eu acordo, tomo meu café, começo a trabalhar, o céu da tijuca tem pedaços de azul em meio as nuvens que ainda parecem prontas pra chover de novo. você às vezes se pergunta se aprendeu a viver? digo, se sabe viver sem ter medo de tudo? eu já me perguntei. mas entendi que questionar também era uma espécie de temor. que a ansiedade de não saber me corroía inteira. algumas dúvidas corrompem, não é? pois é. talvez você também saiba disso agora.
o rio de janeiro sustenta uma paz que eu não conseguiria manter em lugar nenhum. não sei se isso faz sentido pra quem não mora aqui, mas sinto como se nenhum outro lugar pudesse >lidar< comigo, como se só a minha cidade tivesse ferramentas suficientes. se não as pessoas, as ruas. quando não as ruas, os sons.
escrevo isso parada em meio ao trânsito da avenida presidente vargas. o centro virou meio que uma cidade fantasma depois da pandemia, mas ainda é o lugar que carrega minha história quase que inteira. tanto choro, tanto riso
porque quem ama de verdade quase nunca ama na praia
a gente aprende a amar nos cantinhos sujos e vai rindo rindo, até transformar latão em ouro
perdi um pouco do que queria dizer, mas lembro que, de início, queria te pedir pra não temer não ter respostas. algumas perguntas podem parar de ser feitas, a sua fome de mundo pode ser contada de outro jeito
ce não precisa se proteger de tudo
tô seis minutos atrasada pro meu compromisso. esse é só mais um dos meus defeitos. tenho muitos. você também tem, não tem?
você é gente como eu. eu sou gente como você
hoje ainda é muito tempo
tu não precisa saber viver tudo que ainda nem viveu


















