é fácil permanecer em alguma coisa por muito tempo quando se têm amor, eu pensei hoje. mas existem esses pedaços ruins que nós não contamos, ou sabemos. por que ninguém disse que seria fácil, não é?
mas nós gostamos de quando passamos noites gostando de perguntas bobas, “qual o seu maior medo?”,“fala alguma coisa”, “alguma coisa”, engraçada". a gente gosta da curiosidade de saber alguma coisa do outro, coisas que a rotina e o tempo vai fazendo a gente deixar de lado. porque no começo a gente quer desvendar: “quem é esse ser humano que mexe tanto comigo”, “o que esse ser têm que me atrai tanto assim”. “eu quero te desvendar. então me fala, me fala, me fala qualquer coisa. qualquer coisa assim sobre você que me faça querer sempre estar aqui”. “me fala, me fala qualquer coisa, e me escuta falar sobre coisas que ninguém dá tanta importância assim porque eu quero que você saiba de mim”. “porque eu quero ser descoberta por você”. “porque eu gosto da sua presença aqui”. “porque eu quero ficar aqui”. “porque ninguém nunca me entendeu assim”.
a gente gosta do silêncio confortável do começo e das coisas que não precisamos dizer ou fazer por medo de reações ou sem ter medo de machucar o outro. a gente gosta da precaução nas palavras, “porque o outro é importante demais pra que eu diga essas palavras idiotas. e se eu disser e ele for embora?”
a gente gosta de ouvir enquanto o outro conta histórias e segredos. porque é legal a empolgação do outro ao dizer sobre coisas e é legal assistir a atenção pra ouvir. até disso a gente gosta: a empolgação. precisar acalmar o coração porque ficar em silêncio é difícil demais. a curiosidade de conhecer, e de saber que, caramba, alguém quer nos conhecer. essas coisas que a gente nunca está preparada pra ser de ninguém. saber, de repente, que a gente é.
mas nada é perfeito, porque somos seres humanos. vem a rotina, brigas, defeitos, os erros. e os dias que não estamos tão atentos mais. o silêncio porque não temos mais o que falar e o silêncio é superestimado demais agora. o que ele quer dizer? a gente nunca sabe. a gente tenta adivinhar: será que é algo bom? será que algo ruim?
a gente não pode voltar pro começo e dizer que sente muito ou consertar as coisas que dissemos sem querer e/ou por impulso. foram tantos erros, incontáveis até. mas a gente ainda é capaz de achar o outro um ser humano bonito, e capaz de ser, receber e dar amor. olha só, uma coisa baita bonita. são essas coisas que a gente vai esquecendo de dizer, que a gente vai engolindo pra dentro. são essas coisas que a gente vai esquecendo o outro que ele é. certo dia, a gente acorda e percebe que ninguém nunca precisou de você pra ser incrível mesmo, nem nada disso. que você também não precisa de palavras pra ser isso. mas relacionamentos são importantes. palavras são também no dia a dia, sabe? dá conforto. são dessas coisas que a gente vai deixando de lado na correria. as palavras, a atenção. a gente vai se perdendo em outros detalhes, em outros linguajares, e de repente “onde você aprendeu isso?” a gente vai se perdendo e se reconstruindo e quando se olha já não se sabe mais. não se conhece. de repente “estamos juntos, mas eu não sei mais quem você é”. é que foi tanto tempo longe. tanto tempo aprendendo outros jeitos. tanto tempo longe daqui. tanto tempo sem perceber os detalhes pequenos.
a vida não é como aquela música do Coldplay. relacionamentos não são experiências científicas que a gente reinicia quando algo dá errado.
a gente só pode lamentar pelo erro e dizer “eu sinto muito”.