Cap. 6 - Estratégia de Batalha
Eu, sinceramente, estava prevendo tudo. Reyna estava sendo mais boazinha do que de costume... Ela nunca ignorava o Áuguri, por mais tapado que ele fosse.
-Eu quero arrancar o estômago do Octavian e ver se ele gosta de ter suas tripas fora do corpo... - Uma frase qualquer saiu da minha boca e eu suspirei em seguida.
-Nossa... Que... Amor. - Olhei para o lado e, de relance, vi uma menina de cabelos pretos. A filha de Plutão, Diane.
-Ah... Mas eu queria mesmo... Fazer aquilo com os ursinhos. - Eu estava confusa, com sono e toda dolorida. Minha voz parecia dizer que estava dopada. - E você, você não foi dormir? - Olhei para ela, que sorriu.
-Na verdade fui. Mas acordei agora pouco. Fazem três horas desde que você me deixou lá. - O quê? Três horas? - Você não vai dormir? Ah, e sobre os... ursinhos...
-Ah. - Revirei os olhos e comecei a explicar. - Na Roma antiga eles cortavam os animais para ver os agouros. Agora usamos bichinhos de pelúcia. Aliás... Ele usa. O primeiro bichinho que ele degolou era o meu ursinho... - Bufei. - Aquele monte de palha ainda vai ter suas tripas esmagadas por mim. Infeliz. - Comecei a reclamar sozinha de novo.
-Ahn... - Ela sorriu meio incomodada.
-Ah, desculpe. Já vou indo para o meu chalé. Boa Noite. - Virei as costas e, antes que pudesse dar um passo, palavras saíram da minha boca, numa frase que não tinha a mínima significância. - As atividades daqui são mais duras do que na Grécia. Prepare-se para ter os músculos em chamas amanhã, filha de Plutão. - Virei o rosto e sorri, tentando fazer com que a frase não soasse como uma ameaça.
Até o sol nascer, eu dormi. Se sonhei, não me lembro. Aliás... Não queria me lembrar. Nunca gosto de ter sonhos, pois na maioria das vezes, meus sonhos são pesadelos, e esses pesadelos acabam sendo premonições. Meus sonhos são a visão dos maus agouros de Octavian...
"-Halina, tem um minuto? - Octavian me perguntou, estendendo um ursinho estripado em minha direção. - Adivinha.
"-Maus Agouros. - Adivinhei.
"-Sim. - Assim que eu peguei o urso de suas mãos finas, ele deixou que pendessem ao lado do corpo, que, mais do que de costume, estavam tensos e rígidos. - Dessa vez não é brincadeira. Os gregos vão incinerar Roma. - Octavian disse, quase que sussurrando, com medo que, talvez, suas palavras tomassem forma no exato momento. Seus olhos mostravam um amargor entre medo e hesitação. Pela primeira vez em muito tempo, eu vi a expressão da verdade.
"-O que faremos com os gregos...? - Perguntei para mim mesma, desviando o olhar. - Octavian...
"-Reyna está sendo descuidada.
"-Percebi isso e, pelo jeito, até os nossos pretores estão contra nós. - levei meu dedo à boca e mordi a unha. - Roma será deposta.
"-Tem alguma ideia? - Ele perguntou observando o enchimento do seu ursinho caindo no chão.
"-Por enquanto, se rebelar às ações de Reyna...
"-Seria uma completa imbecilidade.
"-Exato.
"-Então devemos esperar?
"-Supostamente."
Na noite passada, antes mesmo que eu pudesse deitar minha cabeça no travesseiro, Octavian apareceu com expressão rígida. Obviamente preocupado. Procurando por mim no meio da noite, só pode significar que realmente há algo de errado com essa decisão da pretoria.
Já passado o café da manhã, agora com os treinos matutinos com espadas - pra variar... - minha mente continua completamente focada no acontecimento da última madrugada. "Reyna está sendo descuidada.", "Os gregos irão incinerar Roma". Cada uma das palavras me dava calafrios. Eles não pareciam más pessoas... Não davam uma má impressão. E... Percy...
-Hey! - A loirinha tirou totalmente meu foco. - Ahn, onde tem gelo? Eu acho que... Ahn... O Leo torceu a perna. - Ela disse olhando para trás, onde Leo Valdez estava sentado no chão com a espada ao lado.
-Não temos medicamentos para esse tipo de ferimento. - respondi sem nem mesmo verificar. - é melhor que ele se recolha à um canto e permaneça quieto. - Gesticulei para Annabeth e tomei minha espada. - Você era o par dele? - Me coloquei em posição e esperei que ela pegasse a espada. Não me parecia que a arquiteta tinha muita habilidade com espadas longas...
-Vai continuar no lugar dele? - Ela perguntou recuando alguns passos. - Você não deveria supervisionar os seus homens? - Arqueou uma sobrancelha enquanto observava um de vários duelos ocorrentes no momento.
-Na verdade eu só necessitaria se eles fossem da 3ª, 4ª ou 5ª Coorte. Os homens da 1ª são os melhores. Na época em que a 5ª caiu, todos em volta caíram junto, deixando apenas a 1ª e a 2ª como pontos fortes. - Comecei a atacar, de leve. - Mas agora que Percy está alojado na 5ª Coorte, vejo que o poder ainda tem chances de retornar para lá. - Continuei no mesmo ritmo, contra atacando as defesas fracas e ineficientes da loira.
-Isso quer dizer que... - Ela já estava perdendo o fôlego. - Percy agora está treinando com os homens da 1ª Coorte? - Ela perguntou defendendo dois dos três golpes, cujo último acertou-lhe os dedos, que se abriram involuntariamente, largando a espada.
-Sim. - Respondi. - Por mais que Percy goste de lutar ao lado da 5ª Coorte, eu o chamei para treinar com a 1ª, que está no nível dele. - Embainhei a espada e inclinei a cabeça. - Você luta com o quê? Não parece muito boa com espadas.
-É que eu geralmente luto com a minha adaga. - Ela mostrou.
-Então vá treinar em outro lugar, se ficar vagando por aqui vai acabar sendo assassinada por alguém. Se não sabe, os gregos são pregados de cabeça para baixo nas cruzes aqui em Roma. - Revirei os olhos e saí de perto. Eu senti a aura de Annabeth como um "eu vou te esquartejar e jogar no Tibre", assim que eu acabei a frase.
Na verdade eu queria sair desse campo. Queria ir embora, para casa. Queria fingir que nunca tinha entrado nesse acampamento.
No meio caminho para um lugar para onde eu estava caminhando - que atualmente, nem eu sei de onde se trata - sinto uma mão pesada e ofegante sobre um dos meus ombros. De pronto, sabia de quem se tratava.
-O que aconteceu? Hoje você parece meio... Estranha. - Percy disse, esperando eu olhar para ele.
-Ehk, impressão sua. - Olhei para ele e tentei sorrir. - Eu só tô meio exausta por causa de ontem. Reyna me fez ficar trabalhando até tarde... - Mudei a expressão de sorriso bobo para sorriso triste. Percy pareceu não perceber esta mudança, então simplesmente respirou fundo, ainda se recuperando do treino, e tirou a mão de mim.
-Vai para onde agora? - Ele "guardou" a espada e esperou mais uma vez a minha resposta.
-Ver uma pessoa.
-Quem?
-Não interessa.
-Namorado?
-Como se eu tivesse tempo!!! - Ele riu depois da minha conclusão e acenou, voltando para o campo de batalha. Francamente? Senti minhas orelhas queimarem de vergonha...
Vira aqui, alí, despista uns, corre de outros. Passando o Campo de Marte. Passando os dormitórios. Chegando à fronteira de Roma.
Lá estava então o garoto magro e franzino, que qualquer um que olhasse não daria nada à suas habilidades, quaisquer que fossem.
-Octavian. - Disse eu ainda chegando perto dele. Desta vez, ele parecia mal. Angustiado, talvez triste... Por mais que ele fosse irritante e indesejável, eu sentia de alguma forma, que ele amava Roma. Ele se importava com tudo. E isso o prejudicava. - Me chamou?
-Chamei. - Ele desviou o olhar e cruzou os braços. - Uma proposta... - Ele disse ainda olhando para o nada, com ar sério. - Proponho trégua. - Ele fechou os olhos e voltou seu olhar em mim. Acho que em toda a minha vida de estrategista e guerreira, nunca tinha visto os olhos desse cara assim. - Até que as coisas se acalmem. Todos os campistas estão desconfiados dos gregos, pelo menos a grande maioria.
-Se bem que também têm pessoas que apoiam as decisões da Reyna, seja qual for a hipótese. - Arqueei uma sobrancelha. - Onde quer chegar com isso? - Ele suspirou e abaixou a cabeça.
-Você aceita essa proposta? - Novamente olhou para dentro dos meus olhos. Eu deveria tomar cuidado. Octavian pode ser um tanto... persuasivo... quando quer. - Como eu disse, é só enquanto os outros campistas não têm onde se apoiar. E reforçando a ideia de que é apenas momentâneo. Não pretendo ficar dando as caras com você tantas vezes.
-É compreensível o que você quer. - Dessa vez eu que suspirei, olhando para o céu, onde pássaros voavam. Um... Dois... Não. Apenas um.
-Mau presságio. - Ele olhou para mim e sorriu, daquele jeito desafiador... ou talvez solitário. - Até os pássaros dizem.
-Pode ser. - Dei de ombros. - Você compartilha as informações que conseguir comigo e eu também. Vamos nos mover em conjunto. - Decidi, dando meia volta. - Mas se lembre... Nada de movimentos suspeitos por enquanto. Vamos apenas coletar informações.
-Você sabe com quem está falando não sabe? - Ele zombou. - Eu não sou idiota e, espero eu, que você também não faça nada de desagradável ou que chame atenção dos pretores. Principalmente aquele Percy Jackson... Argh... - Octavian acima de tudo ainda odiava Percy. Ele havia perdido a eleição, afinal.
Já com as costas dadas, comecei a caminhar para de volta ao Campo de Marte, porém, o tempo dizia que não poderia voltar. A três passos de distância, meu corpo parou e eu senti o vento soprar contra o mar. Iria chover...
Meus olhos encontraram o chão e eu suspirei. Como se fosse natural, senti meus olhos úmidos e minha visão embaçada. Antes mesmo da chuva, senti algo escorrer sobre meu rosto e sabia que estava chorando... Só não sabia exatamente o por quê.
-Pretende ficar parada aí até quando? - Octavian passou por mim e deu um tapinha nas minhas costas. Desde quando tinha essa intimidade toda? - Vai começar a chover, venha logo.
Ele não olhou para mim, talvez soubesse que estaria chorando. Engoli o choro e sequei as lágrimas. Observando bem... Até que Octavian parecia mesmo um descendente de Apolo. Só que ele não era vaidoso. Por um segundo, percebi que ele não era uma má pessoa. Sorri para mim mesma e senti pequenas gotas caírem sobre meus ombros. Começara a chover. Eu tinha que voltar para o chalé.
-Cuidado, Octavian... Júlio César acabou morrendo no senado exatamente por ser desse jeito. - Sussurrei para o vento enquanto andava sob a chuva.
A chuva estava violenta quando consegui chegar ao meu chalé. Sorte minha que o quartel que eu fico está incompleto, com apenas 6 pessoas.
Após um banho, minha cama me chama para um cochilo rápido, talvez de 15 minutos no máximo. Afinal, eu teria que voltar ao senado. Nas "horas livres" eu sou a assessora de Reyna e, por mais que prefira passar o maior tempo na área de inteligência, serei leal ao Senado até que meus 10 anos sejam concluídos, para isso faltam exatos três anos.
-Hal, a Reyna tá te chamando. Ela quer você no senado agora. - Uma voz me perturba do sono raso e eu logo que tenho de cumprir ordens. Com ou sem chuva, eu deveria faze-lo.
Chegando ao senado, vejo Percy, Jason, Piper McLean, Annabeth Chase, Diane Collins, Leo Valdez e Reyna. Todos eles com expressões sérias, um tanto quanto tensas. Ao perceber a minha pessoa, Reyna mandou apressar o passo e assim foi.
-Uma estratégia. - Reyna sussurrou.
-O que aconteceu? - Perguntei mais do que de pressa.
-Premonições. Percy sonhou com Gaia. Ela não parecia feliz. - Ela suspirou e retomou a fala. - o que importa é que temos tropas inimigas avançando sobre o nosso território, e eles estão em maior número. Não vêm apenas de um ponto, vão os cercar.
-Poderíamos usar a estratégia de Annabeth, é bem elaborada. - Percy comentou, lançando um olhar para a namorada.
-Mas existem falhas que até eu percebi. - Jason rebateu.
-Por que não pensamos em outra então? - Leo sugeriu.
-Não temos tempo para nos reunir e pensar novamente. - Diane completou.
-Por isso que chamei ela aqui. - Reyna disse, desviando o braço para mim. - Nos jogos de Guerra que temos, sempre que ela participa como estrategista, sai invicta. É a nossa estrategista nata.
-Então esse é o gênio de Roma... - Piper pensou alto.
-O quê? - Arqueei uma sobrancelha. Francamente, poderiam ter me chamado antes disso? - Querem que eu pense agora... Numa estratégia... Contra um exército completo... Que está nos cercando? - Eu disse em um tom de sarcasmo.
-Não podemos deixar com que avancem para dentro. Temos que destruí-los por fora. - Reyna fixou seus olhos nos meus.
-Não está um pouco em cima da hora, Pretora? - Octavian apareceu, revirando os olhos.
-O que diziam...
-Mau presságio.
-Certeza?
-Absoluta.
-Mais alguma informação?
-Bem... - Octavian pô-se reto e começou a discursar. - Sei que nossos companheiros gregos vão se opor e defender a... raça... o máximo que puderem. - Com um tom de desprezo e ênfase em "raça", fez com que Diane já estreitasse os olhos. - Mas acontece que tudo indica que os gregos nos trairão. Eu respeito e prezo muito bem as palavras de Juno, porém, apesar desse grande pesar ao lado deles, também temos que pensar diferente. Não é possível que Juno fizesse isso apenas para juntar poderes.
-O que está dizendo...
-Estou dizendo que... - Antes que Reyna pudesse completar a frase, Octavian se impôs. - Juno, com todo o seu poder, ficaria ao lado do marido e família. Certo? - ele começou. - Mas nada impede ela de ficar contra nós. Sabemos já que, como semideuses, já somos marginalizados por ela, o que reforça a minha hipótese de que ela queira acabar conosco da pior maneira.
-Mas o que tem isso em relação à Grécia? - Percy se colocou.
-Você tem a bênção dessa Deusa, Percy Jackson. - Octavian disse, cuspindo cada palavra. - Vocês os chamaram aqui. Os gregos. Juno serviu apenas para deixar o rastro que, os ignorantes como maioria, imaginaram apenas ser uma visita casual. - Ele cruzou os braços. - E se você, filho de Netuno, estivesse entre nós, fingindo estar sem memória, roubando nossos pontos fracos e fortes? Por que só você "recuperou" a memória? Por que, dentre tantos semideuses, você foi um dos únicos a saber dessa batalha? - Octavian continuou com o interrogatório retórico. - Você apenas fingiu estar surpreso, vindo atrás de Reyna, para que ela caísse em suas mãos. Você acha Jason está sem memórias para quê? Tendo duas potências, uma ao lado da outra, impossível seria a vitória de Roma. Vocês querem nos colocar para fora do campo para nos deixar sem vantagens. É isso que querem e, se for simples assim, não conseguirão.
-O que você acha que está fazendo...? - A filha de Plutão se levantou de pulo. - NÃO NOS DIGA O QUE PENSAMOS! SE NÓS ESTAMOS AQUI, AJUDANDO NESSE PLANO E ARRISCANDO NOSSAS VIDAS, POR QUE, POR HADES, NÓS ESTARÍAMOS TRAINDO VOCÊS!? - Ela gritou batendo ambas as mãos com força na mesa.
-Se é assim. - Sorri. - Então permitam-me que eu explique minha estratégia. - Eu sentei, cruzei as pernas, olhei de relance para Octavian. Ele tinha manipulado isso tudo para que eu desse o golpe final. Não faria feio. O teatro acabaria diferente das obras Shakespearianas. - Não devemos dividir igualmente o peso entre as coortes, nós seríamos massacrados logo que pensássemos em fazer algo assim. Não devemos separar quartéis, não devemos separar as coortes. Cada líder irá para um ponto, visto que para entrar em Roma, não temos mais que cinco caminhos. Para ser exata, temos exatamente duas entradas, por onde poderíamos ataca-los sem medo. Minha estratégia consiste na união das coortes. A primeira coorte fica responsável pela entrada 1 e a segunda com a 2, a coorte 3 ficará na linha fronteira, protegendo e alertando a primeira coorte, enquanto a 4ª fará o mesmo com a segunda. A quinta coorte dará assistência durante a luta, indo de campos em campos, talvez, se necessário, aniquilando aqueles que ousem entrar por outros campos. Reyna ficará acima de nós, nos instruindo, como sempre. - Respirei fundo e olhei em volta. - Alguma pergunta?
-Por que... Por que exatamente, as 3 últimas coortes devem ficar em linha de frente? - Diane contestou.
-Porque a defesa é melhor. As primeiras duas coortes são melhores em defesa, ou seja, enquanto o ataque retardada o inimigo, a defesa conseguiria tempo o suficiente para aniquilar o oponente. - Dei de ombros pelo raciocínio lógico.
-Mesmo assim ainda há falhas no plano. - Annabeth deu um passo. - Caso eles se distribuírem ao longo da fronteira e atacarem não só as entradas...
-As entradas não são apenas aquelas com arcos, Annabeth. - Sorri sínica. - A primeira entrada consiste em um raio de metros e metros de distância do arco. Não há falhas. Os fundos não foram descobertos, pois, se fossem, seriam destruídos. Não que haja uma armadilha nem nada, mas lá é um desfiladeiro. E bem estreito inclusive. O que faz com que eles se acabem. Como é muito provável eles virem em um local onde há vestígios de vida, a estratégia não tem buracos. A porta dos fundos está trancada a sete chaves.
-Agora que você disse... - Ela pô-se a pensar.
-Eu conheço esse território. E sei que nenhum monstro vai cavar buracos para entrar aqui. Então é este o plano. - Dei de ombros. - Temos um batedor?
-Sim. - Percy respondeu. - São dois, Frank e Hazel.
-Perfeito. - Sorri. - Vamos preparar as coortes então? - Recostei minhas costas no encosto da cadeira e cruzei os braços, esperando pela explosão que Diane estava por dar.
-OBJEÇÃO! - Ela gritou.
-Aqui não é tribunal e não estamos nesse tipo de debate. - Octavian sorriu desafiador.
-Cala a boca. - Ela bufou. - Primeiro de tudo, você está "jogando fora" as três coortes inferiores! Como você pode mandar seus homens para linha de frente desse jeito? É suicídio!
-Você mesma disse... - Disse eu, pausando minha conclusão. - Que estão arriscando a vida por nós. Então, qual é a parte do meu plano que você não gostou? - Arqueei uma sobrancelha, sorrindo um tanto quanto... cruel.
-Você não sabe como é lutar em linha de frente e ver...
-Cale a boca. - Cortei a fala de Diane com minha fala de ar sombrio. - Se uma pessoa aqui sabe o que é lutar em linha de frente, essa sou EU! - Disse a ela, aumentando cada vez mais o tom de voz, vendo ela se distanciar, talvez assustada.
Devo dizer que eu deveria me controlar mais. Essa súbita não foi de propósito. Mas mexer assim em algo de tão precioso e doloroso para mim, é algo que eu nunca, jamais, irei permitir. Algumas pessoas, digo, a maioria delas, não sabe o que aconteceu comigo há três anos atrás. A única pessoa presente que sabe pelo que passei é Octavian, que, é claro, não seria lá uma pessoa para desabafar.
-Desculpe. - Respirei fundo e fechei os olhos. Talvez com uma expressão amarga, não sei dizer.
-Este me parece um bom plano. - Reyna disse, quebrando o silêncio mortal. - Mas, para que eu tenha certeza de que você não está tentando apenas massacrar nossos gregos, gostaria de tê-la em linha de frente e que deixe ao meu comando o seu quartel. - Ela disse, com voz firme.
-M-mas... - Eu me levantei. Em choque. - E-eu não posso entrar em campo e...
-Então por que manda os outros para lá? - Diane ameaçou. - Se não pode entrar em campo, por que manda os outros entrarem e arriscarem suas vidas enquanto você fica na boa, comendo uvas e tomando vinho, hein? - Diane levantou a voz e olhou para mim. No entanto, para a sua infelicidade, minha expressão não estava muito boa.
-Eu... Eu não posso entrar no campo de batalha... - sussurrei com meus olhos arregalados e cabeça baixa. Não notei, mas acho que estava tremendo.
-Isso mostra que você apenas queria nos matar. - Annabeth disse, sendo apoiada pelos demais.
-Se você que propôs esse plano todo perfeito está com medo de morrer, quer dizer que ele não é tão perfeito assim. - Diane novamente, pô-se contra mim.
-CALEM A BOCA, VOCÊS NÃ....
-Isso não vem ao caso. - Ainda meio curvada sobre meus joelhos, uma voz familiar soa na minha frente. As roupas alvas e pele pálida deixam bem claro a identidade desta pessoa. - Ela tem seu orgulho de estrategista, se seu plano falhasse e aind apor cima houvessem mortes, creio que ela nunca mais teria coragem de encarar o senado. - Octavian se colocou na minha frente, entre mim e Diane, que estava de pé.
-Vocês estão se dando bem agora é... - Percy cruzou os braços. - Pelo que eu me lembre, vocês se odeiam.
-Como eu disse, isso não vem ao caso. O que importa é que estão sendo injustos...
-INJUSTOS O CARAMBA! - Diane bradou. - "isso não vem ao caso"? NOSSAS VIDAS estão em jogo!
Eu não conseguia distinguir as feições de ninguém. Reyna parecia impaciente. Os outros estavam quietos, olhando para ambos de pé.
-Há, agora a filhinha de Plutão tem medo de morrer!? A filha da própria morte não aceita seu destino!? Que piada! - Octavian riu-se com tais petulâncias e voltou a ser o irritante de sempre.
As vozes estavam abafadas... Eu não estava ouvindo quase nada. Eu não queria ouvir.
-O que você.................................... Imbecíl!!!
-Você não tem que................. Apenas ouça e.....................
-Ora.........
-Como esperado de uma...........
-CALADOS! - uma voz me permitiu a voltar à realidade.
Quando observei a cena, Reyna estava de pé. O bate boca tinha se tornado geral.
-Eu quero que TODOS saiam daqui AGORA. Nossa estratégia permanece deste jeito, e como eu disse, Halina ficará na frente de ataque. - A voz de Reyna estava irritada, eu não iria me opor. - Dispensados.
Todos saímos do senado. Percebi que lágrimas escorriam pouco depois de sentir o vento gelado bater em meu rosto. Sequei as lágrimas já pela segunda vez no dia. Desta vez, eu sabia do porque.
-Não precisa chorar de novo. - Ouvi uma voz baixa atrás de mim, e em seguida, senti meu ombro sendo tocado por uma mão fria e leve. - Eles não sabem de nada. Não precisa ficar assim outra vez. - Confesso que me assustei, tanto que virei meu corpo involuntariamente e dei de cara com ele. Octavian.
Minha boca se abriu, mas palavras não saíram dela. Seus olhos diziam poucas coisas, apenas me pareceu solitário, talvez triste... Um sentimento ruim.
-Essa não é a Halina que eu conheço. - Ele disse em tom baixo, sorriu daquela maneira de sempre, sarcástico. Deu as costas e, com o vento mais forte e céu sem cor, vi Octavian pelas costas, caminhando em direção aos templos. Um raio cruza as nuvens escuras, o trovão vem logo em seguida. O vento se intensifica e a chuva começa a cair novamente. Ele partiu pela segunda vez, sem me dar uma resposta fixa, sem me mostrar o seu sorriso de verdade.













