É muito fácil julgar os outros. Muito fácil apontar os erros, muito fácil olhar no olho e dizer que não gosta. É simples, crianças fazem isso o tempo todo. Os pais lhes seguram pelos pulsos e com olhos ardendo de vergonha ou raiva, lhes dizem entre dentes trincados que fiquem quietas, em silêncio, porque há certos tipos de coisas que não se diz assim. É quase de praxe que quando a dita criança cresça, ela aprenda com esses pequenos erros, mas não. Ela faz isso quando adulta também, e o pior de tudo isso é que não tem ninguém adulto ali para lhe dizer que aquilo não deve ser dito também. Ou deva, dependendo do assunto, de quem for, do porque está sendo dito e outros inúmeros detalhes. O importante é deixar implícito que dizer o-que-não-deve-ser-dito-em-público quando se está numa roda de amigos íntimos não tem importância. Aí não há problema nenhum em falar mal do coleguinha, reclamar do patrão, jurar a morte do fulaninho, ou qualquer uma das opções que passa pela mente na hora. O que não se entende é que é simples julgar as pessoas, ainda mais quando se está de cabeça quente, mas ninguém quer lidar com a consequência desses julgamentos depois, né? Ninguém quer consolar o coleguinha que ficou mortificado com tantas coisas ditas sobre si, ou se responsabilizar por um ato de suicídio, por exemplo. “Era atormentado”, vão dizer. Porque é simples, não é? É mais fácil, nada trabalhoso. Abrir a boca, exortar um monte de lixo e sorrir em seguida. É tão simples, quase imperceptível, que você diz, e não percebe. Não vê o estrago que causou, não se dá conta do tamanho do erro que cometeu, os dedos apontados apenas para os erros dos outros. A pior – ou melhor, dependendo do ponto de vista – dessa história, é que o “se dar conta” tem o costume de acontecer muito tarde. Tarde demais pra que qualquer coisa seja remediada, tarde demais pra um socorro. E aí restam apenas as palavras: “que pena”. De quem? Da sua mente podre, ou de quem você destruiu?