Eu sei desde hoje.
Goiânia, 01 de abril de 2017.
São exatamente 00:01 do primeiro de abril, e o que vou falar não é mentira ou brincadeirinha.
Oi!
Resolvi te escrever hoje pra falar de umas coisas que eu to pensando mas que acho que não devo te dizer agora.
Talvez eu nunca te entregue essa carta. Talvez eu te entregue mais pra frente. Talvez eu te entregue bem mais pra frente, ou talvez eu só use de inspiração pra um discurso no dia do seu casamento.
"Nossa, que belo jeito de começar uma carta, Helô!" hahahaha.
É que, o primeiro pensamento que me inspirou escrever hoje foi o de que "ta pronto. Ta resolvido. Já era."
Hoje foi a primeira vez que você me disse que ta namorando. Na verdade você não me disse assim diretamente. A gente tava conversando e você disse que falou pro Henrique (vulgo Jubas) que ta namorando. Ele não sabe quem é. Mas você sabe, eu sei. E, na hora que eu ouvi isso aí pensei "eita! já era!". E não, isso não é ruim.
Deixa eu dar um contexto né, porque essa carta pode ser lida só daqui uns anos.
Eu acabei de te deixar no apartamento dos seus avós. A gente veio do chá de bebê da Agni, ou do chá de fraldas do Antônio César, o que você preferir. Na ida pra casa, como de costume, a gente teve aquele bom papo no carro e eu perguntei sobre o sua vida amorosa, como que tava indo, o que você tinha resolvido e aí o assunto começou.
A gente começou a conversar no carro e você disse pra eu descer e te ajudar a levar as coisas até o apartamento e a gente ia conversando, lembra? Ótimo! O assunto era o que? Você e o Thiago.
Contexto dado voltemos ao que eu estava dizendo.
Eu queria te dizer (ou te lembrar de) uma coisa mas não acho que é o momento certo pra eu te falar isso. Por isso escrevo.
O que é? A minha teoria. Já sabe de qual eu tô falando né.
Cê lembra que desde o início eu nunca achei migo Thiago bonito né. Vi o perfil do Facebook e falei que era feio. Depois vi pessoalmente e te disse o que? Feio! Gente boa também. Mas falei que era feio primeiro. Sua mãe perguntou o que achei dele e o que foi a primeira coisa que respondi? Feio. Ou que não é bonito, da na mesma. Cê já sabe onde eu quero chegar nessa altura, né.
Minha teoria do "casal de beleza desproporcional". Como você conhece a teoria, você sabe do motivo deu não compartilhar isso contigo até agora. Porque, no início assim falar disso é meio que já por pressão e não é essa a minha intenção. Por isso escrevo. Assim fico com a sensação de que já falei, que desabafei, mesmo que você não tenho "ouvido".
Mas, repara aí que, se minha teoria estiver certa mais uma vez cê vai ler essa carta escrita hoje pouco tempo antes de entrar no seu casamento sei lá quando.
Você diz que a gente sabe das coisas, né? Que no fundo, no fundo a gente sabe. E eu sei d'agora, e até de um pouco antes na verdade, que é isso aí, que não tem mais procura, não tem mais estar "sozinha". Que, se minha teoria tiver certa, agora é só seguir os passos já estabelecidos. É namoro, noivado, casamento. É filho se cês quiserem. E espero que os passos parem por ai. kkkkk. Porque se tiver mais vai ser paia. E eu te quero só bem, cê sabe né? :)
O que eu quero dizer é que pelo que você diz da sua situação atual e dos últimos dias, desse início e do que você sente, é ele. Ele é feio, cê é bonita. A gente sabe que casal assim tende a dar certo. Cê sabe que minha teoria faz sentido, num sabe? Sabe! Você concorda.
A última vez que eu falei dessa teoria, que na época nem tava tão estabelecida, foi com a Adriana quando ela me mostrou o perfil do Renato. E eu vi e perguntei se podia falar pra ela a real do que eu achava. E eu falei que tinha chance grande demais de dar certo porque ele era feio e ela era (é ainda) bonita. Era desproporcional e eu tinha (tenho) essa teoria. E (até agora) ta dando certo mesmo. Casaram.
E, no dia da pizzaria Casa São Paulo, quando eu vi o Thiago eu pensei nisso. De novo. Eu lembrei da mesma história. Só que, né. Muito cedo pra falar dessas coisas. Nem você sabia o que tava acontecendo, o quê que iria virar. Se ia continuar com ele na semana seguinte ou não.
Depois desse dia da pizzaria, a gente conversou aqui em casa antes de viajar pro Lolla, no dia que cê dormiu aqui. Você de novo disse que no fundo, no fundo você sabia que seus outros casos não eram pra ser. Que você até queria que fosse, mas não era pra ser. Mas que agora você sente que é. E nesse caso sentir é saber. E aí no dia que eu ouvi isso eu pensei o que? "Deve ser mesmo, porque ele é feio pra ela." (CARALHO! Se um dia o Thiago ler essa carta ele vai achar que eu odeio ele né. Deixa ele ler não! Só falei até agora que ele é feio. kkkkkk, Fala pra ele não me levar a mal. Mas é que foi assim que eu pensei mesmo, não deu pra evitar. É que eu só lembro da minha teoria. E eu tô repetindo muito aqui né, cê já entendeu que eu acho ele feio, mas é que eu quero deixar claro, cê me conhece. :D ).
Ou seja, desde então eu já venho com esse sentimento de "putz! 'perdi minha amiga, agora ta namorando'" mesmo eu sabendo que não é perder amiga coisa nenhuma e que também cê não tava namorando (ainda).
Lembra que eu te falei, nesse dia aí que cê tava meio perdida e sem saber o quê que tava acontecendo que eu achava que cê ia viajar pra SP (viagem do Lollapalooza) namorando? Lembra? E cê lembra quê que cê me disse agorinha no hall do seu prédio? Que cê achou que tava viajando solteira, livre-leve-solta, mas que chegando lá tava com a sensação de que tava namorando? Weird, right? De alguma forma estranha parece que eu tava certa. Mesmo não querendo estar. Na hora que eu te falei aparentemente eu estava redondamente enganada, mas agora cê disse que acabou sendo desse jeito mesmo. Acabou viajando "namorando".
E aí, depois de dizer isso cê disse que ta nessa de que cês tão juntos mas não tem um rótulo. Então OFICIALMENTE cês não tão namorando. Mas pra você cês tão namorando. Porque cê já afirmou isso pro Jubas, certo? Então, pra mim é isso que vale.
Agora, é como eu falei, só seguir os passos. Oficializar o namoro. Deixar o migo ciente de que ele ta namorando (ele saber e concordar é importante, ta? kkkkk). Depois vai ter noivado. Vai ter casamento. Vai ter menin@(s). E (lembrete) cê disse hoje até que eu seria madrinha, só não podia deseducar. kkkkk. Não disse necessariamente que seria filho do Thiago tbm, mas eu acabei de perceber que vai ser.
Então. Talvez eu te entregue essa carta, talvez não, isso só o tempo dirá. Talvez eu to falando um monte de coisa aqui e daqui um pouco cê muda de ideia e resolve que não é ele mais e aí provavelmente essa será mais uma da sessão "cartas que eu não mando". Mas, de coração, eu espero que não seja mais uma dessa sessão. Eu espero que você esteja certa, que eu esteja certa. E sabe porque? Porque eu quero te ver feliz! E muito. E o quanto antes. E ser feliz pra você envolve ter um relacionamento estável, feliz, duradouro, então que esse relacionamento chegue logo. E parece que já chegou. Talvez não tão calmo quanto a gente gostaria, mas parece que chegou.
É um sentimento estranho escrever isso agora. É meio que uma despedida.
Estranho, sabe?
E despedida por que? Porque (talvez sem saber), cê ta entrando numa nova fase. E, pelo que eu to achando vai ser uma fase permanente, ou no mínimo longa. E, o que a minha experiência me mostra é que, quem entra nessa fase de relacionamento sério acaba se afastando dos amigos de alguma forma. É inevitável. Então a sensação que eu tenho agora e de despedida por isso. Porque pode ser a última carta que eu escrevo pra versão solteira da minha melhor amiga. Pira? Porquê o namoro ainda não é oficial, apesar de meio que já ser. (eu tô em dúvida, ta percebendo? kkkk) Então cê ainda ta solteira. E eu não to nessa fase que cê ta também. Pelo visto tô nem perto. Então vai ser paia sair com vocês de vela né. A tendencia é d'agora pra frente ele participar cada vez mais da sua vida e, automaticamente, eu participar menos.
Mas eu tenho umas sensações estranhas e muitas das vezes eu estou enganada. Então esse paragrafo de trás pode não ser nada. Mas também pode ser. Só mais pra frente pra saber.
Eu espero que eu não morra de vergonha mais pra frente ao reler essa carta, mesmo sabendo d'agora que é isso que vai acontecer. A esperança é a última que morre.
Miga, é isso.
Já fazem 50 minutos que eu to aqui escrevendo. Vou reler e editar alguma coisa ou outra agora, corrigir uns erros de português/digitação que devem ter rolado mas, uma vez que eu salvar e fechar esse navegador, eu não vou mexer mais. Não vou poder editar quando eu resolver te entregar. Ta combinado assim, ta?
Ah, uma última coisa que lembrei.
Assim que cê mê contou hoje da situação toda eu falei pra você levantar e me dar um abraço (lembra?). Cê perguntou por quê do abraço e eu disse que era porque eu queria. Você insistiu no por quê e eu não falei, só disse que era porquê eu queria e ponto. Cê sabia que não era só isso. Falei procê me dar um abraço porque eu tava toda orgulhosa. Orgulhosa de você. E de como cê ta lidando com isso, com a situação. Orgulhosa dessa maturidade toda. E feliz também por você ta conseguindo dar uma chance pra você, pra vocês, apesar da turbulência toda no meio do caminho.
Talvez seja um tanto tarde pra essa explicação, mas ta aí.
:)
Fica bem! Fica feliz! Fica em paz e com Deus!
De quem te ama, te cuida e te quer bem...
Aqui ali ou em qualquer lugar,
Eu.








