Stuck on the highway || Carvader
Se alguém perguntasse a Samuel de onde tinha vindo toda aquela coragem para beijar Marge e tudo o mais, certamente não saberia responder. Até porque suas ações não faziam o menor sentido para ele, nunca poderia imaginar que no fim de uma tarde de domingo se encontraria no carro de sua psicóloga aos beijos com a mesma. Aquilo era errado, muito errado, Sammy sabia disso mas preferia acreditar que os erros sempre se transformam em acertos. Mentira deslavada, é claro. É tanto que ele aprofunda o beijo não apenas por estar gostando daquilo - porque estava, e muito… e mais tarde sentiria vergonha de admitir isso até para si mesmo - mas porque não teria coragem de encarar Marge depois que aquele momento acabasse. A coragem de Carmichael é como a felicidade após o primeiro copo de bebida alcoólica: puramente momentânea. Então era melhor aproveitar antes que ela fosse embora por completo.
Os dedos da mão esquerda de Sam estavam enterrados no cabelo de Marge e a mão livre descia para a cintura da psicóloga de modo que trouxesse o corpo dela para mais perto. De todos os lugares do mundo escolhemos um carro, ótimo. Foi o que ele pensou ao perceber o espaço bem limitado que tinham ali. Mas isso, é claro, não foi um empecilho para que o rapaz prosseguisse com o beijo e se arriscasse a ousar um pouco, deslocando a mão que estava sobre a cintura de Marge para uma das coxas da moça.
— Eu… ahn… me desculpe, por isso. — Samuel Carmichel deve ser o único homem vivo que pede desculpas para uma mulher por ter passado a mão em suas coxas durante um beijo. Por ter sido criado com a avó, sempre foi instruído a respeitar mulheres mais velhas. Vader não era velha, lógico que não… só mais velha que ele, enfim. No segundo seguinte ele já se arrependia profundamente de ter interrompido aquele momento, porque agora teria que encarar Marge e talvez sustentar uma conversa com ela. Nem a pau. É a única coisa que vem a sua cabeça antes de voltar a beijá-la.
Margaery sentiu os dedos do garoto em seu cabelo e ao mesmo tempo os pelos de seu corpo se arrepiaram. O que veio em seguida, porém, é que fez Marge arfar baixinho: a mão de Sam que passou de sua cintura para sua coxa. Opa. O garoto estava ficando mais esperto? Não, não estava, levando em conta as palavras que disse logo em seguida. Ele pediu mesmo desculpas? Rato. -- Cala a boca, Carmichael. Não peça desculpas. Marge afastou seu rosto do dele um pouquinho para xingar, o cenho levemente franzido. -- É broxante.
Ainda assim, Vader estava gostando muito da coisa. Mesmo. Sabe-se lá o motivo, já que Marge nunca foi de curtir novinhos. Talvez seja pela carência física, talvez seja pela emocional... Sei lá. O importante aqui é saber que a morena estava gostando.
Ah. Gostar não impediu Marge de hesitar rapidinho no que fez a seguir - uma pessoa normal teria repensado tudo e parado com a pegação na mesma hora. Mas não Marge. Ela pensou uma vez, duas vezes, mas mandou tudo à merda e continuou. Voltando a beijar Samuel, a psicóloga escolheu o pescoço dele como alvo ao invés da boca e ali aplicou o melhor chupão que conseguiu... Foi mais uma mordida e provavelmente nem deixaria marcas. É uma bosta que eu não saiba dar chupões. Pensou ela com desgosto, agindo tipicamente como age: de forma egoísta. Até durante um beijo Marge pensa mais em si mesma do que no outro.













