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We walk in the dark looking for some light and how will we know if we just don't try? | @Caradoc Dearborn
Uma constelação se erguia acima da cabeça de Caradoc, as estrelas que a compunham brilhando de maneira quase tão real quanto as que provavelmente decoravam o teto do Salão Principal naquele momento, embora essas fossem meras pinturas na abóbada da Torre Ravenclaw. Após quase sete anos como estudante de Hogwarts, o rapaz tivera tempo o suficiente para observar os detalhes muito bem colocados no espaço que era reservado aos ravinos, reconhecendo aqueles traços que, surpreendentemente, não pareciam mudar nunca. Não era isso que prendia a sua atenção em tal ocasião, de todo modo. Parado próximo à entrada do Salão Comunal, o ombro apoiado na parede do recuo da porta, não só tinha o céu estrelado pintado acima de si, mas bem como uma visão razoavelmente boa de todo o cômodo. O horário do toque de recolher se aproximava, como um olhar rápido ao seu relógio lhe informou, mas a agitação no recinto não parecia cessar. A maior parte do corpo estudantil da casa continuava acordada e conversava animadamente, preenchendo o ar com ruídos quase indistinguíveis. Um grupo de sextanistas reunidos ao redor de uma mesa de estudos discutia acaloradamente a respeito do que julgou ser a Rebelião dos Duendes e, pelo que a expressão de um participante revelava, também de forma não muito cortês. Outro grupo de estudantes parecia debater a natureza de um dever de casa que alguns deles juravam ter sido passado pelo professor Slughorn enquanto outros alegavam que, pelo que pôde distinguir, havia sido a professora Sprout que o fizera. Alguém parecia estar preparando uma poção muito mal-sucedida perto de uma das grandes janelas e uma pilha de livros despencou ruidosamente sobre uma terceiranista adormecida – a razão pela queda parecendo imprecisa, embora o riso de um garoto do mesmo ano pudesse indicar seu envolvimento no “acidente”. Como monitor, Dearborn sabia que poderia intervir em qualquer uma dessas inteirações que pareciam pouco amigáveis, mas após dois anos no cargo, sabia que a convivência entre as pessoas eleitas as mais inteligentes da escola possuía seus próprios altos e baixos e que a intervenção só era realmente necessária em casos extremos. No entanto, ele não estaria ali para ver se alguma daquelas conversas evoluiria para algo mais, ou se seus colegas subiriam para seus dormitórios dali a alguns instantes.
Afinal, além de manter a ordem entre os alunos, constava também entre os deveres de um monitor a tarefa de rondar o castelo depois do horário em que os discentes tinham permissão para circular pelos corredores. Como Hogwarts contava com um número considerável de estudantes no cargo, os turnos eram revezados de forma aleatória e igualitária entre os monitores. Naquela noite, ele e sua colega, Mafalda Hopkirk, estavam entre os escalados para rondarem o local. O rapaz não se importaria em ter que patrulhar os corredores sozinho, mas tampouco se sentia incomodado em fazê-lo na companhia da moça, especialmente à luz dos acontecimentos do começo do ano letivo. Era ela, aliás, por quem estava esperando tão próximo à passagem e, ainda assim, com os olhos atentos a qualquer perturbação na harmonia do comunal. E a julgar pela figura que reconheceu ser Mafalda aparecer entre alguns outros colegas de casa, aqueles eram provavelmente os últimos momentos da noite em que teria a chance de ver alguma ação.
Mafalda sempre teve uma vida social muitíssimo agitada, e eram raras as vezes que a loura não fazia nada nos fins de semana por falta de convites, tendo suas próprias vontades como motivo para ocasionalmente optar por tardes e noites silenciosamente tranquilas com livros. Apreciava tanto estar cercada de diversas pessoas quanto ficar sozinha, sem encontrar certa melancolia na segunda situação como muitas pessoas costumavam fazer. No entanto, durante seus anos como monitora em Hogwarts, muitas vezes Hopkirk era forçada a abrir mão de seu lazer para fazer rondas pelo castelo, cumprindo seu cargo de monitora, do qual tanto orgulhava-se e fazia questão de exercer minuciosamente. Apesar de adorar sua função na escola, a adolescente não via sua monitoria apenas como uma maneira de por ordem na escola e garantir que as regras fossem cumpridas: ela também via naquilo uma grande oportunidade de marcar sua imagem como respeitável e organizada, possivelmente trazendo olhares positivos dos professores para si mesma, e até mesmo algo extra para colocar em seu currículo futuro para lhe ajudar a atingir um alto cargo no Ministério da Magia.
Naquela sexta-feira em especial, a setimanista não encontrava-se tão incomodada por ter que fazer rondas pelos corredores em vez de ir em algum encontro escondido ou conversar com as amigas no salão comunal, visto que o humor da garota não pendia muito para o lado festeiro naquela noite, e ainda por cima, seu colega monitor não era a pior das companhias. Sendo assim, foi sem muito esforço que Mafalda fixou o distintivo de monitora em seu uniforme azul e bronze e deixou o dormitório que compartilhava com algumas colegas para encontrar Caradadoc Dearborn. Hope atravessou o salão comunal da Ravenclaw - que estava exatamente como era comum nas sextas -, até o ponto em que combinara de encontrar-se com o rapaz, cumprimentando alguns conhecidos rapidamente no caminho.
Assim que avistou o garoto, a jovem esboçou um sorriso inconscientemente flertador, aproximando-se com seus habituais passos determinados da passagem da qual ele estava próximo. — Caradoc. — Disse com um aceno da cabeça. — Pronto? — Perguntou, logo fazendo menção de deixar o salão comunal para começarem suas rondas.
Nós temos sobrevivido a isso por dois anos, acredito que não existam razões para que isso pare de acontecer. A menos que o sumiço dos horários seja algum sinal, mas como não cursei Adivinhação, isso não passa de mera especulação minha.
Não sei o que poderia acontecer, de todo modo. Quer dizer, além de ter que cancelar qualquer plano para noite. Não sei você, mas tenho certeza que Madame Pince terá seu coração em pedaços ao saber que não poderei ficar na biblioteca até o final do expediente dela.
Acho que podemos atribuir o sumiço dos horários a segundanistas que se acham muito engraçados, afinal, eu encontrei os papéis logo após questionar alguns deles. Não acho que seja algum presságio. Mas como você, essa é uma mera especulação.
Inicialmente ela ficará desolada, mas provavelmente entenderá quando souber que você deu o bolo por causa da monitoria. Ladies love a man with responsibilities.
Ainda não entendo porque alguém sumiria com os horários dos monitores, de qualquer maneira, obrigado por me informar a respeito.
Ninguém querendo trocar, por outro lado… Bom, não preciso dizer que não estou surpreso. Estamos fadados a passar a sexta à noite na companhia um do outro. Espero que não seja tão ruim quanto fiz soar.
Anytime. E não acho que será, afinal, eu não sou entediante e duvido muito que você consiga ser, mesmo enquanto caminhamos pelo castelo em busca de pequenos infratores das regras.
Quero dizer, se nós conseguimos sobreviver às demais rondas noturnas, acho que vamos passar por mais uma tranquilamente, não é?
Descobri quando será nossa ronda na semana que vem, aparentemente alguém havia sumido com os horários, mas consegui encontrá-los.
Infelizmente ficamos com a sexta-feira. E sim, eu já tentei trocar com outros monitores, mas obviamente ninguém quis.
Rumour Has It | @Dirk Cresswell (flashback)
Como monitor e capitão do time de quadribol, Dirk tinha certo foco sobre si e boatos a seu respeito constantemente eram espalhados pelo castelo, principalmente relacionados à suas peripécias na área sentimental, ou melhor, sexual. Não alimentava os rumores, entretanto também não os negava, deixava que morressem assim como surgiram, sem dar real atenção para eles, pois sabia que ignorar enfraquecia a fofoca e a fazia morrer mais rápido. O fato era que o loiro não fazia mistérios em relação a seu estilo mais libertino e sempre deixara claro em seus relacionamentos que não procurava nada sério, assim evitava muitos problemas ou gostava de acreditar que sim. Como um homem, ainda era relativamente desligado da forma como a mente feminina trabalhava, mas o loiro fazia o seu melhor para manter seu público feliz, sendo o mais sincero possível em todas as situações e aquelas que topassem embarcar em suas aventuras, não teriam qualquer queixa, muito pelo contrário.
O fato era que o boato dessa vez vinha com alguns aspectos que mexiam não apenas com seu ego, mas também com o time de quadribol e não podia admitir que qualquer mentira infundada pudesse prejudicar seu time ou acabar com a credibilidade do mesmo. Ainda assim, optou novamente pelo silêncio, na esperança que o boato morresse sozinho, como todos os outros. Afinal, por mais que esse fosse sério e implicasse com sua gestão como capitão, tinha outros assuntos prioritários, como a situação de sua família, era simplesmente mais fácil ignorar do que se meter em um assunto complexo, ainda mais que envolvia Mafalda Hopkirk e Dirk sabia como a loira era geniosa. Aproveitando algumas horas de folga entre rondas, trabalhos e treinos, o loiro caminhava próximos aos jardins do castelo, escrevendo mentalmente uma carta para a família, à preocupação com os parentes estava dominando sua mente nos últimos tempos e nem se deu conta quando seus pés o levaram para bem próximo as estufas onde tinha aulas de Herbologia.
Distraído, o jovem se assustou ao ouvir a família voz de Malfada, girou o corpo para poder encarar a companheira de casa e estudando brevemente as feições da loira, pode perceber que o assunto a ser tratado não seria agradável, de toda forma, permaneceu parado, com as mãos no bolso, esperando a próxima fala dela. – Devo dizer que estou tão surpreso quanto você de saber dessa história. – Respondeu em tom calmo, sem alterar sua postura, talvez conseguiria reverter a raiva da loirinha se fosse sincero e demonstrando que nada tinha com o boato. – Posso te garantir que não foi da minha que começou essas mentiras. – Pontuou, fazendo um movimento com os ombros apenas enfatizando a sua fala. – Talvez alguma de suas amigas? Sabe como as meninas gostam de conversar. – Completou, não na intenção de ser maldoso, apenas realista, afinal todos sabiam que as mulheres eram muito mais abertas a esse tipo de conversa que os homens. – Mas te garanto que vou descobrir e dar um fim nisso. Não estou satisfeito com essa história também. – E de fato, não estava, contudo deixou um ligeiro sorriso escapar, apenas por hábito e que talvez pudesse dar um ar de incredulidade a suas palavras, mas Dirk esperava que Mafalda acreditasse mais em suas palavras que em um singelo e breve sorriso.
Quando estava em situações de demasiado estresse em que sentia-se insegura, Mafalda costumava bombardear as pessoas alheias com palavras e acusações, sem importar-se realmente com o que aquilo poderia acarretar. Obviamente, tais ações geralmente desencadeavam séries de consequências, usualmente danosas à própria jovem. Infelizmente, a situação em que ela encontrava-se naquele exato momento caracterizava-se perfeitamente como estressante, portanto a loura não mediu suas palavras ao iniciar seu discurso contra Dirk, que provavelmente estava tão incomodado com aquele boato quanto ela própria. A monitora ergueu uma de suas sobrancelhas perfeitamente delineadas antes de semicerrar os olhos ameaçadoramente na direção do capitão, esperando uma explicação mais concisa. — E se não foi por sua parte, de onde esses boatos teriam vindo? — Questionou imediatamente, nem um pouco convencida com as palavras do rapaz, que em seguida apenas piorou a situação acusando as amigas de Hopkirk - e consequentemente ela mesma - de serem as culpadas por aquela situação. Instantaneamente ofendida pela acusação, a loura assumiu uma posição defensiva, porém o rapaz continuou a falar antes que ela tivesse a chance de verbalizar seus pensamentos. Embora houvesse algo na voz de Dirk indicando que ele estava falando a verdade, Mafalda não pôde conter sua reação cética, principalmente após um breve sorriso percorrer pelos lábios do jovem.
A monitora cerrou os punhos e abriu a boca para responder enraivecidamente, mas refreou-se ao ouvir passos que pareciam aproximar-se dos dois. Ela sabia que não poderia ser vista conversando com Cresswell, principalmente em um local tão isolado, uma vez que não queria alimentar os terríveis boatos que estavam tanto a prejudicando. Instintivamente testou a porta da estufa da qual estavam próximos, a fim de descobrir se ela estava destrancada. Sem sucesso ao tentar abrir a porta pela primeira vez, a ravenclaw sacou sua varinha e agilmente destrancou a fechadura com auxílio do sempre útil feitiço Alohomora. Adentrou a estufa com rapidez, puxando o colega pelo braço e fechando a porta ao entrarem. Arrastou o capitão para trás de uma das enormes mesas que sustentavam diversos tipos de plantas exóticas, onde abaixou-se, o levando consigo: embora fosse difícil alguém perceber a presença dos dois naquele local, as estufas tinham enormes janelas, que poderia denunciá-los a qualquer momento se não fossem tomadas as precauções necessárias.
— Como eu vou saber que não foi por sua parte que esse boato começou? — Questionou em um murmúrio levemente irritado. Hopkirk vivera o suficiente para conhecer boa parte da mente masculina, e sabia muito bem que garotos gostavam de vangloriar-se de suas conquistas, exagerando as situações ou não. — Eu não saio compartilhando detalhes da minha vida sexual com qualquer um, Dick. — Afirmou, fazendo questão de pronunciar o nome do rapaz erroneamente. Obviamente, não fazia muito sentido o jovem ter iniciado aqueles rumores, mas a adolescente sentia uma necessidade imensurável de culpar alguém por tudo aquilo, para então encontrar um meio de dar fim aos boatos. É claro que enfiar-se em uma estufa com o outro alvo das fofocas não era uma ótima maneira de dispersar os rumores, porém lógica e impulsividade jamais andaram juntas.
What is love? (Baby don't hurt me)
I have no idea.
Como iria reagir se alguém se declarasse pra você?
Eu tentaria explicar para a pessoa que não estou atrás de nada sério e, dependendo de quem fosse, tentaria propor algo casual.
Por que acha que caiu na Ravenclaw?
Porque eu me encaixo nas qualidades prezadas por essa casa.
Sonha em trabalhar no Ministério?
Não, eu aspiro a trabalhar no Ministério.
Matt fofo?
Dependendo da situação...
Matt gostoso?
Já pegou uma mulher mais velha?
Quem sou eu para negar?
Matt, tu matts bem?
Por que você não tenta descobrir por si mesma? Nice pun, though.