Levaste o coração cheio, como quem vai para muito longe, durante muito tempo. E foste. Deixaste o meu tão pesado de tão cheio, que não fui capaz de me mexer. Quando voltares, já cá não me encontrarás. Só o peso, só o longe, nunca o tempo.
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@hojenaoclaranao
Levaste o coração cheio, como quem vai para muito longe, durante muito tempo. E foste. Deixaste o meu tão pesado de tão cheio, que não fui capaz de me mexer. Quando voltares, já cá não me encontrarás. Só o peso, só o longe, nunca o tempo.
neste preciso momento, neste segundo, sinto-me inútil. ainda bem que já passou.
não gosto do último poema
Prometo olhar para ti, para perceber todo o teu ser um bocadinho de cada vez. Prometo guardar na minha memória, a sensação de cada centímetro meu fundido com cada centímetro teu. Prometo lembrar-me de ti, em dias de sol em noites de chuva na luz da noite nas lágrimas do dia. Prometo proteger o que sinto por ti, com todo o carinho que um caracol sente pela sua carapaça. Prometo fazer-te perto de mim, fazer-me perto de ti. Prometo tudo isto, todos os dias para todos os dias o quebrar. Prometo que é melhor me odiares de longe, do que de longe me amares. Prometo Guardo Não esqueço Depressa Com pressa de que não doa mais. Prometo, tu de longe, eu nunca mais de perto. Prometo.
e se tu não existisses? existiria eu? sim, sempre. e tu, nunca? não. talvez às vezes. sim, às vezes. só? só.
dá-te mais jeito que te ame agora ou mais logo?
um atrás do outro na mesma direcção. cinco todos diferentes iguais par a par. singulares no plural marcados por uma só. dois diferentes na mesma direcção. só param se forem iguais. duas que nunca se vêem mas ouvem o mesmo. uma que fala para elas numa outra direcção. mas o teu corpo continua longe do meu.
quem muito afirma, muito tem de defender. quem fala com certeza muito tem de ouvir.
a diferença entre nós é que, enquanto eu tenho problemas, tu és um problema.
Vou imaginar que também tens saudades. Talvez depois só doa metade.
um dois três apontei sem levantar. uni no teu peito. três para um coração. apontei. um dois três, mas o um não era meu.
Quando tu fores eu volto.
É uma simples pergunta, com uma complicada resposta.
Lembro-me de ti. Estávamos na metade do Verão: tu bem de preto, eu mal de cores. A tua sobrancelha tremia de me ouvir, e o meu coração batia, de perto de mim te sentir.
Enquanto caminhava, agarrei a mão direita com a mão esquerda atrás das costas. A Minha Mãe diz que os senhores sem medo, os destemidos de antigamente, o faziam para demonstrar que não tinham medo de ser atacados, assim, de coração exposto. Expus-te o meu coração.
Olhaste para mim. Olhei para ti.
Passei a mão direita pela orelha direita, para pôr os cabelos selvagens direitos atrás da orelha direita. Passei a mão esquerda pela orelha esquerda, para pôr os cabelos selvagens esquerdos atrás da orelha esquerda. Na esquerda, duas vezes.
Sorriste para mim. Sorri para ti.
Contaste-me que gostavas muito de beringela. Eu achei engraçado e contei-te como gostava de cenoura.
Tu caminhaste. Eu caminhei.
Escolhemos um sumo, enquanto eu pisquei os olhos duas vezes, para te fazer existir três: uma, duas, três.
Lembro-me de ti, uma, duas, três, menos vezes que no vento te tentei deixar ir. Mas tu és o vento, o meu cabelo avisou-me.
Por isso, de ti me lembro, tu me passas, eu me tento, não te esqueço, te saúdo no vento.
Tenho saudades tuas, mas não te quero aqui. Quero-te como me lembro, como tenho saudades de ti.
Lembro-me de ti, uma, duas, três, menos vezes que no vento te tentei deixar ir. Mas tu és o vento, o meu cabelo avisou-me.
Por isso, de ti me lembro, tu me passas, eu me tento, não te esqueço, te saúdo no vento.
Devia ter tido medo de ti.