Sim, eu ainda penso em você.
Penso em quem a gente foi, em quem a gente era, em tudo o que poderíamos ter sido e em tudo o que somos agora. E dói. Dói admitir que ainda existe tanto de você dentro de mim.
Às vezes eu queria que existisse um botão de pausa. Só por alguns dias. Uma forma de descansar desse sentimento que nunca parece diminuir. Ou então um botão de rebobinar. Voltar no tempo e simplesmente não ter ido naquela festa. Talvez, se aquilo nunca tivesse acontecido, a gente não tivesse se envolvido da forma que se envolveu. Talvez não tivesse se amado tanto. Talvez também não tivesse se machucado tanto.
Mas aí eu penso... se eu rebobinasse, também perderia tudo o que foi bonito. Todos os sorrisos, os abraços, os momentos em que eu tive certeza de que estava exatamente onde queria estar. E então me pergunto: será que eu sentiria o vazio de algo que nunca existiu, mesmo sem saber que um dia poderia ter existido?
Eu realmente não sei.
O que eu sei é que você continua em todos os lugares.
Você está no mercado, nas ruas por onde eu volto para casa, nas músicas que eu escuto, nas séries que eu assisto, nas minhas comidas favoritas. Está nos pequenos detalhes que antes pareciam comuns e que agora carregam um pedaço de você.
Tudo tem gosto de saudade.
Eu não sabia que a saudade podia doer tanto. Não sabia que ela podia se espalhar por todos os sentidos, como um veneno silencioso. Talvez esse seja exatamente o gosto dela: um veneno que não mata de uma vez, mas que vai ficando no peito todos os dias.
E eu não sei o que fazer com isso.
Não posso rebobinar a vida. Não posso apagar o que aconteceu. Então me resta aprender a conviver com a lembrança de tudo o que fomos.
E talvez essa seja a parte mais cruel.
Porque, no meio da dor, também existem lembranças lindas. E elas não me deixam odiar a nossa história. Pelo contrário. Elas fazem com que tudo doa ainda mais.
Você está no toque que eu lembro, no olhar, no cheiro, no gosto, no sorriso, no carinho. Está nas minhas alegrias, nas minhas tristezas e, de alguma forma, em quase todos os momentos da minha vida.
É estranho perceber como alguém consegue permanecer mesmo depois de ir embora.
Hoje você existe apenas na memória.
E talvez seja justamente isso que mais machuca: não poder fazer absolutamente nada com ela.









