Era uma tarde chuvosa e cinza, talvez mais fria para uns do que para outros. No ouvido um fone e uma trilha sonora para aquelas chegadas e partidas. Ali sentada, dessa vez era só mais uma passageira aguardando seu embarque, atenta aos ponteiros grandes daquela intimidadora estação. Quando um casal me chamou a atenção, talvez, por ter me lembrado um texto antigo que um dia eu havia lido.
Havia tanta nostalgia naquela cena triste que precisei me conter para não me emocionar.
Era só mais uma despedida para aquele saguão que provavelmente já foi teto de muitas histórias. Mas aquela bem na minha frente me trouxe uma “eu” inexperiente novamente como se me assistisse. Foi súbita a vontade de acalmá-los. Dizer “você ficará bem, se sairá ótima” mas a verdade é que não daria ouvidos. Mal imaginava o mundo de experiências incríveis que ainda iria desfrutar.
E eles reativaram lembranças adormecidas. Cheios de intensidade, de sentimentos e o desencontro que a vida trás. Seria injusto eu dizer que a vida ainda lhe dariam inúmeras despedidas ou ter provas que poderiam vencer aquela partida, mas tentar sem dúvidas seria uma batalha árdua que estavam para descobrir.
E era só mais uma história que aquele saguão iria carregar.
Me levantei a batida do ponteiro, dê-lhes as costas e os deixei ali desfrutando daquele íntimo momento que os marcaria para sempre. Mas ao virar a esquina respirei fundo e sorri. Como se tivesse entendido o que a vida estava me dizendo ao permitir desfrutar daquele particular e profundo instante;
A verdade é que você se faz a cada passo e tropeço. A cada encontro e desencontro que te formam calos. A cada e toda cicatriz que te moldam e fazem quem você é. E as vezes parecer experiente em certas experiências te faz perder tanto.
Eu continuaria a vagar por muitos caminhos após deixá-los ali, mas aquela cena foi como uma conversa com uma eu do passado. Uma janela aberta a fim de mostrar me que tantas páginas rasuradas não poderiam me incomodar mais. E virei a esquina sorrindo e deixando o saguão sem minhas marcas daquela vez. Daquela vez apenas.








