Se eu te dissesse.....
Às vezes, a verdade pesa mais quando fica presa na garganta. Se eu te dissesse tudo que carrego em silêncio, não saberia por onde começar. Há camadas de histórias que se acumulam dentro de nós, feitas de medos não confessados, de noites em claro e de sorrisos que disfarçam o cansaço. O que acontece de verdade raramente cabe em frases prontas ele se esconde nos intervalos, nos suspiros contidos, nas pequenas fissuras do cotidiano que ninguém nota. Se eu te dissesse o que causou minha ansiedade, talvez você não visse um único acontecimento, mas um emaranhado de expectativas, de cobranças invisíveis, de um ritmo que nunca permite pausas. A ansiedade não surge do nada ela se alimenta do que foi engolido a seco, do peso de carregar sozinho o que deveria ser dividido, da sensação constante de que nunca se está à altura. E ainda assim, hesito. Porque falar exige coragem, mas também exige um espaço seguro. Você ouviria? Me entenderia? Ou as palavras se perderiam no ruído, transformadas em conselhos apressados, em comparações, em silêncios que pesam? Entender não é apenas captar o som das sílabas, é sentir o tremor por trás delas. É reconhecer que, por trás de cada confissão, há um pedido mudo de acolhimento. Talvez a maior solidão não seja estar sozinho, mas estar perto e ainda assim não ser visto. No fim, a questão não é só o que eu diria. A questão é o tipo de escuta que oferecemos uns aos outros. A verdade não precisa ser reta ou bonita para ser válida. A verdade só precisa de um lugar onde a verdade possa ficar sem medo. Se um dia eu reunir coragem para falar, eu quero que a coragem não tenha pressa para responder. Eu só quero um respiro compartilhado. Às vezes, um respiro já é suficiente.











