Romper e Reinventar...
A realidade em si é desprovida de valor e sentido. Um caminho é apenas um caminho até o momento em que alguém transmita a ele seus desgostos ou alegrias. O ser humano, como ser simbólico que é, está sempre descentralizado em meio a um mundo meramente natural. Entre o silêncio das pedras, somos pura solidão e desespero. A realidade, portanto, somente deixa de ser vazia quando há expansão de sentido. Mircea Eliade estava certo, pois somos, verdadeiramente, capazes de modificar a objetividade do espaço profano por meio da sacralização. Podemos transcender o mundo e, nessa elevação, valorá-lo. Nesse processo, a pedra deixa de ser uma pedra para ser a base de uma Igreja; um pé de feijão deixa de ser um pé de feijão para ser um pé de feijão que sobe aos céus; uma abóbora deixa de ser uma abóbora para se transformar numa carruagem; o mundo deixa de ser um mundo sem graça para ser uma criação divina.









