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❝ ♛ — flashback, 26.11.18
Pela segunda vez em menos de um ano, Juniper reuniu todos os seus pertences em apenas uma mala pequena e saiu de sua moradia atual. Estava desesperada em ambas as vezes. Dessa vez, porém, o tempo estava correndo. Tinha cinco dias para realizar o trabalho. Ou seja, tinha cinco dias para estar segura novamente, ou então podia se considerar já à sete palmos do chão. Foi difícil encontrar o homem novamente. Não sabia seu nome e muito menos onde morava. Sabia o que tinha ouvido em sua conversa ao telefone: ele era um membro dos Lobos. E ele a conseguiria um encontro com o líder, era o único jeito. Descobrir que o homem tinha sido assassinado há poucos dias não estava nos planos da mulher. Foi graças ao vizinho dele, que lhe passou a informação, que June conseguiu o que queria. E, assim, acabou sentada em um sofá chique e infinitamente mais confortável do que o chão duro em que dormira nos últimos dias. Esperava pelo líder. Romeo, ela ouvira um dos outros homens dizer. Tinha uma taça de vinho nas mãos (oferecida pela mulher que a recebera) e a postura mais atenta de toda a sua vida. Quando ouviu a voz dele através da porta semiaberta, seu corpo todo endureceu e a feição determinada voltou a predominar em seu rosto. Era sua última chance e ela não iria desperdiçar nem um segundo. Olhou para baixo, finalmente tomando um gole da bebida. Virou o rosto assim que voltou a ouvir passos. Era agora ou nunca. @bvddcst
rhwdes:
virou-se para a mulher assim que obteve uma resposta. ainda não conhecia todos dali, mas, normalmente os reconhecia de algum lugar. jacob era uma boa pessoa para memorizar rostos — já com nomes ele costumava ser um desastre —, conseguia identificar as feições de alguém que tinha visto apenas uma vez e ainda recordava de onde havia visto a pessoa, considerava essa habilidade como um talento que muitas vezes já lhe foi útil. costumava reconhecer rostos facilmente, principalmente quando esses eram relevantes, todavia, o da mulher que respondera sua pergunta não lhe parecia nem um pouco familiar. nunca havia a visto e, portanto, não fazia ideia da ligação que a mesma possuía com a gangue inimiga. esse descuido poderia acabar sendo perigoso para o corvo. “shit, coitado do cara. dizem que morrer queimado é um dos jeitos mais dolorosos de morrer…” suspirou fundo após terminar a frase; jake não era conhecido por sua empatia ou por sentir pena dos outros — bem pelo contrário, suas ações com a gangue faziam parecer com que esses dois sentimentos não o pertenciam nenhum pouco —, contudo, sempre abominou injustiças e assassinar alguém completamente inocente — e, ao que tudo indicava, era isso que o motorista era: um total inocente — era cometer uma grande injustiça. “espero que peguem quem fez isso” comentou “se bem que do jeito que a polícia é por aqui nunca vão o pegar… mas, com certeza, o responsável vai pagar. acho que tem muita gente aqui que costuma fazer justiça com as próprias mãos pra deixar que ele, ou ela, saía impune.”
Juniper assentiu levemente, voltando o olhar para o corpo coberto e abaixando a cabeça por alguns instantes, prestando o devido respeito ao morto. Logo voltou sua atenção para o homem com quem conversava. “Deve ser horrível, não consigo nem imaginar...” Respondeu, também com um suspiro. Por mais que tivesse boas intenções pelo pobre homem carbonizado, a morena estava mentindo. Conseguia imaginar, todas as noites. Afinal, fora assim que conseguira escapar da própria morte, anos atrás: prendendo o assassino em uma casa em chamas. Estaria na cadeia até hoje se a polícia não tivesse decidido considerar o crime como legítima defesa e esconder toda a história. Voltando a atenção totalmente para as palavras do homem, memorizou cada uma delas. Poderiam ser úteis para mais tarde. Colocou uma expressão de surpresa no rosto e encarou o homem. “As coisas são mesmo assim por aqui? Quer dizer, você escuta várias coisas sobre Chicago quando não mora aqui... Coisas tão absurdas que se tornava fácil duvidar da veracidade de muitas delas.” Revelou, soltando um riso sem humor. “De qualquer forma, eu posso estar me precipitando. Estou aqui há pouco tempo e começando a achar que esse pobre homem não será a única vítima que conhecerei enquanto estiver aqui, infelizmente.” Lançou um olhar rápido para o ônibus ainda em chamas próximo aos dois. “Qual o procedimento usual nesses casos? Eles interrogam testemunhas, como eu e você? As pessoas realmente fazem justiça com as próprias mãos?” Perguntou, aparentemente de forma inocente. Prosseguindo com sua atuação, de repente colocou uma das mãos sobre a boca, virando-se completamente para ele. Prometeu a si mesma que não se importaria mais em ser conhecida como “a garota do mountain killer”, mas isso não impediu que um calafrio percorresse sua espinha ao pensar na possibilidade. “Desculpe. Estou perguntando demais, você deve achar que sou uma policial disfarçada tentando descobrir alguma coisa.” Soltou um riso envergonhado. “Não precisa responder. Eu só não consigo evitar ficar agitada com esse tipo de coisa. É tão injusto, sabe? Ele era claramente inocente.”
hxrlcyk:
Desde a morte de seu pai, Harley só queria arrumar uma maneira de tirar seus irmãos daquela vizinhança, tentara cogitar pegar mais um emprego, talvez vender mais quadros. Entretanto a matemática de sustentar todos eles fora dali não era das mais vantajosas. Ainda assim, cenários como o daquele ônibus em chamas faziam a morena pensar nas formas mais absurdas de tirar sua família dali. Obviamente jamais viria a concretizá-las, contentado-se em apenas vociferar sua imaginação, sequer imaginando que receberia uma resposta. Virando-se na direção da desconhecida, logo se colocara a explicar, mesmo não tendo muita clareza acercado ocorrido. “Aparentemente tacaram fogo no ônibus com o motorista dentro, o porquê, não faço a mínima ideia.” Disse dando de ombros enquanto arrumava as mangas de seu casaco, tentando impedir que o frio passasse o tecido. “Vai saber o que se passa na cabeça da pessoa que fez isso…”
Juniper piscou várias vezes, tentando dispersar a irritação que a fumaça trazia aos seus olhos. Pelo menos não estava mais com tanto frio... A um preço altíssimo, porém. Direcionou um rápido olhar para o ônibus, observando as pessoas se aproximarem. Ao voltar o olhar para cima, precisou usar um dos braços para protegê-lo da luz forte das viaturas de polícia. “Merda, está começando a ficar tumultuado lá embaixo. Você acha que a polícia interditou a rua inteira? Eu preciso chegar em casa.” Explicou, ficando na ponta dos pés para ver se conseguia enxergar algo a mais. Não teve sucesso, já que a escuridão e os postes de luz quebrados eram predominantes naquela região. “I’m sorry, what’s your name again?” Perguntou, educadamente. “Será que eu posso ficar aqui na sua casa enquanto isso tudo não se dispersa? Eu me ofereço para, huh, fazer o jantar, talvez? Ou ajudar com qualquer coisa. Também posso ficar quieta se você não quiser nada te incomodando. Não vai nem perceber que estou lá, prometo.”
hxrlcyk:
Estava terminando de dobrar algumas roupas dentro de casa quando notara a fumaça e a confusão pela janela do local. Tainha tinta nos braços das horas que passara pintando em seu quarto, um machucado no rosto e uma dor de cabeça terrível. Não queria ter de sair de casa para conferir a nova tragédia nas redondezas, mas sabendo que seus irmãos jamais ouviriam a ordem para ficarem ali, a mulher acabou prosseguindo em direção ao alvoroço. Já havia presenciado situações inusitadas e horrendas nos anos que vivera na região, mas até aquilo parecia demais. “Um dia de paz é pedir muito por aqui?” Comentou exasperada, arrumando as mangas de seu casaco para se proteger do frio.
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Juniper saiu de seu turno no 99$ Dreams tão rápido e tão desesperada para chegar em casa que esqueceu seu casaco no estabelecimento. Poderia até ter voltado para pegar, mas assim que viu as luzes de todas as casas da rua se apagarem, mudou de ideia. Se voltasse para o local, a gerente provavelmente a faria trabalhar horas extras para atender as pessoas desesperadas por conta de um simples apagão. Portanto, ali estava, subindo a rua de baixo de seu apartamento, abraçando a si mesma para aliviar o frio. O tempo foi suficiente apenas para June correr e pular para a calçada antes que o enorme clarão se transformasse em um ônibus em chamas, que desceu a rua até atingir seu ponto mais baixo. O susto a deixou paralisada por alguns instantes, a cena se repetindo em câmera lenta em sua mente. Piscou rapidamente e direcionou o olhar para a mulher, invejando seu casaco. “Você viu isso? O que terá acontecido?”
riotmuscs:
Kaleb tinha uma certa intimidade com o caos, era verdade, em situações como aquelas ele já conseguia se manter completamente tranquilo. A agência funerária onde trabalhava ficava próxima de onde o atentado havia ocorrido, por isso ele logou saiu de lá, com uma taça de vinho entre os dedos, apenas para ouvir os burburinhos que rapidamente se formavam acerca do que estava acontecendo. Só esperava que a família da vítima viesse até ele para a organização do funeral. ❝ O que quer que seja, não fui eu! Não faria um serviço mal feito, quer dizer, se fosse para me beneficiar, teria empurrado logo mais uns quatro corpos no fog ❞ interrompeu-se subitamente ao notar a figura do policial passando por perto de onde estava. Era apenas uma brincadeira, é claro. Tomou um gole do vinho, oferecendo à pessoa mais próxima a ele em seguida. ❝ Quer um pouco? ❞
Juniper encarava as chamas, pensativa. Tudo para ela também terminara em chamas, anos atrás. A fumaça irritava seus olhos e a fuligem irritava sua garganta. As chamas, que foram sua salvação, haviam condenado aquele pobre homem. Admirava, portanto, a dualidade existente ali, a dualidade existente em todas as coisas. A voz alta, em tom defensivo chamou a atenção da morena, que desviou o olhar para encontrar o homem com a taça na mão. Estreitou o olhar, tentando encaixá-lo nas feições das quais se lembrava. Mesmo que todas aquelas pessoas vivessem na mesma região que June, a mulher ainda conseguia ser relapsa com suas memórias. Ainda estava se acostumando. Levantou as sobrancelhas e seguiu o policial com o olhar, e voltando logo para o moreno, bem a tempo de observá-lo oferecer vinho de sua taça. “Não!” Respondeu, imediatamente, incrédula. “Como pode dizer essas coisas?”
rhwdes:
era possível notar a fumaça proveniente do ônibus em chamas mesmo no escuro. jacob podia avistar o fogo ao longe e, graças a claridade dele, os curiosos que se instalavam por ali para tentar ver o que estava acontecendo. acelerou o passo, já imaginava quem era o responsável por aquilo: lobos. por mais que o ato não fosse típico do grupo inimigo, o homem não tinha dúvidas de que aquilo era alguma espécie de aviso deles para os corvos. “coragem” pensou, soltando um quase riso ao chegar perto da cena. analisou o local por alguns instantes, procurando por algum sinal característico dos lobos. “quem é aquele?” perguntou para a pessoa que estava mais próximo dele; apontando, com a cabeça, para o corpo coberto com uma toalha perto dali.
Ali estava ele. O homem que precisava ter cuidado toda vez que estivesse por perto. Se o objetivo de ter se juntado aos Lobos era a própria segurança, ficar perto do líder da gangue inimiga era claramente uma quebra das regras que a Fang havia estipulado a si mesma. Mas não resistiu. Assim que viu a fumaça ao longe e o Rhodes andando em direção a ela, fez questão de o seguir. Não seria descoberta e nem levantaria suspeitas, já que além de ser nova na cidade, onde há fumaça há fogo. E onde há fogo, sempre há uma multidão de curiosos. Posicionou-se ao lado do homem, apenas alguns pequenos passos para trás. Foi pega de surpresa pela pergunta do Corvo, mas seus talentos artísticos a impediram de deixar aquilo transparecer em sua expressão. “Hã, eu ouvi uma mulher lá atrás dizer que é o motorista. Vou só ficar te devendo o nome dele, não pego mais ônibus escolares.”
riotmuscs:
Não costumava se impressionar facilmente, era um fato. Também era um fato que nunca havia visto um ônibus desgovernado em chamas, tendo os gritos dos moradores apavorados como trilha sonora. Ficou imóvel, suas mãos agarraram firmemente a corda que compunha a coleira da sua hotweiler, que já se demonstrava agitada. ❝ Quieta, Pantera. ❞ sibilou para o animal, enquanto as sirenes soavam com a chegada dos policiais, não que isso tivesse deixado as pessoas menos estarrecidas. No meio da confusão, esbarrou com alguém, fazendo a pessoa cair ao chão. Ela estendeu a mão livre para auxiliá-lx a levantar. ❝ Está tudo bem? Foi uma queda fenomenal, preciso admitir, me desculpe. ❞ apertou os lábios na tentativa de segurar o riso. Momento totalmente inapropriado, típico de Roxy.
Há muito tempo o som de sirenes já não lhe afetava. Meses depois do mountain killer, aí sim elas teriam sido um problema. Mas depois de ouvir reproduções dos mesmos sons nas gravações do documentário, elas passaram a não significar nada para Juniper. Por isso, quando as viaturas passaram por si, não conseguiram reação alguma da mulher. O ônibus em chamas, entretanto, foi uma surpresa e tanto. Seu primeiro instinto foi apertar o passo, para sair do meio da confusão o mais rápido possível. Fixou o olhar no chão escuro, para evitar qualquer imagem de corpos que seria incapaz de esquecer, e talvez essa não tenha sido sua melhor ideia, já que, quando viu, estava sentada no chão, toda desajeitada. Deixou um sorriso de canto aparecer em seus lábios ao reconhecer a voz da pessoa que lhe oferecia a mão, como se a autorizasse a rir. Aceitou a ajuda para se levantar e suspirou, passando rapidamente as mãos pelas roupas, tirando qualquer coisa que poderia ter ficado grudada ali. “Estou bem. Não estava olhando muito bem por onde ando, desculpa.” Justificou. Lançou um olhar para a cadela parada ao lado da dona. “Oi, Pantera.”
And at night, tears replaced anger, making her feel lonelier than she really was.
L.R. excerpt from a book I’ll never write (via holaitsliza)
I’ve never met a strong person with an easy past.
Unknown (via wnq-anonymous)
Chloe Bennet photographed by Irvin Rivera (2018)
She is kind and very beautiful. But she can be so cruel and it comes so suddenly and such birds that fly, dipping and hunting, with their small sad voices are made too delicately for the sea.
Ernest Hemingway (via quotemadness)