Suspirou pesadamente. Estava surpreso, porque ele não esperava ouvir aquilo. Sim, Hansol era completamente tapado quando se tratava de sentimentos, principalmente os alheios. Mas, até onde conseguia se lembrar, sentimentos além de amizades não era permitidos entre os dois, certo? Quer dizer… Estavam sempre em outros braços e tudo mais… Em todo caso, seu emocional estava completamente destruído. O dia havia sido longo e horrível, ele já não conseguia demonstrar mais nada propriamente. Até porque a notícia de que seria pai ainda estava atormentando-o profundamente. Estava pensando no que havia dito… Não tinha condições nem de cuidar de si mesmo, o que estava dizendo? Não tornou a olhar para a garota. — Eu queria estar melhor. — Respondeu, alheio ao assunto que estava acontecendo. — Queria poder sair pulando por aí e comemorando essa “coisinha” aí. Porque eu não acho ruim, sabe? Mesmo que nenhum de nós esteja pronto para isso… Mas é justamente por ser uma época… Inoportuna… Há tanto em que pensar, que eu não consigo… Desculpa, Heeyoung. — Passou a língua pelos lábios. — Talvez… Seja melhor que você vá eu sei lá para onde. Que cuide de você e da criança. Mas… Eu não estou preocupado com o seu irmão. Não vou fugir das minhas responsabilidades. Não quero isso. Então eu te peço que não me deixe de fora. Eu quero saber sobre vocês dois. Mesmo que… — Nesse ponto, sua voz se tornou ainda mais baixa. — Mesmo que eu não possa retribuir seus sentimentos. Mesmo que eu não possa te oferecer uma família, para criarmos essa criança propriamente. Desculpa.
Antes mesmo de escutar as palavras do garoto, Heeyoung sentiu as lágrimas acumuladas em seus olhos durante todo aquele tempo escorrerem, sem piedade. As pessoas dizem que a esperança é sempre a última a morrer. E ela realmente é. Ela parte, deixando um sabor amargo na sua boca e era exatamente aquele sabor amargo que a garota sentia. Por breves instantes, por mais conformada que estivesse, ela pensou que o rapaz fosse insistir, que ele fosse lhe dizer que também gostava dela. Mas não. Era hora de enfrentar a verdade; ela nunca seria a garota dos pensamentos dele. — Você não sai por ai comemorando, por que não é algo de se comemorar. Uma jovem de 16 anos grávida, que vai perder todos os sonhos dela por que tem que cuidar de um bebê. Seria isso que você estaria comemorando... — soltou uma risada, entrecortada por um soluço e limpou as lágrimas, enquanto xingava os hormônios por terem feito com que ela fraquejasse tanto na frente do rapaz. — Não se preocupe. Eu te manterei atualizada, ou melhor o Dae. Mandarei fotos e tudo mais para ele e peço para ele repassar pra você. Não quero ter mais contato com ninguém aqui de Seoul além dele, do meu irmão e da Tiger. — deu um sorrisinho, desistindo de tentar enxugar as lágrimas que rolavam sem parar, num choro silencioso.














