Jean Baptiste Grantaire possui 17 anos e está no 7º ano da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Seu status sanguíneo é nascido-trouxa, e pertence à casa Sonserina. No momento encontra-se indisponível e seu face claim é Trevor Jackson.
✧ Extracurriculares: Aritmancia, Estudos Antigos, Grêmio Estudantil, Jornal de Hogwarts e artilheiro no time de quadribol da Sonserina ✧
✧ Varinha: É feita de acácia (madeira subestimada por seu temperamento peculiar, mas que quando colocada com o bruxo certo, a varinha de acácia pode alcançar qualquer poder), escama de serpente marinha, tem 27.9 centímetros e é inflexível. ✧
✧ Espelho de Ojesed: Jean Grantaire é um jovem ambicioso, de muitas aspirações. Poderia ser ele sentado sobre uma pilha de ouro. Jogando como titular em um time foderoso de Quadribol e pela seleção francesa. Vivendo a vida dos clipes dos rappers que ele toma como inspiração. Sendo o motherfucking Ministro da Magia da França. Uma infinidade de desejos e sonhos que não cabem dentro de si. Mas a imagem refletida pelo espelho de ojesed é pura, é a única coisa que impede que Jean Baptiste acredite que ele é um verdadeiro monstro por ser o que é, retrata uma noite de Natal (feriado preferido de Grantaire), uma ceia farta, com tudo o que sua família merece, do bom e do melhor. E no cantinho da imagem, um enorme pinheiro de Natal, debaixo dele, é possível ver várias pilhas de objetos embrulhados em papel de presentes. Todos estão sorrindo. Estão felizes. Estão satisfeitos. ✧
✧ Bicho-papão: É a única pessoa que entende o medo por detrás do seu bicho papão. Como ninguém sabe, Jean Baptiste Grantaire é um gênio do mal enganador de primeira categoria. Mas quando deita a cabecinha no travesseiro, sua consciência pesa. Pesa porque está mentindo e manipulando aquele bando de desajustados que se tornou sua melhor família em Beauxbatons. Seu bicho-papão é Bonnacord, Dubois, Flamel, Leblanc, Montague, Penthièvre, Solomon… todos eles virando as costas para ele. E marcando cada sílaba da frase: você nunca será um de nós. ✧
✧ Animal de Estimação: Um falcão peregrino, de penagem escura e peito branco, com mais ou menos um metro. Foi resgatado por Jean em algum ponto da vida. Seu nome é Stephen Hawking… um trocadilho horrível. ✧
Dos cinco filhos (três meninos e duas meninas) de Emmeline e Aloysius, Jean Baptiste —— um nome composto retirado da Bíblia em homenagem ao pregador judeu nascido em Aim Karim no ano 2 a.C. —— está bem ali no meio. Nem tão mais velho e nem tão mais novo, conquistando o lugar de terceiro filho naquele pódio carinhosamente chamado de vida. A família Grantaire, por parte de pai, migrou da África do Norte pra França um pouquinho antes da eclosão da histórica Revolução Francesa. Há quem diga que seus antepassados viram a Bastilha cair de pertinho. Nunca tiveram nada. Chegaram em Paris em um timing lazarento. Guerra pra cá, miséria e vulnerabilidades pra lá. Coitados. Pobres, ferrados, sem perspectiva de ascensão social… foram parar em Bondy junto com outras famílias de baixa renda. Um lugarzinho barra pesada. 11 quilômetros do centro de Paris. Aquele subúrbio bem subalterno, bem ao norte da capital francesa, o que nunca vai aparecer nos cartões postais. Uma favela onde os governantes não pisam com seus sapatos sociais italianos carérrimos e fingem que não existe fora de período eleitoral. É rolê demais, Jean diria. Jean Baptiste Grantaire também não pisaria ali se a vida tivesse dado a ele o benefício da escolha. Turistas não visitam a quebrada, ninguém que ficar em um hotel sem estrelas. Ou se arriscar com uma bala perdida, quem sabe. Apesar dos pontos negativos (que não acabam nunca), Bondy é palco da história de amor mais bonita com a que Jean teve contato na vida: a história dos seus pais.
Claro que quando ele diz bonita, refere-se a forma como o amor dos dois sobreviveu a tudo. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença… até que a morte nos separe. Se conheceram através do irmão mais velho e de Emmeline, Leroy Martinez. Eram adolescentes, não sabiam merda nenhuma da vida quando Emmeline descobriu, com os olhos marejados, o positivo num teste barato de farmácia que Aloysius Grantaire comprou com umas moedas que tinha no bolso remendado da calça que ia passando de irmão pra irmão. Enfim. Mama Grantaire (como a mãe de Aloysius é conhecida por todos em Bonty) fez questão que o filho assumisse suas responsabilidades como pai e cedeu um cantinho na sua casa para que os pombinhos inconsequentes criassem a criança. Hoje esse gesto de coração deve ser um puta arrependimento, porque como se pode ver, Emmeline e Loy (apelido dado pelos filhos pequenos que achavam o nome Aloysius complexo pra caramba) Grantaire não pararam de procriar. E teriam bem mais que cinco, se não fosse pela fatalidade.
Jean Baptiste recebeu o nome bíblico por causa de uma promessa. Depois de um último mês de gestação complicado que colocava a vida de Emelline Grantaire e a do menino em risco, Jean Baptiste Grantaire nasceu milagrosamente na madrugada do dia dos namorados, 14 de fevereiro. Um bom menino, esse Jean Baptiste. Muito prestativo e zeloso. Protetor até falar que chega com os irmãos. Cresceu cedo demais. Tinha que cuidar dos caçulas enquanto os adultos saiam pra trabalhar e dividir tarefas de casa com os irmãos. O amadurecimento precoce veio aos 10 anos, quando ouviu os tiros que mataram Aloysius —— um grande homem ele, Grantaire lembra muito o pai em tantos aspectos que quando Emmeline olha pra ele seus olhos enchem d'Água, pobrezinha —— na porta de casa. Jean Baptiste contou doze disparos, até hoje não sabe porquê. Só sabe que toda vez que se lembra do dia, o ódio o consome, não pra menos né. Porra, era seu pai. Um homem íntegro, direito, não fazia nada de errado. Muito trabalhador. De casa pro trabalho e do trabalho pra casa. Exceto quando agitava a favela com suas rimas cheias de sapiência e resistência (ou reexistência) todas as sextas feiras, debaixo do viaduto local. Com os três filhos mais velhos na sua cola. Grantaire com certeza seria seu sucessor. Assim como ele, tinha o dom das palavras. E olha que era bem novinho, mas já improvisava com a fala embolada uns raps maneiros, bobinhos, mas maneiros. A vida mudou bastante. Um salário a menos, gastos com um funeral digno que o grande Loy merecia, depressão atrás de de depressão. Conta atrás de conta. Refeição pulada atrás de refeição pulada, aquela fita de dormir só pra tentar tapear a fome. Essa era a vida deles. Jean Baptiste não tem outra escolha como muitos meninos ali de seu bairro: larga a escola.
Ele faz seus corres, no bom sentido da expressão. Porque Grantaire é um menino direito, íntegro e tudo o que seu pai era. Engraxa os sapatos da classe trabalhadora e também de empresários no metrô, todos dão uma gorjeta generosa porque Grantaire conta muitas histórias, sobre tudo. É uma pessoa muito comunicativa quando quer ser, no mais, evita falar sobre si mesmo. Porque tem tanta coisa mais interessante no mundo que um menino órfão de pai, que passa dificuldades dia sim e dia sim também, que conta moedas no ônibus de volta pra casa pra fazer uma gracinha no jantar. Muitos dizem que ele não deveria estar ali, e sim na escola. Concordar ele até concordava né, mas coitada da sua mãe. Coitada da Mama Grantaire com vários problemas de saúde. Coitados dos irmãos que não podiam ter um tênis bacana ou aquela roupa da moda. Sobreviviam de genéricos. Teria continuado nesse trampo ou migrado para o mundo do tráfico —— que dava muito mais dinheiro, vamos combinar. Mas trazia a incerteza. Será que acordaria vivo no dia seguinte? Será que valia mesmo à pena? —— se não fosse pela carta de Beauxbatons. Seu bilhete da loteria. O ticket dourado de A Fantástica Fábrica de Chocolate, seu filme preferido. Não queria deixar a família pra trás, mas pessoas como ele não podiam se dar o luxo de desperdiçar oportunidades. Entrou na carruagem puxada por cavalos alados. Ficou muito maravilhado com aquelas coisas loucas que só via em filmes de fantasia e ficção. Quando voltou pra casa no Natal do primeiro ano, Mama Grantaire fez sua mágica, apesar de trouxa, aquela mulher exalava magia.
Explicando o porquê: Mama Grantaire é aquela figura de respeito, todo mundo treme nas bases quando ela fecha a cara. Os netos, os vizinhos, aqueles que nem conhecem a peça. É uma mulher forte, corpulenta, que não perde uma treta sequer. Aquela velhinha (nem tão velha assim) porreta cheia de conselhos úteis pra vida. Ela é tão foda, que os netos todos fazem reverência e estendem a mão pedindo benção. Quando não fazem isso, pode ter certeza que o dia vai ser uma merda. Mama Grantaire não gosta de se exercitar, o único levantamento que faz é o do copinho de cachaça. Fica sentada o dia inteiro em uma poltrona, com as agulhas de tricô frenéticas nas mãos rechonchudas e pequenininhas e a bengala do lado. Sempre do lado. É autêntica demais da conta, veste sempre roupas étnicas, não nega suas raízes africanas. E quantas vezes ela já não acertou a mão de Jean Baptiste com aquela bengala desgraçada quando Jean tentava roubar o maior pedaço de frango? Respeitava ela demais. Xingava baixinho às vezes quando ficava puto com ela. Velha rabugenta. Mas respeitava pra caramba mesmo. Naquele Natal, colocou todos os netos em fila, aquela escadinha, do mais velho pro mais novo. Apoiou a bengala no chão. “Trabalhem. Trabalhem, meus filhos. Por causa da sua cor. Por causa do que você tem. Por causa da sua história. Devem se esforçar duas vezes mais para alcançar a metade do que todos outros já têm.”
Jean Baptiste tinha muita vergonha de falar de onde veio. Lá em Beauxbatons. Todos os seus amigos viviam no luxo. Era filho de Ministro, filho de pessoas que trabalhavam pro Ministério, filho dos manda-chuvas da alquimia. Todos eles tinham coisas legais, coisas caras que compravam a casa de Grantaire umas cinco vezes, viajavam nas férias, tinham histórias incríveis pra contar. Ele não. Meritocracia é uma falácia pra Grantaire. Ali ele via pessoas que já nasceram em berço de ouro, como Beau Penthièvre e Bernardo Flamel. E ele, que era dedicado e esforçado e não tinha bosta nenhuma. Não culpava os meninos, eles eram caras legais. Só não achava justo. Se é que Grantaire sabe o que é justiça. Muito esperto, arquiteto dos melhores planos, se beneficiou do seu círculo de amizade pra se dar bem na vida. Não era bobo, um alpinista social. Era por isso que tava na Persévérer, ninguém entendia. Deixava quieto, dava de ombros, quando perguntavam por que foi escolhido pr’aquela casa e não pra Juste ou Noble. Tanto faz. Não achava que fazia errado, se aproveitar do ambiente pra subir os degraus para o topo. Fucked my way to the top. Na sua cabeça engenhosa, atuava como um Robin Hood, que tirava dos ricos pra dar aos pobres. Com um discurso eloquente e responsável, cheio de sutilezas, ele engana direitinho, consegue as coisas com a fala macia e tudo mais. Tudo na base da enganação. Roupas de marca, refeições que nunca teria condições de bancar, viagens e tudo o que tinha direito. Não fica com tudo pra ele, é claro. É a pessoa menos egoísta que você vai conhecer na sua vida, contraditoriamente, compartilha com os irmãos e penhora alguns itens de luxo que ganha de presente, pra dar o dinheiro pra sua mãe.
Gentry Penthièvre e Lucca Flamel são, ao mesmo tempo seus benfeitores e pior pesadelo. Não achava errado o que fazia, até criar um vínculo fraternal com Beau e Bernardo e começar a se sentir culpado por usar os dois, e todos os outros, de certa forma. Sua moralidade era diferente. Mas aquilo era um beco sem saída, porque acontecesse o que acontecesse, não tava disposto a perder a amizade deles. E o “financiamento” vinha a calhar, admitia, estava ajudando muito em casa. Não podia quebrar o contrato, não podia contar pra eles. Só seguia a maré e torcia pelo melhor. A única ocasião sobre a qual não tinha controle do que acontecia. Porque Gentry Penthièvre e Lucca Flamel tinham. Com Beau e Bernardo expulsos, pensou que perderia a benfeitoria dos dois figurões do mundo bruxo. Achou que estava mais fodido que nunca, porque Beau e Bernardo eram sua garantia de que seria alguém na vida. De que um dia teria relevância no mundo. Fica surpreso quando os dois homens aparecem em Beauxbatons, passados quase dois meses do início das aulas. Com papéis da sua transferência pra Hogwarts. Preto no branco. Nem foi consultado, mas o comum acordo entre os benfeitores foi um alívio.
✧ Grantaire é uma pessoa perceptiva pra caramba. Observa tudo de uma perspectiva minuciosa. Isso que dá crescer em uma casa com muita gente, com irmãs que tentavam dobrar a Mama Grantaire (que na verdade era a avó, a mãe vai por Emmeline mesmo) a todo custo, uma velha muito esperta. Grantaire tem a quem puxar. Retomando, ele é muito ligado à linguagem corporal, entonações e SEMPRE, sempre, vai te olhar nos olhos quando estiver conversando com você. Se for um mentiroso meia boca como Pinóquio, nem tente engambelar o rapaz. Ele vai descobrir. Talvez porque ele, Jean Baptiste, seja O mentiroso. Não haveria outra maneira de conseguir enganar um grupo de Persévérers por tanto tempo. ✧
✧ Engenhoso, brilhante e precavido pra caramba. Jean Baptiste Grantaire sempre tem um plano A, B, C, D… que seja, o alfabeto inteiro! Ele só corre riscos se tiver certeza de que as coisas permanecerão sob controle e se algo der errado, ele já tem outro truque na manga pra reparar o vacilo. Há suas exceções, afinal, Jean não é a merda de um Deus. Está sujeito a falhas. Contanto que sua cabeça não seja a primeira a rolar. Há quem diga que ele não quebra regras, é certinho demais. Isso é mentira. Ele só lê essas regras muito bem e encontra brechas, antes de pensar em desobedecer. Foi abençoado por um pensamento lógico, rápido, arquitetado em várias etapas. O que faz com que suas notas sejam muito altas. ✧
✧ Jean Grantaire é estudioso. Estuda mais que os outros, com certeza. Ele precisa disso pra se destacar no meio de tanta gente privilegiada. Que já nasceu com a vida ganha. Precisa de um histórico impecável se ele quiser, um dia, frequentar uma universidade. Porque ele não vê seu acordo com Gentry Penthièvre e Lucca Flamel como algo permanente. Não se acomodou… ainda. Tenta dar seus pulos e se virar por conta própria também. Almeja conseguir uma bolsa integral que cubra seus gastos acadêmicos quando alcançar a época de ir pra faculdade. Não é um rato de biblioteca. Óbvio. É responsável, mas também sabe aproveitar a vida e apronta suas loucuras assim que a primeira gota de álcool escorre goela abaixo. Ele tem consciência. A vida não pode ser toda regrada e às vezes se deixa convencer pelas ideias insanas dos amigos por quem ele tem uma puta consideração. ✧
✧ É uma pessoa consciente. Esclarecido politicamente. Está acordado. Não tinha como ser diferente. Seu pai foi assassinado por policiais na porta de casa quando ele tinha 10 anos. Escutou os tiros de dentro de casa. Ficou impressionado com o corpo desfalecido do pai no pavimento, todo ensanguentado. Ele luta contra figuras de poder, luta contra opressões, critica o sistema. Do seu jeito, é claro. Busca conhecer os inimigos, descobrir suas fraquezas para que então possa agir. De novo a observação. Em memória ao pai, usa sempre (nunca tira mesmo) um crucifixo de madeira com cordão de couro. Ele deixou em casa no dia que foi morto e Grantaire acredita que, se tivesse usando a droga do colar, isso não teria acontecido. ✧
✧ Quem acha que Grantaire segue todas as regras tim-tim por tim-tim está muito enganado. Ele tem um pouco de rebeldia correndo em seus sitema. Tem vários grafites de sua autoria espalhados pelos muros franceses. Parte trouxa e parte bruxa. Todos eles têm cunho político-social. Sejam as frases ou os desenhos fodas que ele faz. Todos têm significado forte. Todos criados por um jovem negro e de periferia que está de saco cheio das injustiças cometidas pelos lobos. Assina sob o pseudônimo JOHANNES, com uma caligrafia floreada. É uma variável latina para seu nome Jean (que também poderia ser John, João, Juan, Yohannes e por aí vai), também se interessa muito pela linguagem e pelos significados das palavras. Ainda na arte, ele manda muito bem no freestyle, poesia livre, algo que o acompanha desde que Loy levava os filhos pras batalhas de rap semanais em Bondy. Às vezes, entre os amigos, desembola umas rimas sobre as coisas que eles vivenciam. Jean Baptiste é muito bom na escrita e tem um blog no mundo trouxa pra falar sobre questões sociais e políticas. Ninguém sabe que o blog é dele. ✧
✧ Tem um humor ácido. E consegue elaborar piadas inteligentes, às vezes de mau gosto, com uma rapidez invejável. ✧
✧ É uma pessoa bem ativa. Luta boxe e joga quadribol, mas sempre faz um rant de como basquete é o melhor esporte do mundo. ✧