riu baixo com o deboche da outra; por mais que o clima do ambiente fosse de tensão jacob havia deixado algumas risadas escaparem desde que chegou no local, algumas das pessoas com quem teve rápidas conversas pareciam apostar no humor para amenizar a situação. não achava que esse era o caso de norwood, ela não parecia se preocupar com isso, não parecia se incomodar com o clima pesado. “com os oficiais, talvez. mas tragédias desse tipo podem trazer o espírito justiceiro de muitas pessoas. é um jeito fácil de se livrar de alguém sem ter que sujar as mãos: fazer com que outros queiram o mesmo… se bem que, nesse caso, seja lá quem foi teve que se sujar um pouco” aquilo parecia óbvio para ele, algo simples e rápido e que se fosse executado direito só traria benefícios para o responsável. todavia, se sua teoria estivesse certa, ele estaria entre os prejudicados pelo ato. “uma coisa é ter medo de um conflito já conhecido, de ser assaltado no meio da rua por alguém que precisa de dinheiro pra comprar drogas e que não vai hesitar em ser violento pra conseguir isso, dá pra se acostumar com essas coisas e aposto que todo mundo daqui já se acostumou há muito tempo. ficar longe de qualquer treta pra não cair num fogo cruzado, entregar qualquer merda, por mais que não valha quase nada, pro cara só pra ele não atirar na sua cara… não é difícil se salvar dessas coisas, mas, um ônibus com um cara, que aparentemente é totalmente inocente e que não deve ter nenhum envolvimento com as coisas que rolam por aqui, desgovernado e pegando fogo… isso causa um outro tipo de medo. não acha?”
Vira tanta coisa desde muito nova, já havia se acostumado com aquele tipo de situação, não se preocupava consigo mesma, mas sim com seus irmãos, casa vez que estes saiam de cada Norwood tinha medo de que não fossem voltar. No fim das contas não podia seguir eles para todos os cantos do bairro, muito menos ter certeza de que ficariam, então só lhe restava tentar lidar com a constante agonia que a o bairro lhe trazia, sendo os comentário sarcásticos a melhor opção. “Todo mundo aturou um monte de situações terríveis por anos, mas agora que tacaram fogo no motorista vã caçar os culpado? Não sei, parece pouco provável, mas é uma possibilidade, só espero que não seja o caso.” Terminou por dar de ombros, levando a mão esquerda até a boca, cobrindo o bocejo que aparecera. A conversa parecia complicada demais para o estado em que Harley se encontrada, mas ao menos lhe fazia pensar em algo que não fossem seus irmãos perambulando pelo local. “Sim, gera um tipo de medo diferente, mas em alguma uma época esse tipo de conflito que parece normal hoje em dia também não era conhecido, e por mais terrível que seja dizer isso, as pessoas se acostumaram porque não tem outra escolha. Se, e isso é nem é uma certeza, esse tipo de coisa for acontecer agora, as pessoas vão ter medo no começo mas no final vão achar um jeito de conviver. Ou vão se revoltar de vez, ou só vão aceitar que esse lugar é um buraco, e seguir com a vida, porque no final do dia ninguém tem uma escolha melhor por aqui.”