◤ a very (not so) good chat interruption ◢
Respirar. Era isso que Daniel voltou a fazer depois de ver Baek lançar a arma para longe fazendo com que a possibilidade de saírem vivos dali aumentasse.
Agradeceu mentalmente o fato de Baek ter sido inteligente em usar o celular pra chamar atenção e com isso aumentou a força que estava colocando em seus braços para manter o criminoso imobilizado, entretanto os movimentos rápidos foram interrompidos pela dor que efluía de seu ombro.
Tão pouco viu os policiais entrarem no beco, já que o único pensamento de Daniel no momento era o que tinha acontecido com seu ombro para estar com aquela dor insuportável, pois não tinha mais a adrenalina para manter o sangue quente o suficiente para a dor não aparecer.
O americano só queria sair dali, e com isso em mente se apoiou na parede com a mão esquerda e levantou, caminhou em passos lentos até a saída onde conseguiu visualizar as luzes vermelho, azul e branco e um Baekhyun com um sorriso macabro e algumas lágrimas rolando pelo rosto.
— Você está chorando? Qual é cara, estamos vivos, vamos rir mais. — Após ter dito o incentivo em tom de quem acabou de correr uma maratona Daniel levantou seu punho esquerdo e em uma brincadeira antiga deixou um leve soco no peito de Baek e o seguiu para a ambulância.
— É, pelo jeito pegou. Meu ombro está queimando de dor. — Reclamou tanto pra Baek quanto para os paramédicos que os atendia, já que estes preparavam alguns gaze com álcool e faziam perguntas sobre o estado dos dois homens.
— Vejo que aquele te pegou. Relaxa, é cicatriz de guerra —
Daniel sabia que aquele momento não era para piadas ou coisas do tipo, mas ele ainda estava nervoso e era só fechar os olhos que voltava as cenas de minutos atrás, então queria se distrair e por conta disso implorou duas vezes por morfina, tanto que nem conseguiu prestar atenção no que os policias diziam, mas tinha certeza que Baek estava conseguindo responder.
Quando conseguiu focar na voz do coreano, entendeu que este estava em busca de um dialogo que servisse de distração para ambos, e está ideia logo foi aprovada por Daniel que realmente precisava esquecer a dor que estava sentindo.
— Filhos? Eu vou é contar pra todo mundo, pois sobrevivi a um assassino. É uma vitória e tanto. — Uma risada fraca saiu da garganta de Daniel já que ele não conseguia fazer mais que aquilo. Estava cansado mentalmente e fisicamente, não iria pra tentar manter uma postura.
— Ok, eu entro no clube de culinária. Por enquanto vai me falando suas ideia, tenho que ficar acordado. Entretanto se você falar que não posso usar vinho no que eu quiser, vou levantar daqui e acabar com esse seu rosto. —
✖ Eu provavelmente devia parar antes do meu rosto ficar todo vermelho. ✖ Só um momento estressante como aquele para fazê-lo rir de uma piadinha sobre o sangue que o cobria. Mas a tentativa do outro surtira efeito, o choro parando para as ocasionais risadas de quem não estava acreditando na própria sorte.
Baek balançou a cabeça reprovando a atitude dele por um momento. ✖ Você não sabe o quanto eu estou me segurando para não entrar em full mode sermão. Eu tô me segurando tanto. Sua sorte é que essa loucura nos salvou. E que os policiais acreditaram em nós. ✖ Afinal, os tiros daquele jeito não podiam ser planejados. Certo? A mão apertou o ferimento inconscientemente, só para ter certeza de que estava ali.
Uma cicatriz de guerra que queria manter escondida, mas já sabia que não podia fazer nada para manter a história debaixo dos panos. ✖ A sua cicatriz de guerra vai precisar de camisetas curtas por um bom tempo. ✖ a dor estava lá, presente, mas começava a cair naquele vale de entorpecimento. Comparando com dores anteriores, e acidentes mais dramáticos, um tiro não era lá grande coisa. A preocupação no rosto continuava, este não podendo fazer nada pelo outro além do que os paramédicos já faziam.
✖ Tem como você contar para todo mundo do meu lado? Vai perguntar tanta gente e eu não sou muito de… sair falando sobre tragédia. Digo, vitórias. ✖ Corrigiu-se automaticamente, rindo em seguida pelo entusiasmo do outro. Missão bem-sucedida! Baek fechou o punho e comemorou com a mesma animação daquele gol no final do segundo tempo. ✖ Que tal eu falar falar falar e você dormir mesmo. Um ferimento no braço não é tão perigoso quanto uma concussão. ✖
O paramédico entregou mais uma porção de gaze que Baek logo colocou por cima das encharcadas. ✖ Agora sim eu posso dizer ‘Tá louco?’ Culinária sem vinho é fast food. Não só tem obrigação de usar como tem direito de tomar durante o preparo. Só não pode exagerar, por favor, sou eu que me encarrego de carregar os fracos de bebida para o dormitório. ✖ E continuou a falar sobre algumas receitas mais populares, sempre acompanhando a aproximação do hospital pela janela da ambulância.
Estava óbvio que Daniel estava assustado pela dor que sentia e por isso o drama era ainda maior, já que não conseguia ter certeza se o tiro havia sido de raspão. Então apesar de prestar atenção e tentar descontrair, o americano mantinha sua mão sobre os gazes que haviam colocado e se segurava para não acabar dormindo.
Em meio disso pensava exatamente como o coreano, pois se contassem para si que alguém havia feito a loucura de enfrentar um assassino, chamaria a pessoa de idiota, mesmo sem conhecer.
— É só uma cicatriz. Se você for pensar tenho varias e já estou pensando em mais uma para colocar em cima disto — Ele falava das tattoos, mas seu raciocínio já estava bem lento, por isso pouco se importou se fazia algum sentido, já que sua mente vagava por todos os desenhos que havia feito.
Saiu de seus devaneios quando percebeu o tom que Baek usava, quando estava falando sobre contar o ocorrido para as pessoas. Não sabia muito sobre o passado do coreano, já que não estava com tempo para prestar atenção em fofocas, sendo assim não entendia porque daquelas palavras.
— Baek? Não precisamos sair anunciando, ta bem? Era brincadeira. Não me importo na verdade, só não quero encarar como uma "tragédia", não quando sai bem, diferente daquele homem. —
A palavra tragédia era a correta para o momento, entretanto Daniel preferia não pensar nisso, enquanto estava ali vivo e o homem que tentou ajudar morto. Era sorte, na concepção do americano, por isso não queria comparar as situações e colocar ao mesmo nível.
Decidiu apenas esquecer por enquanto e se concentrar nas ações de Baek que já estava empenhado na missão de manter ambos acordados, tanto que até próprio Daniel fazia o possível para manter assim.
Ao ouvir a provocação do colega o americano apenas revirou os olhos para demonstrar que estava inconformado com o modo que Bark encarava o ferimento, mas decidiu não argumentar, já que sua preguiça lhe impedia disso.
Ao sentir que Baek finalmente estava entrado no papo sobre vinhos, Daniel relaxou e até soltou algumas risadas, já que os argumentos usados por Baek não eram lá os mais convincentes, entretanto estava feliz pelo coreano concordar com a ideia do vinho e pelo caminho foi citando marcas de vinhos famosas e quais das receitas que Baek estava falando podia combinar com cada um.
— Eu consigo até sentir o cheiro e o gosto do vinho. Seria demais pedir isso para as enfermeiras? Você afirma que é recomendação medica. —










