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Estacionando o carro em frente a floricultura que já era tão familiar para si, Celly ainda tinha a saia de moedas que usava para as aulas de dança do ventre ao redor do quadril, já que, assim que terminara sua última classe do dia, praticamente voara até o local para chegar a tempo de pegar @hznsel ainda no Gardênia. Trouxe em uma das mãos o pequeno pote que havia usado para guardar o último pedaço da receita que havia feito ainda naquela tarde, acompanhado de um garfo que havia apanhado para a ocasião. Assim que adentrou o estabelecimento, pegou, de um dos primeiros vasos dispostos na entrada do ambiente, uma das flores que restava solta ali. “ — Honey, I’m home. ” entoou enquanto caminhava, apesar de suspeitar que o outro já estava ciente de sua presença, vendo o barulho que as moedas faziam ao bater uma contra a outra em seu traje. Sorriu assim que avistou a silhueta do amigo, e tão logo quanto aproximou-se, estendeu a flor que havia apanhado em direção a ele. “ — Eu até penso em te dar outros presentes, mas seria completamente injusto considerando que você tem a melhor floricultura da cidade. ” comentou, justificando a sua ação enquanto esboçava um pequeno sorrisinho. “ — Então, depois de quase quatro meses sobrevivendo de comida de coelho, eu finalmente decidi começar uma aula de culinária pra me alimentar de alguma coisa que não seja folhas. ” riu baixo, abrindo o pote que tinha em mãos e revelando o pedaço do bolo que havia feito naquela tarde. “ — Espero que goste de bolo de nozes. ”
muitas coisas no mundo fascinavam rayyn. uns anos atrás, acreditava que era a mente humana o que devia desbravar, para logo depois descobrir que eram, na verdade, as flores. não elas, especificamente, mas todas as possibilidades contidas nas pétalas coloridas. um grande amante de pessoas, poderia ficar horas escutando as histórias de cada um que entrava em sua floricultura. sabia exatamente como saciar suas necessidades, também. flores mais sérias para enterros, flores coloridas para aniversários, nada de rosas vermelhas para pedidos de casamento. o gardênia era mais do que as plantas propriamente ditas, a excentricidade estava nas histórias. nelas e, é claro, no dono por si mesmo. todos que entravam no gardênia encontravam um homem vestindo penas, saias e transparências, com unhas meio pintadas e, às vezes, olhos coloridos por sombras de diferentes tipos. normalidade, aprendeu em algum momento da vida, não era algo que lhe cabia. logo que escutou a voz feminina, saltou do banco atrás do balcão e caminhou à seu encontro, seguindo o som familiar da saia da outra. seu sorriso logo se abriu e, quando estava próximo o suficiente, passou a mão pela saia, fazendo-a emitir um som ainda mais alto. logo pegou a flor, encaixando-a atrás da orelha, e logo deixando que se misturasse com seu cabelo. “babe, flores serão sempre os melhores presentes que você poderá me dar.” aproximou-se um pouco mais, para sentir o cheiro do pote recém aberto. os lábios foram até o bochecha alheia, beijando-a com animação. “casa comigo?” perguntou, mas já pegava o pote numa mão e o garfo em outra, não demorando para pegar um pedaço. mastigou devagar, fechando os olhos. o sorriso, antes sutil, se abriu graciosamente. tirou rapidamente o colete de pelos cor-de-rosa que usava e colocou sobre os ombros alheios, puxando-a para um abraço desajeitado, uma vez que as mãos estavam ocupadas. “meu anjo, você é a melhor do mundo.” assim que a soltou, na mão, junto com o garfo, tinha outra flor, que pegara do vaso atrás da loira. “magnólia amarela. uma das minhas preferidas.”














