado em aproximação, segundos antes de se afastar por completo.



















