a forma como minkyu se torna levemente egocêntrico apenas faz o mais novo rir, os olhos desviando da estrada por alguns segundos para encará-lo fazendo aegyo e quase arrependendo-se de ter visto a cena completa. pensando da forma como coloca, tem de concordar — parece impossível ser capaz de brigar com ele. talvez não por ser uma gracinha (apesar de ser, jae pensa), mas simplesmente porque parecia não ter motivos reais para isso. bem, talvez o fato dele ser “muito foda” em mortal kombat fosse uma bom motivo às vezes, mas com essa nova informação ele tem de considerar se algum dia tentaria jogar com ele ou não.
o pensamento o faz rir internamente — raramente se apega dessa forma às pessoas, mesmo os que se tornam seus amigos. raramente considera outras programações para serem feitas entre eles e, com minkyu não foi diferente. isso é, até agora. talvez por terem já comentado exatamente sobre saírem mais, a mente de sungjae facilmente já começa a pensar em opções aqui e ali, mesmo que seja no automático.
— depende? — a voz soa em dúvida, o cenho franzindo em confusão. — sério? — torna a perguntar, rindo. realmente não conseguia nem pensar em como o mais velho é quando estressado. e, de certa forma, decide que talvez não fosse muito bom. se aprendeu algo a vida toda é que as pessoas que parecem mais calmas, quando estressadas, são as mais bravas. nem imagina o que seria capaz de trazer esse lado no ruivo e também não quer saber, as sobrancelhas franzidas. ao comentário dele, no entanto, ele solta uma alta risada, sentindo o rosto arder. mentalmente, agradece por ser noite e estar escuro, de forma que talvez o mais velho não note como está vermelho. — bom… eu nunca passei mal, — comenta, a voz soando muito mais baixa se comparada a risada que soltou, soando quase envergonhado. — mas já bebi demais a ponto de ser outra pessoa completamente, sim. faço isso com mais frequência do que imagina, hyung — murmura, balançando a cabeça com um sorriso nos lábios. — é única forma que consigo me soltar na maioria das vezes. e por me soltar, digo conversar mesmo. meus amigos me arrastam para as festas, mas acabam achando outras pessoas legais para sair e fico sobrando, então bebo e aí de repente fico amigo do barman. vê, é uma boa solução, — explica, virando o rosto para o outro e acabando por copiar o gesto que o outro fizera anteriormente, piscando um olho para ele.
com a face novamente encarando a estrada a frente, jae morde o interior da bochecha e diminui a velocidade quando chegam ao topo da estradinha que havia pego, dirigindo por outra parte dela, dessa vez sem qualquer inclinação. não demora muito e ele estaciona embaixo de uma árvore, desligando o motor e os faróis, deixando o carro ligado apenas pelo aquecedor e o tape. estão em um parque e, à frente, por entre duas árvores, é possível ver parte da cidade. é uma vista que o mais novo já está acostumado a ver, por ser onde acaba indo com mais frequência, por dar pra ver o nascer do sol exatamente de frente; e é a primeira vez que ele leva qualquer pessoa a esse espaço que, apesar de aberto diariamente e de fácil acesso, é extremamente vazio durante a madrugada e o nascer do sol, o que o torna quase seu — é como pensa, pelo menos. são quase quatro horas em ponto, o que o deixa satisfeito, ainda tendo algumas horas antes de levar o amigo embora, a não ser que ele acabasse por querendo ir embora antes, é claro.
— não é um dos melhores lugares, mas — dá de ombros, quase como se desculpasse pelo lugar que o levou, a mão alcançando para soltar o cinto antes de empurrar o banco um pouco para trás, afim de esticar as pernas, como sempre faz quando vai ali. depois de bagunçar um pouco os cabelos, acaba puxando as mangas do moletom dentro das palmas, deixando apenas parte dos dedos para fora. — e, apenas para continuar o jogo, — comenta, virando o rosto para o outro e mantendo-o apoiado no encosto do banco, — não acho que você tenha mania de ficar bêbado, — aponta. — posso estar errado, mas hyung parece quase meio certinho. eu disse quase e meio, — rapidamente adiciona.
Minkyu já começa com os mesmos movimentos rapidinhos do rosto, em concordâncias curtinhas, assim que Sungjae coloca sua afirmação em dúvida – e pode ser que, realmente, Minkyu não deixe tão aparente o quanto pode ser invocadinho dependendo da situação.
— Uhum? – Enquanto responde, um evento aqui e outro ali, diretamente das memórias, passam como flashes por sua cabeça, e é por isso que o sorrisinho nos lábios cresce. — É bom tomar cuidado – daí ele faz uma carinha de gente brava que não dá muito certo, porque dura pouco tempo; mesmo porque, no segundo seguinte, Minkyu tem o cenho franzido, o sorriso quase erradicado da curvatura dos lábios e o nível de indignação lá no alto. — Como assim? – Ele até vira o corpo um pouquinho na direção do amigo. — Você, bêbado? Sério? Ah, vá – diz meio rindo, meio incrédulo ainda. — Tá aí um negócio que eu quero ver – porque em alguns casos, só vendo pra crer. É quando, também, Minkyu se dá conta de que realmente sabe pouquíssimo sobre sua companhia de quase dois anos, e fica difícil não imaginar Sungjae bêbado das mais variadas maneiras; o ruivo ri baixinho mas não diz que esse é o porquê. À piscadinha, Minkyu mascara o pequeno efeito causado com um rolar de olhos e um riso debochado.
Depois que o carro parece finalmente se aproximar do destino, o breve silêncio que se faz passa despercebido pela curiosidade de Minkyu, que agora se dedica a analisar o local com maior dedicação, até que o veículo pára e os arredores parecem familiares, mas mantém-se desconhecidos ao mais baixo. O garoto se vira a Sungjae em busca de esclarecimento, que não tarda a vir. Antes de tudo, ele repara na vista, ficando difícil não deixar um sorrisinho pequeno se alastrar.
— Mas é o seu lugar – ele completa, sorrindo de maneira mais aberta e virando-se a Sungjae outra vez. Só que Minkyu acaba rindo porque, não é só pêgo de surpresa com o retorno do jogo, como também pela presunção do mais novo. — Bom… – E imitando o garoto, Minkyu se livra do cinto, deixa as costas mais à vontade contra o banco e tomba o rosto na direção do amigo, levando mais uns cinco segundos para ponderar, olhos no teto do carro e depois de volta ao loiro. — Eu fico bêbado muito fácil, mas não sou de beber. Com isso, dá pra concluir que eu sou certinho por inteiro, vai.